O limite do Tea Party

Fabricio Pontin | Estados Unidos 11:52 | 04/11/2010

Quando eu falei sobre o Tea Party pro Braziu, aqui, uma das coisas que me deixavam curioso era até onde a influência do grupo da Sarah Palin e do Glenn Beck poderia atrapalhar o domínio democrata no Congresso e no Senado. Ontem deu para ter uma dimensão do problema.

Um Congresso na mão dos conservadores, de novo

A política norte-americana é feita com mapas. A natureza da eleição aqui, com a divisão dos delegados por Estado, obriga uma divisão estratégica do voto. Em diversos sentidos o posicionamento ideológico da Pennsylvania é mais importante que o de Nova Iorque para os candidatos. Principalmente porque o posicionamento de Nova Iorque não está em jogo (votará Democratas na próxima eleição), enquanto o da Pennsylvania pode decidir o jogo para um lado ou para o outro.

Agora olhem bem para esse mapa:

Os vermelinhos são os Republicanos, os azuis são os Democratas [em caso de daltonismo, os verdinhos são Republicanos e os vermelinhos são os Democratas, ok?]. Agora respirem fundo e digam com o Obama:

fodeu

Os Democratas perderam em uma noite o domínio completo do Congresso. Para vocês terem uma ideia, no momento da eleição do Obama o domínio dos Democratas era tão grande que permitia que qualquer legislação fosse aprovada apenas com os votos dos democratas. Além de dependerem somente de si, os Democratas podiam ainda catapultar qualquer projeto dos Republicanos para fora da pauta do Congresso. Bastava votar em bloco.

Então qual foi a dificuldade do Governo para passar os projetos pelo Congresso?

É difícil para quem está de fora entender algumas peculiaridades do sistema norte-americano, especialmente do vínculo ideológico e do comportamento dos políticos dentro do Partido Democrata. O que levaria um democrata a votar contra o projeto mais importante do governo Obama (no caso, a reforma do sistema de saúde)?

A resposta está na chamada “política de base”. Os Democratas eleitos por Estados mais conservadores e que pretendiam se reeleger olhavam para a base que iria votar nessa eleição e pensavam: “se eu votar com o Obama nesse plano de saúde, estou frito”. Votaram contra. Daí a dificuldade em passar projetos.

Assim, os projetos que Obama conseguiu passar no Congresso foram exaustivamente negociados com a base Republicana (ainda que minoritária) e com os Democratas “conservadores” que sabiam que tinham uma eleição em um ano. Para os que votaram na plataforma de “hope and change” (tradução livre: “pão e circo”) isso foi uma decepção horrível; para os que já não gostavam do Obama, foi a confirmação de que ele é um incapaz de lidar com política executiva. Os resultados estão no mapa ali de cima.

Ontem foi dia normal aqui nos Estados Unidos, nenhum professor liberou aluno para ir votar, nenhum chefe deu dia livre para quem comprovasse voto. Chegou atrasado? Te rala. Ficou na fila e não conseguiu ir ao trabalho? Perdeu o dia e talvez perdeu o cargo. Nesse contexto, o cara tem que estar muito motivado para ir votar. Vi uma pessoa falando que chegou atrasado por ter ido votar. Compreender a derrota dos Democratas no Congresso passa por entender a motivação para votar.

Mas e o Senado?

Pois é. Com todo o gritedo dos conservadores, toda a campanha para mostrar o completo fracasso do Governo Federal em passar legislação e a desmotivação dos militantes em levantar a bunda e ir votar, o Senado continua na mão dos Democratas. Mas muito menos decisivamente do que no ano passado e com muitos democratas com medo de perder o cargo para um conservador na próxima eleição.

Eis o mapa:

A grande má notícia para Obama nesse mapa: Ohio, Pennysilvania, Indiana, Florida, North Carolina e Winsconsin votaram em senadores republicanos. Se isso for uma tendência, preparem-se para presidente Palin em 2012. Todos esses Estados deram a vitória para Obama em 2008. E, sem exceção, são todos swing states, ou seja, Estados que mudam de lado de uma eleição para outra.

No entanto, várias dessas vitórias foram por margens pequenas de votos e a eleição para o Senado e Congresso, por definição, atrai menos gente que uma eleição presidencial. Ou seja: o Tea Party conseguiu mobilizar a base conservadora a votar em Estados com potencial de virar o jogo, mas não redesenhou o mapa eleitoral no Senado, apenas elegeu candidatos republicanos em estados que historicamente elegem senadores republicanos. Grande coisa.

E os Estados?

A derrota de Toni Tancredo [melhor nome] no Colorado e eleições extremamente disputadas no Sul dos Estados Unidos indicam que os latinos viraram uma força política importante nas eleições norte-americanas. Mais que isso: uma força decisiva. Se em uma eleição “menor” o voto latino empurra todos os candidatos democratas para a casa dos 40% no Sul (não é pouca coisa, se a gente pensar que esses Estados são, nos últimos trinta anos, o parque de diversão dos republicanos), imaginem o que eles podem fazer em uma eleição “grande”.

Toni Tancredo é o grande nome da política anti-imigração e anti-imigrante nos Estados Unidos. A derrota dele é um recado claro para os republicanos de que continuar o discurso da ampliação dos muros na fronteira e da política de exigência de documentos nos Estados com maior influxo de hispânicos pode custar aos republicanos a perda dos votos do latinos, da mesma forma que as políticas segregatórias dos anos sessenta custaram os votos dos afro-americanos.

A história se repete

A história, sabe-se, acontece como tragédia, se repete como farsa e depois de umas quinhentas vezes vira circo no interior da Ucrânia (eu ia dizer Bulgária, mas me deu preguiça de ser chamado de classe média revoltada com a vitória da Dilma). A eleição de um Congresso de oposição ao Executivo, nos Estados Unidos, é uma tendência antiga.

Ela também é óbvia em um país com dois partidos políticos. O camarada vence a eleição, as pessoas se decepcionam, a oposição vence as eleições distritais. A oposição não faz lá grandes coisas diferentes, o presidente é reeleito. O Congresso e o Senado ficam na mão da oposição. O presidente não consegue governar. Quatro anos depois um candidato da oposição vence. Repita a história até cansar.

Com exceção de Reagan, que elegeu o sucessor, e Bush I e Carter, que perderam a campanha para a reeleição, isso tem sido a regra nos Estados Unidos desde Nixon. Carter e Bush são exceções porque perderam, além da Câmara, o Senado — e também sofreram com eventos externos que comprometeram a imagem do chefe de governo. Reagan elegeu o sucessor por ter ganho a Guerra Fria.

Então muita calma ao dizer que o domínio do Congresso pelos Republicanos marca o fim do governo Obama. Os conservadores esperavam uma vitória maior, por mais que estejam comemorando como se já tivessem ganho a próxima eleição presidencial. É claro que as notícias são ruins — péssimas — para os Democratas, especialmente considerando a dificuldade que Obama tem em comunicar as vitórias do próprio governo. Mas os Republicanos também precisam refletir sobre o limite da política dos conservadores vinculados ao Tea Party, que já começam a se dividir em facções.

Os Republicanos sabem onde podem chegar com a atual estratégia: domínio do Congresso e vitória onde conservadores sempre podem vencer. Mas isso não é suficiente para a eleição presidencial. Paradoxalmente, é o limite do Tea Party.

Nove anos depois

Fabricio Pontin | Estados Unidos 21:53 | 11/09/2010

Todo mundo que eu conheço tem uma história bacaninha de como ficou sabendo dos atentados. Eu não lembro direito. Tudo que eu lembro é que estava na faculdade e ouvi algo sobre um incêndio no World Trade Center. Depois, no ônibus, tinha uma turma rindo e dizendo que parecia que uns nove outros aviões tinham sido sequestrados. Cheguei em casa, a primeira torre já tinha caído e a outra estava lá enquanto o repórter da CNN surtava no vídeo.

Os dias que se seguiram os atentados foram um festival de informação desencontrada. Ninguém realmente acreditava que os Estados Unidos iam demorar mais de um ano para capturar o Osama, ninguém realmente pensava que trilhões de dólares seriam gastos em duas guerras e que o presidente dos Estados Unidos financiaria uma delas com dinheiro chinês (o que certamente vai passar para a história como um dos piores erros estratégicos de uma administração norte-americana).

Nove anos depois, ninguém sabe se Osama está vivo ou morto, e pouco importa. A guerra no Iraque foi um desastre inconclusivo: ainda que houvesse razões para invadir o território e arrancar o Saddam de lá, o erro americano foi parecido com o cometido no Vietnam: ao pensarem que seriam saudados como libertadores, foram recebidos como invasores sem legitimidade.

No Afeganistão, depois de nove anos de ataques e planos, tudo que os americanos conseguiram é garantir a administração de um setor de Kabul, o resto do território tendo sido largado na mão de lutas tribais e uma expansão preocupante do radicalismo via bin-Laden na fronteira com o Paquistão.

Nos Estados Unidos, o noticiário passa as notícias de nove anos atrás sem parar. Enquanto isso, o Congresso discute se os bombeiros, policiais e paramédicos que responderam as chamadas de emergência nos prédios têm direito a tratamento especial para as doenças que eles pegaram durante a operação. Na última votação, o Congresso decidiu que não.

Mais que isso: nesses nove anos, a direita religiosa, que tinha adquirido legitimidade no governo Reagan (que, justiça seja feita, era inteligente o suficiente para usar aquela gente, mas nunca para ser usado por eles), se tornou a vanguarda do partido republicano, empurrando o conservadorismo fiscal para escanteio e criando uma noção delirante de imperialismo democrático aliada com populismo de valores. A chamada Bush Doctrine consiste justamente na articulação dessas duas frentes, que só foram elaboradas após os ataques. Bush alegou, em 2000, ser um conservador amável. Essa faceta foi rapidamente abandonada por um discurso totalmente diferente e o país ainda sofre as consequências dessa reestruturação.

Uma economia no lixo

Os anos Clinton criaram uma sensação enorme de otimismo nos Estados Unidos. Durante os oito anos do governo do bonitão, os americanos gastaram e compraram como nunca. Eles também criaram uma série de expectativas completamente insanas sobre os próprios bens e planos de vida. Criou-se a chamada “loucura dos seis dígitos”, de uma hora para outra, qualquer casa em um subúrbio de Chicago, Nova Iorque ou Los Angeles custava um milhão de dólares.

Essa tendência não foi revertida por Bush, pelo contrário. Um dia depois dos ataques, Bush foi a público dizer para os americanos comprarem mais, consumirem intensamente. Naquele momento, Bush poderia ter tentado reproduzir Roosevelt em 1939, e pedido austeridade, calma e trabalho. Ele pediu o contrário: consumo, ansiedade e lazer. Seis anos depois, os Estados Unidos começavam a pior crise de empregos desde 1981 e a pior crise fiscal desde 1929.

Uma derrota anunciada, uma nova liderança

Com um desastre econômico, duas guerras indo para lugar algum e um desastre ecológico nas costas, Bush começou um processo de queda vertiginosa, que acabou determinando que a grande eleição de 2007 não seria a entre um republicano e um democrata, mas entre os democratas. As primárias entre Hillary e Obama foram sensivelmente mais importantes que a eleição geral, justamente por não existir qualquer chance de eleição para um candidato republicano.

No entanto, os neo-cons encontraram em Sarah Palin um veiculo ainda mais poderoso que Bush. Palin era um grande quadro em branco onde os neo-cons poderiam escrever o que bem entendessem. Ela era perfeita. E melhor ainda, a mídia liberal odiava ela. Os republicanos sabem que a estratégia política pós 9/11 depende da criação de antagonismos, e não poderiam perder a oportunidade de explorar esse cenário.

Com isso, a Sarah Palin surgiu como a grande liderança de oposição, mobilizando uma voz única de negativas às políticas democráticas. Mesmo com um Congresso favorável, Obama se viu cercado de democratas com medo de perder seus respectivos cargos, e foi incapaz de liderar, no primeiro ano de governo, uma politica de situação homogenea.

Resultado: enquanto os republicanos votavam em bloco, os democratas votavam de forma desordenada e sem uma contra-partida aos republicanos. Em dois anos, Obama baixou para a linha dos 40% de aprovação e agora começa a brincar com os 35%, com níveis de rejeição similares aos de Bush em 2006.

Empregos, estrutura e um elitista

Muita gente boa sustenta que o pior da crise econômica já passou. Do ponto de vista da austeridade fiscal, sem dúvida. Mas tem um lado que ninguém tá falando: os empregos perdidos durante a crise não estão voltando. As pessoas continuam sem emprego, sem condições de pagar pelas coisas que adquiriram durante o otimismo dos anos Clinton, na terceira ou quarta hipoteca da segunda ou teceira casa…

Com isso, a estrutura do país está em crise. Em Detroit, os pedidos de falência individual continuam crescendo, um passeio rápido pelas ruas de Memphis ou St. Louis denuncia uma série de negócios fechando e prédios que são abandonados por falta de pessoas para alugar salas.

Enquanto isso, Obama demonstra uma incapacidade notável de articular uma ponte entre a habilidade de fazer discursos geniais com uma comunicação efetiva com o grande público. Ao contrário de Clinton, Obama não tem, hoje, qualquer simpatia com os democratas do meio-oeste, que têm um perfil mais de classe-média baixa, operária-industrial. Enquanto isso, Palin apela forte para o público de direita. Agora, Obama olha para o mapa eleitoral e vê os republicanos com chance de eleger governadores em 30 dos 50 estados, e com alta possibilidade de reverter a maioria democrata no Congresso, e diminuir a vantagem no senado.

Tolerância de mão única

Entre as discussões bobas da mesquita próxima do ground zero e a suposta queima do Corão por um pastor imbecil (pleonasmo, eu sei) na Flórida, uma coisa fica clara sobre o cenário pós 9/11, e que talvez seja a maior vitória dos atentados: os americanos estão extremamente dispostos a abrir mão de liberdades civis conquistadas nos últimos 100 anos em nome da suposta segurança nacional.

Por um lado, existe a tentativa de legitimar o Islã no contexto norte-americano após os ataques. Depois dos abusos praticados pelo governo Bush contra prisioneiros de guerra e o evidente estabelecimento de elementos religiosos dentro do Imperialismo Democrático da doutrina Bush, agora o esforço passa por legitimar o Islã. Exceto que tentar legitimar algo já presume a ilegitimidade da coisa. E ai temos a primeira dimensão do problema, ao tentar justificar as atividades normais de muçulmanos nos Estados Unidos, surge a pergunta “porque esses indivíduos precisam justificar essas atividades, quando outros não precisam?”.

Do outro lado, existe uma preocupação especial com as sensibilidades do Islã. Todas as religiões podem ser objeto de chacota, menos o Islã. Esse tratamento especial acaba denotando a construção de uma via de mão única, onde se permitem a construção de mesquitas, mas se aceita que essas mesmas mesquitas não permitam que cachorros passem na frente do estabelecimento (cachorros são animais impuros, entenda). Nada disso ajuda no processo de integração, pelo contrário.

Acontece que Obama não tem exatamente um histórico fabuloso na questão de direitos humanos. Guantánamo continua ativa, prisioneiros são mantidos no local sem julgamento e sem direito a Habeas Corpus. E aí?

Um país na encruzilhada

Sem dúvida, a eleição de Obama foi um evento extremamente relevante do ponto de vista socio-cultural, Obama venceu em estados onde 40 anos atrás um negro não poderia sentar na mesma mesa de um branco. Mas o momento de euforia com a eleição se esvaziou antes da posse do Obama. Já no terceiro mês, a aprovação de Obama era normal, e depois de um ano, a queda começou a se tornar vertiginosa.

Parece que houve, sim, uma mudança substancial no país, mas não era a que os democratas esperavam. Pelo contrário, a eleição mobilizou os conservadores e rapidamente frustrou os democratas. Agora, Obama vai ter que lidar com a potencial eleição de republicanos extremamente conservadores para o Congresso (os moderados estão sendo obliterados pela Palin), e esperar que essa tendência não se reverta na eleição da Palin como presidente em 2012 (o que sigo achando pouco provável).

Ainda assim, o crescimento do conservadorismo religioso enquanto vanguarda política é um fato incontestável desde 2001, e Obama perdeu a chance de parar essa tendência no momento da posse. Agora, ela retornou com mais força e mais poder de organização e talvez possa desenhar uma mudança política maior que a protagonizada por Reagan.

Obama, as mulheres de Palin e 2012

Fabricio Pontin | Estados Unidos 09:15 | 02/08/2010

O Real Clear Politics, da CNN, mandou a primeira bomba: 49% da população acha que o Obama não está fazendo um bom trabalho. Depois, os números gerais sobre a reeleição: Obama: 37 – Um Republicano Qualquer: 42. Finalmente, a Gallup lança um mapa com a aprovação do Obama por Estado:


Clique para ampliar

Pois bem, comparem este mapa com o mapa que deu a vitória ao Obama. O que acontece é o seguinte: se os lugares onde o Obama tem a aprovação abaixo de 50% votassem AGORA, ele perderia a eleição.

O elemento mais crítico das eleições nos Estados Unidos são os swing states — os Estados que mudam de voto mais facilmente. Qualquer candidato Republicano sabe que não tem chance em Illinois ou em Nova Iorque na próxima eleição e nem o depoimento de Jesus em pessoa consegue fazer um Democrata ganhar no Tennessee ou em Kentucky. Mas a coisa muda de figura em estados como Ohio, Indiana, North Dakota, Pennsylvania, West Virginia e Florida: nesses Estados, um detalhe na propaganda eleitoral ou uma mudança na situação econômica podem alterar o voto de parte da população. No mapa, já dá para perceber que Obama tem uma aprovação baixa em alguns desses Estados, o suficiente para colocá-los no campo de influência dos Republicanos.

Obrigado, Carter
Os Republicanos começam a se movimentar agressivamente para tornar o Obama o novo Carter. A missão é mais fácil do que parece: Obama está tendo um ano terrível. Apesar de ter passado duas reformas importantes (a financeira e a do sistema de saúde), ninguém parece lá muito otimista com o estado da economia, e os crescimentos foram muito pequenos para criar qualquer mudança de perspectiva na população. Mesmo com um Congresso de maioria Democrata, Obama parece estar de mãos atadas e, de quebra, tem uma dificuldade enorme em comunicar as suas vitórias.

Para alguém com uma capacidade enorme de fazer discursos memoráveis, Obama tem mostrado uma incapacidade notável na hora de falar ao público. A reforma do sistema de saúde foi uma vitória importante, mas ninguém entendeu o novo sistema. Obama passou semanas, talvez meses, tentando explicar como tudo funciona. De nada adiantou. Uma olhada rápida no website do New York Times sobre o assunto dá uma medida do tamanho da complicação: a reforma foi aprovada meses atrás e detalhes da implementação continuam sendo discutidos, pessoas continuam fazendo perguntas simples e recebendo respostas mirabolantes. A reforma do sistema financeiro surtiu efeito parecido: passou alguma coisa no Senado, mas os efeitos da passagem da reforma não foram sentidos no dia-a-dia.

Os Republicanos têm aproveitado isso para polarizar ainda mais a eleição de 2012. A pergunta deles parece ser: “se esse cara não consegue nem mobilizar um Congresso favorável e se comunicar com os eleitores, como a gente espera que ele consiga ganhar duas guerras e resolver a maior crise econômica institucional desde 1929?”. É uma boa pergunta.

A militancia e “the big fat Clinton money machine”
Algumas das grandes críticas da Hillary a Obama, ainda da época da definição do candidato dos Democratas, têm se confirmado: Obama tem muita capacidade de fala, mas falta poder de definição; Obama tem pouca experiencia, e “hope” não é uma estratégia assim como “change” não é uma política; e por aí vai.

No entanto, foi para os Clintons que o Obama correu quando foi eleito. Isso depois de tudo que a Hillary havia feito durante as primárias para a eleição de 2012.

Mas qual o motivo para isso?

Em primeiro lugar, não foi uma opção do Obama. Foi uma necessidade. Ainda que a campanha de 2007 tenha sido marcada pela participação de voluntários e uma chuva de dinheiro de doadores de pequeno porte, assim que Obama foi eleito ficou claro que a quantidade de dinheiro que eles eram capazes de arrecadar online era patética diante da grana que os congressistas precisavam para poder prometer apoio. E mais patética ainda diante das campanhas necessárias para passar a reforma do sistema de saúde, por exemplo.

Com isso, Obama teve que ir para onde está o dinheiro. E o dinheiro está com os Clintons. Acontece que isso comprometeu o apoio de parte da militância do “hope”, que queria uma mudança na politica externa e uma reforma radical do sistema financeiro. Com os Clintons, a politica externa mudaria pouco e o sistema financeiro menos ainda.

No entanto, Obama continuou sendo tachado de socialista radical, possivelmente muçulmano e totalmente preto pela oposição Republicana. Enquanto ele perdia tempo se defendendo — dizendo que era um liberal clássico, totalmente batista e só preto na parte camarada e cantora de soul music –, os Republicanos foram aumentando o volume da critica, usando o pessoal do Tea Party como idiotas úteis [vídeo: O que é o Tea Party movement].

A volta do pop-conservadorismo

“Die, monster, die”

Essa senhora aí em cima é a Karen Handel, futura governadora da Georgia, um dos Estados mais desiguais dos Estados Unidos. A dona Handel é apenas uma das diversas mulheres que fazem parte de uma espécie de tropa de choque de apoio a Sarinha Palin em 2012. Em uma entrevista recente, a Palin caracterizou a dona Handel como “pro-life, pro-Constituição e cumpridora”, essas três qualidades que, podemos dizer, são o pacote mais importante para eleger um Republicano no sul dos Estados Unidos. Não que seja difícil eleger um Republicano no sul dos Estados Unidos, é claro.

Por muito tempo, desde a eleição de Bush I, os Republicanos têm uma estratégia clara para ganhar eleições. A chamada “deep south strategy” consiste em garantir os Estados ao sul de Illinois e ganhar em outros quatro ou cinco Estados (incluindo a Califórnia). A estratégia falhou toda vez que a situação econômica não beneficiava os Republicanos: em 1992, Bush I perdeu a eleição por uma crise econômica atribuída ao presidente. Em 96, Clinton foi reeleito com uma boa margem de vantagem, em um clima econômico fantástico. Em 2000, Bush II foi derrotado por Al Gore em uma eleição insossa que acabou sendo decidida pela Suprema Corte, em favor de Bush II. Bush acabou sendo reeleito por um reconhecimento da liderança durante o período dos atentados e também pela completa falta de carisma de John Kerry, seu opositor. Com as crises econômicas de 2007, nenhum candidato Republicano teria qualquer chance. McCain foi para o sacrifício, sabendo que perderia a eleição, e os Republicanos usaram a campanha para lançar novas lideranças, esperando poder ganhar em 2012 – redesenhando o mapa eleitoral nos termos de 1988.

Para isso, os republicanos estão reciclando a ideia do “amavel conservador” (“compasionate conservative), que ganhou as eleições para Bush I e II. A ideia é focar em valores do candidato como “gente como a gente”, e consolidar o opositor como um elitista incapaz de plantar uma alface. Nesse sentido, e em muitos outros, a estratégia dos Republicanos lembra muito a do Partido dos Trabalhadores para eleger Lula. Focar nos pontos pessoais, elaborar uma política econômica de relativa austeridade e prometer desenvolvimento social. No entanto, a diferença é que, enquanto no Brasil um candidato não pode, sob pena de suicídio político, falar contra políticas sociais governamentais, os republicanos podem montar plataformas inteiras demonizando a própria ideia de política social governamental.


“Olhe para os meus olhos”

As mulheres que surgem agora, na surdina da Palin, são o exemplo mais bem elaborado dessa estratégia. São, todas elas, mulheres casadas, religiosas, com filhos, que sabem atirar, sabem pilotar caminhão e “nunca precisaram do governo para nada na vida”. As eleições regionais estão cheias dessas mulheres que surgem na cola da Sarah Palin, imitando o estilo. Nos Estados ao sul, a vitória dessas candidatas é lógica. Mas a surpresa (para o horror dos Democratas) é que algumas pessoas com esse perfil têm tido sucesso fora do bible belt.


“Manterei minhas armas, liberdade & dinheiro. Você pode ficar com o ‘troco’”. [Clique para ampliar]

Cronica de uma derrota anunciada?
Devemos esperar a Presidente Palin em 2012?

Em geral, o clima é de decepção com o governo Obama. O papelão na administração do desastre do Golfo do México certamente não pode ser atribuída ao governo passado e a estagnação no Iraque, a derrota no Afeganistão e as duas batidas na trave de atentados em território americano (somados ao ataque bem-sucedido no Kansas) certamente não ajudam. De quebra, a situação econômica não melhorou.

No entanto, seria um equívoco pensar que os republicanos vão ganhar essa eleição facilmente. Sarah Palin é uma piada ambulante e pode perder o pleito em alguma declaração desastrada. As outras lideranças Republicanas parecem ter alguma cautela ao entrar na próxima eleição e arriscar uma derrota que acabaria com suas reputações. A tendência é que Palin seja a candidata em 2012 para incomodar Obama e criar um antagonismo ainda maior – perdendo a eleição, mas mobilizando os Republicanos para eleger um Congresso claramente oposto aos Democratas e inviabilizando o segundo mandato do Obama na prática. Com isso, o caminho estaria livre para Huckabee ou Mitt Romney em 2016.

A politica externa não será tão importante quanto a interna. Qualquer que seja a impressão sobre Obama nas questões internas, ela vai ser repassada para a externa. Se ele for visto como incapaz de liderar e decidir internamente, essa vai ser a impressão para a política externa. Esse não é um fenômeno da próxima eleição americana, mas de qualquer eleição. Um papelão na política externa de Clinton não o impediu de ser reeleito, e Reagan, que deve ser responsável por 90% da confusão que os americanos armaram no Afeganistão, foi reeleito com uma margem de votos impressionante. Ambos têm em comum um período de bonança na política interna.

Com isso, é fácil presumir que as próximas eleições vão mudar o mapa eleitoral americano sensivelmente, indicando a perda de popularidade de Obama e dos Democratas. Mas o quadro ainda está longe de ser definitivo. Se Obama seguir perdendo popularidade, talvez Mitt ou Huckabee decidam concorrer na próxima eleição. Os Republicanos teriam um novo Reagan depois do novo Carter.

Pitagóricas XX

Walter Valdevino | Brasil 13:00 | 15/06/2010

- “Em AL, PV apoia Renan; Marina vai de Heloisa Helena”. Renan ecológico. Faz $entido.

- “Brasileiros tomam 3,5 vezes mais banhos que britânicos”. Não foi o Lula que disse isso? Absurdo.

- “Petista preso em 2005 quer reaver dinheiro ‘da cueca’”. “Sobre o dinheiro, é uma questão que eu ainda tenho dificuldades de falar, até para um psicólogo. É uma coisa minha, de foro íntimo”. Não há dúvida. Faz $entido.

- “Letra do jingle de Dilma Rousseff” (via RSS). “Page Not Found. Oops. The page you are looking for cannot be found. CLICK HERE to return to the homepage”. Ufa, ainda bem.

- “Ligação do Paquistão com Talebã ‘é mais forte que se pensava’, diz relatório”. “O Paquistão parece estar fazendo um jogo duplo de magnitude impressionante’, diz o relatório”. Ziriguidum universal é mais forte que se pensava, diz estudo.

- “Dilma cita Lula trinta vezes em discurso de formalização de sua candidatura”. Alguma referência ao presidente $arney?

- “Eleições provocarão saída de suplentes do Senado”. “… atualmente, 13 [suplentes] exercem mandato.” “As eleições de 2010 vão marcar o fim da “bancada dos sem-voto” no Senado, que chegou a ter 20 integrantes.“. Repre$entatividade Braziu.

- “Colômbia resgata dois oficiais em poder das Farc após 12 anos de cativeiro”. Mais uma tentativa da mídia burguesa e neoliberal para criminalizar a autêntica luta da guerrilha revolucionária marxista-leninista.

- “Lula faz de Dilma sua genérica: ‘Eu mudei de nome’”. Acho “Diuma” um péssimo nome. Algo como “José Ribamar Ferreira de Araújo Costa“, por exemplo, ficaria mais adequado.

- “Lula diz que é bom negócio emprestar dinheiro para pobre”. Lição de vida da Casas Bahia, empresa “popular” que mascara os mais inconfessos interesses da burguesia detentora do monopólio dos meios de produção, criando uma falsa impressão de prosperidade e poder de consumo que só leva à alienação.

- “‘Quem participa assume bônus e ônus do governo’, diz Dilma sobre PMDB”. Sarney não assumirá nem bônus, nem ônus, mas comando mesmo.

- “Ultrarricos ganham força no Brasil, diz ‘Financial Times’”. Lula – ex-trabalhador, atual burguês – promovendo o neoliberalismo e o crescimento da elite opressora, corrupta, abastada e consumista. Precisamos de um governo de esquerda (José Serra) que não se curve aos interesses do capital especulativo internacional.

- “Vazamento é o 11 de Setembro do meio ambiente, diz Obama”. “Obama disse ainda não ser possível prever se ocorrerá, ainda em sua geração, uma completa transição na economia americana que acabe com a dependência do petróleo”. Não ocorrerá.

- “‘Fui vítima de uma covardia política’, diz Tuma Jr. sobre exoneração”. Injustiçado do Wii.

- “Tem gente que é especialista em fazer jogo rasteiro, diz Lula”. Recado aos aloprados do çetor di intelijenssia petista?

- “Serra ‘sinaliza’ vice tucano e o DEM ensaia uma crise”. Unidos rumo à derrota.

- “Eleição terá 13 candidatos; 7 podem ir a debates na TV”. $alve-$e quem puder.

- “PT está virando sublegenda do PMDB, diz deputado em greve de fome”. “Está virando” = constatação com alguns anos de atraso.

- “Irmão de presidente do Chile causa polêmica ao defender Pinochet”. “Na semana passada, o embaixador chileno na Argentina, Miguel Otero, pediu demissão após gerar polêmica ao dizer que “nem todos os chilenos sentiram o regime de Pinochet” e afirmar que o Chile seria hoje “como Cuba se não tivesse existido Pinochet”. Vizinhos se descontrolando.

- “Após “transe” coletivo e suspensão das aulas, escola do CE retoma atividades”. “Psicólogos, parapsicólogos e até religiosos foram chamados ao local para ajudar a explicar o que aconteceu com os estudantes.” Haha. “E$peciali$ta$”. Vai, Braziu!

- “Depósito-monstro de lítio pode alterar a economia do Afeganistão”. Haverá mortes + roubalheira interminável.

- “Fecho no mensalão após estreia do Brasil”. “O agente da PF [Maurício Morcardi Grillo] é a última das 640 pessoas a ser ouvida nesta fase da ação.Men$alão (no caso, do PT) estourou em maio de 2005. Estamos em 2010 e só agora acabaram de ouvir as testemunhas. Decisão final (= nenhuma) sairá em 2055.

RATO TERRORISTA ROUBA A CENA DO BARACK

Fabricio Pontin | Estados Unidos 18:00 | 21/05/2010

Mais uma evidência do terror islâmico que infiltra a malha sistêmica do estado de direito.

Entre um carro-bomba e uma cidade embaixo da água

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:59 | 03/05/2010

Em New York

Um vendedor de camisas na Time Square vê uma Nissan Pathfinder exalando uma fumaça estranha e resolve chamar a polícia. Isso foi sábado. Logo, o esquadrão anti-bombas está no centro do universo (AKA: Times Square) e encontra uma série de explosivos dentro do automóvel. A série de explosivos ultra complexos utilizados pelos potenciais terroristas foram: três galões, daqueles que a gente usa para fogão de duas bocas, 5 galões de gasolina, uns fogos de artifício daqueles que se compra em praia, vendidos por contrabandista paraguaio com bigodinho, uma meia dúzia de timers para – supostamente – dar a ignição na mistura e uma caixa de metal cheia de fertilizante.

De acordo com o New York Times, se a coisa tivesse sucesso o banheiro do colégio ia espalhar merda para tudo que é lado uma grande bola de fogo teria explodido na Times Square, e um bocado de gente podia morrer.

Claro, ameaça terrorista é uma coisa muito séria, e o fato da Pathfinder (coreana, terrorista) ter sido estacionada na frente do prédio da Comedy Central já levou um congressista a dizer que pode ter alguma coisa a ver com aquele episódio de South Park (falaremos mais sobre isso no nosso programinha, ok?).

Mas, vamos parar por um segundo e avaliar o brilhantismo de nossos inimigos no Taliban Paquistanês (se é que foram eles mesmo, afinal o fato de meia duzia de retardado mental no Paquistão se apressar por admitir a autoria de um peido velho não deve nos encher de esperanças). Estamos tratando com gênios da estratégia que depois de muito tempo e análise de custos conseguem finalmente elaborar um plano similar ao que teu colega de escola meio maluco pensou para matar aquela aula sábado de manhã.

A polícia de NYC, que vigia a cidade dentro de uma estratégia panóptica de dominação subsistêmica da malha de vivência quotidiana (típica da sociedade capitalista pós-industrial e na era do capitalismo sem emprego), já viu no vídeo ali de cima um potencial suspeito. E também já acharam o dono do carro – que não é considerado um suspeito.

Por sinal, o serviço secreto ainda não exclui a possibilidade do atentado ser doméstico, com aquele grupinho paquistanês entrando apenas no “vácuo”.

A nossa amiga paranoia está solta e feliz pela cidade de New York e agora há pouco um bueiro explodiu perto da sede do New York Times, causando milhares de tweets desesperados. Tendo em vista que o New York Times sequer colocou uma chamada sobre o ocorrido no site (pelo menos até agora), imagino que não seja nada de muito grave. Se algum camarada em NYC ler isso aqui e estiver com vontade de contar como tá o clima de apocalipse eminente (ou não) na cidade, favor remeter-se aos comentários.

No entanto, este não é o principal problema do Obama agora.

Em Nashville

Semana passada, sexta feira, o mundo caiu aqui no Midwest e no Midsouth. Em Nashville, onde fica o Redneck Country Music Hall of Fame, a coisa ficou assim:

Como se não bastasse o dano estrutural, o governo local já disse que a contagem de corpos vai superar os 12 até agora encontrados. Para prevenir maiores estragos (tem mais chuva na previsão para a semana), o governo estadual e a prefeitura de Nashville deram ordens para evacuar a cidade por medo que o rio continue a encher (Nashville – assim como New Orleans – tem um sistema patético de drenagem). Água potável? Não tem. Todas as estações de tratamento foram detonadas pela enchente.

De quebra, deus odeia o Midsouth e castigou a região com meia dúzia de tornados que fizeram uma limpa ao redor de Memphis. Ano passado, aqui no sul de Illinois (que é parte do Midsouth), tivemos agradáveis brisas de 170 km/h que destruíram a região. Até agora estão tentando limpar o estrago.

A região parece que passa o tempo todo se recuperando de desastres naturais: em 2007 a cidadezinha de Jackson, perto de Memphis, foi atingida por cinco tornados no mesmo dia. Ano passado, quando eles começaram a se recuperar, a coisa aconteceu de novo. Adivinhem se Jackson não foi atingida de novo este final de semana? Junto com toda a região, é claro.

Mais um problema para o Obama, portanto, que não apenas tem que lidar com a crise ambiental no deep-south (região do Golfo do México) mas também tem que dar conta dessa gente teimosa que teima em morar em regiões evidentemente inóspitas para a existência humana (velho, se teu RV é destruído TODOS OS ANOS por um tornado, talvez seja uma boa idéia se mudar…).

Em tempo, enquanto tem que lidar com essas questões internas (e não esqueçam que a tentativa de atentado em NYC pode ter sido autoria de um grupo interno), Obama tem também que se preocupar com o Ahmadinejad fazendo birra no palanque da ONU.

Durma-se com um barulho desses.

Pitagóricas VI

braziu.org 08:00 | 27/04/2010

- “James Cameron: ‘Vou levar uma carta dos índios a Obama’”. Política do calção da Adidas.

- “Indonésios que aumentam pênis são impedidos de servir o Exército.” Comiam de mais.

- “Sítio oficial ‘usa’ foto de atriz como se fosse de Dilma.” Deixa! Deixa!

- “Serra e Lula cochilam na posse do presidente do STF.” No ritmo do Judiciário. Faz $entido.

- “Grã-Bretanha pede desculpas por documento com ‘piadas’ sobre papa.” Maiores e melhores ‘brainstorms’ governamentais. Continuar assim.

- “Na TV, Ciro critica PMDB e PT e diz que Serra é um ‘perigo’ para o país.” Já votou na nossa enquete aí do lado?

- “Americanas exibem decotes em protesto contra clérigo iraniano.” Este Braziu apóia toda e qualquer manifestação desta vertente ideológica popular e revolucionária.

- “Vulcão na Islândia ajudou a conter gases poluentes.” Marina Silva humilhada por Eyjafjallajökull.

- “Brasil paga dez vezes mais por banda larga do que países desenvolvidos.” Parabén$ eterno.

- “Deputado quer voto com força do pensamento.” Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mostrando ao mundo a elevada con$ciência política do povo gaóchu. Será reeleito.

- “Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, desafia prefeitura do Rio em vídeo na internet.” Edir Macedo [dono do Braziu] sempre certo.

- “Justiça gaúcha absolve Google em caso de ofensa a internauta no Orkut.” Tico…

- “Justiça condena Google a indenizar padre apontado como pedófilo no Orkut.” … perdeu comunicação com Teco.

- “Gêmeo de presidente morto disputará Presidência da Polônia”. Lula xingando demais o atraso na clonagem humana.

- “Ministro da Saúde recomenda sexo para combater a hipertensão”. Faz $entido.

“Oi, você acha que Obama é um bom presidente?”

Leandro Demori | Itália 13:16 | 12/04/2010

Depois dizem que os americanos não são politizados.

Categoria(s):  EUA
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1 comentário

Obama aposta tudo

Fabricio Pontin | Estados Unidos 19:10 | 21/03/2010

Na CNN, assisto o Obama desde sexta feira (destaque para ontem) fazendo discurso interminável após discurso interminável sobre gente morrendo, a urgência do plano de saúde e da necessidade de parar de se dividir em tribo e votar de forma homogênea.

A CNN apelidou o esforço do Obama de “Healthcare showdown”, algo tipo “o espetáculo do plano de saúde”. Eles continuam tentando explicar para o público o que tá em jogo, e parece que ninguém sabe, de verdade, o que o plano vai fazer ou deixar de fazer (isso com o Obama passando um tempão em rede nacional tentando explicar o plano). Semana passada tentei fazer sentido da coisa toda aqui .

Na real, faz um ano que o Obama tá insistindo nisso e nada acontece. Para voces terem uma ideia, a última vez que uma reforma social demorou tanto tempo para passar aqui foi a Civil Rights Bill, que demorou cerca de um ano e viu Kennedy morrer no meio do caminho.

O interessante é que o Obama foi eleito para fazer esse troço, e só agora tá conseguindo fazer a coisa se mover de fato. E ainda assim, não tem nada muito certo, nada muito claro. Parte do esforço do Obama tá sendo se mover pro centro, na tentativa de captar mais apoio moderado. Mas daí, ele sofre criticas por abrir mão de coisas fundamentais para a esquerda (financiamento federal para aborto, por exemplo).

Mais que o Afeganistão, mais que Guantánamo, mais que a reforma de Wall-Street, Obama está apostando tudo neste projeto de saúde, um projeto que já tinha sido sua plataforma contra a Hillary para garantir a candidatura a presidente, lá em 2007. Se com todo esse esforço, essa reforma continuar patinando, voces podem apostar que a eleição para o congresso vai ser ainda pior para os Democratas.

P.S.: Um senador de Michigan tá falando na CNN que não haverá qualquer financiamento federal para abortos e toda a turma de católicos e conservadores no partido democrata, que estava em cima do muro, está decidida em apoiar o plano. Com isso, dá para ter alguma segurança que finalmente arrumaram os votos para passarem essa coisa. Agora, só falta eles explicarem o que diabos esse plano garante ou deixa de garantir para o grande público, que já não entende mais porcaria nenhuma.

Categoria(s):  Eleições 2010, EUA
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Receita de Lula marinada

Walter Valdevino | Brasil 16:21 | 21/03/2010

Para quem ainda não viu, foi divulgada há alguns dias a estampa de campanha da Marina Silva. O material já está sendo usado na internet verdinha (aqui e aqui, por exemplo).

Logo abaixo, momento culinário braziu.org.

Não.

Lula marinada
(SuaReceita)

Ingredientes

2 kg de lula fresca inteira, (ou 1,5 kg de lula congelada e limpa)
1/4 xícara de suco de limão
1 xícara de cebola roxa, picada
3/4 xícara de erva-doce ou salsão, picado
3 dentes de alho amassados
1/2 xícara de folhas de salsinha, picadas
1/4 xícara de folhas de manjericão, picadas
3/4 xícara de azeite extravirgem
1/4 xícara de vinagre de vinho branco
sal e pimenta-do-reinos, moída na hora e a gosto
6 tomates maduros, tamanho médio

Preparo

Lave a lula em água corrente fria, retire a membrana que a recobre e, com um corte, separe o corpo dos tentáculos. Limpe-o por dentro. Em duas panelas de água, coloque 1 colher de sopa de limão e um pouco de sal em cada uma e ferva. Cozinhe os tentáculos de lula numa panela e os corpos na outra, para os primeiros ficarem bem vermelhos e os outros, brancos. Lembre-se de que a gente come primeiro com os olhos. Cozinhe até que fiquem tenros (cerca de 20 minutos). Escorra, passe por água fria e corte a lula em anéis. Numa tigela, misture a cebola, a erva-doce, o alho, a salsinha, o manjericão, o azeite, o vinagre, o limão restante, sal e pimenta. Mexa bem e acrescente os corpos e os tentáculos. Cubra e leve à geladeira por, no mínimo, 6 horas e no máximo, 2 dias, mexendo de vez em quando. Escorra o molho da marinada antes de servir. Se quiser servir a lula nos tomates, corte-os ao meio, retire as sementes e recheie. O tempo de cozimento da lula é rápido, cerca de alguns minutos. Se passar disso, a lula sai do ponto e fica borrachuda.

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