A China odeia crianças

Érica Manssour | China 11:01 | 06/05/2010

“Crianças são o futuro da nação” é um clichê universal propagado à exaustão pelos adultos do presente que detêm o poder de fazer acontecer, mas que preferem se isentar da responsabilidade de, no mínimo, construir alicerces decentes para que essas crianças tenham condições de realizar alguma coisa no tal futuro.

Na China isso também é verdade, e se você acha que em um país onde vigora a lei do filho único as crianças deveriam ser ainda mais valorizadas, pense de novo, pois recentes escândalos indicam exatamente o contrário.

Quarta-feira da semana passada (28 de abril), 15 crianças e uma professora de uma escola primária da província de Guangdong foram vítimas de um homem que os atacou com facadas. O incidente aconteceu no mesmo dia em que outro homem era executado por ataque semelhante no mês de março, na província de Fujian, e que resultou em 8 vítimas fatais – todas crianças.

Na quinta e sexta-feira sucederam-se outros dois ataques. Em Jiangsu, 28 alunos e 3 adultos sofreram ferimentos, com 5 vítimas em estado grave. Em Shangdong, a faca foi substituída por um martelo e 5 crianças foram feridas.

O caso da província de Fujian, em março, recebeu bastante cobertura da mídia nacional e pouco mais de um mês depois o responsável pelos ataques foi executado. O incidente de Guangdong também foi bastante noticiado, mas a confusão começou a se instaurar a partir do segundo caso consecutivo, na quinta-feira da semana passada. Controvérsias em relação ao número de feridos e possíveis mortos emergiram, e a escassez de notícias causou estranhamento – o Ministério da Verdade contra-atacara emitindo recomendações de que fossem minimizadas as notícias sobre o assunto, afinal a inauguração da Expo Shanghai aconteceria em alguns dias e essa história prejudicaria a imagem de sociedade harmoniosa tão propagandeada pelo partidão.

Esse tipo de ataques não é novidade – em 2004 casos semelhantes também chocaram o país.

Ainda em março deste ano, crianças eram novamente vítimas de adultos inescrupulosos. Dessa vez vinha à tona o escândalo das vacinas na província de Shanxi. Uma reportagem relacionou a morte de 4 crianças após terem recebido vacinas que haviam sido armazenas inapropriadamente. Como consequência da administração de vacinas estragadas, pelo menos outras 74 crianças também teriam adoecido e algumas ficaram permanentemente deficientes.

Em 2008, outros dois grandes escândalos envolvendo a morte de crianças.

Em maio, o terremoto de Sichuan deixou mais 60 mil mortos e aproximadamente 7 mil escolas ruíram, enquanto prédios do governo mantiveram-se intactos a apenas poucos metros de distância. Se São Paulo tem escolas de lata, as de Sichuan foram apelidadas de “escolas de tofu”.

Em julho, surgiram as primeiras notícias ligando crianças com pedra nos rins ao consumo de leite em pó “envenenado”. Mais de 300 mil crianças adoeceram e pelo menos 6 morreram após ingerirem leite em pó adulterado (melamina, composto químico que causa insuficiência renal, havia sido adicionada à formula do produto). Com os jogos olímpicos de Beijing por acontecer, o governo foi acusado de acobertar o caso e adiar medidas.

Se nada disso parece o suficiente pra sustentar a teoria de que a china tem uma estranha relação com suas crianças, só me resta usar como argumento a foto abaixo:


Fralda é supérfluo.

O luto chinês

Érica Manssour | China 07:23 | 22/04/2010

Dia 21 de abril o terremoto que atingiu o município de Yushu completa uma semana e o governo chinês declarou luto oficial. A decisão é a mesma tomada em 2008 com o tremor que assolou a província de Sichuan. Diversos jornais e sites amanheceram em preto e branco como forma de homenagear as mais de 2000 vítimas fatais.

Além de bandeiras a meio-mastro e 3 minutos de silêncio sendo observados em diversos locais, na China o decreto de luto oficial inclui uma menos tradicional proibição de atividades relacionadas à diversão. Segundo a ótica do partidão, isto implica no fechamento de cinemas, bares e karaokês, assim como a suspensão da transmissão de jogos e outros programas de entretenimento pelas emissoras TV. Na internet, jogos, download de música e chats tornam-se inacessíveis durante o dia. Por aqui tudo vira motivo pra algum tipo de censura.

Grande parte da população do munícipio de Yushu é da minoria étnica tibetana e, apesar da possibilidade de que terremoto ganhasse um viés político, até o momento o governo chinês tem conseguido administrar bem a situação e a imprensa (internacional, claro, a nacional jamais se atreveria) tem explorado pouco assunto.

A visita que o Dalai Lama pediu permissão para fazer à região, no entanto, parece que vai ficar pra próxima encarnação mesmo.

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Programa Braziu 005 no ar

braziu.org 18:48 | 19/04/2010

Érica Manssour na China, Leandro Demori na Itália, Fabrício Pontin nos Estados Unidos, Mário Camera na França e Walter Valdevino no Braziu comentam pesquisas eleitorais (ninguém aguenta mais), pedofilia, Je$u$, vulcão Eyjafjallajkuljhurflsufaielfijfuro, caos aéreo na Europa, tremedeira de terra na China e mais todas as desgraças – naturais ou não – que você possa imaginar.

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