Dom Pedro Segundo entrevista: Deus
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Apesar da fila de mais de uma hora impressionar, hoje à tarde, apenas metade dos 4 mil eleitores cadastrados para votar em Paris compareceu, segundo os números recém divulgados. E, a julgar pelo voto dos brasileiros “franceses”, tem segundo turno. Dilma obteve 46,2% dos votos na capital francesa. De acordo com o consulado, cerca de 2,1 mil brasileiros foram às urnas. José Serra (PSDB) teve 29,6% dos votos e Marina Silva (PV), 22,1%. Na Itália, Dilma recebeu 44% dos votos válidos. José Serra ficou com 32 % e Marina Silva obteve 19%.
É claro que nenhum destes dois países pode servir de comparação para o voto no Brasil. Mas apontam uma tendência. Voltamos logo mais.
“Quando a Marina Silva se filiou, esperei que houvesse um processo democrático de adensamento do programa (partidário), mas na verdade houve uma aliança entre a ministra, o presidente do partido, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis no Rio de Janeiro, e eles fecharam uma opção para conduzir uma aliança com o PSDB e o DEM”.
(via terramagazine)
ã. Oi, Juca, tudo bem?
Olha só, a gente não se conhece e tal, mas é só para deixar um recado. Ninguém acredita que a Marina Silva tem chance, viu? Então “aliança” é para salvar teu partido e talvez, de repente, em algum mundo possível, eleger um ou outro deputado – e até arrumar uma chance que outra para o Gabeira, saca?
Mas eu entendo, é frustrante. Principalmente nestas horas que o cara quer acreditar em ideologia, né? É um mundo complicado, perigoso, cheio de coisas inesperadas e é importante o cara ter uma utopia, uma coisa na qual se apoiar (mas não tipo aquele cara do partido republicano , a gente sabe, aquele cara se apoiou na coisa errada e tal).
Juca, eu só queria te dizer o seguinte: “aliança da direita”? Sério, cara? Também não quer lançar um “FORA FMI!” e “RBS MENTE!” junto? Sei lá, levantar um cartaz apoiando a insurgência heróica iraquiana e tocar um reggae na redença?
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Fazer uma rodinha e mandar Sugar Magnolia, numa destas?
Juca, Jesus tá chamando, Juca.
Não são?
Saiu faz pouco a última análise do Brazil Focus sobre a última pesquisa Datafolha para presidente do Brasil. Algumas coisas chamam a atenção. A primeira é a forma como alguém acostumado a ler eleições no contexto norte-americano pode perder um pouco as dinâmicas de uma eleição no Brasil. Não que a análise feita pelo professor Fleischer esteja errada, longe disso, mas é interessante ver quais fatores parecem fundamentais para o analista norte-americano.
Vamos lá, o primeiro fator é a popularidade do presidente Lula. Em qualquer contexto um presidente no último ano de um mandato de oito anos receber 73% de saldo positivo é notável. Para o Fleischer, aqui existe uma tendência de transferência de votos do Lulão para o Dilmão. De fato, já percebemos esta tendência no salto da Dilma nas últimas pesquisas . No entanto, um fator interessante é a distribuição da popularidade do Lulão, e o fator de transferência de votos vinculada a este. O alto nível de rejeição do Lula nos Estados do Sul do Brasil pode ser mais fundamental que a sua relativa popularidade: 60% de avaliação positiva no Rio Grande do Sul, por exemplo, é um bom número. Mas os 40% de rejeição são mais importantes ainda, principalmente pelo deslocamento da imagem do Lula com o PT. Creio não ser um engano pensar que dos 60% um bom número não vincula mais o Lula com o PT gaúcho, enquanto os 40% que rejeitam o presidente necessariamente rejeitam o Partido dos Trabalhadores também. No mesmo sentido, a expectativa de transferência de votos do Lula para os candidatos a governador no nordeste pode ser frustrada.
Acontece que as notícias são boas para a Dilma também no contexto da super-personalização: na última Datafolha 42% dos respondentes alegam que votam no candidato apoiado pelo Lulão. Em um contexto de aprovação bruta em torno dos 68-72%, Dilma pode começar a pensar na decoração do Palácio do Alvorada. Para o Serra, portanto, a questão fica em uma sinuca de bico:
a) Tentar detonar a imagem do Lula, diminuindo a aprovação do presidente, e parando o sangramento de votos.
b) Se vincular ao “bom” do Lula, tentando ganhar votos de indivíduos “moderados” e confiar que a Dilma estacione.
Nenhum dos dois cenários é muito bom. O primeiro coloca o Serra na situação de ter que falar mal de um presidente extremamente popular, o que pode custar mais votos de eleitores simpáticos ao presidente. Afinal, o Lula tem a máquina do lado dele e o Serra teria que lutar contra os programas sociais. Quem lembra do Alckmin na última eleição tendo de ouvir o Lulão dizendo “este camarada quer tirar comida da tua boca”? Ao brigar com o Lula, o Serra arrisca ter que ouvir a mesma coisa. E ninguém ganha eleição no Brasil sendo vinculado com uma política austera do ponto de vista de programas sociais. O segundo cenário pode ser uma boa idéia, se o Serra estiver confiante para o segundo turno. O problema de alegar “manter o que está bom, mudar o que está ruim” funciona mais em contextos de alta ou relativa impopularidade do governo executivo. Por exemplo, funcionou maravilhosamente para o Fogaça na eleição de 2004 para a prefeitura de Porto Alegre, quando ele basicamente sustentou que faria um governo nos moldes do PT, mas sem aquele bando de petista. No entanto, para o Serra o discurso teria que ser algo do tipo “eu manterei os programas sociais, mas vou fazer eles funcionarem mais e melhor!” e isso presume que a) as pessoas vão acreditar nele e b) as pessoas vão votar nele. Digo isso porque é bastante possível que todos candidatos que não são a Dilma vão fazer este discurso, justamente por medo de se oporem a um presidente popular. Neste sentido, este discurso pode garantir um segundo turno com o Serra e a Dilma – que pelo visto, já está garantido de qualquer forma. Mas com uma popularidade alta do Lulão e uma transferência de votos relativamente segura para a Dilma, o que resta para o Serra neste sentido? Os tucanos dependeriam aqui de uma aliança com setores do centro que parecem ter sido deslocados para o lado Lulista nos últimos anos – o “adesismo” do qual FHC se beneficiou tanto.
Neste sentido, o homem mais esperto desta eleição foi decidamente o Aécio Neves. A Dilma, se assumir o executivo – e parece que vai – terá uma missão ingrata pela frente. Suceder um presidente com 70% de aprovação é tenebroso, mesmo se ele for do teu partido. Serra parece estar em uma posição complicada aqui, já que se ele desistir agora da eleição e deixar o partido na mão para ser eleito governador de São Paulo, podemos parar de perder tempo falando do horário eleitoral e dos debates, e simplesmente entregar o cargo executivo para o Dilmão. O Aécio vê tudo de camarote, com um cargo no senado garantido, e sem querer a queimação de jogar como vice de uma campanha potencialmente desastrada.
Mas o outro fator é que a eleição brasileira é atípica. Ela é atípica porque o eleitor brasileiro não é movido por ideologia – até porque, quem é capaz de realmente distinguir as plataformas de direita e esquerda na próxima eleição? Sejam sinceros, por favor. Aí, o “gostar” do candidato é realmente um “acho o Serra simpático pácas”, ou “esta Marina Silva é muito articulada, e gosta muito de árvores!”. Nisto, o horário eleitoral e o tempo de televisão podem decidir quem vai para o segundo turno ou a possibilidade de uma transferência total de votos do Lula para a Dilma, que resolveria esta eleição logo no primeiro turno.
Por enquanto, um segundo turno entre Dilma e Serra parece inevitável. E a estratégia do Serra para este segundo turno parece, diante da popularidade do Lula e do crescimento estável da candidatura Dilma, um tanto problemática.
Vai ser divertido ver os analistas americanos tentando matematizar isso durante este ano.