Ato contra tudoissoqueestaaí
Entrei por curiosidade no site da Federação Nacional dos Jornalistas para saber se há algo sobre o “ato contra o golpismo mediático” de hoje. Há, obviamente.
A notícia divulgada pela Fenaj destaca que o “ato” é “pluripartidário”. A informação está correta na mesma medida em que é desonesta: vários partidos participam da manifestação, todos, no entanto, pró-governo. O “pluripartidário” quer dar um evidente tom de concordância popular; os 81% dos brasileiros que estão contentes com a imprensa discordam.
O site da Fenaj, mantido por jornalistas, faz jus à fama de tratar de forma desonesta a informação. A mentira dos outros, é claro, é sempre mais mentira.
Em outra época, os militares queriam calar a imprensa, e a União Nacional dos Estudantes junto aos partidos “de esquerda” — como se dizem esses do “ato” — pediam liberdade de expressão. Hoje, o Clube Militar realiza evento sobre a liberdade, e a militância revolucionária?
O manifesto de convocação do ato considera que a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. “Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa’, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência’”, registra o documento.
Não sei em que bolha de sobrevivência essa gente viveu nos últimos anos, mas no país que eu conheço as eleições sempre foram exatamente como são hoje: um festival de baixarias por parte dos candidatos, e outro festival de denúncias e matérias “bombásticas” por parte da imprensa. Para manter a tradição da edição desonesta que tanto diz combater, os organizadores do “ato” também divulgam um texto desonesto. Vai ver é piada interna.
A “manifestação” contra o “golpismo mediático” ocorrerá no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas são apenas mais duas das associações bancadas pelo dinheiro estatal — ou seja, o seu — para defender o governo. A utilidade social ou para a classe dos jornalistas que a Fenaj ou os sindicatos representam é zero.
Tento renovar minha carteira de jornalista há meses, mas só quero fazer a carteira internacional, já que moro fora do Brasil. É impossível. Eu teria que fazer a nacional e, depois de pronta, a internacional. A grande jogada? Essa (email recebido do Sindicato dos Jornalistas do RS):
“Ola,
Tens que ter a carteira nacional na validade (xerox), e também a xerox da carteira internacional vencida, 01 foto 3×4 recente e fundo branco (foto para documento), estar em dia com as mensalidades e pagar 40 euros (cotação do dia).”
A sindicalização não é obrigatória, e essa informação foi omitida no e-mail. Não quero me sindicalizar e ajudar com minhas suadas liras a sustentar esses “movimentos sociais” que defendem bandeiras de acordo com o que quer a diretoria de plantão. Não ajoelho na mesma fé da Turma do Paletó na Cadeira. Sindicatos de jornalistas me parecem sempre algo como a Academia Brasileira de Letras: um bando de gente sem talento tentando aliar prestígio a benesses pessoais.
Custo para fazer a carteira nacional: “Não Sindicalizados – R$ 300,00″
Ou seja: primeiro você versa trezentinho no caixa da companherada, depois, mais 40 euros. Agora me explica:
1) no bolso de quem eu enfio a carteira nacional se ela é inútil para quem mora no exterior?
2) e por que motivo preciso fazê-la se o que me interessa é somente a internacional?
É gente assim que vai lá gritar e espernear contra a Mídia Má, essa gente honesta e cheia de boas intenções; proba a ilibada, sempre preocupada com algo maior.
Outra coisa lamentável de espisódios como esse dorme nas faculdades. Até 2002, os alunos eram formados por professores de maioria petista e/ou “de esquerda” que enchiam as jovens cabecinhas com o discurso de que o governo deveria ser tratado como “inimigo”, como algo a ser desvendado e exposto. Em tese, os aprendizes não deveriam se interessar por FHC ou por Lula, mas pelo Presidente da República e pelas instituições abaixo dele. Deveriam ser, na medida fiscalizadora — e não eleitoral — uma espécie de eterna oposição.
Hoje, com a companherada no pudê, os professores petistas continuam no mesmo lugar, e o que as faculdades mais criam é aluno com blog que defende o status quo. Formar peleguismo é o hype do momento.
Tags: ato com a mídia, Demência, Fenaj, jornalistas, peleguismo, protesto, Sindicato
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