Discutindo as cores do trenó

Fabricio Pontin | Estados Unidos 20:25 | 22/08/2010

Dentro de uns vinte dias fará nove anos que um bando de retardados mentais ativistas radicais islâmicos resolveu sequestrar quatro aviões. Dois desses aviões, como vocês bem sabem, acabaram atingindo o World Trade Center. Não tem muito o que dizer sobre o evento que já não tenha caído no lugar comum, então os pouparei de ter que ouvir coisas como “a unilateralidade norte-americana foi atingida no seu coração e a organização geopolítica do globo nunca mais foi a mesma”.

Corta para dois meses atrás, quando um grupo de muçulmanos decidiu construir, a quatro quadras de onde era o World Trade Center, um centro cultural islâmico que teria, inclusive, uma pequena mesquita. De uma hora para outra, a construção desse centro cultural adquire uma relevância nacional. Gente começa a falar contra a tal da mesquita “no ground zero“, os colunistas conservadores surtam citando o suposto [ta, nem tão suposto assim, o cidadão fez um monte de bobagens e falou coisas bem idiotas, de fato] passado horroroso do cara que idealizou o projeto. Pessoas falam sobre “agressão à memória das vítimas do terrorismo islâmico que vitimou Nova Iorque” e por aí vai. O mais interessante é que quase todos (especialmente os contrários) falam do tal centro islâmico como se ele fosse ser construido dentro do projeto da Freedom Tower — que será levantada no local onde estavam as Torres Gêmeas.

Não vai. Como eu disse, o centro fica a quatro quadras de onde era o World Trade Center, na mesma distância onde se pode encontrar igrejas, uma simpática loja de acessórios para drag queens, dois ou três clubes de Yoga, lojas de departamento… enfim, qualquer coisa.

Ao mesmo tempo que o presidente dos Estados Unidos e o prefeito de Nova Iorque perdem dias tendo que justificar o direito de um grupo em construir um local de culto e um memorial, parte da população local gasta energia protestando contra a construção deste mesmo local.

Com esse debate adquirindo relevância nacional, nem parece que os Estados Unidos estão perdendo a guerra no Afeganistão, recuando no Iraque depois de constatar a completa estagnação da região e tendo dificuldades em se recuperar de uma recessão violenta. Mais ainda: discute-se a relevância de um projeto satélite à construção do World Trade Center enquanto, depois de nove anos, esse é o atual estado do ponto dos atentados:

Entre um carro-bomba e uma cidade embaixo da água

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:59 | 03/05/2010

Em New York

Um vendedor de camisas na Time Square vê uma Nissan Pathfinder exalando uma fumaça estranha e resolve chamar a polícia. Isso foi sábado. Logo, o esquadrão anti-bombas está no centro do universo (AKA: Times Square) e encontra uma série de explosivos dentro do automóvel. A série de explosivos ultra complexos utilizados pelos potenciais terroristas foram: três galões, daqueles que a gente usa para fogão de duas bocas, 5 galões de gasolina, uns fogos de artifício daqueles que se compra em praia, vendidos por contrabandista paraguaio com bigodinho, uma meia dúzia de timers para – supostamente – dar a ignição na mistura e uma caixa de metal cheia de fertilizante.

De acordo com o New York Times, se a coisa tivesse sucesso o banheiro do colégio ia espalhar merda para tudo que é lado uma grande bola de fogo teria explodido na Times Square, e um bocado de gente podia morrer.

Claro, ameaça terrorista é uma coisa muito séria, e o fato da Pathfinder (coreana, terrorista) ter sido estacionada na frente do prédio da Comedy Central já levou um congressista a dizer que pode ter alguma coisa a ver com aquele episódio de South Park (falaremos mais sobre isso no nosso programinha, ok?).

Mas, vamos parar por um segundo e avaliar o brilhantismo de nossos inimigos no Taliban Paquistanês (se é que foram eles mesmo, afinal o fato de meia duzia de retardado mental no Paquistão se apressar por admitir a autoria de um peido velho não deve nos encher de esperanças). Estamos tratando com gênios da estratégia que depois de muito tempo e análise de custos conseguem finalmente elaborar um plano similar ao que teu colega de escola meio maluco pensou para matar aquela aula sábado de manhã.

A polícia de NYC, que vigia a cidade dentro de uma estratégia panóptica de dominação subsistêmica da malha de vivência quotidiana (típica da sociedade capitalista pós-industrial e na era do capitalismo sem emprego), já viu no vídeo ali de cima um potencial suspeito. E também já acharam o dono do carro – que não é considerado um suspeito.

Por sinal, o serviço secreto ainda não exclui a possibilidade do atentado ser doméstico, com aquele grupinho paquistanês entrando apenas no “vácuo”.

A nossa amiga paranoia está solta e feliz pela cidade de New York e agora há pouco um bueiro explodiu perto da sede do New York Times, causando milhares de tweets desesperados. Tendo em vista que o New York Times sequer colocou uma chamada sobre o ocorrido no site (pelo menos até agora), imagino que não seja nada de muito grave. Se algum camarada em NYC ler isso aqui e estiver com vontade de contar como tá o clima de apocalipse eminente (ou não) na cidade, favor remeter-se aos comentários.

No entanto, este não é o principal problema do Obama agora.

Em Nashville

Semana passada, sexta feira, o mundo caiu aqui no Midwest e no Midsouth. Em Nashville, onde fica o Redneck Country Music Hall of Fame, a coisa ficou assim:

Como se não bastasse o dano estrutural, o governo local já disse que a contagem de corpos vai superar os 12 até agora encontrados. Para prevenir maiores estragos (tem mais chuva na previsão para a semana), o governo estadual e a prefeitura de Nashville deram ordens para evacuar a cidade por medo que o rio continue a encher (Nashville – assim como New Orleans – tem um sistema patético de drenagem). Água potável? Não tem. Todas as estações de tratamento foram detonadas pela enchente.

De quebra, deus odeia o Midsouth e castigou a região com meia dúzia de tornados que fizeram uma limpa ao redor de Memphis. Ano passado, aqui no sul de Illinois (que é parte do Midsouth), tivemos agradáveis brisas de 170 km/h que destruíram a região. Até agora estão tentando limpar o estrago.

A região parece que passa o tempo todo se recuperando de desastres naturais: em 2007 a cidadezinha de Jackson, perto de Memphis, foi atingida por cinco tornados no mesmo dia. Ano passado, quando eles começaram a se recuperar, a coisa aconteceu de novo. Adivinhem se Jackson não foi atingida de novo este final de semana? Junto com toda a região, é claro.

Mais um problema para o Obama, portanto, que não apenas tem que lidar com a crise ambiental no deep-south (região do Golfo do México) mas também tem que dar conta dessa gente teimosa que teima em morar em regiões evidentemente inóspitas para a existência humana (velho, se teu RV é destruído TODOS OS ANOS por um tornado, talvez seja uma boa idéia se mudar…).

Em tempo, enquanto tem que lidar com essas questões internas (e não esqueçam que a tentativa de atentado em NYC pode ter sido autoria de um grupo interno), Obama tem também que se preocupar com o Ahmadinejad fazendo birra no palanque da ONU.

Durma-se com um barulho desses.

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