Melhor levar o guarda-chuva

Leandro Demori | Itália 14:05 | 02/08/2010

Durante sua fala dominical (o Angelus), o Papa Bento XVI expressou ontem “muita satisfação pela entrada em vigor do tratado pelo não-uso das Cluster Bombs“, leio agora no Corriere della Sera [impresso].

Cluster bomb é um armamento militar — uma bomba — que, após lançada de aviões ou do solo, se separa em diversas outras pequenas bombas, causando uma estrago dissipado no alvo.

O problema das Cluster bombs é que, ao tocarem o solo, muitas ogivas não explodem. Permanecem ali por anos até serem descobertas por animais ou pessoas. Muitas são as vítimas no pós-guerra, invariavelmente civis.

A Cruz Vermelha Internacional estima em 100 milhões o número de ogivas plantadas em antigos campos de guerra pelo mundo.

O Angelus papal foi direcionado à convenção porque o Vaticano foi um dos Estados que pressionou na ONU pelo fim do uso das Cluster Bombs. As expectativas, no entanto, foram resfriadas por um dado importante: “mesmo sendo assinada por 107 nações, não foi reconhecida por países como Estados Unidos, China, Rússia, Israel, Índia, Paquistão e Brasil. Entre os 107 presentes, somente 37 já ratificaram a convenção”, traz o Corriere.

Estados Unidos, Rússia e China são produtores das bombas, vendem a países como Israel (que as usou contra o Líbano, por exemplo), Paquistão e Índia (que brigam pela região da Caxemira).

O Brasil não está em guerra, [mas também produz Cluster Bombs <-- updated 19h54] e não deve espantar o fato de o país ter deixado de assinar o documento. Já que estamos entrando no mundo dos adultos, nada mais natural do que se acostumar com as brincadeiras da parte de cima do beliche.

Dormir em baixo é roubada.

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