Bruxas!

Elvis Branchini, colaboração para o Braziu™ 10:00 | 13/12/2010

No site da Atea tem alguns momentos do movimento “ateus saindo do armário” pelo mundo afora, e agora no Brasil, com campanhas sugerindo que pode não existir deus algum, que o melhor é curtir a vida sem se preocupar com religiões e que ateus são até boas pessoas. Ao menos tentam sair do armário, já que aqui, assim como na Itália e Austrália, as mensagens não foram às ruas. As empresas responsáveis pelas veiculações em Porto Alegre e Salvador alegam leis municipais impedindo mensagens religiosas. Talvez seja uma boa lei, resta saber se é o caso, ou se a proibição sofre do mal que a própria campanha tenta combater.

A campanha tenta desmistificar um pouco do preconceito contra ateus. Sim, existe, e se alguém tem dúvidas do tamanho do problema dá uma olhada aqui. Quase metade dos brasileiros julga, antes de qualquer outro defeito que a pessoa possa apresentar, que o fato de não crer em deus a torna odiável. Cruel, insensato, amoral, imoral, devasso, canhestro, maldito, vitriólico, lazarento, desumano, eis um ateu.

Tenho dúvidas se a campanha ajuda de fato nessa desmistificação. Aposto no sim, apesar das mensagens mal construídas, apelativas e até meio agressivas (Hitler? sério? Lei de Godwin ninguém conhece?). Da forma como estão feitas, as mensagens sofrem de um mal que é recorrente no discurso ateísta: batem de frente com a fé e colocam o crente não na posição de alguém que pode vir a ser tolerante, mas de alguém que está sendo atacado.

Esse tipo de mensagem coloca até mesmo ateus mais apáticos (a maior parte) em desconforto. Não é isso que eles querem dizer, na verdade eles não querem dizer nada. São apáticos porque não faz sentido participar da discussão religiosa se não têm uma. Ateísmo não é outra religião, apesar de um certo zumbido que tenta colocar ateus, os mais exaltados ao menos, no mesmo barco que fundamentalistas religiosos. Ateísmo é oposto a teísmo. Religiões estão dentro do teísmo. Faça a conta.

Mas é possível entender que o discurso ateísta seja assim. Nas iniciativas de grupos discriminados buscando espaço na sociedade para sua causa, o primeiro movimento é sempre meio histérico, chocante, barulhento. E afinal tem que começar de algum lugar, vale ressaltar o mérito da Atea quanto a isso. Mas podiam ser melhores, mais sensatas e eficazes, as mensagens.

Além de dar o primeiro passo no trabalho, outra questão é por onde. É bem desconfortável, para não dizer prejudicial, assumir publicamente que se é ateu. Não é só a tia da fila olhando torto como se você tivesse dito um palavrão. Empregos, sentenças judiciais, notas escolares, eleições, muito mais coisas do que se imagina podem ser postas a perder a partir do momento que um ateu se posiciona publicamente como tal (sem eufemismo, ateu só se fode).

As pessoas não estão acostumadas com a hipótese de que alguém não acredite em um deus. É como uma criança que descobre a farsa do papai noel. Momentos de fúria, desespero e choro se seguem, a magia está perdida. Depois tudo tende a se acalmar e voltar ao normal, mas o começo é chocante. Como ninguém nunca desfaz a farsa de deus, a humanidade se apegou demais a ele. Qualquer tentativa é motivo para choradeira, e evidências e razões para se pensar que deus não existe são descartadas sem pensar duas vezes. Não servem, são feias, más, bobas.

Nesse contexto, como mostrar que essas encarnações do demônio que são os ateus podem ser boas pessoas, se não se partir da desconstrução da própria religião? Mais, como passar isso de uma forma rápida, numa mensagem de busdoor? Se imagino certo, a discussão sobre o que veicular deve ter começado mais ou menos por aqui, e daqui não deve ter saído, porque é tanta coisa a dizer que não tem gênio da propaganda que dê jeito. Optaram por contrariar algumas idéias do senso comum da fé. Só a religião pode formar seres morais, sem deus tudo é permitido, as respostas para as perguntas mais complexas da existência estão na fé, nessa linha.

É difícil dizer que escolher esse caminho ajuda a diminuir o preconceito contra ateus. Acho pouco provável e acho que a Atea sabe bem disso. O ponto aqui é abrir a discussão. Que venham os paladinos do discurso perfeito dizer que abrir a discussão não é descupa para escrever qualquer merda. Entendam, nesse caso, uma mensagem suave demais não faria qualquer efeito. A polêmica fará mais pelos ateus do que um discurso melhor encaixado. Não é o fim do mundo, essa meia dúzia de mensagens (4, na verdade). Não há alguém para sair perdendo com a resposta negativa da população, como foi o caso do aborto nas eleições.

Mais do que reeducar os religiosos para aceitar seus irmãozinhos desprovidos de deuses, é preciso fazer com que mais ateus tomem consciência do fato de são discriminados pelo que decidiram acerca de sua vida espiritual. É menos para desconverter fiéis e mais para unir infiéis, mostrar que o problema existe, que o grupo existe e que está alerta contra as investidas que vierem a sofrer. E nesse ponto, antes mesmo de ser veiculada, a campanha da Atea já começa a surtir efeito. Certamente a Atea já esperava o tipo de censura que está sofrendo. As matérias falando da proibição fazem mais pela causa do que a própria campanha faria.

Resta a questão legal sobre se ateus tem o direito de se manifestar dessa forma ou não. Meu desconhecimento do direito não me dá qualquer luz sobre o assunto, mas me parece bastante evidente que se o objetivo desse tipo de lei é evitar discursos de ódio e discriminação, este não é o caso.

Finja que ouviu: primeiro programa eleitoral no rádio

Leandro Demori | Itália 13:23 | 17/08/2010

Começou hoje e você certamente perdeu. Então leia o nosso resumo, encha a cara hoje à noite e cante de galo na mesa do boteco. [todos os áudios estão aqui]

Dilma – O programa se confunde com o rádio de verdade [win], e o apresentador com voz de Ursinho Pimpão manda abraço pro agricultor, pro caminhoneiro e pra dona-de-casa antes de comparar a Dilma com a mesma. “É um trabalhão cuidar dos filhos e ainda trabalhar fora, né, Dilma?”. Fatalmente o Nosso Guia Presidente Imperador Lula mandou todo mundo votar na Viuma (obedeçam). Ao contrário do programa de Serra, que tocou um forró, o da La Rousseff apostou no sambão. Carnaval > Festa Junina. Vencerá.

Serra – Apresentam o personagem Chico Cego, que conversa com um cara que imita uma espécie de Lula Bêbado (Lula, enfim). Forrozão pegado com Elba Ramalho ou algum outro membro da família Ramalho (98,9% do Nordeste). Programa fala da origem humilde do Serra e do pai que “carregou frutas para que ele pudesse carregar livros”. Burguês fingindo que ama pobre. Se apresentou como economista. Povo dos grotões achará que “economista” é uma doença. Perderá.

Marina – “Nosso planeta Terra é um milagre”, disse, logo de cara. Chamou no EcoJesus já no começo. Nas primeiras frases achei que ela tinha algum problema na fala, mas prefiro encarar como uma estratégia pra ser sexy e chamar os votos dos indecisos — homens e mulheres, em geral, já escolheram entre Serra e Dilma.

Plínio – Começa com um jogral de homem e mulher (Odair e Hilda). Plínio entra e manda abraço pra todo mundo e, prevendo fim do tempo, convida pro próximo programa. Aí vem outro mezzo-jogral que diz: “Plínio parece frágil, mas não é, é uma rocha que lutou contra a ditadura perversa”, seguido de uma repetição robótica que diz “Vote 50, Vote 50, Vote 50, Vote 50″. Antonio La Trippa exulta.

Levy Fidelix – Chama no sertanejão e nos abesórdos dos impostos. Algo como “Arrôis e Feijãum”. “Pão na mesa (pão)”. Fim do programa (meio segundo democrático).

Eymael – Estava ansioso pra saber se o jingle era ainda aquele, AQUELE, que você pode ouvir em todos os ritmos aqui ou em versão de derretimento completo do ser aqui. Delícia de jingle: “Ei, ei, Eymael, um democrata cristão… lá lá lá iá”. O problema é que depois dessa apoteose de emoção ele se apresenta como gaúcho de Porto Alegre. Perderá.

Zé Maria – “A vida não mudou, a maioria ganha pouco e trabalha muito”, diz o locutor, que logo emenda um “Faaaaala Zé Maria” (imagine um TAPA NAS PALETA nesse momento). E ele faaaaala: “U PêTê usa us terríveis anus du PSDB pra mascarar que mudou o país.” Balbucia mais alguma coisa tipo “revolução” ou “requeijão” antes de ser atropelado pelo já clássico bordão: “Contra burguês, vote 16. PSTU.” Não votarei.

Quando a guerra é a única solução

Leandro Demori | Itália 19:58 | 13/03/2010

Fim da diplomacia. Depois deste vídeo só a compra de caças e tanques pode salvar a nossa honra. Às armas, companhêro Jobim!

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