Uma questão de empatia, ou “Parabéns, Presidente Dilma”

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:18 | 09/09/2010

Enquanto a Dilma vai se consolidando com 50% nas pesquisas, resta ao PSDB olhar para os lados e tentar entender como é que a eleição foi perdida. Vou tentar dar um panorama da coisa, e tentar traçar a jornada que o PSDB protagonizou para conseguir fazer o papelão que deve ser confirmado na eleição de outubro.

Um candidato abandonado

Serra começou a perder essa eleição no momento em que Aécio Neves abandonou o barco. Aécio seria a escolha lógica de vice para o Serra, dando um contraponto um pouco mais carismático para a imagem sisuda do governador de São Paulo. No entanto, Aécio resolveu que abriria mão da candidatura à presidência, evitando se expor em uma chapa com alta chance de fracasso. Pelo contrário, ele resolveu se isolar em Minas Gerais e garantir uma eleição ao Senado – se colocando na linha de frente para a eleição de 2014.

Com isso, Serra se viu só em um partido famoso por ter muito cacique mas poucos índios. Logo, os potenciais candidatos a vice foram dando negativas à chapa tucana e o PSDB teve que inventar um candidato a vice completamente sem expressão política.

Claro, eu não sou imbecil o suficiente para indicar que o candidato a vice-presidente decide alguma coisa. Mas enquanto Dilma se aliava com o Michel Temer, oficializando o alinhamento entre PMDB e PT, Serra era obrigado a inventar uma coligação com o DEM no papel de principal coadjuvante.

Nesse momento, a eleição já estava desenhada. Ainda que Serra mantivesse uma liderança nas pesquisas, a popularidade do Lula, somada à baixa rejeição da Dilma, colocava um cenário difícil de ser revertido: as pessoas que não conheciam os candidatos estavam se decidindo, em uma proporção quase geométrica, pela Dilma. E em um cenário onde ninguém vota movido por ideologia, mudar esse tipo de tendência é extremamente complicado.

O idiota útil

Ciro Gomes tinha grandes planos para essa eleição. Até julho do ano passado, Dilma não parecia decolar nas pesquisas de voto, e Ciro parecia ser o “trunfo” para garantir o projeto político capitaneado pelo PMDB e por Lula (que é bem diferente do projeto político do PT, que a essas alturas pouco importa). Ciro poderia não apenas garantir um segundo turno contra Serra, ele poderia também ser o candidato de Lula no segundo turno (no eventual fracasso de Dilma).

Mas algo aconteceu no momento em que Lula resolveu que Dilma seria a próxima presidente do Brasil: a mulher do Lula começou a aparecer nas pesquisas e a inacreditável popularidade do presidente foi transmitida para a mãe dos pobres. Com isso, Ciro perdeu toda a utilidade. No espaço de um mês, de potencial candidato à Presidência, Ciro passou a candidato de fachada, para garantir Dilma no segundo turno. Em quarenta e cinco dias, o segundo turno era um fato com ou sem Ciro. Em dois meses, Ciro sequer aparecia como potencial candidato à vice em uma chapa capitaneada por Dilma. Depois de um ano, Dilma pode (e talvez deva) ganhar no primeiro turno. O que aconteceu no meio tempo?

Um peixe chamado Lula

Faz mais de dois anos que Lula não baixa da linha dos 60% de aprovação. Isso não tem precedentes no cenário democrático brasileiro. Não cabe aqui analisar os motivos da aprovação do presidente, nem questionar se a aprovação é merecida. Até porque fazer esse tipo de coisa é charlatanismo. Mas o fato é o seguinte: Lula é o presidente mais popular que o Brasil já teve (pelo menos desde que existem institutos para medir popularidade). Como é possível competir com a candidata de um presidente que chega a inacreditáveis 80% de avaliação positiva?

Serra é um homem inteligente e sabia que não poderia ganhar nesse cenário. Talvez a gente possa compreender o completo colapso da “plataforma eleitoral” (e haja aspas) do Serra a partir da constatação de que não havia muito o que fazer. O melhor era tentar levar a coisa até o segundo turno e esperar que alguma coisa (tipo uma foto da Dilma roubando comida de um bebê faminto no sertão sergipano) pudesse mudar o cenário.

Mais que isso, nem Serra nem Dilma tinham rejeição altas. Isso é um fator relativamente novo em uma campanha brasileira. Se a gente observar as eleições de 1989, 1994 e 1998 vamos perceber claramente que o candidato derrotado sempre teve uma rejeição muito alta. Quase sempre isso foi vinculado a imagem do Lula. Lula somente ganhou a eleição quando conseguiu deslocar a imagem de operário-combativo para o Lulinha-paz-e-amor. Nem Dilma, nem Serra precisaram se preocupar com esse fator. Apenas agora, no final da eleição, Serra está com 31% de rejeição. Em 1994, Lula nunca teve menos de 38% de rejeição. E em 1989 chegou a ter, no segundo turno, 42% (quase a mesma porcentagem que Collor tinha na espontânea, indicando que quase todos que votavam em Collor não votariam em Lula sob hipótese alguma). Da mesma forma, em 2000, o desgaste do governo Cardoso contaminou a campanha de Serra que, no início de Setembro, tinha 34% de rejeição — e nunca tinha ficado abaixo dos 30%. Nessa eleição, apenas agora algum candidato passou dos 30%, e me parece interessante que justamente o candidato de oposição tenha chegado primeiro nessa linha.

Como não fazer uma campanha

Vai ficar para a história o tamanho da burrada que o PSDB cometeu nessa campanha eleitoral. Serra tinha poucas chances, é verdade. Também é verdade que suceder um presidente com 80% de aprovação é uma tarefa inglória, e talvez Serra esteja mais interessado em garantir sua aposentadoria no Senado na próxima eleição (ao contrário de Ciro Gomes, me parece que a carreira política de Serra não acabou nessa eleição, ele ainda tem alta aceitação em São Paulo. Ciro cometeu suicídio político ao se incomodar com Lula e queimou todas as pontes com o PSDB no passado – e eu adoraria que alguém me explicasse o que diabos levou ele a mudar de domicílio eleitoral para São Paulo).

Mas nada explica a postura do PSDB nessa eleição. Não vou nem entrar na discussão barata sobre a postura da “grande mídia”. A questão aqui não é como a imprensa abordou ou deixou de abordar a candidatura do Serra, da Dilma ou da Marina (que, francamente, foi apenas uma distração para a classe média antenada, incapaz de perceber uma candidata extremamente fraca e bastante conservadora). A questão, isso sim, é como o Serra decidiu levar a campanha.

Sabendo que a derrota era praticamente inevitável, Serra tentou garantir um segundo turno, alegando “fazer um governo tipo o do Lula, mas sem aquele monte de petista”. Ao ver essa estratégia fazer água, o PSDB resolveu tirar da cartola uma meia dúzia de escândalos que ninguém entendeu, uma outra dúzia de argumentos com os quais ninguém se importou e uma série de críticas que só podem ser piada. Mais que isso, Serra decidiu engolir a tese segundo a qual a estabilidade econômica é merito do Lula, apenas para não ter que mencionar o nome de FHC (talvez por ter sido prejudicado por esse mesmo nome em 2002). Com isso, Serra protagonizou uma campanha sobre o nada.

O mais interessante disso tudo é perceber que a Dilma não existe. A Dilma é uma invenção do Lula, e é por isso mesmo que ela vai vencer a eleição. Restava ao Serra tentar salvar a própria pele em uma campanha com um resultado quase inevitável. Mas o medo de perder no primeiro turno tomou conta da campanha tucana, que passou as últimas semanas atacando a candidata de um presidente extremamente popular (e, claro, tentando atingir o próprio presidente no caminho).

Resultado: Serra tem menos votos hoje do que no ano passado em quase todas as simulações, e qualquer pessoa que entende o mínimo de eleição vai te dizer que quando um candidato começa a cair abaixo do “valor inicial”, ou a correr em uma velocidade mais baixa do que a do início da corrida, é porque o carro tá quebrado.

Mataram seus ídolos

Leandro Demori | Itália 14:01 | 09/09/2010

Nem o tempo, as crises e os furacões conseguiram apagar Cuba do imaginário comunista do Ocidente. Ainda hoje, muito se fala na ilha como exemplo bem construído — mesmo que não perfeito — daquilo que o mundo poderia ter sido e não foi. Um dos tantos motivos que levaram à construção desse imaginário é sua localização geográfica: posto mais avançado do modelo russo para além da Cortina de Ferro, Cuba está ‘do lado de cá’, no coração do sistema combatido pela extinta URSS.

As eleições de 1976 não passaram despercebidas naquele ano. As eleições de 1976 não foram, no entanto, em Cuba, mas na Itália, e alvoroçaram as plumas de parte do ocidente, movendo serviços secretos, políticos e grupos de pressão (legais e ilegais) contra um avanço real e democrático do inimigo vermelho. Naquele ano, o Partido Comunista Italiano (PCI) fez 34,4% dos votos, pouco menos dos 38% da tradicional e vencedora Democrazia Cristiana (DC), partido que comandou a Itália por 30 anos.

Para além do ideário de quem acreditava no poder das armas e via em Cuba um exemplo a ser seguido, a votação maciça dos italianos no PCI representava tutta un’altra cosa. Tratava-se de um dos países mais importantes do mundo, uma economia industrial no auge da expansão e com todo o peso histórico que a península sempre representou. O voto, para além dos fuzis, mostrava ao ocidente que o comunismo poderia existir de modo consensual.

A vitória apertada da Democrazia Cristiana não dava muitas perspectivas ao partido, que precisaria de maioria para governar ou correr o risco de novas eleições contra um PCI cheio de músculos. Estava tudo na mão dos comunistas, e os comunistas se comprometeram em sustentar Giulio Andreotti, premier recém eleito pela DC. O costureiro da aliança fora o democristiano Aldo Moro, premier recém saído do governo que estabelecera um canal direto com Enrico Berlinguer, secretário-geral do PCI.

A aliança Moro-Berlinguer — mesmo não fazendo do PCI um partido oficialmente governista — desiludiu profundamente parte importante da militância vermelha, que se tornaria cada vez mais violenta. Queriam fazer a revolução, e não se aliar aos velhos políticos da Primeira República.

O movimento em direção ao centro provocou uma onda de desfiliações e passeatas.

Em outubro de 1976, a situação piora: o governo apoiado pelo PCI aumenta a gasolina, os impostos e os cigarros (jamais subestime os cigarros na Itália). O partido perde cada vez mais força na base. Os militantes jovens, que contribuíram fortemente com o sucesso eleitoral, debandam velozmente. Em março de 1977, em Roma, um movimento ocupa a universidade. Em Bolonha, até hoje a rocha-forte da esquerda, outro movimento ocupa o centro da cidade a ferro e a fogo. Um estudante morre.



Parecia claro que a estratégia de Giulio Andreotti e da Democrazia Cristiana era ganhar tempo e esvaziar o Partido Comunista. Sem saída, Berlinguer abre uma crise de governo ameaçando derrubar a legislatura, mais uma vez com a cumplicidade de Aldo Moro, com quem se encontrava frequentemente. Ao mesmo tempo, Aldo Moro trabalha nos bastidores para evitar a queda do governo que, para seguir adiante, precisaria do apoio incondicional dos comunistas.

Em plena Guerra Fria, entre hesitações, revisões e agendas secretas, Moro se encontra paralelamente com a CIA e com representantes do governo americano para garantir que a Itália não entraria na Cortina de Ferro. Era a preocupação reinante em Washington. Moro consegue êxito em todos os fronts: a partir daquele momento, o PCI entra oficialmente no governo e — de modo como jamais desejara — na história.

A militância ligada ao PCI por laços ideológicos debanda. São milhares e milhares de desfiliações.

Em 1978, Aldo Moro se dirige ao parlamento para acompanhar uma votação. É raptado e seus agentes de escolta, mortos. Horas depois, uma foto do cativeiro é divulgada. Os sequestradores são grupos de esquerda da geração de Cesare Battisti. A cada dia, o PCI e Berlinguer perdem força, soterrados por notícias de atentados dos “anos de chumbo” italianos.

O sequestro dura 55 dias, durante os quais as Brigadas Vermelhas — grupo responsável pelo crime — emitem 9 comunicados e várias cartas escritas por Moro a políticos e religiosos. Quando o relógio bate 12h30 do dia 9 de maio, um telefonema a um amigo do ex-premier indica a rua Michelangelo Caetani, próximo a rua delle Botteghe Oscure (sede do PCI) e da Piazza del Gesù (sede da DC) como local de entrega do político. A expectativa de rever Moro com vida se diluiu ao abrir do porta-malas de um automóvel Renault 4 estacionado na rua. Moro havia sido assassinado.

Era o fim do Partido Comunista Italiano, morto pela guerrilha de extrema-esquerda iniciada como vingança à política de vizinhança com “o inimigo”. Nas eleições do ano seguinte, 1979, o PCI perde 1,5 milhão de votos e afunda.

Em 1980, a FIAT decide demitir funcionários e fechar uma fábrica. Berlinguer vê uma possibilidade de retomar o apoio perdido, vai a Torino e discursa aos protestantes. Ao mesmo tempo, busca desvincular a imagem dos comunistas italianos à luta armada e ao radicalismo: condena a invasão da URSS ao Afeganistão e rompe com o bloco. Na mesma década, rompe também com a Democrazia Cristiana e começa a atacar o que ele próprio chama de “Questão Moral”, a sujeira que estava tomando conta da política italiana.

Os planos de colar nos operários, condenar a luta armada, romper com a Rússia e discursar pela moralidade política não funcionam. No Congresso Socialista de 83, Berlinguer é vaiado.

No dia 7 de junho de 1984, durante um comício em Pádova, Berlinguer se sente mal enquanto discursa. Os médicos constatam hemorragia cerebral. Quatro dias depois o secretário-geral do PCI estava morto.

Berlinguer não amava o populismo, e talvez tenha sido esse o seu pecado político maior em uma época em que todos os líderes da esquerda personalizavam projetos. Surpreendentemente, poucos dias depois de sua morte, o PCI faz tantos votos que chega a superar a DC nas eleições europeias — um resultado emocional pela morte do ex-líder, resultado que nunca mais se repetiria. O Partido Comunista Italiano estava enterrado para sempre.

A militância do PT não se desiludiu diante da aliança com o PMDB, partido mais próximo daquilo que foi a extinta Democrazia Cristiana na Itália. O PMDB, vice na chapa de Dilma, detém a maior bancada ruralista da Câmara (55 deputados). Mentalize esse número e reflita sobre reforma agrária.

Não houve protestos ou desfiliações em massa após os apoios a velhos políticos coronelistas como Renan Calheiros, José Sarney ou Fernando Collor. Pelo contrário: o número de filiações aumentou 60% desde 2002.

A “Questão Moral”, motivo pelo qual já votei no PT, há muitos anos foi sepultada pelo partido e isso não causou alguma comoção relevante.

Mataram seus ídolos.

Os cadáveres mais nobres continuarão vagando insepultos pelos salões de Brasília.

Bom dia, Giuseppe Garibaldi

Leandro Demori | Itália 08:34 | 06/09/2010

Tenho por hábito conversar todas as manhãs com Giuseppe Garibaldi, o herói de dois mundos. Em tempos de pelejas políticas das grossas, nada melhor do que os conselhos do velho general. Garibaldi tecla de sua casa em Caprera, na Sardenha.

– Bom dia Sr. Garibaldi. E esse verão que se encaminha pro fim?

– Acho ótimo, o verão é a pior estação para as guerras, sobretudo pelos mosquitos

– Os mosquitos atrapalham?

– Não ajudam. Mas guerra é guerra, não podemos nos entregar assim por causa dos insetos. Os insetos, aliás, precisam ser mortos e esmagados, sobretudo aqueles que lutam pelas dinastias e contra a unificação dos estados nacionais. Só falei sobre os mosquitos para ser tão banal quanto a sua pergunta sobre o tempo

– Eu só quiser ser amenamente introdutório

– Amenizar a introdução é coisa de francês

– Bem… vamos falar de política?

– Logo, que preciso regar minhas orquídeas

– O Sr. tem acompanhado essa coisa de quebra de sigilos fiscais e montagem de dossiês no Brasil?

– Tenho, sem dúvida alguma. A política brasileira sempre me interessou depois que estive aí. Gostei tanto do seu povo que até trouxe um exemplar comigo pra Itália, a Anita, que infelizmente está em Roma

– Não acredito que esses senhores de partidos políticos sejam anjinhos, e nem me espanta a quebra de sigilos em um país onde as coisas funcionam como funcionam (não funcionando), mas o senhor não acha que essa brigaiada toda desvia a atenção dos eleitores daquilo que realmente importa?

– Não, não acho. Eleitor não sabe o que realmente importa, é preciso dizer a ele, se necessário, com a força das armas. O povo só está certo quando escolhe a coisa certa, entende? O povo votar em massa no candidato que apoiamos é sábio e democrático, é a coisa certa a ser feita. O povo eleger um candidato que odiamos é manipulação e falta de amadurecimento político, logo, é errado. Política é metafísica. O que é real? O que é irreal? Não existem respostas prontas para essas questões. Temos que dá-las por decreto.

– Mas e a questão dos dossiês?

– Eu, como bom revolucionário, preciso ver para crer. Jamais acreditei que um inimigo estivesse morto em um campo de batalha: fui lá e enfiei a espada na jugular. Vai me avisar que está morto por tele-mensagem? Pra mim, esses dossiês não existem

– Então está todo mundo discutindo sobre o nada?

– Não é “discutir sobre o nada”, jovem, e sinto o tom de deboche nos seus dedos. A questão é que o PSDB teve lá seus sigilos quebrados. Primeiro, va detto que sigilo e segredinho é coisa de francês. Segundo: o Serra anda acusando o PT de ter feito essa coisarada toda. Tem provas disso? Não tem

– E como fica?

– O PT arranjou a maneira mais sábia de rebater uma versão fantasiosa e sem provas como a do PSDB

– E qual foi?

– Criou outra versão, igualmente fantasiosa e sem provas. Acho que o Lula anda lendo “A Arte da Guerra”, o que é um espanto duplo.

– O Sr. acredita que essa coisa de dossiês vai afetar a eleição?

– Meu filho, dossiê vende na padaria? Dossiê tem IPI reduzido? Dossiê dá frio na barriga igual a brinquedo da Disneylândia? Acorda pra cuspir, jovem. As pessoas estão pouco se lixando pra dossiê. Dossiê é igual a faculdade de comunicação: todo mundo já ouviu falar, acha que é uma coisa importante, mas ninguém sabe pra quê serve

– (telefone, já volto)

– Vou botar um Coldplay

– Tá aí?

– Tá aí? (tou achando Coldplay meio coisa de francês, mas a Anita gosta)

– Opa, desculpa. Era minha mãe, queria saber em quem votar

– Sua mãe deve votar com a consciência dela, e não pedir seus conselhos. Você é um péssimo conselheiro. Alguém que sabe o significado da palavra dossiê e entende suas implicações não pode jamais estar em sintonia com o povo brasileiro

– Eu disse pra ela viajar e esquecer essa bobagem de eleições

– Pois veja como você não sabe nada. Eu percorri a Itália toda na Expedição dos Mil para dar às pessoas o direito de votar, e você, em um telefonema, quer destruir a história de pessoas como eu. Diga para ela votar no Lula

– O Lula não está concorrendo, Sr. Garibaldi…

– Não? Mas que merda de país vocês se tornaram! Dá licença que vou lá cuidar das minhas orquídeas. Toma juízo.

– vlw

– flw té +

No ar | Live blogging: debate entre candidatos à vice-presidência do Brasil

Leandro Demori | Itália 10:10 | 24/08/2010

Reescrevendo a história

Gabriel Brust | França 13:29 | 13/08/2010

Petistas estão divulgando felizes como micos de circo uma edição – feita por eles, obviamente – do programa Entre Aspas, da GloboNews, com a participação de dois especialistas em pesquisas e estratégia eleitoral. Os participantes descem a lenha do início ao fim na estratégia tucana para chegar à presidência. Até aí, nenhum problema, os defeitos da estratégia do PSDB são, de fato, vários.

Mas o chocante é que alguns destes defeitos apontados pelos especialistas são pérolas da lavagem cerebral petista repetida à exaustão nos últimos anos tentando reescrever a história na marra. Mais ou menos como faziam os líderes do Partido em “1984” (download aqui), ao apagar nomes e retocar fotos em livros.

Nos blogs representantes do PICA (Partido da Imprensa Chapa-branca e Adesista), os petistas parecem celebrar o vídeo como a vitória final: a lavagem cerebral com a sua revisão dos fatos históricos foi tão bem feita que, finalmente, começa a ser repetida e reproduzida pelos especialistas de fora do partido. Em breve, a nova versão estará nos livros que serão utilizados em sala de aula. O trecho do programa que deixa isso mais claro é quando o cientista político Alberto Carlos Almeida solta esta:

“Na política, você precisa defender símbolos e ideias. O PT tem esses símbolos e ideias. O PSDB tem qual conjunto de símbolos e ideias pra ser defendido, pra você ir pra rua embandeirado e dizer ‘eu defendo isso’?”

Fiquei me perguntando: o que ele quis dizer com “o PSDB não tem bandeiras”? As bandeiras do PSDB estão todas, na prática, governando o país há 16 anos. São as bandeiras que elegeram o partido em 1994 e em 1998 e que podem ser resumidas na estabilidade econômica e no controle da inflação como pré-requisito para o crescimento e distribuição de renda.

As bandeiras do PT, defendidas por 20 anos e abandonadas no dia 1 de janeiro de 2003, eram outras: calote da dívida externa, revisão do plano real, fim do superávit primário, fim da lei de responsabilidade fiscal, reforma agrária radical, reestatizações da Vale e das comunicações, fim da autonomia do Banco Central e por aí vai – na prática, a extinção do conjunto de regras que permite controlar a inflação e dar condições ao país de crescer. A apropriação pelo PT das políticas do adversário chegou a tal ponto que o criador das políticas não pode mais reivindicar sua autoria para tentar ganhar a eleição. O PSDB estaria, por esta lógica maquiavélica, “roubando” ou “imitando” o que ele próprio criou.

Estamos vivendo um processo de inversão e “apagamento” da história no Brasil que faz com que nós, que estamos pelos 30 anos, que nem somos muito vividos, mas que acompanhamos a política dos anos 90, comecemos a nos perguntar: “Mas peraí… será que eu tô ficando louco? Será que o PT sempre defendeu isso, e era o PSDB que defendia o oposto?”.

É assustadora e orwelliana a psicologia a que o PT está submetendo o Brasil.

O nosso Garganta Profunda tem cara, nome e sobrenome

Gabriel Brust | França 15:03 | 09/08/2010

A grana dos aloprados

A corrupção na política brasileira se manifesta de diferentes formas, em diferentes graus e em diferentes esferas. Mas a única forma que realmente choca a população e, por consequência, desperta a atenção da imprensa para o absurdo da coisa é o roubo explícito, quer dizer, dinheiro público entrando direto no bolso do picareta. E tem que ter foto ou vídeo, claro. Sem enxergar o dinheiro, parece que ninguém se escandaliza, como prova o caso dos Aloprados em 2006, quando apenas a divulgação das imagens da grana petista (na foto acima) deu a real dimensão da vagabundagem.

E é provavelmente por isso que a reportagem levada ao ar na noite de domingo pela Rede Globo, sobre os vereadores que faziam turismo com verba pública, virou Trending Topic do twitter e manchete de jornal. Meia dúzia de vereadores de meia dúzia de municípios dos quais nunca ouvimos falar fazendo seu turismo cafona pelas Cataratas do Iguaçu renderam boas imagens de câmera escondida e depoimentos constrangedores dos picaretas, que devem ter feito o editor da matéria dar aquele sorriso de canto de boca irônico, entre uma baforada e outra, como se tivesse em mãos o seu próprio caso Watergate.

Não haveria aí nenhum problema, se o Watergate brasileiro não existisse de verdade desde sexta-feira e não estivesse sendo ignorado solenemente por este mesmo editor. A entrevista de Gerardo Santiago, ex-diretor do Previ, o Fundo de Pensão do Banco do Brasil, à Veja, desenha em traços fortes um escândalo possivelmente mais grave do que o Mensalão. O sujeito confessa que fabricava dossiês contra adversários do governo a mando do ex-presidente do fundo, o petista Sérgio Rosa, e descreve o Previ como “um braço partidário, um bunker de um grupo do PT, uma fábrica de dossiês”. Declara ele: “A Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto.”

A todos que consideram “esse papo de dossiê” uma besteira e ainda não atentaram para o absurdo que é um governo se prevalecer do acesso a dados sigilosos do cidadão para chantagear adversários, vai aí apenas um dos casos descritos por Santiago para ilustrar o “Escândalo do Previ”:

“Em uma sessão da CPI no fim de fevereiro de 2006, o deputado ACM Neto (DEM-BA) estava atacando o governo e perturbando a senadora Ideli Salvatti (então líder do PT no Senado). Então, ela perguntou a um grupo que a assessorava: “Ninguém aí tem nada que possa calar a boca desse moleque?”. Aí eu falei: ‘Senadora, contra o rapaz, não. Mas eu tenho uma munição pesada contra o avô, não serve?’. Ela começou a pular, a comemorar. Ligou para o Sérgio Rosa, e a coisa andou. O Sérgio enviou o dossiê para o gabinete dela. Duas semanas depois, estava tudo na capa da revista Carta Capital (a reportagem foi publicada na edição de 8 de março de 2006).”

Utilizei o caso Watergate como metáfora, mas o escândalo do Previ tem sim algumas características que remontam ao episódio que culminou com a renúncia de Richard Nixon. A diferença, no caso brasileiro, é que o nosso garganta profunda tem cara, nome, sobrenome e dá entrevistas! Ou seja, em tese, a pista está mais do que livre para que uma boa investigação da imprensa demonstre, como foi demonstrado no caso Watergate, que a máquina utilizada para perseguir e chantagear adversários serve diretamente e está a mando do governo – mesmo, é claro, que se camufle na burocracia partidária.

Obviamente, isso jamais acontecerá. É Diuma-dois-mil-e-déis-na-cabeça.

Mas então voltemos à comparação entre o caso dos vereadores turistas e ao escândalo do Previ. A ocorrência destes dois episódios praticamente ao mesmo tempo é excelente para percebermos como a democracia brasileira ainda está num estágio primário. Enxergar corrupção apenas no roubo de dinheiro e não no ataque às instituições e aos direitos fundamentais do cidadão – escancarado no escândalo do Previ e sistematicamente escancarado pelo governo Lula, como no caso do ministro que quebrou o sigilo bancário de um caseiro – demonstra o quão primitiva ainda é a nossa visão de honestidade. E não é apenas entre os Zé-bolsa-família não, é, lamentavelmente, entre editores e jornalistas que, na noite de domingo, viram mais manchete nas diárias de 120 reais dos vereadores turistas do que num caso que deveria derrubar qualquer governo de qualquer país sério.

É claro que é bem mais fácil posar de heroi denunciando meia dúzia de picaretas do interior profundo do que encarar um governo federal corrupto e imoral que tem 80% de aprovação popular.

Vem, nenem

Ideli e Sarney: dois pilares morais da Era Lula

Finja que viu: debate presidencial na BAND

braziu.org 08:40 | 06/08/2010

Érica Benites Manssour ✆ para braziuorg
10:12
e esse debate?
alguém viu?

Leandro Demori
11:29
Me debati demais na cama.

Walter
11:40
Vi primeiro bloco e tive uma crise convulsiva de vergonha alheia + desespero.

Todos completamente cagados de nervosismo, mas a DiUma tava a pior sem
limites. Morta e enterrada e sem conseguir falar nada com nada.
Portanto, vencerá.

Gabriel Brust
11:45
O desastre que se esperava da Dilma falando “sozinha”, sem Lula do lado, se confirmou.

E o interesse da população no debate também: 6 pontos no Ibope.

Ou seja, ela poderia ter ficado nua e dançando a macarena que não mudaria em nada o cenário eleitoral.

Ninguém viu.

Érica Benites Manssour
11:46
“Ou seja, ela poderia ter ficado nua e dançando a macarena que não mudaria em nada o cenário eleitoral.”

porra, sejamos justos, mudaria demais o mundo todo.

Leandro Demori
11:47
Entre Serra e Dilma, sou mais Marina nesse quesitoaê do NU.

Walter
11:57
Vi que tava gritedo infinito na rua + um milhão de fogos de artifício.

Certamente era por causa do debate. slfdgj.

Érica Benites Manssour
12:02
morrÃO com o salsichão:

tô adorando ter tenéti de novo.

agora vou lá fazer as unhas.

Walter
12:10
skdjfhksfjhsdkjfhsdkfjhdskfhdskfjdhdskjfhsdkfjhdsfk.

Piores animações. Ninguém parece com ninguém. Evitaraaaummm proce$$o$.
Acho positivo.

Pior língua.

Pedro Adamy
12:17
Pra quem viu: o que é essa convulsao internética pró-Plinio? Ele morreu ao vivo durante o debate?

Mário Camera
12:17
Dormi profundamente durante o debate. Campanha por debates ao meio-dia djá!

Walter
12:22
“IV – obras audiovisual classificada como não recomendada para menores
de 16 (dezesseis) anos: inadequada para exibição antes das 22 (vinte e
duas) horas;”

(http://is.gd/e5RL0)

skdjhfskdj.

Putaria tem horário, oká?

Mário Camera
12:46
“art.1º, inciso I e art. 8º, inciso II do Anexo I ao Decreto nº 6.061, de 15 de março de 2007(…) a República Federativa do Brasil tem como fundamento a dignidade da pessoa humana e como objetivo promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”

Como “pessoa humana”, também quero “bem”. Vários “bens”, pra falar a verdade.

Walter
12:52
“LEI No 10.671, DE 15 DE MAIO DE 2003.

Dispõe sobre o Estatuto de Defesa do Torcedor e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta
e eu sanciono a seguinte Lei:

(…)

CAPÍTULO IV

DA SEGURANÇA DO TORCEDOR PARTÍCIPE DO EVENTO ESPORTIVO

(…)

Art. 13-A. São condições de acesso e permanência do torcedor no
recinto esportivo, sem prejuízo de outras condições previstas em lei:
(Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

(…)

IV – não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros
sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou
xenófobo; (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

V – não entoar cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos;
(Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).”

http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2003/L10.671.htm

Mário Camera
12:57
Fail

Leandro Demori
13:16
“PROJETO DE LEI No 2654 /2003 (Da Deputada Maria do Rosário)
Dispõe sobre a alteração da Lei 8069, de 13/07/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e da Lei 10406, de 10/01/2002, o Novo Código Civil, estabelecendo o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos, e dá outras providências.

O Congresso Nacional decreta:
Art. 1o – São acrescentados à Lei 8069, de 13/07/1990, os seguintes artigos:
Art. 18A – A criança e o adolescente têm direito a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, no lar, na escola, em instituição de atendimento público ou privado ou em locais públicos.”

Debates ME PUNEM.
CADEIA DJÁ.

Walter
13:18
skdjfhks.

Tava procurando justamente essa.

Bol$onaro nela:

Leandro Demori
13:21
MAS O QUE É ISSO?
MAS O QUE É ISSO?
MAS O QUE É ISSO?

Implosão cardíaca.

Vida bandida

Leandro Demori | Itália 09:57 | 26/07/2010

Leitura atenta à série de textos do Estadão sobre a retomada do garimpo de Serra Pelada explica boa parte do universo político que a República Brasileira vem alimentando desde sempre.

“A violência marcou o período em que a empresa Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) fecharam contrato para explorar ouro no local. Houve três assassinatos, um suposto suicídio, tiroteios e a intervenção de um ex-araponga indicado pelo então ministro, hoje senador, Edison Lobão (PMDB-MA).

O Estado revelou ontem que o grupo de Lobão montou um esquema com empresas de fachada e caixa 2 e tomou o controle da Coomigasp para garantir a exclusividade na exploração do ouro subterrâneo da jazida, localizada no município de Curionópolis, na região sul do Pará.

(…)

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) atuou em várias frentes pela reabertura de Serra Pelada. Primeiro, articulou para formalizar a Coomigasp como proprietária do garimpo. Em 2007, ele conseguiu que o governo convencesse a Vale, até então detentora da mina, a transferir à cooperativa os seus direitos de exploração no local. Em 2009, já com Lobão ministro de Minas e Energia, a Vale cedeu à Coomigasp mais 700 hectares de área. Na sequência, garimpeiros ligados a Lobão assumiram a entidade em um processo conturbado e violento. Nessa época, foi fechado o contrato entre a cooperativa e a empresa canadense Colossus, constituída por um emaranhado de pessoas judídicas, mas, na prática, controlada por brasileiros com ligações estreitas com o próprio Lobão. A Vale afirma não se interessar pela exploração da área.”

Lobão comandou o Ministério de Minas e Energia porque, além dos óbvios interesses, é ministro da “Cota PMDB”. Michel Temer foi presenteado com a mesma cota ao ser lançado vice de Dilma. O PT não é culpado por criar o monstro — a “cota PMDB” foi gorda em todos os governos anteriores –, mas por continuar a alimentá-lo. Porque, afinal, sem coalizões ninguém governa, não é mesmo?

“Correr, com lágrima com lágrima
Com lágrima nos olhos
Não é definitivamente pra qualquer um
Mas o riso corre fácil
Quando a grana corre solta”

Bora pra festa.

Au au

Leandro Demori | Itália 08:27 | 29/06/2010

Eike Batista você conhece bem: é aquele empresário neoliberal, bobão e mau, que faz uso da mais-valia da classe operária [absurdo] para sustentar um vergonhoso oitavo lugar na lista dos bilionários da Forbes e dizimar o ideais da revolução. É também um dos maiores doadores (pessoa física) da campanha de Lula em 2006.

E pegador:

Mãe de Família

Sempre querendo a mais desejada da festa:


“Te liga, Cabral. Volta pras tuas nêga”

Funk do Domingos Dutra urgente!

Gabriel Brust | França 19:03 | 16/06/2010

O deputado Domingos Dutra (PT-MA) e o petista histórico Manuel da Conceição estão em greve de fome em plena Câmara Federal em protesto contra a aliança do PT com Roseana Sarney no Maranhão, imposição de Lula que contrariou uma decisão do partido no Estado. É Dutra que está aí no vídeo, em lágrimas, clamando por apoio dos cumpanhêro para reverter a aliança. O vídeo é cheio de pérolas. Alguns destaques:

“Eu queria, Genuínu, que você fosse solidáriu a nóis, e naum fazer a canalhice que fizeru cu nóis no Maranhaum”.

“No Maranhaum, há 46 anu tem um miseráveu que humia o Maranhaum.”

“Agora nóis fizemu o encontro do PT, baseado nessa merda aqui do diretório nacionau.”

“Entregaru de maum bejada o PT pra Rosiana.”

“Genuínu, seje solidário a sua história, porque você está seno solidário a um oligárca perverso e corrupitu”.

“O Mané da Conceiçaum vai ficar aqui… vai Morrêê! Nus matem!”

“Eu comprei uma augema pa mi augemá com Mané da Conceiçaum. Mas essa briga não é cum essi parlamentu, é com o assassino do Maranhaum.”

“Genuínu, pelamordideus, é pra esse oligarca que tirou a perna do Manué que voceis entregam o PT? Entaum filia o Sarney no PT!’

“Ele agora qué nossa alma, pois esse filha duma mãe naum vai tê a nossa alma”.

“Eu votu todo dia cum o governo. Todo dia eu recebo mensagem de aposentado me esculhambano porque eu votei pelo fator previdenciario!”

“Eu pesava 65 quilu, agora to cu 63.”


Um comentário sério sobre isso? Bem, o único possível já foi feito por um internauta no próprio YouTube:

StudioZ, 4 horas atrás:
“Petralha chorando e implorando a solidariedade dos companheiros mensaleiros e bandidos: NÃO TEM PREÇO!”

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