Máfia wars

Leandro Demori | Itália 09:30 | 27/08/2010

Há no Facebook um jogo chamado Mafia Wars. Nunca joguei, mas imagino que gire em torno dos clichês da máfia italiana: formar clãs, pagar por proteção, conseguir apoio no mundo do crime, traficar drogas, armas e informação. Se não for isso, deveria se chamar outra coisa (não que eu me importe).

O tráfico de drogas é hoje a atividade mais lucrativa da principal máfia da Itália, a ‘Ndrangheta. O faturamento anual dos clãs calabreses é de cerca de 44 bilhões de euros ao ano. A segunda atividade da ‘Ndrangheta é investir no “mercado formal”, na bolsa de Milão, em obras e contratos do governo. A porta de entrada para isso é o tráfico de informações e a compra de gente influente que possa aprovar os contratos.

A quebra de sigilo ocorrida dentro da Receita Federal com senhas e computadores de funcionários públicos é exatamente isso: tráfico de informação. A pilantragem foi confirmada e os envolvidos da ponta, identificados. São funcionários que podem ter agido até mesmo sem compensação financeira direta, por “amor” a uma ideologia ou a um partido. A banca paga com muitas moedas.

Não há comprovação material de que as ordens para quebrar os sigilos partiram do PT ou de qualquer outro partido da base aliada. O fato, até agora, é que os cidadãos que tiveram suas vidas fiscais invadidas de modo ilegal são ligados aos PSDB ou a figuras do partido. Pode ter sido um inside job? Alguém do próprio PSDB pode ter armado essa? Cada um acredita na teoria que quiser enquanto os fatos não vierem à tona.

O importante de tudo isso é que se trata de banditismo, e banditismo se combate com justiça. Os funcionários acusados de envolvimento são a ponta de uma operação suja que usou estrutura pública e dados sigilosos a serviço de alguém. O que precisa ser feito, agora, é seguir o rastro para encontrar o capo desse projeto de organização criminosa.

Aqui na Itália, mafiosos apodrecem na cadeia por um ato prisional administrativo chamado 41-bis: não podem usar telefone, receber cartas, ter contato direto com pessoas, votar. É similar ao regime Regime Disciplinar Diferenciado aplicado no Brasil, mas com uma diferença fundamental: não tem prazo de validade e é aplicado, inclusive, aos condenados à prisão perpétua. Para o Estado italiano, crimes de máfia estão no topo da cadeia criminosa.

Tem gente chamando a quebra de sigilo da Receita de Watergate brasileiro. Eu não seria tão otimista. No caso de Watergate, os mandantes (ou boa parte deles) sofreram condenações jurídicas e políticas irreparáveis. Nos levamos bem menos a sério do que isso. Se na Itália há a ‘Ndrangheta, no Brasil temos uma máfia ainda pior e mais aceita socialmente: a ‘Ndanada.

Um estado sequestrado pelo banditismo sindical

Gabriel Brust | França 11:16 | 01/08/2010

O noticiário político deste domingo traz uma boa amostra do que o Brasil pode se livrar a partir do dia primeiro de janeiro de 2011. Não completamente, é verdade, já que depois de oito anos mamando no dinheiro público como nunca antes na história desse país, as organizações sindicais no Brasil se tornaram verdadeiras máfias oficializadas, que tendem a sobreviver às mudanças de governo.

É incrível como governos de esquerda conseguem ser previsíveis em sua miséria. Na Venezuela, Chávez segue à risca o roteiro rumo ao fracasso que todas as repúblicas de mesmo molde apresentaram ao longo do século 20. Escassez de alimentos nas prateleiras, racionamento de energia elétrica, empresas públicas destruídas pela invasão sindical, único país que terá encolhimento do PIB na América Latina, e, por fim, escolha do inimigo externo – EUA e Colômbia — para justificar toda a incompetência. Dá até preguiça comentar, de tão previsível.

No Brasil, o roteiro pronto fica por conta do poder dos sindicatos, engolindo o próprio Estado. Oito anos vertendo dinheiro de maneira incontrolável para bandidos, deu no que deu. O próprio governo começa a perder o controle sobre essa sub-casta que indiretamente (ou diretamente?) hoje governa o país, passando longe das boas intenções ou de métodos éticos para conseguir o que quer. A longo prazo, governo e sindicalistas tendem a se destruir mutuamente em sua guerra particular pelo nosso dinheiro. O filme é antigo e um eventual governo de Dilma será uma reprise sonolenta.

Mas vamos ao clipping de domingo, na República do Banditismo Sindical:

Na briga por cargos e poder na administração do presidente Lula, até o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi alvo de um dossiê apócrifo que o próprio governo identifica como elaborado pela ala do partido egressa do sindicalismo bancário.

Amostragem extraída do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) aponta irregularidades e pendências em, pelo menos, R$ 162 milhões repassados à CUT, à Força Sindical e a mais quatro entidades, por convênios. Desse montante, R$ 54,9 milhões são de repasses que sequer tiveram as prestações de contas analisadas pelos órgãos federais até o momento.

Entre 2006 e 2010, a variação patrimonial dos 56 deputados da bancada sindical na Câmara que são candidatos este ano foi de R$ 12,7 milhões – mais da metade desse valor (R$ 7 milhões) foi acumulada por apenas dez parlamentares. Encabeçando a lista dos parlamentares ligados ao movimento sindical que maior variação patrimonial apresentaram estão os deputados Geraldo Magela (PT-DF) e Luiz Sérgio (PT-RJ), que duplicaram suas posses, e Paulo Pereira, o Paulinho da Força (PDT-SP).Paulinho teve um crescimento de 493% em seu patrimônio nos últimos quatro anos de mandato.

Pitagóricas X

Walter Valdevino | Brasil 11:45 | 05/05/2010

- “‘Já havíamos feito um alerta’, diz ministro sobre atraso para a Copa”. Será necessário contratar con$ultoria$ para readequar prazos. Você já sabe o que acontecerá.

- “Brasil é maior que currículos de Lula e FHC, diz Marina”. Há controvérsias. Em ambos os casos.

- “Marisa usa avião da FAB para encontrar Dilma em MG”. Parem com isso. Braziu inteiro aprova.

- “Em carta à CNBB, Lula pede oração para o povo saber escolher seu sucessor”. Je$u$ sempre vence.

- “Americano é indiciado por atentado frustrado em NY”. Incompetente e meiguxo. Como disse o Tutty Vasques, “é a desmoralização completa do terrorismo internacional”.


“A FACE DO TERROR. Não.

- “Manifestantes lavam a rampa do Congresso em defesa do Ficha Limpa”. Leia o post abaixo.

- “Senador da Flórida é flagrado vendo foto de mulheres seminuas em debate”. Vendo foto de mulher pelada ao invés de roubar? Acho positivo.

- “Dilma convida Temer para vice na disputa à presidência”. “Convidar” não é o verbo mais adequado.

- “[Márcio] Aith [ ex-editor executivo de VEJA e atualmente repórter especial da Folha de S. Paulo] comandará a imprensa de Serra”. Faz $entido.

- “Censo 2010 perguntará cor e raça de todos os brasileiros”. “Já foi vítima de racismo? – Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?

- “Empreiteira destinou “mesada” ao PT paulista”. Chega. NINGUÉM se importa.

- “Acusado de elo com máfia, Tuma Jr. se reúne com ministro”. “O secretário foi flagrado em interceptações telefônicas e em troca de mensagens com o chinês [Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li e apontado em inquérito da Polícia Federal como chefe da máfia chinesa em São Paulo], que tinha trânsito livre no órgão do Ministério da Justiça e é acusado de contrabandear produtos eletrônicos da China.” Portanto, nada melhor do que estar em reunião com o ministro da Ju$tiça. Adequado.

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