Pitagóricas XXIII

Leandro Demori | Itália 12:14 | 16/07/2010

- “Procurador eleitoral põe em dúvida aplicação do ficha limpa em SP”. “Se os TREs seguirem a linha sustentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a lei será eficaz. Mas, se forem excessivamente liberais na interpretação da lei, temo que o Ficha Limpa não vingue”, afirmou, em entrevista à Agência Estado.” Lei que não vinga = conselho de bêbado.

- “Lula envia ao Congresso projeto de palmada em crianças.” Abre o olho, Rosinha Garotinho!

- “Lula usa evento do trem-bala para fazer campanha em favor de Dilma.” Não pode? Desculpaê.

- “Condenada à morte por apedrejamento, iraniana Sakineh preocupa Brasil.” “(…) Amorim fez um “apelo humanitário” para a revisão da pena e alertou para o efeito político negativo justamente no momento em que o Irã oferece a retomada das negociações sobre seu programa nuclear com o Ocidente.” Pode ser a evolução da era da pedra para a da bomba atômica. “Evitem uma morte agora, colham milhares no futuro.” Bom slogan, aliás. Vou patentea®.

- “Dissidentes libertados dizem não ver abertura em Cuba.” Eu vejo. Abertura ao capital estrangeiro (feio & bobão), por exemplo.

- “Copa e Olimpíada alavancam museus.” E fortunas.

- “Especialistas dizem que 80% das crianças já sofreram experiências ruins na internet e ensinam como pais devem agir.” E 100% sofreram experiências ruins fora dela. Logo, Internet é mais segura. Fechem as ruas.

- “Segundo dia de controle do vazamento de óleo no Golfo do México alimenta esperanças de que desastre ambiental terá solução.” Braziu Ekonômico: invista em esperança = Ações da BP sobem 6% após anúncio de controle de vazamento

- “Elite turca ajudou a organizar frota atacada por Israel, diz NYT.” Manobra desviacionista do PiG (Partido da Imprensa Golpista) internacional. Frota era totalmente pura e só queria a paz mundial.

- “Lei contra homofobia só rendeu sete multas em 8 anos em SP.” Ou seja: todo mundo respeitando a lei, né. (ok)

O homem que faz pensar a Alemanha pós-crise

Gabriel Brust | França 21:48 | 13/06/2010

Com o futebol pragmático de sempre, a Alemanha goleou a Austrália por 4×0 esta noite, legando aos franceses, como de costume nos últimos tempos, uma inveja silenciosa. Não há nada de novo na objetividade alemã frente ao proselitismo inútil aqui destas bandas, mas o que mais espanta os franceses nesta ensolarada primavera europeia é que esta objetividade está mais uma vez transbordando para além dos campos de futebol. A Alemanha se recupera bem da crise econômica se comparada ao restante dos países da Europa ocidental, às custas de muitas medidas impopulares e que, ao contrário do que acontece na França, estão encontrando relativo apoio dos sindicatos e dos trabalhadores.

A mistura implementada pelo governo alemão é simples, mas suficiente para fazer com que seja acusado de “maquiavélico” por outros governos social-democratas europeus: redução de salários, redução de gastos públicos e nenhuma redução de impostos. As medidas não são de agora, o país vem se preparando para a crise desde a metade da década. Um símbolo dessa unidade nacional para se preparar para crise foi a negociação salarial da Volkswagen em 2006: nada menos do que todos os 100.000 trabalhadores de uma das maiores empresas nacionais aceitaram trabalhar mais horas sem ter nenhum reajuste salarial por isso. Tente imaginar isso na França ou mesmo no Brasil e dê gargalhadas.

Embora a previsão de crescimento para os dois países vizinhos não passe de 1,6% para este ano, a Alemanha apresenta alguns números invejáveis em relação à França nestes tempos de crise. A indústria daqui ainda não achou um meio de enfrentar a chinesa e amarga um déficit na balança comercial de 53 bilhões de euros. Nenhum desastre, você dirá, até ver os números alemães: 153 bilhões de euros de superávit na balança, com 36 bi exportados para a China em 2009, contra 7,9 da França. Quer dizer, se não nadam de braçada, também não perdem o sono os alemães com a atual crise.

Há uma nova Alemanha no ar, dizem os franceses, e que vai além dos números da economia. Como a que representar o abismo que separa os dois países está Richard Precht, o mais popular filósofo alemão da atualidade, um best-seller que usa camisa aberta, cabelo comprido, 45 anos com cara de 30. Nada mais francês do que um filósofo pop, você dirá mais uma vez. Só que Precht sabe colocar os franceses em seu lugar:

– É verdade que Badiou faz sucesso na França? – disparou ele em direção a um repórter da Le Point incumbido da de decifrá-lo. Prosseguiu: – Um maoísta? Vocês são loucos? Vocês não aprenderam nada com a história? Na Alemanha, um maoísta jamais será escutado.

A fala óbvia de Precht já seria suficiente para torná-lo o maior gênio da Europa atual, especialmente na terra da Sorbonne, o Campus do Vale francês em que Mao e Fidel seguem sendo nortes morais. Mas Precht foi além no ataque às farsas francesas. Sem pedir permissão ao repórter do Le Point, disparou contra o principal articulista da revista:

– E Bernard-Henry Lévy? Para mim ele é só um jornalista político talentoso.

Quanto ao seu próprio pensamento, bem, Richard Precht se orgulha de dizer que não é nenhum gênio, que fala de uma ética do cotidiano e que produz aquilo que seus conterrâneos mais querem: um pensamento prático, pragmático, útil para enfrentar a contemporaneidade. Cruza lições básicas de filosofia com questões atuais, como a cibercultura, a neurociência e os avanços da genética. Dessa forma, se tornou conselheiro de três dos mais altos dirigentes da Alemanha, com quem conversa a portas fechadas sobre a Europa, o capitalismo e a “alma do liberalismo”. Nas horas vagas, recusa três convites por semana para talk-shows populares – e aceita tantos outros.

– A necessidade dos meus compatriotas é imensa, e ninguém os responde. Eu sou um engenheiro do pensamento, eu desmonto os problemas e dou as ferramentas.

Objetivo como foi o ataque da seleção alemã esta noite, Precht acalenta seus conterrâneos em meio a uma crise que, por lá, parece já ter ares de passado.

Bolsonaro presidente

Walter Valdevino | Brasil 10:00 | 25/03/2010

Lá do congressoemfoco:

“24/03/2010 – 21h14
“Vossa Excelência é um canalha!”
Rodolfo Torres

Os deputado Brizola Neto (PDT-RJ) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) trocaram ofensas na noite desta quarta-feira (24) no plenário da Câmara. Aos gritos de “covarde” e “canalha”, eles discutiram sobre o ex-governador Leonel Brizola. Os dois não partiram para a agressão por conta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que também teve de conter o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS).

Tudo começou quando Brizola Neto usou a palavra para rebater “injúrias” que um deputado teria feito à memória de seu avó. Sem citar o nome, mas destacando que o parlamentar que ofendeu à memória de Brizola é conhecido por defender a ditadura militar, Brizola Neto afirmou que a “injúria aos mortos é um comportamento típico dos verdadeiros covardes”.

Em discurso na terça-feira (23), Bolsonaro afirmou que Leonel Brizola teria desviado dinheiro enviado por Fidel na época da ditadura. Por essa razão, o cubano se referia a Brizola como “Don Ratón”.

No discurso de hoje, Brizola Neto afirmou que apenas aqueles “com espírito de rato” podem defender a tortura e a violação dos direitos humanos.

Por sua vez, Bolsonaro tentou explicar que o termo “Don Ratón” foi usado por Fidel em referência a Brizola. Ainda segundo Bolsonaro, o ex-governador teria recebido uma “grana preta” de Fidel.”

Me esforcei demais (durante 5 segundos) para achar vídeo disso e fracassei. Mas não importa. A questão é que estava há dias tentando achar um motivo para fazer uma sessão nostalgia Jair Bol$onaro:

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