Consultoria ao TSE e MPE

Walter Valdevino | Brasil 09:10 | 17/06/2010

No país do faz-de-conta institucionalizado, era uma questão de tempo para começar a demência pesada da “fiscalização” das eleições na internet, principalmente em relação a sites e blogs de militantes:

TSE cobra informações sobre blogs

Ministro dá prazo de 24 horas à Google para identificar site; MPE questiona página a favor de Serra na rede

O ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu prazo de 24 horas para que a empresa Google Brasil Internet Ltda forneça a completa identificação dos responsáveis pelo conteúdo do site “Blog da Dilma” (www.dilma13.blogspot.com).

O despacho foi dado em atenção à ação do Ministério Público Eleitoral que acusa o blog de fazer propaganda eleitoral antecipada em favor da candidata do PT, Dilma Rousseff.”

Como se sabe, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão apenas cumprindo a lei que determina o completo e total fingimento do país inteiro a respeito da existência do processo eleitoral, que só pode começar oficialmente com data marcada: seis de julho de dois mil e dez:

6 de julho – terça-feira – Data a partir da qual será permitida a propaganda eleitoral por meio da internet (Lei no 9.504/97, art. 57-A).”

Leis dementes, portanto, geram decisões ainda mais dementes. Seria apenas ridículo se toda esse movimentação não estivesse sendo paga com dinheiro público (funcionários gastando horas por dia nisso, despachos para cá, despachos para lá, notificações aqui, notificações ali etc.). Mas – pior ainda – é o fato de o blog http://dilma13.blogspot.com já fornecer todos os dados dos responsáveis:

Temos e-mails, não somos anônimos, temos telefones disponibilizados no blog e estamos inteiramente à disposição do TSE”.

Tem também os dados do Diretor Financeiro:

“Deposite na conta 40547-7 agência 0675-0 (BANCO DO BRASIL(001), em nome de LUCAS SILVA DE OLIVEIRA, nosso Diretor Financeiro. Esse dinheiro é para manter o portal, comprar Netbook, filmadora, adesivos, camisas, Correios, etc. etc. Esse blog é mantido exclusivamente pelos militantes do PT. Qualquer dúvida escreva para o Daniel Bezerra – desabafobrasil@gmail.com”

…a historinha e o contexto:

“O blog da Dilma foi criado em novembro de 2008 pelo Daniel Bezerra de Oliveira. Com seus vários editores, o blog da Dilma é independente. O blog Dilma13 é de responsabilidade de seus editores. Não somos pautados pela ministra Dilma, pelos responsáveis pela pré candidatura da ministra Dilma. Não temos vínculo financeiro com nenhum partido político, com políticos, e muito menos com o governo Lula. Matérias do blog é de responsabilidade exclusiva de seus editores. Não há nenhuma interferência da ministra Dilma, ou de seus assessores sobre as matérias do blog. A ministra Dilma tem seu blog na web:
http://www.dilmanaweb.com.br/content/main, aonde ela divulga o seu trabalho no governo Lula, seus objetivos, planejamentos, suas idéias, seu programa de governo como pré candidata a presidente.
Jussara Seixas
Daniel Bezerra de Oliveira.”

… e o nome e email de todos que participam do blog:

“Editores:
DANIEL BEZERRA (criador e editor geral)- desabafobrasil@gmail.com
Jussara Seixas-SP – portoseixas@uol.com.br
Andrea Schilz (Colônia na Alemanha) – brasileira@hotmail.de
Anselmo Raposo(MA) – abraposo@hotmail.com
Assessoria de Comunicação Raquel Marques(CE) – deputadarachelmarques@gmail.com
Carlos Honorato(Brasília/DF) – karlos.honorato@gmail.com
Carlos Saraiva(RJ) – saraiva3@terra.com.br
Celso Jardim(SP) – celsoljardim@gmail.com
Cláudia Tamsky(Boston/EUA) – clautamsky@gmail.com
Emiliano José(Salvador/BA) – filipenobre.almeida@gmail.com
Ênio, do “PTrem das Treze”(SP) – eniobarroso@ig.com.br
Façanha – chargista(AL) – luizfacanha@hotmail.com
Fernando Rizzolo(SP) – rizzolot@gmail.com
Gilvan(PE) – freitas.gilvan@gmail.com
Guerrilheiros Virtuais(MT) – saroba@gmail.com
Lili Abreu(MA) – lili.abreu10@gmail.com
Lúcia Reali(RS) – lucinhapoa@gmail.com
Luiz Cartaxo Arruda Jr-CE – cartaxoarrudajr@gmail.com
Natanael Luis(BA) – natanaelluis@yahoo.com.br
ONI(MG) – MARCOVAN1965@GMAIL.COM
Prof. Diógenes(PE) – diafonsoport11@gmail.com
Sandra Andrade(RJ) – sandradeandrade@gmail.com
Tiago Montenegro – tiago.nico@gmail.com
Tião Simpatia(Fortaleza/CE) – tiaosimpatia@hotmail.com
Urariano Mota(Recife/PE) – motaum.mota@gmail.com”

E sobrou também para os tucanoides:

“Ontem, o MPE entrou no TSE, também contra a Google Brasil, para questionar blog que estaria fazendo campanha eleitoral antecipada para o candidato do PSDB, José Serra, e que ela também hospeda. A ação faz referência à página na internet “euqueroserra.blogspot.com“.”

O argumento do MPE mostra toda a sabedoria e conhecimento dos procuradores sobre essa tal de ténétí. Segundo eles, a manutenção desse tipo de site “trará como consequência o desequilíbrio entre os candidatos na disputa ao cargo eletivo máximo do país“.

E aí? Acessou ambos os sites e se sentiu oprimido pelo desequilíbrio entre os candidatos? Foi lobotomizado pelo olhar hipnotizante do Serra ou pelo magnetismo e pela simpatia da Dilma? Precisa de ajuda dos dotô adivogadus do Papai Estado para que esse desequilíbrio e essa opressão tenham fim?

Reclamações, objeções, críticas, espasmos e chiliques: só a partir do dia seis de julho de dois mil e dez.

Cumpra-se.

Recicle seu lixo

Walter Valdevino | Brasil 11:30 | 23/04/2010

Ao contrário do que pensa o pessoal do outromundoépossível, a democracia é boa justamente porque é um lixo. Mais precisamente, a democracia é um balde de lixo: um monte de porcaria dentro, mas tudo contido e fechadinho.

Não é por outra razão que o balde fede mais principalmente em época de eleição. Talvez pior do que o lixo dos candidatos seja o lixo dos bastidores das campanhas, aquele que só desperta interesse nos próprios envolvidos ou nos poucos interessados externos.

Na segunda-feira, como se sabe, Dilma Rousseff (PDT PMDB PT) lançou o seu site.

Momentos depois, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), presidente do partido e coordenador da campanha de Serra, declarou:

“Vamos examinar [o site]. Se houver razão para questionamento [judicial], nós o faremos. Essa postura denota um quadro de alguém que não consegue crescer e está incomodada com o crescimento do Serra. Ela faz esforço para mudar essa tendência.”

Os tucanos alegam que Dilma estaria fazendo a tal de “campanha eleitoral antecipada”.

Quem alcançou o maior índice de demência moral nesse caso? Os petistas, que deram milhares de declarações dizendo que o site de Dilma não tem conteúdo eleitoral? O ziriguidum legalista brazilêro, determinando data e hora marcada para todos suspenderem o fingimento de que não estão em campanha? Ou os tucanos, com problemas porque esqueceram de pagar os R$ 30 anuais do domínio www.joseserra.com.br, recuperado há poucos dias, e que, portanto, só conseguiram colocar no site um link para o Twitter do candidato?


[Dica públicagratuitaedequalidade ao webma$ter tucano: o "José" do Seu Serra tem acento:

meta name="title" content="Jose Serra"
meta name="keywords" content="Jose Serra"
meta name="author" content="Jose Serra - http://www.joseserra.com.br/"]

Serra continuará sem site/blog até o início oficial da campanha, em 5 de julho [data a partir da qual será permitida a propaganda eleitoral por meio da internet (Lei nº 9.504/97, art. 57-A)]? Ou criará um antes disso? Se criar, será ou não será “campanha eleitoral antecipada”? Mentirá, como fizeram os petistas para contornar a lei estúpida, ou ficará no limbo digital durante todo esse período?

Enquanto cada lado se esforça para manter a sua farsa, lá vai o Seu E$tado dizer que a faixaMinas Gerais é Dilma presidente e Hélio Costa governador“, estendida por peemedebistas em “evento”, é ilegal; ou que o fato de que muitos prefeitos mineiros terem usado carros oficiais para ir ao ato eleitoral de Serra em Belo Horizonte configura improbidade administrativa e é muito feio.

Mente aqui, mente ali, enrola lá, enrola aqui. Alguém fecha rápido a tampa do balde de lixo.

Aumente meus impostos!

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:34 | 22/04/2010

Em Springfield, um grupo de indivíduos protesta contra os inevitáveis cortes no orçamento público com uma iniciativa bastante… única.

Quinze mil pessoas se reuniram na frente do Capitólio na capital de Illinois pedindo que o governo estadual aumente os impostos para evitar os sucessivos cortes em investimento, especialmente em educação.

Mas como diabos tu vai reunir uma galera destas em um local público para pedir aumento de impostos? Quem é que faz isso?

A resposta, no caso de Illinois, passa por compreender como funcionam as políticas aqui. Daí, vou precisar apelar para um pequeno interlúdio para dar uma idéia da coisa:

Existem dois tipos de Democratas. Os Democratas da costa leste e oeste, que tu identifica como o pessoal que vai para escolas de grande porte, tendem a ser partidários de programas sociais moderados mas não apoiam nenhum tipo de iniciativa mais agressiva na parte econômica. O exemplo clássico deste tipo de Democrata é o Kennedy: papa-Kennedy basicamente comprou um lugar no Senado para cada um dos filhos e depois elegeu o primeiro presidente católico da história dos Estados Unidos. Na base da grana e do apelo para as elites que financiaram a candidatura. O Clinton é uma história parecida. Foi nas melhores escolas, família tradicional na Georgia, estas coisas todas.

Os outros Democratas são os chamados Blue Collar. Pensa no Bruce Springfield, naqueles filmes em Detroit nos anos oitenta. Boa parte desta turma trabalha com construção e é vinculada com os sindicatos. As Unions até os anos 50 eram identificadas com a máfia, e foram a base da operação de um certo Al Capone que controlou o mid-west mais que qualquer governador por bons quinze anos. Até hoje os sindicatos comandam tudo por aqui. Os mafiosos, nem tanto.

Ok, fim do interlúdio.

Corta para Springfield ontem:

O protesto foi organizado pelos sindicatos que na realidade chegaram a pagar ônibus para pessoas do estado inteiro: a idéia é aumentar os impostos e salvar o sistema de educação de Illinois.

Duas coisas:
1) Illinois tá falido. Cinco ou seis governadores fracassados, com dois ou três processos de impedimento em um espaço de 6 anos, simplesmente acabaram com as finanças do estado. Illinois é basicamente ingovernável. O estado não tem mais grana para passar para as faculdades (o campus satélite da universidade onde eu estudo fica em Edwardsville, e recentemente teve que fechar quatro ou cinco departamentos porque não tinha mais grana para mantê-los abertos). Isso também é verdade para o sistema de educação básica: várias escolas estão demitindo professores e/ou reduzindo salários.

2) Os professores do sistema básico estão com o cu na mão: o estado está demitindo professores não apenas por uma questão orçamentária, mas por um critério de eficiência. Professores com um desempenho tido como insatisfatório estão sendo colocados para a rua e escolas que não retornam o investimento estão sendo implodidas. Com isso, os sindicatos acabam tendo um poder de barganha enorme: “vem com a gente que talvez tu não perca teu emprego”.

Daí a iniciativa: aumente as taxas e mantenha as escolas abertas. Claro, os sindicatos estão contando apenas uma parte da história – que é a do corte. Mas não contam que muitos dos professores que estão perdendo emprego não são vítimas de um furor orçamentário, mas de uma reforma no sistema de educação (que tem seus problemas específicos, diga-se de passagem, mas que não cabe falar aqui).

É importante ressaltar que Illinois não é mais um estado que varia entre democratas e republicanos nas eleições federais, mas que tem uma alternância forte nas eleições para governador. Com as eleições para governador na esquina, o candidato republicano já disse que não acha necessário aumentar taxa alguma.

Isso deixa os democratas em uma situação complicada:

Aumentar os impostos significa ganhar o apoio dos membros do sindicato que estão em Springfield. Mas pode significar perder votos em todas as partes do estado que não dividem o interesse do grupo que foi ontem lá. Não aumentar pode significar o colapso de parte do sistema educacional (que ainda é controlado por pessoas vinculadas com o sindicato), e uma posterior perda de votos vinculadas com o colapso da educação pública. Para os democratas é um caso claro de perda/perda. Não tem como obter um resultado satisfatório.

Isso somado com um governador (democrata) que acabou de perder o emprego por corrupção deve tornar a eleição estadual um tanto complicada para os Democratas.

Programa Braziu 004 no ar

braziu.org 17:20 | 09/04/2010

E lá vamos nós.

Érica Manssour na China, Fabrício Pontin nos Estados Unidos, Walter Valdevino no Braziu, Leandro Demori na Itália e Mário Camera na França comentam pesquisas eleitorais no Braziu, eleições regionais italianas, BRICs, Sarkozy e Carla Bruni, informação na China e infinitamente mais.

Uma derrota humilhante

Mario Camera | França 09:27 | 23/03/2010

Acabou como deveria ter acabado, se levarmos em conta as pesquisas dos últimos meses. Mesmo assim, a surpresa foi grande no Palácio do Eliseu. O presidente Nicolas Sarkozy ainda tinha esperanças de que a derrota nas eleições regionais que terminaram no último domingo, na França, não seria tão humilhante para a direita. Foi um erro, alimentado pelo ego presidencial. Das 26 regiões francesas, o partido no governo, a UMP, levou apenas três. O resto ficou com a oposição, liderada pelos socialistas.

É assim que faz, chéri?

Essas eleições marcam, finalmente, o fim da primeira metade do mandato de Sarkozy. Uma etapa marcada pela crise econômica, que causou estragos e levou o presidente a rever suas promessas de reformar o velho e enferrujado Estado francês.

Tudo parece ter fracassado. Até mesmo a abertura à esquerda, que alçou membros da oposição a cargos de confiança dentro do governo. A estratégia presidencial para implodir o Partido Socialista chegou a dar sinais de estar funcionando, quando a UMP humilhou a esquerda nas eleições europeias. Era uma falácia, da qual ninguém se deu conta. Só serviu para irritar muitos eleitores da direita e da extrema-direita que votaram em Sarkozy nas presidenciais de 2007.

Diante da derrota humilhante, restou a Sarkozy fazer o que todo governante deve fazer nestas horas. Foi preciso sacrificar alguém. Para não mostrar a total perda de rumo do governo, decidiu escolheu um. Foi uma escolha a dedo. Rolou a cabeça que é mais visível nestes tempos de crise e desemprego crescente. O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, deixa a pasta para tentar apaziguar a insatisfação popular.

Xavier, vem fazer “gluglu”

A guilhotina sarkozysta deve continuar trabalhando esta semana, segundo o Le Monde. As próximas vítimas serão, provavelmente, secretários de Estado e membros do governo que militavam à esquerda antes de Sarkozy chegar ao poder. O presidente quer dar um recado claro a seus correligionários, extremamente irritados com a derrota do domingo passado. O objetivo é reagrupar as diferentes correntes dentro da UMP, com vista às próximas eleições que serão realizadas no país e nas quais uma derrota será fatal: as presidenciais de 2012.

Senador Bayh abandona o navio

Fabricio Pontin | Estados Unidos 16:10 | 17/02/2010

Estariam os democratas em apuros?

Bem, vamos pensar juntos aqui. Primeiro, o Ted Kennedy morre. Daí, em uma sequência de opções erradas sem precedentes, os democratas conseguem perder um “seat” em um dos estados mais liberais do país. Mas tudo bem, tu pode analisar isso via uma série de fatores. Minha hipótese é que a leitura da eleição em MA como um referendo do governo Obama foi um equívoco e não compreendeu coisa alguma dos processos de voto e de interesse. Neguinho em MA não tinha qualquer motivo para se levantar da cadeira e ir votar se fosse um liberal. Se ele fosse um conservador? Do ponto de vista ideológico ele tinha vários motivos para levantar a bunda da cadeira e ir votar. Eleitores conservadores foram votar, eleitores liberais não viram motivo para isso. Não é o fim do mundo.

Só que no início da semana passada o John Murtha morreu. John Murtha era um democrata em via de extinção. Do tipo que conseguia dialogar com a base blue-collar de forma direta na região mais conservadora de PA. Pennsylvania, vocês sabem, é um estado complicado. Históricamente tende a ficar no meio campo, e no cenário onde os liberais tendem à imobilidade (caso de qualquer cenário onde um liberal está na casa branca), os conservadores ganham uma vantagem operacional enorme. Pois bem, perder um lugar em PA pode não parecer grande drama. Mas pode ser um fator decisivo para preparar o terreno para a eleição de 2012. Os Democratas não conseguem ganhar sem a Pennsylvania e os teabaggers tem demonstrado uma capacidade de mobilização grande – não tão grande quanto a Fox quer te convencer, é claro.

Daí, esta semana o Senador Bayh abandonou o navio. O Senador Bayh é uma liderança democrata em ascensão. Ao contrário do Murtha e do Kennedy, ele não era um velho que ocupava um lugar historicamente associado ao partido democrata. O Bayh foi fundamental na campanha de Obama, tão fundamental que Obama venceu em Indiana – coisa que pouquíssima gente pensava possível. O Nate Silver, no FiveThirtyEight, fez a simulação do que o Bayh simbolizava em termos de valor para o partido. Adivinhem? Ele é imprescindível para o mid-west. O buraco que ele deixa no senado é grande, mas em termos estratégicos, no longo termo, ele pode indicar uma incapacidade do governo Obama em lidar com o centro do partido democrata – um gap de liderança. Em vários sentidos isso é parte de uma tendência na liderança do Obama, no tratamento com o congresso, que vem levando muita gente a comparar o Obama com outra grande liderança do partido democratico que surgiu como resposta à uma guinada conservadora. O nome desta liderança era Jimmy Carter.

Depois de um ano, Obama parece estar sendo consumido pelo próprio partido. Mas, para um presidente impopular, os números deles são surpreendentemente bons. Parece que o público – fora da guerrinha ideológica – não vincula estes abandonos e perdas ao Obama – ainda. Resta saber se e como a próxima eleição vai ser intepretada como um referendo. Ela não precisa ser um referendo. A dinâmica de uma votação para congresso e uma votação para presidente é completamente diferente em um contexto onde o voto é optativo. Mas isso não importa no fim das contas, e este é o dado para acompanhar este ano: como os números do Obama vão evoluir conforme o congresso voltar para a normalidade 54%-46% que vai ser lida como uma anormalidade, um referendo do Obama – que se beneficiou pelo referendo de Bush em 2008 que colocou ele em uma situação de vantagem com poucos precedentes na história recente dos Estados Unidos. Uma vantagem que não foi aproveitada pelos congressistas democratas norte-americanos, que não entenderam o mandato que ganharam ou o tempo que o mandato duraria.

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