Elefante atômico
Eu sei, eu sei. É bem mais fácil acreditar OU que Israel detém controle total sobre a Faixa de Gaza e que está todo mundo morrendo de fome no território e que, portanto, era essencial e politicamente importante levar ajuda humanitária com a “Flotilha da Paz”, já que não há outra forma de enviar nada para lá OU, então, por outro lado, acreditar que Israel está totalmente certo em manter total controle sobre Gaza, impedindo a entrada de qualquer coisa – principalmente armamentos – e que, portanto, a “Flotilha da Paz” não passou de uma jogada política de “ativistas” vinculados aos terroristas do Hamas.
É bem mais difícil para Tico e Teco aceitar que TODOS os lados estão errados, que passa praticamente tudo pelo bloqueio israelense, que nenhum dos dois lados está interessado em paz (ou qualquer coisa que passe perto disso), que o sistema político israelense é podre, que as decisões políticas de Israel são um desastre, que o Hamas é composto por um bando de celerados que faz com que salva-vidas fiquem com alto-falantes nas praias mandando as mulheres cobrirem a cabeça e que proíba o consumo de álcool (atentado suicida pode) etc.
Portanto, faça com que Tico e Teco deem as mãos e leia os trechos selecionados abaixo, todos tirados da reportagem de Marcelo Ninio, enviado especial da Folha de S. Paulo a Gaza (para a$$inante$, com exceção do link sobre o elefante atômico).
Depois, esqueça tudo, pegue a vuvuzela, escolha um lado da briga para tornar as coisas mais fáceis e vá cornetear nos comentários.
“As prateleiras dos mercados da faixa de Gaza estão cheias. Com algumas exceções, como medicamentos contra doenças crônicas, também não falta quase nada nas farmácias locais.”
“Mas três anos de bloqueio arrasaram a economia local, deixaram quase metade da população desempregada e tornaram inacessíveis para a maioria dos 1,6 milhão de palestinos os produtos que enchem as prateleiras.”
“A vida continua. Famílias fazem fila em sorveterias. De dia, o mar bravio recebe centenas de banhistas. À noite, os cafés ficam cheios de jovens fumando narguilé, e casais passeiam pela orla, criando flashes de normalidade num cotidiano que pouco tem de comum.”
“Quem chega a Gaza esperando cenas de fome típicas da África e lojas vazias se surpreende com a variedade das mercadorias disponíveis. Fora bebidas alcoólicas, vetadas pelo governo islâmico do Hamas, há de tudo, de perfumes de grife a computadores.”
“Comerciantes de Gaza contam que é possível encomendar qualquer coisa pelos túneis, de onde afirmam vir 90% dos produtos que vendem.”
“Sem locais de lazer, Gaza depende quase que exclusivamente da praia como fonte de diversão. O dia mais popular é sexta-feira, quando a orla é tomada por famílias após as orações. O salva-vidas serve também de polícia religiosa: do alto-falante, instrui mulheres a cobrir a cabeça, mesmo na água.”
“O bloqueio israelense intriga os palestinos de Gaza, que não entendem o veto a certos produtos. As ordens oscilam, e o que era proibido ontem pode ser liberado amanhã. “Não posso importar pratos de plástico nem papel-alumínio”, reclama Anuar Jerjawi, dono de um restaurante. “Será que pensam que vou fazer bombas de plástico e papel?”
“Na faixa de Gaza, zoo inteiro chegou por túneis cavados sob fronteira egípcia
Mas o sonho do empreendedor [de contrabandear um elefante para Gaza] terá que esperar. Não pelas limitações das vias subterrâneas. Afinal, diz ele, se carros inteiros chegam pelos túneis, “qualquer coisa pode passar“.
“O problema é o preço de um elefante, R$ 1 milhão. Por enquanto, os visitantes terão que se contentar com o par de zebras e o canguru que devem chegar nesta semana.”
“Com as aquisições, Weda quer reparar a humilhação causada pela revelação, feita por um jornal israelense no ano passado, de que as zebras de outro zoo de Gaza são, na verdade, jumentos pintados.”
“Hamas admite que túneis são utilizados para tráfico de armas
Nos três anos em que Israel apertou o bloqueio ao território palestino, os túneis se transformaram num canal econômico vital, que abastece Gaza com todo tipo de mercadoria. Inclusive armas, admitiu à Folha o porta-voz do governo Taher Alnonno, sem hesitar em confirmar a justificativa israelense para bombardear os túneis.”
“É difícil determinar com precisão o número de túneis em operação, mas a estimativa mais conservadora fala em ao menos 700.”
“Nos últimos anos, a industria de túneis se sofisticou cada vez mais. Antes eles serviam para contrabandear veículos desmembrados, que eram montados em Gaza. Hoje em dia, algumas passagens subterrâneas são tão amplas que os carros chegam inteiros. É comum ver modelos japoneses e coreanos circulando ainda com os assentos cobertos de plástico.”
Tags: Cavalo, elefante, Flotilha da Paz, Gaza, Hamas, Israel, palestinos, vuvuzela
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