Um desastre ecológico e econômico
Vou tentar fazer uma cronologia do que aconteceu:
Dia vinte de março houve um incêndio na plataforma de exploração de óleo da Transocean, atualmente administrada pela BP, uma das maiores empresas de energia dos Estados Unidos. Esse incêndio, inicialmente, causou uma comoção geral pela morte de 11 operários.
Subsequentemente, começam os boatos sobre um potencial desastre ecológico. A plataforma estava obtendo algo como 8000 galões de óleo por dia e tinha 700.000 galões de Diesel na locação (para referência, um galão equivale a mais ou menos quatro litros). Gradualmente, começam a falar sobre um vazamento, que seria facilmente controlado.
Entre os dias 24 e 26 de Março isso se mantém como a “posição oficial” da BP. Até que dia 27 tudo começa a dar errado. Alguém sugere botar fogo no óleo, o que prova ser uma ideia idiota. Enquanto isso, congressistas começam a fazer perguntas desagradáveis para a BP, tipo: “vocês podiam mesmo explorar óleo nesta região?”, “o risco desta naba já era bem claro, e vocês continuaram mesmo assim?”
Dia 28 a coisa atinge níveis apocalípticos para a região. O vazamento, inicialmente de 1000 galões/dia, é corrigido para 5000 galões/dia, e a BP admite que não consegue achar uma forma de parar o vazamento de material: ou seja, a mancha de óleo está fora de controle e ainda por cima está aumentando de tamanho.
Dia 29 o Obama faz uma declaração dizendo que 1) o governo vai mobilizar até o exército para tentar controlar a coisa e 2) a BP vai pagar pelos custos da bagaceirada.
Entre ontem e hoje a imprensa tem focado nas consequências desse vazamento para a região do Golfo do México, que já é a região mais pobre dos Estados Unidos. A consequência econômica do acidente é dramática: algumas regiões podem ter que ficar até 4 anos sem poder explorar a costa – inclusive para pesca. Em estados como Mississipi e Louisiana isso é mais um prego no caixão de uma economia que ainda não se recuperou do Katrina.
Do ponto de vista ecológico, a coisa não é nem um pouco mais animadora. O vazamento afeta o habitat de diversas espécies, algumas já ameaçadas de extinção. O golfo do méxico se beneficia muito de um tipo de turismo ecológico que pode ser diretamente afetado por este evento.
Enquanto a BP e a Transocean ficam brincando de transferir a culpa do vazamento, o governo federal é testado na resposta a um desastre ecológico com uma repercussão econômica enorme. O Obama deve ir para o sul ainda no final de semana para verificar a situação em pessoa.
Esse vazamento também retoma a discussão sobre a exploração de petróleo em alto-mar (off-shore drilling). Isso foi parte importante do debate sobre energia durante a campanha presidencial e o chefe do Republican National Committee (RNC, algo como o presidente do partido), Michael Steele, imortalizou a frase chefe da campanha na última reunião do partido:
Perfure, meu bem, perfure!
Já tem muito cronista por aqui gritando que tinham prometido que a exploração de óleo em alto mar era 100% segura e certamente não vai faltar gente dizendo que isso não prova coisa alguma e é um incidente isolado.
Como sempre, agora é esperar para ver como isso vai evoluir. Uma coisa é certa: os estados que ficam na costa do Golfo do México não vão conseguir se levantar sozinhos dessa história, e em tempos de vacas magras na economia isso pode significar um empobrecimento ainda maior da região.
Tags: Economia, Golfo do méxico, Off-shore drilling, Petróleo, Vazamento
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