Finja que ouviu: primeiro programa eleitoral no rádio
Começou hoje e você certamente perdeu. Então leia o nosso resumo, encha a cara hoje à noite e cante de galo na mesa do boteco. [todos os áudios estão aqui]
Dilma – O programa se confunde com o rádio de verdade [win], e o apresentador com voz de Ursinho Pimpão manda abraço pro agricultor, pro caminhoneiro e pra dona-de-casa antes de comparar a Dilma com a mesma. “É um trabalhão cuidar dos filhos e ainda trabalhar fora, né, Dilma?”. Fatalmente o Nosso Guia Presidente Imperador Lula mandou todo mundo votar na Viuma (obedeçam). Ao contrário do programa de Serra, que tocou um forró, o da La Rousseff apostou no sambão. Carnaval > Festa Junina. Vencerá.
Serra – Apresentam o personagem Chico Cego, que conversa com um cara que imita uma espécie de Lula Bêbado (Lula, enfim). Forrozão pegado com Elba Ramalho ou algum outro membro da família Ramalho (98,9% do Nordeste). Programa fala da origem humilde do Serra e do pai que “carregou frutas para que ele pudesse carregar livros”. Burguês fingindo que ama pobre. Se apresentou como economista. Povo dos grotões achará que “economista” é uma doença. Perderá.
Marina – “Nosso planeta Terra é um milagre”, disse, logo de cara. Chamou no EcoJesus já no começo. Nas primeiras frases achei que ela tinha algum problema na fala, mas prefiro encarar como uma estratégia pra ser sexy e chamar os votos dos indecisos — homens e mulheres, em geral, já escolheram entre Serra e Dilma.
Plínio – Começa com um jogral de homem e mulher (Odair e Hilda). Plínio entra e manda abraço pra todo mundo e, prevendo fim do tempo, convida pro próximo programa. Aí vem outro mezzo-jogral que diz: “Plínio parece frágil, mas não é, é uma rocha que lutou contra a ditadura perversa”, seguido de uma repetição robótica que diz “Vote 50, Vote 50, Vote 50, Vote 50″. Antonio La Trippa exulta.
Levy Fidelix – Chama no sertanejão e nos abesórdos dos impostos. Algo como “Arrôis e Feijãum”. “Pão na mesa (pão)”. Fim do programa (meio segundo democrático).
Eymael – Estava ansioso pra saber se o jingle era ainda aquele, AQUELE, que você pode ouvir em todos os ritmos aqui ou em versão de derretimento completo do ser aqui. Delícia de jingle: “Ei, ei, Eymael, um democrata cristão… lá lá lá iá”. O problema é que depois dessa apoteose de emoção ele se apresenta como gaúcho de Porto Alegre. Perderá.
Zé Maria – “A vida não mudou, a maioria ganha pouco e trabalha muito”, diz o locutor, que logo emenda um “Faaaaala Zé Maria” (imagine um TAPA NAS PALETA nesse momento). E ele faaaaala: “U PêTê usa us terríveis anus du PSDB pra mascarar que mudou o país.” Balbucia mais alguma coisa tipo “revolução” ou “requeijão” antes de ser atropelado pelo já clássico bordão: “Contra burguês, vote 16. PSTU.” Não votarei.
Tags: Dilma, Eleições, Eymael, gratuita, Levy, Marina, Plínio, propaganda, rádio, Serra, Zé Maria
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