Braziu andando para trás
Duas manchetes da Folha de S.Paulo desta semana são bem interessantes para se entender o Baziu na era Lula. No domingo, cravou o jornal: “Investimentos do governo batem recorde com Lula“. Hoje, quarta-feira, tomo o café e leio “Notificação de dengue quebra recorde no país“.
Há duas observações a serem feitas e que podem explicar estes recordes opostos. Apesar do que diz a primeira manchete, o Brasil segue sendo um dos países com menor índice de investimento em proporção ao seu PIB. Em um ranking de 135 países emergentes divulgado há pouco, o país só não está pior que o Turcomenistão. Exatamente: penúltima posição.
Segundo comentário e, assim como o primeiro, não um comentário, mas um fato que pode ser comprovado com estatística: ainda que o investimento tenha sido um recorde para os padrões brasileiros, ele não produziu qualquer efeito que não seja o crescimento econômico — também modesto. A qualidade dos serviços públicos, que nunca foi boa, mas que vinha melhorando antes de Lula, parou de melhorar e está ladeira abaixo, apesar deste recorde (pobríssimo) de investimento.
Quem diz isso não sou eu ou a Folha de hoje. É o próprio governo.
Um episódio ocorrido há pouco menos de um mês e que não ganhou o destaque merecido foi a (saudável) confissão do governo de que as políticas públicas dos últimos oito anos foram ineficientes. É claro que a avaliação não partiu do próprio governo, mas de técnicos do Ministério do Planejamento que ingenuamente resolveram fazer o seu trabalho e concluíram um relatório de 3 mil páginas que deveria ter ficado escondido numa gaveta, mas que ganhou forma no chamado Portal do Planejamento.
A síntese do estudo, que é um bom e isento resumo do governo Lula, foi, claro, retirada da internet em poucas horas, assim que o governo se deu conta da “cagada” eleitoral. Mas já tinha vazado.
Em resumo, é isso que o Ministério do Planejamento de Lula diz sobre o governo Lula:
1 - a política de reforma agrária não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 – em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.
Quer dizer, com mais dinheiro, se fez menos. Quer dizer, incompetência pura. É provável que nada disso soe novidade para você, qualificado leitor do Braziu.org. Mas se parecer novidade e você não acreditar, dê uma telefonada para o ministro Paulo Bernardo. Ele pode te dar mais detalhes sobre este retumbante fracasso.
Tags: Dilma, investimento, Lula, paulo bernardo
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