Comemore, brazileiro

braziu.org 22:19 | 27/11/2010

O leitor Andreas nos deu uma bofetada – e com razão. Provocou – e com razão. Nós pensamos em relatar impressões. Nós discutimos, mas e daí? Fizemos? “Matéria boa é matéria publicada”, já diz um velho ditado jornalístico. E mesmo que tivéssemos feito, convenhamos: isso mudaria alguma coisa? Quais as perguntas que realmente devemos fazer, mais além da perplexidade?

Não. Não mudaria muita coisa. A mudança depende de decisões fundamentais. Mas também o silêncio é a covardia. A intenção e a boa vontade são um espelho de um mundo que não existe. A verdade é dura, podre, suja e triste. O mundo é feio, mesmo que tentemos mascarar o horror.

Aqui, uma resposta à provocação como uma espécie de pedido de desculpas. Ao que escreveu o Andreas, mas – mais do que isso – ao conceito que nos atirou contra o rosto. Ser brasileiro, disse sem saber, é ter coragem de mostrar o que não somos, como no vídeo comercial acima.

Sejamos dignos e assumamos nossa desgraça.

- Equipe braziu.org -

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Vídeo | Rizoma | Enchente de Verdade. Rio de Janeiro, Abril/2010

Leandro Demori | Itália 06:26 | 16/04/2010

Este Braziu não deixará que o afã novidadeiro da internet domine a manhã desta sexta-feira (de cinzas vulcânicas aqui na Europa). Postado no dia 7 de abril, o vídeo abaixo sobre as enchentes no Rio de Janeiro só não é mais velho e verdadeiro do que o desabafo do motorista no começo das filmagens (1 minuto e 10 seg).

Produção do Rizoma Blog.

Jamais esqueça: Olimpíadas no Rio? Tá tudo bem.

“Não é nada disso que você está pensando, querida”

Leandro Demori | Itália 08:12 | 09/04/2010

Há sempre uma desculpa.

Sempre.

Quem aprende essa lição desde cedo tende a “se dar muito bem” na vida.

Não importa o que se faça ou deixe de fazer, sempre é possível dizer que choveu de mais ou que choveu de menos; que você não estava ali quando aconteceu; que já estava quebrado quando você chegou; que na real não é nada disso que sua mulher está pensando.

O balanço de agora [12:15 aqui na Itália] é de 182 mortos no Estado do Rio de Janeiro por causa das chuvas.

“Por causa das chuvas”.

Vejo políticos nestas fotos, abraçados e gozando de alguma espécie de momento xamânico — daqueles que garantem reeleição — e visualizo alguém na cama abraçado na amante sendo fuzilado pelos olhos da própria mulher. Imediatamente raciocino como o marketeiro da próxima campanha de um daqueles caras que elegemos na eleição passada: “não é nada disso que você está pensando, querido eleitor, é que choveu de mais”.

Prazer imensurável esse de afogar as responsabilidades.

Os 182 mortos no Rio são culpa da chuva. Simples assim. Pega alguns números ali no pluviômetro pra mostrar que nunca antes na história desta cidade, deste estado, deste país [que na verdade nunca antes na história desta sua vida miserável] choveu tanto quanto nos últimos dias. “Tá tudo bem”.

A maioria dos mortos foram soterrados em favelas. Gente que morre todos os dias, chova ou faça sol, simplesmente pelo fato de estarem ali. Se morassem em locais habitáveis, a última semana não passaria de um “deságio”, dias ruins, talvez sem poder sair de carro ou sem acesso à internet. Tivéssemos mortos — provavelmente teríamos –, seriam 182? Para com isso.

Mesmo depois de uma década de “governo popular” no Brasil (que veio depois de uma década de “governo neoliberal”) as pessoas continuam morando em encostas, em lugares inabitáveis, no barro pronto para despencar. É ano eleitoral e o que se vê é o mesmo velho e sonolento filme de sempre: bipolarização, Serra e Dilma, “tá comigo ou tá com ele?”, esquerda, direita, Pig. Desculpem se não consigo levar a sério essas discussões. É que temos 182 corpos para enterrar enquanto vocês brincam de política de jardim de infância.

“Tá tudo bem. Não é nada disso, querida.

Essas pessoas já estavam mortas quando assumi o governo”.

Olimpíadas no Rio? Tá tudo bem

Leandro Demori | Itália 12:53 | 06/04/2010









Fotos: G1 e Planalto.

Uma vergonha

Leandro Demori | Itália 16:04 | 27/02/2010

Segunda notícia mais lida da edição online do Times de hoje:

Me envergonho por todos os brasileiros. Amigo italiano me pergunta como pode uma coisas dessas no Rio de Janeiro.

“– Como pode? Hãn?”

Fiquei mal, nem soube o que dizer. Para uma cidade que vai sediar os próximos jogos Olímpicos, esse segundo lugar é uma vergonha.

Com o Chile campeão, só nos resta uma certeza: precisamos trabalhar melhor o grupo.

A prata é inaceitável.
Eu quero é ouro, Braziu!

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