Live blogging do debate Folha/Rede TV! entre os presidenciáveis | segundo turno

Leandro Demori | Itália 19:34 | 17/10/2010

Live blogging do debate entre os presidenciáveis | Domingo 17/10 | 21h10

Leandro Demori | Itália 23:49 | 16/10/2010

[colagem. as cabeças são da Rolling Stone BR. os afrescos são de Giotto]

José Dirceu estava certo

Leandro Demori | Itália 12:45 | 30/09/2010

Da Folha de hoje:

Após falar com Serra, Mendes para sessão
Ministro do STF adiou julgamento que pode derrubar exigência de dois documentos na hora de votar, pedida pelo PT. Candidato e ministro negam conversa, que foi presenciada pela Folha; julgamento sobre se lei vale continuará hoje

MOACYR LOPES JUNIOR
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo.

A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista (mais prazo para análise), adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT). A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menos escolaridade.

A lei foi aprovada com apoio do PT e depois sancionada por Lula, sem vetos.

“MEU PRESIDENTE”
Ontem, após pedir que o assessor ligasse para o ministro, Serra recebeu um celular das mãos de um ajudante de ordens, que o informou que Mendes estava na linha.

Ao telefone, Serra cumprimentou o interlocutor como “meu presidente”. Durante a conversa, caminhou pelo auditório. Após desligar, brincou com os jornalistas: “O que estão xeretando?”
Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.

Para tucanos, a exigência da apresentação de dois documentos pode aumentar a abstenção nas faixas de menor escolaridade.

Temendo o impacto sobre essa fatia do eleitorado, o PT entrou com a ação pedindo a derrubada da exigência.
O resultado do julgamento já está praticamente definido, mas o seu final depende agora de Mendes.
Se o Supremo não julgar a ação a tempo das eleições, no próximo domingo, continuará valendo a exigência.
À Folha, o ministro disse que pretende apresentar seu voto na sessão de hoje.

CONSENSO
Antes da interrupção, foi consenso entro os ministros que votaram que o eleitor não pode ser proibido de votar pelo fato de não possuir ou ter perdido o título.

Votaram assim a relatora da ação, ministra Ellen Gracie, e os colegas José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.

Para eles, o título, por si só, não garante que não ocorram fraudes. Argumentam ainda que os dados do eleitor já estão presentes, tanto na sessão, quanto na urna em que ele vota, sendo suficiente apenas a apresentação do documento com foto.

“A apresentação do título não é tão indispensável quanto a do documento com foto”, disse Ellen Gracie.
O ministro Marco Aurélio afirmou que ele próprio teve de confirmar se tinha seu título de eleitor. “Procurei em minha residência o meu título”, disse. “Felizmente, sou minimamente organizado.”

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos foi definida em setembro de 2009, quando o Congresso Nacional aprovou uma minirreforma eleitoral.

O PT resolveu entrar com a ação direta de inconstitucionalidade semana passada por temer que a nova exigência provoque aumento nas abstenções.

O advogado do PT, José Gerardo Grossi, afirmou que a exigência de dois documentos para o voto é um “excesso”. “Parece que já temos um sistema suficientemente seguro para que se exija mais segurança”, disse.

Comentários meus, todos no twitter:

. Como a matéria da Folha sobre o telefonema de Serra não tem fonte ou documentos que a comprovem, é goLLpista e mentirosa. Né, não? (ops)

. A “Velha Mídia” faz assim: diz que ouviu uma conversa e publica. Nem uma prova. Nadica. Cadê o @conversaafiada pra mostrar esse abesórdo!?

. Agora vocês entendem o que José Dirceu quis dizer sobre “abuso do poder de informar”? Matéria sem prova alguma. #velhamídia #pig #golpe

. Certamente, Franklin Martins, que é jornalista, soltará nota oficial contra esse abesórdo do #pig publicar matéria sem prova.

. Qual o volume da voz do @joseserra_, hein, @conversaafiada? Duvido que dá pra ouvir a mais de 5 mts. GoLLpe! #pig #Tavinho #jornalixo

. E esse repórter que teria ouvido a ligação? Há que se investigar, hein, @luisnassif? Certamente tem uma multa de trânsito que o deslegitima.

. Olha, gente. Não é fácil. Amanhã o #pig vai publicar o que? Que a @silva_marina psicografou o Chico Mendes e pediu uma queimada na Amazônia?

. Cara, CADÊ MEUS HERÓIS? Nassif e PHA? Se rerererevenderam pra “Velha Mídia”?

. O PIG (Partido da Imprensa Golpista) publica matéria baseada no que “um repórter ouviu”? Ô, @luisnassif, me defende! #povo

. Abesórdo os blogs progre$$ista$ não nos defenderem desse “jornalixo”. A “Velha Mídia” comanda. Cadê a prova do telefonema do Serra? #pig

. Folha divulga de modo “irresponsável” uma matéria sem fonte? Sem gravação? Sem provas? CADÊ OS BLOGS PROGRESSISTAS PRA DEFENDER A SOCIEDADE?

Jornalismo farofeiro: um novo mundo é possível (mas é uma droga)

Leandro Demori | Itália 12:39 | 16/09/2010

Os destaques do trecho abaixo são meus:

Aos 19 anos, seu filho Israel entrou no mundo dos negócios como sócio de uma empresa montada pela mãe e registrada em nome de uma professora casada com um auxiliar de bombeiro hidráulico. Seu nome: Asa Imperial. O propósito: “atividades de investigação particular”, “segurança e vigilância privada”. (O PT conquistara o governo de Brasília havia dois anos, em 1995, e Erenice chefiava o gabinete do secretário de Segurança da cidade.)

Em 2006, Israel tornou-se gerente técnico da maternal Agência Nacional de Aviação Civil. Dois anos depois pousou no gabinete do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Saulo, irmão de Israel, é dono da Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, contratada por uma linha aérea para azeitar a venda de serviços aos Correios. Tem como sócia Sonia Castro, mãe de Vinicius Castro (ex-Anac), sobrinho do ex-diretor de operações dos Correios.

Até segunda-feira, ele foi assessor da secretaria-executiva da Casa Civil. Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão de Erenice, esteve na Controladoria-Geral da União e na Infraero, mãe de tantos bons companheiros. Maria Euriza de Carvalho, outra irmã da doutora, trabalhou no Ministério do Planejamento e é consultora da Empresa de Pesquisa Energética, de onde contratou, sem licitação, o serviço da banca de advocacia onde trabalhava Eudacy. José Euricélio, outro irmão de Erenice, foi funcionário do Ministério das Cidades.

Ao longo de 15 anos, a partir da instalação de um governo petista no Distrito Federal, quatro filhos e dois netos do pedreiro do Alvorada passaram por pelo menos 14 cargos nas áreas de transportes, saúde, planejamento, segurança, energia e burocracia legislativa.

Todo o goLLpismo acima não foi escrito por Reinaldo Azevedo ou Augusto Nunes: está na coluna do Élio Gaspari de ontem, publicada na Folha de S. Paulo. Não podemos chamar Élio Gaspari de “golpista”, podemos? Anti-Lula? Elitista?

Lido assim, solto, o artigo de Élio é de um rigor investigativo apurado. Estão ali todos os nomes da família Guerra, seus sócios, suas empresas, os cargos que ocuparam, os interesses que defenderam. Para o azar de Gaspari e sorte da vida real, a vida real costuma ser um pouco menos bondosa.

Todas essas ligações foram feitas pela Veja, seja na reportagem que denuncia o lobbismo de Israel Guerra, seja nos blogs dos titulares citados acima nos momentos sucessivos à publicação. Mas publicado lá, na Veja, segundo a ótica de quem usa óculos seletor de verdades convenientes, não vale.

Logo após a edição da revista ter sido repercutida pela imprensa, uma bateria anti-crise começou a operar em blogs e twitters. A primeira crítica à reportagem era que o empresário que denunciou o esquema “não existia”.

[a saber se você vive na lua (provável): o filho da ministra da Casa Civil utilizaria a influência da mãe para "assessorar" empresas que quisessem obter financiamentos e licitações junto ao governo. Em troca, $$$].

Tuiteiros diziam coisas como “não há nenhuma referência a Fábio Baracat no Google”. Pela mesma lógica, pensei, minha mãe também não existe.

Um dos blogs mais “progressistas” do momento postou isso:

“Fraude na Revista Veja: dono da empresa não existe, é uma farsa”

No texto, uma “pequena” correção de rota:

Não existe esse dono na empresa.

Como não posso acusar os titulares do blog de semi-analfabetos — isso soaria “elitista, conservador, serrista, neocon e malvado” — só posso presumir má fé. Uma das críticas que os paladinos da Justiça fazem à Grande Mídia Má é justamente a “manipulação”. Como jornalista, sei que metade (ou mais) das pessoas só lêem títulos. Escrever que “dono da empresa não existe” é, justamente, “manipular” uma informação. O dono existe. O que ele não é, segundo o blog, é sócio da empresa.

Você sabe se uma notícia é potencialmente perigosa quando os atingidos (ou defensores dos mesmos, por ideologia [haha], interesse ou esporte) começam a atacar o emissor, e não a mensagem. Foi o passo seguinte, e não foi feito por “gente qualquer” e que não tenha nada a ver com o PT, mas por pessoas ligadas ao partido. Em um ataque bastante adulto e maduro, “descobriram” (jornalismo investigativo goooooogle) que o titular da reportagem ganhou uma bolsa de estudos nos EUA patrocinada por um instituto ligado aos “inimigos”.

É uma lógica interessante.

Todos os comunistas que ganham bolsas para estudar nos EUA, pátria do capitalismo e do anti-comunismo, por exemplo, são automaticamente inválidos e querem destruir o sonho. É por aí? Ou: se você receber um ditador, líder de um sistema que apedreja mulheres, você está mancomunado com aqueles interesses. É isso? Ainda estou refletindo, descuLLpem [Tico & Teco estão dormindo].

A matéria da Veja desencadeou uma série de outras matérias na imprensa brasileira. A mais recente, de hoje, é da Folha:

Empresa acusa filho de Erenice de cobrar comissão para liberar crédito no BNDES

O contra-ataque já veio: o empresário que denunciou esse novo esquema tem ficha criminal e “acabou de sair da cadeia“. Logo: esqueçam tudo o que ele está dizendo.

Por sorte, a vida real, essa safadinha, nos salva mais uma vez.

A Itália tem dois períodos republicanos, duas “repúblicas”. Uma delas foi criada no pós-guerra e durou de 1946 até 1992-94. A segunda (Seconda Repubblica) veio em seguida e dura até hoje. O que motivou essa divisão foi um caso de corrupção que pegou todos os partidos a ponto de destruí-los. Foram dissolvidos e, com seus esqueletos, os políticos velhos e os novos aventureiros fundaram outros. Berlusconi, por exemplo, surgiu nesse momento. Seu mote de campanha era (adivinhem?) “votem no novo”.

A principal arma da Justiça à época foram os pentiti — em uma tradução simplista, “arrependidos” –, gente que vivenciou o mundo do crime e decidiu contar tudo. Hoje, a máfia mais poderosa do país, a ‘Ndrangheta, se vale justamente dos laços familiares e afetivos entre seus membros para evitar ao máximo a eclosão de pentiti, perigos máximos para o sistema criminal.

Fico imaginando o que diriam os juízes Falcone e Borselino, símbolos da luta contra a máfia, mortos por atentados à bomba, se vissem essa gente dizer que uma denúncia deve ser ignorada por que o denunciante tem ficha criminal. Tem vezes que é melhor estar morto.

Há pouco, a imprensa publicou notícias de que Erenice Guerra pedirá demissão. Por “a imprensa” falo de Folha e Estadão que, assim como a Veja, são alvos diretos da militância que acredita saber o que é trabalhar com informação mas que só consegue fazer jornalismo farofa. Quando querem conteúdo relevante, os farofeiros vão buscar do lado de lá das trincheiras imaginárias.

Para começar a levar a sério a tarefa de melhorar a imprensa brasileira — que precisa ser melhorada, sem dúvida alguma — e achar que é alternativa viável aos veículos que estão na banca, seria bom parar de brincar de ombudsman justiceiro e começar e produzir o que realmente interessa: informação.

No ar | Live blogging: debate entre candidatos à vice-presidência do Brasil

Leandro Demori | Itália 10:10 | 24/08/2010

Live blogging: debate entre presidenciáveis promovido pela Folha de S. Paulo

Leandro Demori | Itália 09:56 | 18/08/2010

Amanhã: live blogging do debate dos presidenciáveis

Leandro Demori | Itália 12:28 | 17/08/2010

Como sabemos que você tem coisa melhor para fazer às 10h30 da manhã de uma quarta-feira, faremos a gentileza de cobrir o debate dos presidenciáveis promovido pela Folha de S. Paulo de modo totalmente públicogratuitoedequalidade sem que você precise ficar vendo o vídeo da transmissão. Será o primeiro live blogging deste Braziu. Lamentamos as presenças de Dilma, Serra e Marina e a ausência de Plínio Salgado. Até um monólogo do Plínio seria mais interessante do que um debate entre os outros três, mas vamos encarar a situação como sacrifício democrático.

AMANHÃ, quarta-feira
10h30 da manhã
DEBATE PRESIDENCIAL ao vivo aqui no blog.

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