Horóscopo político — 12 a 18 de outubro

Nannah Pereira, colaboração para o Braziu™ 09:35 | 12/10/2010

Segundo turno é uma nova oportunidade para afinar o seu discurso. Suba no púlpito e prepare as giletes para o confronto. Tire as crianças da sala, mas não do ventre materno — defender o aborto é suicídio com casa em Marte.

Áries – Oportunidade de viagem, mas tenha cuidado com o dinheiro do Caixa 2 na mala. Cuecão também está fora de moda. Assuma os riscos de uma peruca estilo Amy Winehouse.

Touro – Continue a economizar, já que não tem planos políticos a longo prazo. Aguarde que seu amigo deputado assuma o novo cargo e jogue seu filho de 36 anos no colo dele. É a chance de fazê-lo sair de casa.

Gêmeos – Dilma ou Serra? Aborto ou Pró-Vida? Não importa: assuma uma posição somente quando for bem recompen$ado por ela, de preferência com um projeto de 4 anos financiado pelo BNDES.

Câncer – O tempo pede paciência e equilíbrio, ainda não é momento de recompensar o seu amigo acupunturista. Comece pelos financiadores de campanha, mas alegue dificuldades financeiras e pague somente a metade.

Leão – Momento propício para brilhar. Monte uma ONG e brinque de sustentável. Marine sua conta bancária.

Virgem – Tempo para ouvir menos a sua voz interior; contrate um fonoaudiólogo para as sessões da Câmara e brade aos quatro ventos contra a imoralidade da República. Pagar de ‘probo e ilibado’ ainda está na moda.

Libra – Oportunidades sem limite$, mas aprenda com os progre$$istas: você não sabia de nada e qualquer ato ilegal ou imoral é justificado pelos “500 anos em que o PFL mandou neste país”. Pinte a cara com peroba.

Escorpião – Orçamento deve ter prioridade e prudência, afinal, você gastou muito com santinho e placa. É hora de recolocar aquela foto de Mônica Serra na parede e defender as causas das mulheres de alta renda. Batom rosa-claro cai sempre bem.

Sagitário – Cuidar de si mesmo e da família é também ajeitar os cargos deles em seu escritório. Amplie a sala, chame o filho arquiteto daquele seu cabo eleitoral e pague os encargos com o erário público. É sempre bom manter as tradições.

Capricórnio – A partir desta semana, você deve começar a se expor menos. Depois de uma votação absurda, vá mesmo descansar na praia. Não se gabe de ter batido recordes de popularidade. A soberba é uma montanha íngreme e pedregosa.

Aquário – Análises cuidadosas marcam os próximos dias, e assinar documentos sem ler faz parte da montanha de trabalho. Negue tudo como seu amigo de Libra, afinal, ninguém se importa.

Peixes – Está pensando em viajar? Cuidado com filmagens particulares em aviões e limousines. O You Tube está aí para destruir carreiras, e não poupa nem mesmo a “family”.

Cor da semana: Azul bebê
Pedra da semana: Weslian Roriz
Palavra da semana: “Family”
Frase da semana: “Mas o que é isso? Mas o que é isso?”

* Nannah Pereira colabora com o Braziu™ escrevendo semanalmente o Horóscopo Político. Colabore você também enviando um e-mail. Caso não haja resposta, é porque achamos uma porcaria.

Uma questão de empatia, ou “Parabéns, Presidente Dilma”

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:18 | 09/09/2010

Enquanto a Dilma vai se consolidando com 50% nas pesquisas, resta ao PSDB olhar para os lados e tentar entender como é que a eleição foi perdida. Vou tentar dar um panorama da coisa, e tentar traçar a jornada que o PSDB protagonizou para conseguir fazer o papelão que deve ser confirmado na eleição de outubro.

Um candidato abandonado

Serra começou a perder essa eleição no momento em que Aécio Neves abandonou o barco. Aécio seria a escolha lógica de vice para o Serra, dando um contraponto um pouco mais carismático para a imagem sisuda do governador de São Paulo. No entanto, Aécio resolveu que abriria mão da candidatura à presidência, evitando se expor em uma chapa com alta chance de fracasso. Pelo contrário, ele resolveu se isolar em Minas Gerais e garantir uma eleição ao Senado – se colocando na linha de frente para a eleição de 2014.

Com isso, Serra se viu só em um partido famoso por ter muito cacique mas poucos índios. Logo, os potenciais candidatos a vice foram dando negativas à chapa tucana e o PSDB teve que inventar um candidato a vice completamente sem expressão política.

Claro, eu não sou imbecil o suficiente para indicar que o candidato a vice-presidente decide alguma coisa. Mas enquanto Dilma se aliava com o Michel Temer, oficializando o alinhamento entre PMDB e PT, Serra era obrigado a inventar uma coligação com o DEM no papel de principal coadjuvante.

Nesse momento, a eleição já estava desenhada. Ainda que Serra mantivesse uma liderança nas pesquisas, a popularidade do Lula, somada à baixa rejeição da Dilma, colocava um cenário difícil de ser revertido: as pessoas que não conheciam os candidatos estavam se decidindo, em uma proporção quase geométrica, pela Dilma. E em um cenário onde ninguém vota movido por ideologia, mudar esse tipo de tendência é extremamente complicado.

O idiota útil

Ciro Gomes tinha grandes planos para essa eleição. Até julho do ano passado, Dilma não parecia decolar nas pesquisas de voto, e Ciro parecia ser o “trunfo” para garantir o projeto político capitaneado pelo PMDB e por Lula (que é bem diferente do projeto político do PT, que a essas alturas pouco importa). Ciro poderia não apenas garantir um segundo turno contra Serra, ele poderia também ser o candidato de Lula no segundo turno (no eventual fracasso de Dilma).

Mas algo aconteceu no momento em que Lula resolveu que Dilma seria a próxima presidente do Brasil: a mulher do Lula começou a aparecer nas pesquisas e a inacreditável popularidade do presidente foi transmitida para a mãe dos pobres. Com isso, Ciro perdeu toda a utilidade. No espaço de um mês, de potencial candidato à Presidência, Ciro passou a candidato de fachada, para garantir Dilma no segundo turno. Em quarenta e cinco dias, o segundo turno era um fato com ou sem Ciro. Em dois meses, Ciro sequer aparecia como potencial candidato à vice em uma chapa capitaneada por Dilma. Depois de um ano, Dilma pode (e talvez deva) ganhar no primeiro turno. O que aconteceu no meio tempo?

Um peixe chamado Lula

Faz mais de dois anos que Lula não baixa da linha dos 60% de aprovação. Isso não tem precedentes no cenário democrático brasileiro. Não cabe aqui analisar os motivos da aprovação do presidente, nem questionar se a aprovação é merecida. Até porque fazer esse tipo de coisa é charlatanismo. Mas o fato é o seguinte: Lula é o presidente mais popular que o Brasil já teve (pelo menos desde que existem institutos para medir popularidade). Como é possível competir com a candidata de um presidente que chega a inacreditáveis 80% de avaliação positiva?

Serra é um homem inteligente e sabia que não poderia ganhar nesse cenário. Talvez a gente possa compreender o completo colapso da “plataforma eleitoral” (e haja aspas) do Serra a partir da constatação de que não havia muito o que fazer. O melhor era tentar levar a coisa até o segundo turno e esperar que alguma coisa (tipo uma foto da Dilma roubando comida de um bebê faminto no sertão sergipano) pudesse mudar o cenário.

Mais que isso, nem Serra nem Dilma tinham rejeição altas. Isso é um fator relativamente novo em uma campanha brasileira. Se a gente observar as eleições de 1989, 1994 e 1998 vamos perceber claramente que o candidato derrotado sempre teve uma rejeição muito alta. Quase sempre isso foi vinculado a imagem do Lula. Lula somente ganhou a eleição quando conseguiu deslocar a imagem de operário-combativo para o Lulinha-paz-e-amor. Nem Dilma, nem Serra precisaram se preocupar com esse fator. Apenas agora, no final da eleição, Serra está com 31% de rejeição. Em 1994, Lula nunca teve menos de 38% de rejeição. E em 1989 chegou a ter, no segundo turno, 42% (quase a mesma porcentagem que Collor tinha na espontânea, indicando que quase todos que votavam em Collor não votariam em Lula sob hipótese alguma). Da mesma forma, em 2000, o desgaste do governo Cardoso contaminou a campanha de Serra que, no início de Setembro, tinha 34% de rejeição — e nunca tinha ficado abaixo dos 30%. Nessa eleição, apenas agora algum candidato passou dos 30%, e me parece interessante que justamente o candidato de oposição tenha chegado primeiro nessa linha.

Como não fazer uma campanha

Vai ficar para a história o tamanho da burrada que o PSDB cometeu nessa campanha eleitoral. Serra tinha poucas chances, é verdade. Também é verdade que suceder um presidente com 80% de aprovação é uma tarefa inglória, e talvez Serra esteja mais interessado em garantir sua aposentadoria no Senado na próxima eleição (ao contrário de Ciro Gomes, me parece que a carreira política de Serra não acabou nessa eleição, ele ainda tem alta aceitação em São Paulo. Ciro cometeu suicídio político ao se incomodar com Lula e queimou todas as pontes com o PSDB no passado – e eu adoraria que alguém me explicasse o que diabos levou ele a mudar de domicílio eleitoral para São Paulo).

Mas nada explica a postura do PSDB nessa eleição. Não vou nem entrar na discussão barata sobre a postura da “grande mídia”. A questão aqui não é como a imprensa abordou ou deixou de abordar a candidatura do Serra, da Dilma ou da Marina (que, francamente, foi apenas uma distração para a classe média antenada, incapaz de perceber uma candidata extremamente fraca e bastante conservadora). A questão, isso sim, é como o Serra decidiu levar a campanha.

Sabendo que a derrota era praticamente inevitável, Serra tentou garantir um segundo turno, alegando “fazer um governo tipo o do Lula, mas sem aquele monte de petista”. Ao ver essa estratégia fazer água, o PSDB resolveu tirar da cartola uma meia dúzia de escândalos que ninguém entendeu, uma outra dúzia de argumentos com os quais ninguém se importou e uma série de críticas que só podem ser piada. Mais que isso, Serra decidiu engolir a tese segundo a qual a estabilidade econômica é merito do Lula, apenas para não ter que mencionar o nome de FHC (talvez por ter sido prejudicado por esse mesmo nome em 2002). Com isso, Serra protagonizou uma campanha sobre o nada.

O mais interessante disso tudo é perceber que a Dilma não existe. A Dilma é uma invenção do Lula, e é por isso mesmo que ela vai vencer a eleição. Restava ao Serra tentar salvar a própria pele em uma campanha com um resultado quase inevitável. Mas o medo de perder no primeiro turno tomou conta da campanha tucana, que passou as últimas semanas atacando a candidata de um presidente extremamente popular (e, claro, tentando atingir o próprio presidente no caminho).

Resultado: Serra tem menos votos hoje do que no ano passado em quase todas as simulações, e qualquer pessoa que entende o mínimo de eleição vai te dizer que quando um candidato começa a cair abaixo do “valor inicial”, ou a correr em uma velocidade mais baixa do que a do início da corrida, é porque o carro tá quebrado.

Pitagóricas VII

Walter Valdevino | Brasil 08:25 | 29/04/2010

- “Maluf é condenado por compra superfaturada de frangos”. Recorrerá. Vencerá.

- “Temer minimiza críticas e diz que Ciro sofre com ‘agruras emocionais’”. Ainda não votou na nossa enquete aí do lado?

- “STJ rejeita indenização à viúva de fumante”. Abésórdó. Papai E$tado falhando em nos proteger da mídia má, bobona, feiosa e opressora.

- “Mulher de Noriega tinha mais de R$ 70 mil no Banco do Brasil em Paris”. Pó, ditadura, Braziu. Faz $entido.

- “Comparado com Adriano, Ronaldo está magro, diz Lula”. Importante.

- “Em visita ao Brasil, Chávez diz que seu coração está com Dilma”. Carinhosão.

- “Microfone flagra Gordon Brown chamando eleitora de ‘intolerante’”. Remembero que é bom a gente mostra, o que é ruim, a gente esconde“.

- “Chávez diz que não sabe quando terá sucessor”. Bio lá do Twitter @chavezcandanga: “Presidente de la República Bolivariana de Venezuela. Soldado Bolivariano, Socialista y Antiimperialista“. sdkjfhsk. Eterna e insuperável pré-escola.

- “Chinês esfaqueia 28 crianças em jardim de infância”. Esporte nacional.

Pitagóricas VI

braziu.org 08:00 | 27/04/2010

- “James Cameron: ‘Vou levar uma carta dos índios a Obama’”. Política do calção da Adidas.

- “Indonésios que aumentam pênis são impedidos de servir o Exército.” Comiam de mais.

- “Sítio oficial ‘usa’ foto de atriz como se fosse de Dilma.” Deixa! Deixa!

- “Serra e Lula cochilam na posse do presidente do STF.” No ritmo do Judiciário. Faz $entido.

- “Grã-Bretanha pede desculpas por documento com ‘piadas’ sobre papa.” Maiores e melhores ‘brainstorms’ governamentais. Continuar assim.

- “Na TV, Ciro critica PMDB e PT e diz que Serra é um ‘perigo’ para o país.” Já votou na nossa enquete aí do lado?

- “Americanas exibem decotes em protesto contra clérigo iraniano.” Este Braziu apóia toda e qualquer manifestação desta vertente ideológica popular e revolucionária.

- “Vulcão na Islândia ajudou a conter gases poluentes.” Marina Silva humilhada por Eyjafjallajökull.

- “Brasil paga dez vezes mais por banda larga do que países desenvolvidos.” Parabén$ eterno.

- “Deputado quer voto com força do pensamento.” Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mostrando ao mundo a elevada con$ciência política do povo gaóchu. Será reeleito.

- “Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, desafia prefeitura do Rio em vídeo na internet.” Edir Macedo [dono do Braziu] sempre certo.

- “Justiça gaúcha absolve Google em caso de ofensa a internauta no Orkut.” Tico…

- “Justiça condena Google a indenizar padre apontado como pedófilo no Orkut.” … perdeu comunicação com Teco.

- “Gêmeo de presidente morto disputará Presidência da Polônia”. Lula xingando demais o atraso na clonagem humana.

- “Ministro da Saúde recomenda sexo para combater a hipertensão”. Faz $entido.

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