Braziu TV, ao vivo e mais cedo, HOJE 18/11

Leandro Demori | Itália 14:21 | 17/11/2010

Atenção, começaremos mais cedo hoje a nossa já clássica e de suce$$o Braziu TV, ao vivo aqui no blog lá pelas 20h (horário do Bananão).

O Comitê de Pautas (Computa) deste Braziu já deliberou sobre alguns assuntos possíveis (abaixo). Sugiram outros na caixa de comentários (ordem).

- Casos de agressão a homossexuais no Brasil + lei sobre o assunto nos EUA e a PL 122/2006, a lei da homofobia no Brasil.
- Falência da Europa, que passou uma semana nebulosa com Portugal e Irlanda sendo colocados na parede pelo BCE para pegarem empréstimos
- Obama na Ásia: namorando os indianos e deixando o Paquistão com ciúmes
- Lançamento da biografia de Geisy Arruda (mentira, mas verdade)

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,” Apocalipse, 1:10 [ns]

Clube dos Malvados

Leandro Demori | Itália 14:14 | 08/11/2010

Leio no jornal La Repubblica que a estratégia dos BRIC deu certo: Brasil, Rússia, Índia e China conquistaram mais poder no Fundo Monetário Internacional. Rússia e China melhoram sua posição, pois já possuíam assento no grupo. Brasil e Índia são novidades recém-chegadas, deixam as cadeiras rotativas para sentar nas permanentes. “Acordo histórico”, comentou o número 1 do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn. “É a maior mudança na instituição desde sua fundação”, diz o jornal citando o executivo. O FMI começou a trabalhar em Bretton Woods logo após o fim da Segunda Guerra.

A China é o país que mais sai ganhando com a mudança: de sexto acionista do Fundo passa para terceiro, logo atrás de EUA e Japão. Os chineses atropelaram Alemanha, França e Grã-Bretanha. A Europa perde ainda mais espaço: como o número de cadeiras permanecerá imutável (24), os europeus deverão mandar alguém levantar para que os novos convidados sentem. O continente deverá renunciar a duas das oito poltronas que ocupa; Bélgica e Holanda podem rodar.

As mudanças pra valer ainda levam dois anos para entrar em vigência — conforme o acordo –, mas alguns aspectos iniciais do banco mudam desde já: o FMI duplica seu capital, chegando a 755,7 bilhões de dólares. O poder de voto dos países mais ricos (Japão, EUA, Alemanha, França, Reino Unido e Itália) enfraquece 6%, que passam para o bloco BRIC.

No FMI, cada país tem direito a um voto, mas os votos têm pesos diferentes. O voto do Brasil vale 2,32%; menos que o do Egito (3,26%), o da Tanzânia (3,00%) e o do Irã (2,47%). O voto de maior peso é o dos EUA (17%), o que o torna o único país com poder de veto. O do Japão vem em segundo com 6,13%. Somados, os votos do BRIC chegam a 14,8%. A nova configuração buscará atualizar o peso dos países em relação ao peso dos votos.

Um década depois de mandarmos o FMI embora do Brasil, hoje avançamos mais pontos na mesa de decisão do Fundo. No Clube dos Malvados, caberá cada vez mais ao nosso governo ajudar a decidir quanto a economia de um país miserável deverá renunciar aos investimentos em troca do bendito dinheiro do banco. O trauma, se houver, vai passar rapidinho: país é como criança, um dia cresce e entende como o mundo funciona.

É sempre quarta-feira

Leandro Demori | Itália 07:56 | 21/09/2010

São 20h15 quando Eva chega ao antigo hospital abandonado. Sherzaad não lembra a data em que pediu o asilo político, só lembra que era inverno. Pega o telefone celular e liga para o que ele chama de “uma amiga em Bari”. Fala com ela por breves segundos antes de passar a ligação para Eva.

Giovanna conversa com um homem que esteve na Noruega. Ao contrário de todas as expectativas, ter estado na Noruega é péssimo. O asilo é um cabo-de-guerra em que ninguém faz força, uma luta entre países para provar quem tem as piores condições de conceder casa e comida. Quem vence, perde; países que podem oferecer melhores condições devem se responsabilizar pelo refugiado, gastar parte do caixa público para mantê-lo. Ninguém quer se responsabilizar pelos efeitos colaterais da guerra.

O “cara da Noruega” se chama Zahbi e quer ficar na Itália.

Zahbi e Sherzaad são afegãos, fugitivos de uma guerra que já dissolveu quase uma década de suas vidas. Zahbi e Sherzaad não contam como vieram parar na Itália — não querem ter vida pregressa.

“Aqui é bom, tem até restaurante”, brinca Sherzaad, apontando para duas caixas térmicas onde pratos pré-prontos de massa típica italiana são armazenados. Nasceu em Jalalabad, cuja foto que ilustra o verbete em inglês da Wikipedia faz se assemelhar a um moderno centro de uma cidade normal. Sherzaad não parece ter fugido de Jalalabad por medo da modernidade.

Os afegãos de Roma fazem parte de uma minoria mongol levada à região pelos exércitos de Gengis Khan a partir do século XIII; são chamados de Hazaras e formavam um quinto da população do país antes da invasão militar. Após a perda de controle territorial em algumas regiões do país por parte dos exércitos invasores, os hazaras começaram a se espalhar pelo mundo. Hoje, um em cada quatro refugiados que vagam pelo planeta são afegãos hazaras.

Para que fiquem na Itália, Sherzaad e Zhabi não podem ser pegos pela polícia nos próximos 18 meses. Ambos pediram asilo em países que têm melhores condições de abrigo (Noruega e Alemanha) e, pela lei europeia, precisam voltar para lá. Se quiserem viver aqui, devem acordar todas as manhãs por um ano e meio como se não existissem. Cumprido o período fantasma, fazem novo pedido de asilo. Precisam, na prática, fazer com que sua ‘vida europeia’ seja apagada e recomece do zero. Olhando nos olhos de Sherzaad e Zhabi, acreditei que seria bom se recomeçasse de verdade.

Sherzaad desembarcou na Europa em 2008. Veio pela Grécia e rumou para a Inglaterra. Pego pela polícia, foi deportado novamente para a Grécia. Fugiu, rodou por Áustria e Eslovênia até chegar à Itália. Conta a história e ri, mas não gosta de contar a toda hora.

Sherzaad quer ficar na Itália mesmo sabendo que não há emprego. “Qui si sta bene”. Aprendeu logo uma das expressões mais utilizadas na península, um certo conformismo italiano típico que busca justificar o índice de desenvolvimento do país na última década — inferior ao da Europa do lado de lá dos Alpes — com seus monumentos históricos, suas belas paisagens de praias e montanhas, o bom clima, a excelente comida, o ar que se respira.

Eva a Giovanna ouvem tudo pacientemente. Têm fome. São 21h30, não comem nada desde o meio-dia. Ambas são voluntárias freelance: vêm todas as semanas, nas quartas-feiras, ao antigo hospital transformado em abrigo de refugiados para ajudar gente como Sherzaad e Zahbi a colocar a documentação em dia. Os pedidos de asilo estão em desordem assustadora.

Eva é tradutora, versa palestras e conversações do inglês para o italiano. Giovanna é consultora legal. Nenhuma delas ganha uma lira pelo trabalho das quartas. Se fizesse algum extra naqueles dias, Eva talvez conseguisse trocar o Fiat surrado com três camadas visíveis de pintura em tons mal calibrados por um carro mais novo. Eva não parece se importar.

Afegãos têm um jeito peculiar de comprimentar. Apertam sua mão e depois a batem no próprio peito, espalmada, como quisessem tocar o próprio coração. Olham para você enquanto fazem isso, e sorriem.

Eva explica algo em italiano para um deles, que traduz para o outro.

Sherzaad e Zahbi, assim como todos os outros 70 conacionais que ali estão, se vestem com camisolões longos e calças largas, brancos. Não usam barbas ou turbantes como a imagem clássica dos afegãos espalhada no período pós-invasão. Aqueles, os de barba e turbante, em um mundo falsamente simples de ser explicado, são os inimigos.

Perseguidos e tratados como linhagem inferior pela maioria afegã, os hazaras são, além de mongóis, muçulmanos xiitas –- minoria dentro da população sunita afegã. Os hazaras xiitas são, portanto, a minoria da minoria. Após o início dos conflitos, foram escurraçados violentamente pelo Taleban, que tomou suas casas e suas mulheres. Quem não fugiu, morreu.

Se aproxima o Ramadã*, o que, para um muçulmano naquelas condições, representa um problema. Pouco antes de serem transferidos para o hospital, os afegãos ocupavam uma área aberta onde haviam formado um campo de refugiados. Precisaram de socorro por conta do calor bestial de Roma no pico do verão: não havia mais onde buscar água. No Ramadã, precisam ficar até 16 horas por dia sem comer ou beber, do nascer do sol ao poente.

Faz 40 graus em Roma, não há um fio de vento e a estrutura que os abriga fecha durante o dia. Não podem ficar lá dentro, ao reparo do sol. Precisam ir para a rua. Sobreviver ao Ramadã será uma prova de fé.

São 22h10 e Eva e Giovanna ainda estão sentadas desconfortavelmente em duas cadeiras de plástico no pátio externo do prédio. Giovanna ensina a polir o italiano enquanto ouve histórias de vida e fuga. A maioria dos contadores fala rudimentarmente. Um deles chama Giovanna de “Giovanni”. Ela, vaidosa, o repreende. “Giovanni é nome de homem”.

Eva e Giovanna continuam a preencher fichas.

Nome:
Sobrenome:
Cidade de partida:
Cidade de chegada:
Telefone para contato:

Todos os afegãos têm celular.

Chega outro, Fahim al-Ahari. Perdeu todos os documentos. É informado de que precisa prestar queixa na polícia. Encosta mais um na mesma situação para ouvir atentamente, perdeu tudo e também não fez a queixa. Muitos afegãos perdem seus documentos. Fahim diz que a polícia inglesa ficou com seus papéis quando foi pego ilegalmente no país e deportado para a Itália. Ao longo da noite, chegarão outros sem documentos e sem denúncias à polícia, sem papéis e deportados.

São 22h51, Giovanna e Eva se levantam. A vida legal dos afegãos de Roma precisa ser suspensa até a próxima quarta-feira. É sempre quarta-feira na vida dos afegãos de Roma.

*O Ramadã já acabou. Comecei a escrever o texto em julho, quando visitei o centro de refugiados.

Hells Angels x Brasília: vida loka de terno sobre duas rodas

Leandro Demori | Itália 14:19 | 14/08/2010

Publicado no Terra, ontem. Qualquer semelhança com a classe política não é mera coincidência.

Leandro Demori
Direto de Roma
– Especial para o Terra

Em 21 de fevereiro de 1994, uma explosão mandou pelo ares a casa de esquina localizada em uma pacata rua da cidade portuária de Helsingborg, na Suécia. O que parecia ser um acidente logo foi confirmado como atentado: peritos encontraram estilhaços de um foguete usado para destruir tanques de guerra em meio aos destroços. A casa, que pertencia ao clube de motoqueiros Hells Angels, era o pequeno fiapo de luz visível de uma guerra subterrânea pelo controle de territórios e do tráfico de drogas na península escandinava — quatro anos de confrontos e um rastro de mortos pelo caminho.

Mais de 15 anos após aquela que ficou conhecida como “A Grande Guerra Nórdica das Motocicletas”, a Europol — polícia de investigação europeia montada nos moldes da Interpol –- teme que novos confrontos campais entre gangues de motoqueiros possam acontecer. “Há um risco claro de guerra a ser considerado”, avisa Soren Pedersen, diretor-chefe de comunicações da Europol direto de Hage, na Holanda, quartel general da força. O atentado cometido contra os Hells Angels da Suécia em 1994 foi reivindicado pelos “Bandidos Motorcycle Club”, histórica gangue rival fundada no Texas nos anos 1960 e, hoje, conforme a Europol, uma rede criminosa internacional assim como os próprios Hells Angels. “Tiros e bombas são a ação padrão desses grupos”, explica Pedersen.

Símbolo de liberdade, a vida em duas rodas romanceada inúmeras vezes pela ficção mundial está distante da realidade dos grupos de motoqueiros espalhados pelo mundo sob o nomes como “Hells Angels” ou “Bandidos”. Dados da Europol, da Interpol e de inúmeras outras unidades de investigação do mundo (incluindo o FBI e o serviço de inteligência do Canadá) garantem que ambas estão entre as maiores gangues de motocicletas do mundo, dedicadas ao tráfico de drogas, ao roubo e à extorsão. “Não se pode generalizar, mas a maior parte desses grupos são criminosos”, garante o chefe da comunicação da Europol. No Velho Continente, a força de investigação identificou recentemente uma grande expansão das gangues sobre rodas e está conduzindo um projeto para ajudar as agências de aplicação da lei na União Europeia a combater a ameaça.

A preocupação maior está concentrada na Europa Oriental, onde, de acordo com as investigações, os Hells Angels Motorcycle Club (HAMC) ampliou significativamente sua presença. “Ao longo dos últimos anos, eles têm liderado um avanço extremamente rápido, especialmente na Turquia e Albânia. Eles ignoram a lei e a maioria dos membros atua em múltiplas áreas do crime, de extorsão a homicídio, passando por ofensas corporais graves e roubo organizado, fraude e crime financeiro, tráfico de armas de fogo e explosivos, tráfico de seres humanos para exploração sexual e tráfico de drogas”, esclarece Pedersen.

A organização de grupos como os Hells Angels é semelhante a de sistemas mafiosos tradicionais, exceto por um detalhe bastante importante: eles não se escondem. Cada gangue tem suas filiais espalhadas pelo mundo com logotipos, vestimentas e slogan definidos. O número de membros é variável, mas estima-se em milhares de filiados regido por um organograma preciso: presidente, vice-presidente, tesoureiro, secretário, capitão-de-estrada e sargento-de-armas. As filias são chamadas de “capítulos”, comumente localizadas em bares. A maioria dos grupos tem seu próprio estatuto, com regras que devem ser respeitadas à risca. Nos últimos anos, membros dos Hells Angels estiveram envolvidos em toda a gama de atividades do crime organizado europeu, em particular na produção e distribuição de maconha e meta-anfetaminas, com posição sólida também no mercado de cocaína.

Um dos temores da Europol é que novas alianças entre gangues de motoqueiros estejam surgindo, o que significa grupos maiores, mais infra-estrutura, relações, recursos e experiência. Mais encrenca. As fusões são uma necessidade de mercado: é preciso gerenciar o tráfico de drogas a partir do sudeste da Europa utilizando a “Rota dos Balcãs”, que vê a Turquia como um ponto de ancoragem e os países circundantes como área de circulação.

Ao estabelecer a sua influência territorial no Europa Oriental, os Hells Angels construíram relações estreitas com gangues de motoqueiros já existentes na Albânia, Bulgária e nas antigas áreas das repúblicas ioguslava e macedônia. Além disso, um grande número de ex-membros de “capítulos” alemães dos rivais “Bandidos” – a maioria de origem turca – recentemente desertou para os Hells Angels da Turquia. A corrida para garantir as oportunidades oferecidas pelos mercados do Sudeste da Europa é que pode gerar uma guerra entre gangues rivais. A criação de outros grupos motorizados fora-da-lei onde os Hells Angels já estão presentes é outra ameaça de conflitos violentos em nome da superioridade local.

Os confrontos à fogo fazem parte de uma estratégia muito mais profunda e perigosa. Hells Angels europeus buscam construir relacionamentos íntimos com pessoas influentes e autoridades da região. O objetivo é polir uma imagem pública favorável através de artigos em jornais e aparecimentos na TV. Em bom jargão: a ordem é “limpar a barra” investindo em estruturas empresariais legítimas que, por trás do bom-mocismo, escondem lavagem de dinheiro, fraudes e uma miríade de outros crimes.

A falta de conhecimento sobre o número exato de gangues de motoqueiros e a natureza de suas relações com outras gangues representa a maior lacuna de informação para autoridades nacionais. Foram mapeados mais de 60 moto-clubes de risco, muitos com ligações estabelecidas com gangues de motociclistas internacionais foras-da-lei. “Não são simples entusistas de motocicletas”, garante Pedersen, da Europol. “Precisamos agir em conjunto”.

A Turquia

Leandro Demori | Itália 11:15 | 02/06/2010

Estamos aqui na Europa vivendo o momento mais crítico desde a criação do bloco. O que era para ser uma ilha de estabilidade e bem-estar social derrete lentamente com o euro em queda, economias nacionais endividadas, cortes pesados de despesas em setores fundamentais, diminuição importante de parte do welfare state.

A Europa bem que tentou evitar isso, ao menos acreditava na tentativa. Incluiu mais países no acordo, introduziu desgarrados (geograficamente) como Grécia, Romênia, Letônia e Lituânia no tratado de Schengen, botou na agenda a substituição de moedas como a coroa estoniana, o lev búlgaro, o leu romeno ou o forint húngaro pelo euro. A Romênia desacelerou um importante crescimento econômico, a Grécia faliu, mas a grande cobiça das correntes políticas europeístas era a Turquia.

São vários os motivos que puxavam a Turquia em direção à Europa em vez de empurrá-la ao Oriente Médio: capital bastante ocidentalizada (para os padrões da região), economia importante, voz de diálogo entre a Europa e o Oriente Médio, posição geográfica que pode servir — e muitos apostam nisso — de sociedade de contenção contra o avanço do Islã. Não adianta imaginar um mundo em que o avanço do Islã não seja visto como um problema por parte do Ocidente. A posição de muro contentor contra o avanço do islamismo é, aliás, o maior trunfo para buscar apoio de importantes partidos eurocéticos como a Liga Norte, que sequer acredita na unidade italiana como país, quanto menos em uma Europa unida. Mas a Liga tem tons fortemente anti-islâmicos e acaba simpatizando com a ideia de incluir a Turquia.

O desembarque de Israel no barco dos militantes pró-Faixa de Gaza pôs a Europa em posição incômoda. Praticamente todos os países daqui, de uma forma ou outra, disseram que a ação do exército israelense parece amplamente desproporcional. O ministro das Relações Exteriores da Itália disse ontem, nas entrelinhas, que Israel caiu em uma armadilha e foi ingênuo. Alguém aí acredita que os barcos tinham qualquer outro objetivo maior senão fazer justamente isso? Havia alguma chance de eles conseguirem furar o bloqueio de uma das regiões mais militarizadas do mundo? Botemos os pés no chão para tentar raciocinar sem o alvoroço de um estádio de futebol.

Os prisioneiros libertados hoje por Israel saíram fazendo o “V” da vitória.


Fotos do La Repubblica

Talvez esse gesto signifique alguma outra coisa pelas bandas do Oriente Médio, mas pareceu bastante emblemático. Ou você acha que esse bebê estava em um dos navios para a ajudar a carregar mantimentos?

Que tipo de pessoa vai enfrentar um bloqueio militar declaradamente perigoso com crianças a bordo? Olhe bem para a foto e tente responder.

Houve a invasão, houve mortos. Do ponto de vista da propaganda é uma vitória muito maior do que aportar. Uma notícia no estilo “Barcos furam bloqueio militar e entregam mantimentos em Gaza” tem vida útil de 2 ou 3 dias na imprensa. Sob a análise fria da audiência, os mortos duram mais — e chocam mais.

Você pode ser a favor da causa palestina e encarar esses barcos como peça provocatória de propaganda. E pode pensar que deu certo. Não há nada de contraditório nisso. Pensar que havia 700 pessoas “do bem” que foram enfrentar o “Grande Mal” é de uma ingenuidade sem tamanho. Caso aportassem em Gaza seria um sucesso. Caso fossem barrados por Israel, também.

Como se já não bastasse o isolacionismo natural de Israel ao matar pessoas, ainda há o fator de que a União Europeia pisa em ovos por precisar “agradar” a Turquia. O que muitos por aqui temem é que esse episódio afaste de vez o país da Europa — um desastre histórico do ponto de vista da unificação.

A Turquia não é santa, o interior do país ainda é tribal e as mulheres são tratadas como mercadoria em muitas áreas, mas o episódio a favorece. Assim como favorece a vitimização de um dos lados — como Israel, que também já foi vítima em outros episódios — e afasta cada vez mais o mundo de realmente compreender o que acontece por lá.

Para aprofundar: “Assassinato de dez deteriorará ainda mais imagem de Israel

Programa Braziu 005 no ar

braziu.org 18:48 | 19/04/2010

Érica Manssour na China, Leandro Demori na Itália, Fabrício Pontin nos Estados Unidos, Mário Camera na França e Walter Valdevino no Braziu comentam pesquisas eleitorais (ninguém aguenta mais), pedofilia, Je$u$, vulcão Eyjafjallajkuljhurflsufaielfijfuro, caos aéreo na Europa, tremedeira de terra na China e mais todas as desgraças – naturais ou não – que você possa imaginar.

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