Meiguice miguxa > ideologia

Leandro Demori | Itália 11:06 | 11/05/2010

O universo político mundial bananóide passou uma semana chorando a capa goLLpista da revista mais goLLpista do universo mundial, a Veja.

“Gato”

No último final de semana, a IstoÉ foi às bancas com esta capa meiguxa:

“Vem sempre aqui?”

Talvez eu esteja há muito tempo longe da internet [férias, me deixem], mas não vi bateção de pernas por causa disso. Concluo que:

1. Ninguém se importa;
2. Todo mundo acha bem OK a capa da IstoÉ mas ninguém pode suportar a capa da Veja;
3. Os petistas são mais chorões e reclamões do que todo o resto

Essa historinha toda serve somente para dizer que nossa imprensa passa por uma mudança bastante peculiar. Em tempos passados, a stampa mundial se dividia entre aqueles que se declaravam imparciais e aqueles que compravam abertamente a ideia de um candidato/partido.

A imprensa brasileira, até ontem, era declaradamente imparcial. Imparcialidade é aquela coisa que — você já deveria saber — não existe. Mas como é da alma humana essa coisa de celebrar a inexistência [deus, duendes, papai noel, cinema brasileiro, gente honesta] damos um desconto.

Hoje, assistimos ao momento de assumir posições. Mesmo que eles não declarem isso abertamente, como fazia aquela velha imprensa, ao menos temos garantia de alguma diversão.

Como guia prático para as próximas eleições:
a) a Veja é a revista “do Serra”
b) a IstoÉ é a revista “da Dilma”

O próximo passo é alguém fundar um partido de direita no Braziu. Prevejo o marco fundador em 10 anos com mote contra os imigrantes ilegais (bolivianos, peruanos, colombianos, paraguaios) que “estão invadindo o Brasil e acabando com nossa economia”.

Até lá,

M.O. da censura chinesa

Érica Manssour | China 10:00 | 29/03/2010

O Google saiu e o governo chinês rosnou e choramingou – vocês podem ler inúmeras matérias a respeito disso na imprensa nacional e internacional (preguiça de linkar, aproveitem que vocês têm acesso a um Google que FUNCIONA e procurem se tiverem vontade). Mas outra coisa interessante aconteceu essa semana por aqui e que não foi tão divulgada: vazou uma série de recomendações do partidão aos meios de comunicação locais sobre como noticiar a questão do Google. As diretrizes presentes no documento permitem compreender um pouco melhor a dimensão da censura praticada pelo governo.


Google headquarters in Beijing. Foto: Liu Jin/Agence France-Presse — Getty Images”

Com base na versão original em chinês traduzida para o inglês pelo China Digital Times, fiz uso do meu inglês tupiniquim e traduzi a coisa toda para o português EXCLUSIVAMENTE para o Braziu.

A todos os editores chefe e gerentes:

O Google anunciou oficialmente sua retirada do mercado chinês. Este é um acontecimento de alto impacto. Desencadearam-se discussões por parte dos internautas que não se limitam ao âmbito comercial. Portanto, favor prestar rigorosa atenção aos seguintes requisitos de conteúdo durante este período:

A. Setor de Notícias

1. Utilizar apenas conteúdo dos principais meios de comunicação do Governo Central. Não utilizar conteúdos de outras fontes
2. Reproduções não devem alterar o título
3. Indicações de notícias devem remeter aos websites dos principais meios de comunicação do Governo Central
4. Não produzir páginas relevantes sobre o tópico; não criar seções de discussão; não conduzir reportagem investigativa relacionada [ao assunto]
5. Programas online com especialistas e estudiosos deste assunto devem solicitar permissão com antecedência. Produzir este tipo de programa de forma independente é estritamente proibido.
6. Gerenciar cuidadosamente os comentários postados nestas notícias.

B. Fóruns, blogs e outras tipos de mídia interativa

1. Não é permitido realizar discussões ou investigações sobre o tópico do Google
2. Seções interativas não devem referir-se a este tópico, não posicionar este tópico e comentários relacionados no topo [da página]
3. Todos os websites, favor limpar textos, imagens e sons e vídeos que ataquem o Partido, o Estado, agências do governo e políticas de Intenet que usem este evento como pretexto.
4. Todos os websites, favor limpar textos, imagens e som e vídeos que apoiem o Google, dediquem flores ao Google, peçam ao Google que permaneça, torçam pelo Google e outros que tenham um tom diferente da política governamental
5. Em tópicos relacionados ao Google, gerenciar cuidadosamente a troca de informações, comentários e outros meios de interação
6. Gerentes gerais em diferentes regiões, favor designar mão-de-obra específica para monitorar informações relacionadas ao Google; caso haja informações sobre incidentes em massa, favor reportar o quanto antes
Pedimos ao Grupo de Monitoração e Controle que inicie imediatamente ações de monitoração e controle de acordo com as orientações acima; uma vez que qualquer problema seja descoberto, favor comunicar-se com o departamento o quanto antes.

Instruções adicionais:

- Não participar de e nem noticiar comunicados de imprensa e informações vindos do Google
- Não noticiar sobre o Google exercendo pressão ao nosso país através de pessoas ou eventos
- Notícias relacionadas devem colocar [nossa história/perspectiva/informação] no centro, não fornecer material para que o Google ataque políticas relevantes do nosso país
- Utilizar tópicos sobre a saída do Google da China publicados pelos departamentos relevantes

Lula e a imprensa

Fabricio Pontin | Estados Unidos 16:49 | 22/03/2010

Via Folha, Lula explica o problema dele com a imprensa:

Alguns setores da imprensa não veem e não enxergam ou não querem ver ou não querem enxergar, mas em muitos casos deste país está havendo um êxodo ao contrário. Pessoas da cidade estão voltando para o campo. Isso porque nós temos uma grande política de financiamento para a agricultura familiar. Temos uma grande política de assentamento de 570 mil famílias no campo. Isso porque o governo federal compra parte dos alimentos, os pequenos produzem e porque levamos luz elétrica para 12 milhões de brasileiros que moram no meio do mato”

Entendeu? Não entendeu?

Espera que a gente desenha, ó:

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