Uma derrota humilhante
Acabou como deveria ter acabado, se levarmos em conta as pesquisas dos últimos meses. Mesmo assim, a surpresa foi grande no Palácio do Eliseu. O presidente Nicolas Sarkozy ainda tinha esperanças de que a derrota nas eleições regionais que terminaram no último domingo, na França, não seria tão humilhante para a direita. Foi um erro, alimentado pelo ego presidencial. Das 26 regiões francesas, o partido no governo, a UMP, levou apenas três. O resto ficou com a oposição, liderada pelos socialistas.
Essas eleições marcam, finalmente, o fim da primeira metade do mandato de Sarkozy. Uma etapa marcada pela crise econômica, que causou estragos e levou o presidente a rever suas promessas de reformar o velho e enferrujado Estado francês.
Tudo parece ter fracassado. Até mesmo a abertura à esquerda, que alçou membros da oposição a cargos de confiança dentro do governo. A estratégia presidencial para implodir o Partido Socialista chegou a dar sinais de estar funcionando, quando a UMP humilhou a esquerda nas eleições europeias. Era uma falácia, da qual ninguém se deu conta. Só serviu para irritar muitos eleitores da direita e da extrema-direita que votaram em Sarkozy nas presidenciais de 2007.
Diante da derrota humilhante, restou a Sarkozy fazer o que todo governante deve fazer nestas horas. Foi preciso sacrificar alguém. Para não mostrar a total perda de rumo do governo, decidiu escolheu um. Foi uma escolha a dedo. Rolou a cabeça que é mais visível nestes tempos de crise e desemprego crescente. O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, deixa a pasta para tentar apaziguar a insatisfação popular.
A guilhotina sarkozysta deve continuar trabalhando esta semana, segundo o Le Monde. As próximas vítimas serão, provavelmente, secretários de Estado e membros do governo que militavam à esquerda antes de Sarkozy chegar ao poder. O presidente quer dar um recado claro a seus correligionários, extremamente irritados com a derrota do domingo passado. O objetivo é reagrupar as diferentes correntes dentro da UMP, com vista às próximas eleições que serão realizadas no país e nas quais uma derrota será fatal: as presidenciais de 2012.











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