O limite do Tea Party

Fabricio Pontin | Estados Unidos 11:52 | 04/11/2010

Quando eu falei sobre o Tea Party pro Braziu, aqui, uma das coisas que me deixavam curioso era até onde a influência do grupo da Sarah Palin e do Glenn Beck poderia atrapalhar o domínio democrata no Congresso e no Senado. Ontem deu para ter uma dimensão do problema.

Um Congresso na mão dos conservadores, de novo

A política norte-americana é feita com mapas. A natureza da eleição aqui, com a divisão dos delegados por Estado, obriga uma divisão estratégica do voto. Em diversos sentidos o posicionamento ideológico da Pennsylvania é mais importante que o de Nova Iorque para os candidatos. Principalmente porque o posicionamento de Nova Iorque não está em jogo (votará Democratas na próxima eleição), enquanto o da Pennsylvania pode decidir o jogo para um lado ou para o outro.

Agora olhem bem para esse mapa:

Os vermelinhos são os Republicanos, os azuis são os Democratas [em caso de daltonismo, os verdinhos são Republicanos e os vermelinhos são os Democratas, ok?]. Agora respirem fundo e digam com o Obama:

fodeu

Os Democratas perderam em uma noite o domínio completo do Congresso. Para vocês terem uma ideia, no momento da eleição do Obama o domínio dos Democratas era tão grande que permitia que qualquer legislação fosse aprovada apenas com os votos dos democratas. Além de dependerem somente de si, os Democratas podiam ainda catapultar qualquer projeto dos Republicanos para fora da pauta do Congresso. Bastava votar em bloco.

Então qual foi a dificuldade do Governo para passar os projetos pelo Congresso?

É difícil para quem está de fora entender algumas peculiaridades do sistema norte-americano, especialmente do vínculo ideológico e do comportamento dos políticos dentro do Partido Democrata. O que levaria um democrata a votar contra o projeto mais importante do governo Obama (no caso, a reforma do sistema de saúde)?

A resposta está na chamada “política de base”. Os Democratas eleitos por Estados mais conservadores e que pretendiam se reeleger olhavam para a base que iria votar nessa eleição e pensavam: “se eu votar com o Obama nesse plano de saúde, estou frito”. Votaram contra. Daí a dificuldade em passar projetos.

Assim, os projetos que Obama conseguiu passar no Congresso foram exaustivamente negociados com a base Republicana (ainda que minoritária) e com os Democratas “conservadores” que sabiam que tinham uma eleição em um ano. Para os que votaram na plataforma de “hope and change” (tradução livre: “pão e circo”) isso foi uma decepção horrível; para os que já não gostavam do Obama, foi a confirmação de que ele é um incapaz de lidar com política executiva. Os resultados estão no mapa ali de cima.

Ontem foi dia normal aqui nos Estados Unidos, nenhum professor liberou aluno para ir votar, nenhum chefe deu dia livre para quem comprovasse voto. Chegou atrasado? Te rala. Ficou na fila e não conseguiu ir ao trabalho? Perdeu o dia e talvez perdeu o cargo. Nesse contexto, o cara tem que estar muito motivado para ir votar. Vi uma pessoa falando que chegou atrasado por ter ido votar. Compreender a derrota dos Democratas no Congresso passa por entender a motivação para votar.

Mas e o Senado?

Pois é. Com todo o gritedo dos conservadores, toda a campanha para mostrar o completo fracasso do Governo Federal em passar legislação e a desmotivação dos militantes em levantar a bunda e ir votar, o Senado continua na mão dos Democratas. Mas muito menos decisivamente do que no ano passado e com muitos democratas com medo de perder o cargo para um conservador na próxima eleição.

Eis o mapa:

A grande má notícia para Obama nesse mapa: Ohio, Pennysilvania, Indiana, Florida, North Carolina e Winsconsin votaram em senadores republicanos. Se isso for uma tendência, preparem-se para presidente Palin em 2012. Todos esses Estados deram a vitória para Obama em 2008. E, sem exceção, são todos swing states, ou seja, Estados que mudam de lado de uma eleição para outra.

No entanto, várias dessas vitórias foram por margens pequenas de votos e a eleição para o Senado e Congresso, por definição, atrai menos gente que uma eleição presidencial. Ou seja: o Tea Party conseguiu mobilizar a base conservadora a votar em Estados com potencial de virar o jogo, mas não redesenhou o mapa eleitoral no Senado, apenas elegeu candidatos republicanos em estados que historicamente elegem senadores republicanos. Grande coisa.

E os Estados?

A derrota de Toni Tancredo [melhor nome] no Colorado e eleições extremamente disputadas no Sul dos Estados Unidos indicam que os latinos viraram uma força política importante nas eleições norte-americanas. Mais que isso: uma força decisiva. Se em uma eleição “menor” o voto latino empurra todos os candidatos democratas para a casa dos 40% no Sul (não é pouca coisa, se a gente pensar que esses Estados são, nos últimos trinta anos, o parque de diversão dos republicanos), imaginem o que eles podem fazer em uma eleição “grande”.

Toni Tancredo é o grande nome da política anti-imigração e anti-imigrante nos Estados Unidos. A derrota dele é um recado claro para os republicanos de que continuar o discurso da ampliação dos muros na fronteira e da política de exigência de documentos nos Estados com maior influxo de hispânicos pode custar aos republicanos a perda dos votos do latinos, da mesma forma que as políticas segregatórias dos anos sessenta custaram os votos dos afro-americanos.

A história se repete

A história, sabe-se, acontece como tragédia, se repete como farsa e depois de umas quinhentas vezes vira circo no interior da Ucrânia (eu ia dizer Bulgária, mas me deu preguiça de ser chamado de classe média revoltada com a vitória da Dilma). A eleição de um Congresso de oposição ao Executivo, nos Estados Unidos, é uma tendência antiga.

Ela também é óbvia em um país com dois partidos políticos. O camarada vence a eleição, as pessoas se decepcionam, a oposição vence as eleições distritais. A oposição não faz lá grandes coisas diferentes, o presidente é reeleito. O Congresso e o Senado ficam na mão da oposição. O presidente não consegue governar. Quatro anos depois um candidato da oposição vence. Repita a história até cansar.

Com exceção de Reagan, que elegeu o sucessor, e Bush I e Carter, que perderam a campanha para a reeleição, isso tem sido a regra nos Estados Unidos desde Nixon. Carter e Bush são exceções porque perderam, além da Câmara, o Senado — e também sofreram com eventos externos que comprometeram a imagem do chefe de governo. Reagan elegeu o sucessor por ter ganho a Guerra Fria.

Então muita calma ao dizer que o domínio do Congresso pelos Republicanos marca o fim do governo Obama. Os conservadores esperavam uma vitória maior, por mais que estejam comemorando como se já tivessem ganho a próxima eleição presidencial. É claro que as notícias são ruins — péssimas — para os Democratas, especialmente considerando a dificuldade que Obama tem em comunicar as vitórias do próprio governo. Mas os Republicanos também precisam refletir sobre o limite da política dos conservadores vinculados ao Tea Party, que já começam a se dividir em facções.

Os Republicanos sabem onde podem chegar com a atual estratégia: domínio do Congresso e vitória onde conservadores sempre podem vencer. Mas isso não é suficiente para a eleição presidencial. Paradoxalmente, é o limite do Tea Party.

Nove anos depois

Fabricio Pontin | Estados Unidos 21:53 | 11/09/2010

Todo mundo que eu conheço tem uma história bacaninha de como ficou sabendo dos atentados. Eu não lembro direito. Tudo que eu lembro é que estava na faculdade e ouvi algo sobre um incêndio no World Trade Center. Depois, no ônibus, tinha uma turma rindo e dizendo que parecia que uns nove outros aviões tinham sido sequestrados. Cheguei em casa, a primeira torre já tinha caído e a outra estava lá enquanto o repórter da CNN surtava no vídeo.

Os dias que se seguiram os atentados foram um festival de informação desencontrada. Ninguém realmente acreditava que os Estados Unidos iam demorar mais de um ano para capturar o Osama, ninguém realmente pensava que trilhões de dólares seriam gastos em duas guerras e que o presidente dos Estados Unidos financiaria uma delas com dinheiro chinês (o que certamente vai passar para a história como um dos piores erros estratégicos de uma administração norte-americana).

Nove anos depois, ninguém sabe se Osama está vivo ou morto, e pouco importa. A guerra no Iraque foi um desastre inconclusivo: ainda que houvesse razões para invadir o território e arrancar o Saddam de lá, o erro americano foi parecido com o cometido no Vietnam: ao pensarem que seriam saudados como libertadores, foram recebidos como invasores sem legitimidade.

No Afeganistão, depois de nove anos de ataques e planos, tudo que os americanos conseguiram é garantir a administração de um setor de Kabul, o resto do território tendo sido largado na mão de lutas tribais e uma expansão preocupante do radicalismo via bin-Laden na fronteira com o Paquistão.

Nos Estados Unidos, o noticiário passa as notícias de nove anos atrás sem parar. Enquanto isso, o Congresso discute se os bombeiros, policiais e paramédicos que responderam as chamadas de emergência nos prédios têm direito a tratamento especial para as doenças que eles pegaram durante a operação. Na última votação, o Congresso decidiu que não.

Mais que isso: nesses nove anos, a direita religiosa, que tinha adquirido legitimidade no governo Reagan (que, justiça seja feita, era inteligente o suficiente para usar aquela gente, mas nunca para ser usado por eles), se tornou a vanguarda do partido republicano, empurrando o conservadorismo fiscal para escanteio e criando uma noção delirante de imperialismo democrático aliada com populismo de valores. A chamada Bush Doctrine consiste justamente na articulação dessas duas frentes, que só foram elaboradas após os ataques. Bush alegou, em 2000, ser um conservador amável. Essa faceta foi rapidamente abandonada por um discurso totalmente diferente e o país ainda sofre as consequências dessa reestruturação.

Uma economia no lixo

Os anos Clinton criaram uma sensação enorme de otimismo nos Estados Unidos. Durante os oito anos do governo do bonitão, os americanos gastaram e compraram como nunca. Eles também criaram uma série de expectativas completamente insanas sobre os próprios bens e planos de vida. Criou-se a chamada “loucura dos seis dígitos”, de uma hora para outra, qualquer casa em um subúrbio de Chicago, Nova Iorque ou Los Angeles custava um milhão de dólares.

Essa tendência não foi revertida por Bush, pelo contrário. Um dia depois dos ataques, Bush foi a público dizer para os americanos comprarem mais, consumirem intensamente. Naquele momento, Bush poderia ter tentado reproduzir Roosevelt em 1939, e pedido austeridade, calma e trabalho. Ele pediu o contrário: consumo, ansiedade e lazer. Seis anos depois, os Estados Unidos começavam a pior crise de empregos desde 1981 e a pior crise fiscal desde 1929.

Uma derrota anunciada, uma nova liderança

Com um desastre econômico, duas guerras indo para lugar algum e um desastre ecológico nas costas, Bush começou um processo de queda vertiginosa, que acabou determinando que a grande eleição de 2007 não seria a entre um republicano e um democrata, mas entre os democratas. As primárias entre Hillary e Obama foram sensivelmente mais importantes que a eleição geral, justamente por não existir qualquer chance de eleição para um candidato republicano.

No entanto, os neo-cons encontraram em Sarah Palin um veiculo ainda mais poderoso que Bush. Palin era um grande quadro em branco onde os neo-cons poderiam escrever o que bem entendessem. Ela era perfeita. E melhor ainda, a mídia liberal odiava ela. Os republicanos sabem que a estratégia política pós 9/11 depende da criação de antagonismos, e não poderiam perder a oportunidade de explorar esse cenário.

Com isso, a Sarah Palin surgiu como a grande liderança de oposição, mobilizando uma voz única de negativas às políticas democráticas. Mesmo com um Congresso favorável, Obama se viu cercado de democratas com medo de perder seus respectivos cargos, e foi incapaz de liderar, no primeiro ano de governo, uma politica de situação homogenea.

Resultado: enquanto os republicanos votavam em bloco, os democratas votavam de forma desordenada e sem uma contra-partida aos republicanos. Em dois anos, Obama baixou para a linha dos 40% de aprovação e agora começa a brincar com os 35%, com níveis de rejeição similares aos de Bush em 2006.

Empregos, estrutura e um elitista

Muita gente boa sustenta que o pior da crise econômica já passou. Do ponto de vista da austeridade fiscal, sem dúvida. Mas tem um lado que ninguém tá falando: os empregos perdidos durante a crise não estão voltando. As pessoas continuam sem emprego, sem condições de pagar pelas coisas que adquiriram durante o otimismo dos anos Clinton, na terceira ou quarta hipoteca da segunda ou teceira casa…

Com isso, a estrutura do país está em crise. Em Detroit, os pedidos de falência individual continuam crescendo, um passeio rápido pelas ruas de Memphis ou St. Louis denuncia uma série de negócios fechando e prédios que são abandonados por falta de pessoas para alugar salas.

Enquanto isso, Obama demonstra uma incapacidade notável de articular uma ponte entre a habilidade de fazer discursos geniais com uma comunicação efetiva com o grande público. Ao contrário de Clinton, Obama não tem, hoje, qualquer simpatia com os democratas do meio-oeste, que têm um perfil mais de classe-média baixa, operária-industrial. Enquanto isso, Palin apela forte para o público de direita. Agora, Obama olha para o mapa eleitoral e vê os republicanos com chance de eleger governadores em 30 dos 50 estados, e com alta possibilidade de reverter a maioria democrata no Congresso, e diminuir a vantagem no senado.

Tolerância de mão única

Entre as discussões bobas da mesquita próxima do ground zero e a suposta queima do Corão por um pastor imbecil (pleonasmo, eu sei) na Flórida, uma coisa fica clara sobre o cenário pós 9/11, e que talvez seja a maior vitória dos atentados: os americanos estão extremamente dispostos a abrir mão de liberdades civis conquistadas nos últimos 100 anos em nome da suposta segurança nacional.

Por um lado, existe a tentativa de legitimar o Islã no contexto norte-americano após os ataques. Depois dos abusos praticados pelo governo Bush contra prisioneiros de guerra e o evidente estabelecimento de elementos religiosos dentro do Imperialismo Democrático da doutrina Bush, agora o esforço passa por legitimar o Islã. Exceto que tentar legitimar algo já presume a ilegitimidade da coisa. E ai temos a primeira dimensão do problema, ao tentar justificar as atividades normais de muçulmanos nos Estados Unidos, surge a pergunta “porque esses indivíduos precisam justificar essas atividades, quando outros não precisam?”.

Do outro lado, existe uma preocupação especial com as sensibilidades do Islã. Todas as religiões podem ser objeto de chacota, menos o Islã. Esse tratamento especial acaba denotando a construção de uma via de mão única, onde se permitem a construção de mesquitas, mas se aceita que essas mesmas mesquitas não permitam que cachorros passem na frente do estabelecimento (cachorros são animais impuros, entenda). Nada disso ajuda no processo de integração, pelo contrário.

Acontece que Obama não tem exatamente um histórico fabuloso na questão de direitos humanos. Guantánamo continua ativa, prisioneiros são mantidos no local sem julgamento e sem direito a Habeas Corpus. E aí?

Um país na encruzilhada

Sem dúvida, a eleição de Obama foi um evento extremamente relevante do ponto de vista socio-cultural, Obama venceu em estados onde 40 anos atrás um negro não poderia sentar na mesma mesa de um branco. Mas o momento de euforia com a eleição se esvaziou antes da posse do Obama. Já no terceiro mês, a aprovação de Obama era normal, e depois de um ano, a queda começou a se tornar vertiginosa.

Parece que houve, sim, uma mudança substancial no país, mas não era a que os democratas esperavam. Pelo contrário, a eleição mobilizou os conservadores e rapidamente frustrou os democratas. Agora, Obama vai ter que lidar com a potencial eleição de republicanos extremamente conservadores para o Congresso (os moderados estão sendo obliterados pela Palin), e esperar que essa tendência não se reverta na eleição da Palin como presidente em 2012 (o que sigo achando pouco provável).

Ainda assim, o crescimento do conservadorismo religioso enquanto vanguarda política é um fato incontestável desde 2001, e Obama perdeu a chance de parar essa tendência no momento da posse. Agora, ela retornou com mais força e mais poder de organização e talvez possa desenhar uma mudança política maior que a protagonizada por Reagan.

Uma questão de empatia, ou “Parabéns, Presidente Dilma”

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:18 | 09/09/2010

Enquanto a Dilma vai se consolidando com 50% nas pesquisas, resta ao PSDB olhar para os lados e tentar entender como é que a eleição foi perdida. Vou tentar dar um panorama da coisa, e tentar traçar a jornada que o PSDB protagonizou para conseguir fazer o papelão que deve ser confirmado na eleição de outubro.

Um candidato abandonado

Serra começou a perder essa eleição no momento em que Aécio Neves abandonou o barco. Aécio seria a escolha lógica de vice para o Serra, dando um contraponto um pouco mais carismático para a imagem sisuda do governador de São Paulo. No entanto, Aécio resolveu que abriria mão da candidatura à presidência, evitando se expor em uma chapa com alta chance de fracasso. Pelo contrário, ele resolveu se isolar em Minas Gerais e garantir uma eleição ao Senado – se colocando na linha de frente para a eleição de 2014.

Com isso, Serra se viu só em um partido famoso por ter muito cacique mas poucos índios. Logo, os potenciais candidatos a vice foram dando negativas à chapa tucana e o PSDB teve que inventar um candidato a vice completamente sem expressão política.

Claro, eu não sou imbecil o suficiente para indicar que o candidato a vice-presidente decide alguma coisa. Mas enquanto Dilma se aliava com o Michel Temer, oficializando o alinhamento entre PMDB e PT, Serra era obrigado a inventar uma coligação com o DEM no papel de principal coadjuvante.

Nesse momento, a eleição já estava desenhada. Ainda que Serra mantivesse uma liderança nas pesquisas, a popularidade do Lula, somada à baixa rejeição da Dilma, colocava um cenário difícil de ser revertido: as pessoas que não conheciam os candidatos estavam se decidindo, em uma proporção quase geométrica, pela Dilma. E em um cenário onde ninguém vota movido por ideologia, mudar esse tipo de tendência é extremamente complicado.

O idiota útil

Ciro Gomes tinha grandes planos para essa eleição. Até julho do ano passado, Dilma não parecia decolar nas pesquisas de voto, e Ciro parecia ser o “trunfo” para garantir o projeto político capitaneado pelo PMDB e por Lula (que é bem diferente do projeto político do PT, que a essas alturas pouco importa). Ciro poderia não apenas garantir um segundo turno contra Serra, ele poderia também ser o candidato de Lula no segundo turno (no eventual fracasso de Dilma).

Mas algo aconteceu no momento em que Lula resolveu que Dilma seria a próxima presidente do Brasil: a mulher do Lula começou a aparecer nas pesquisas e a inacreditável popularidade do presidente foi transmitida para a mãe dos pobres. Com isso, Ciro perdeu toda a utilidade. No espaço de um mês, de potencial candidato à Presidência, Ciro passou a candidato de fachada, para garantir Dilma no segundo turno. Em quarenta e cinco dias, o segundo turno era um fato com ou sem Ciro. Em dois meses, Ciro sequer aparecia como potencial candidato à vice em uma chapa capitaneada por Dilma. Depois de um ano, Dilma pode (e talvez deva) ganhar no primeiro turno. O que aconteceu no meio tempo?

Um peixe chamado Lula

Faz mais de dois anos que Lula não baixa da linha dos 60% de aprovação. Isso não tem precedentes no cenário democrático brasileiro. Não cabe aqui analisar os motivos da aprovação do presidente, nem questionar se a aprovação é merecida. Até porque fazer esse tipo de coisa é charlatanismo. Mas o fato é o seguinte: Lula é o presidente mais popular que o Brasil já teve (pelo menos desde que existem institutos para medir popularidade). Como é possível competir com a candidata de um presidente que chega a inacreditáveis 80% de avaliação positiva?

Serra é um homem inteligente e sabia que não poderia ganhar nesse cenário. Talvez a gente possa compreender o completo colapso da “plataforma eleitoral” (e haja aspas) do Serra a partir da constatação de que não havia muito o que fazer. O melhor era tentar levar a coisa até o segundo turno e esperar que alguma coisa (tipo uma foto da Dilma roubando comida de um bebê faminto no sertão sergipano) pudesse mudar o cenário.

Mais que isso, nem Serra nem Dilma tinham rejeição altas. Isso é um fator relativamente novo em uma campanha brasileira. Se a gente observar as eleições de 1989, 1994 e 1998 vamos perceber claramente que o candidato derrotado sempre teve uma rejeição muito alta. Quase sempre isso foi vinculado a imagem do Lula. Lula somente ganhou a eleição quando conseguiu deslocar a imagem de operário-combativo para o Lulinha-paz-e-amor. Nem Dilma, nem Serra precisaram se preocupar com esse fator. Apenas agora, no final da eleição, Serra está com 31% de rejeição. Em 1994, Lula nunca teve menos de 38% de rejeição. E em 1989 chegou a ter, no segundo turno, 42% (quase a mesma porcentagem que Collor tinha na espontânea, indicando que quase todos que votavam em Collor não votariam em Lula sob hipótese alguma). Da mesma forma, em 2000, o desgaste do governo Cardoso contaminou a campanha de Serra que, no início de Setembro, tinha 34% de rejeição — e nunca tinha ficado abaixo dos 30%. Nessa eleição, apenas agora algum candidato passou dos 30%, e me parece interessante que justamente o candidato de oposição tenha chegado primeiro nessa linha.

Como não fazer uma campanha

Vai ficar para a história o tamanho da burrada que o PSDB cometeu nessa campanha eleitoral. Serra tinha poucas chances, é verdade. Também é verdade que suceder um presidente com 80% de aprovação é uma tarefa inglória, e talvez Serra esteja mais interessado em garantir sua aposentadoria no Senado na próxima eleição (ao contrário de Ciro Gomes, me parece que a carreira política de Serra não acabou nessa eleição, ele ainda tem alta aceitação em São Paulo. Ciro cometeu suicídio político ao se incomodar com Lula e queimou todas as pontes com o PSDB no passado – e eu adoraria que alguém me explicasse o que diabos levou ele a mudar de domicílio eleitoral para São Paulo).

Mas nada explica a postura do PSDB nessa eleição. Não vou nem entrar na discussão barata sobre a postura da “grande mídia”. A questão aqui não é como a imprensa abordou ou deixou de abordar a candidatura do Serra, da Dilma ou da Marina (que, francamente, foi apenas uma distração para a classe média antenada, incapaz de perceber uma candidata extremamente fraca e bastante conservadora). A questão, isso sim, é como o Serra decidiu levar a campanha.

Sabendo que a derrota era praticamente inevitável, Serra tentou garantir um segundo turno, alegando “fazer um governo tipo o do Lula, mas sem aquele monte de petista”. Ao ver essa estratégia fazer água, o PSDB resolveu tirar da cartola uma meia dúzia de escândalos que ninguém entendeu, uma outra dúzia de argumentos com os quais ninguém se importou e uma série de críticas que só podem ser piada. Mais que isso, Serra decidiu engolir a tese segundo a qual a estabilidade econômica é merito do Lula, apenas para não ter que mencionar o nome de FHC (talvez por ter sido prejudicado por esse mesmo nome em 2002). Com isso, Serra protagonizou uma campanha sobre o nada.

O mais interessante disso tudo é perceber que a Dilma não existe. A Dilma é uma invenção do Lula, e é por isso mesmo que ela vai vencer a eleição. Restava ao Serra tentar salvar a própria pele em uma campanha com um resultado quase inevitável. Mas o medo de perder no primeiro turno tomou conta da campanha tucana, que passou as últimas semanas atacando a candidata de um presidente extremamente popular (e, claro, tentando atingir o próprio presidente no caminho).

Resultado: Serra tem menos votos hoje do que no ano passado em quase todas as simulações, e qualquer pessoa que entende o mínimo de eleição vai te dizer que quando um candidato começa a cair abaixo do “valor inicial”, ou a correr em uma velocidade mais baixa do que a do início da corrida, é porque o carro tá quebrado.

Se eu perder, não brinco mais

Fabricio Pontin | Estados Unidos 15:47 | 12/08/2010

Para começar, um pouco de contexto:

Na Califórnia, e em vários estados aqui na terra do Tio Sam, o camarada que arrumar um certo número de assinaturas pode colocar uma proposta de lei entre os ítens para serem votados em uma determinada eleição. Em 2008, as seguintes propostas entraram em campo:

1A) Aprovar o financiamento público de um trem-bala de Los Angeles para San Francisco
2) Implementar padrões mínimos para o tratamento ético de animais em confinamento
3) Autorizar o financiamento público e benefícios fiscais para hospitais de crianças
4) Emenda constitucional (na constituição do Estado da Califórnia, bem entendido) regulando autorização paternal para abortar gravidez de menores de idade
5) Novo estatuto regulando fiança, sentença e liberdade condicional para crimes não violentos
6) Implementação de um financiamento para um novo programa de penas criminais e segurança pública
7) Implementação de um programa de energia renovável na Califórnia
8 ) Emenda constitucional (no Estado da Califórnia, de novo) definindo casamento como a união entre um homem e uma mulher e banindo o casamento homossexual.
9) Emenda constitucional sobre sistema criminal, especialmente direitos das vítimas e punição de crimes violentos.
10) Autorização para implementar títulos públicos de financiamento de energia renovável e combustível renovável.
11) Emenda constitucional regulando mudança de endereço
12) Autorização para implementar títulos públicos para financiar a compra de imóveis para ex-veteranos.

Pois bem, o primeiro choque foi que quase todas as legislações progressistas levaram um sonoro não. Os californianos decidiram que não iam financiar legislação ambiental alguma, não iam diminuir o volume do poder punitivo do Estado sobre a vida nua dos cidadãos desfavorecidos que são hordienamente massacrados pela malha Estatal-Soberana, impositora de um certo domínio higiênico-populacional de regras (que na realidade expressam o caráter de exceção do regime de poder Estatal) de forma agônica e atemporal.

Um choque, mas nem tanto, afinal, a Califórnia tem uma população carcerária enorme e elegeu Conan para governador (isso depois de ter eleito o Cowboy do Brooklyn).


pega na minha espada

Mas a coisa realmente deu polêmica com a tal da Proposta 8. A que define casamento como a união entre papai e mamãe, que nem Jesus disse e a Bíblia falou. Todo o beautiful people californiano (pensem no Sean Pean, na Susan Sarandon, enfim, no povo de Hollywood) começou um gritedo sem limite na hora que a legislação foi introduzida para ser votada. Algumas organizações de direitos civis entraram na Justiça, requisitando que a proposta fosse retirada da ordem do dia. A Suprema Corte da Califórnia se manifestou dizendo que não via nada de errado no formato da proposta e que ela tinha todos os requerimentos para entrar na ordem do dia. Ou seja: vai ter voto.

Acontece que o Estado da Califórnia já estava casando homossexuais. A proposta 8 buscava justamente cessar a prática e os efeitos dos casamentos realizados desde a implementação da legislação anterior. O slogan da campanha era “restaure o casamento” e focava nos efeitos nocivos (!!!) do casamento homossexual para a sociedade e os bons costumes.

Mas pera aí, a Califórnia não era o paraíso liberal?

A imagem que a maior parte das pessoas tem da Califórnia se confunde com a imagem de Hollywood e de São Francisco. Algo mais ou menos assim:


Demori, me liga!

Acontece que a Califórnia, sozinha, tem o quinto maior PIB do mundo. Boa parte dos conservadores fiscais dos Estados Unidos ou moram na Califórnia, ou tem negocios lá. Fora do centro de influência de Hollywood e São Francisco (as cidades universitárias, as comunidades hippies e os paraísos para os podres de rico), o Estado é extremamente conservador. Uma boa olhada na lista de governadores desde 1953 dá um quadro da coisa: apenas três governadores democratas. Poderia-se argumentar que os Republicanos que governam a Califórnia são conservadores fiscais, mas não de valores. Isso era verdade até a transformação profunda que o Partido Republicano sofreu nos últimos quinze anos. Hoje, um republicano que é apenas um conservador fiscal é um republicano sem grana para financiar a campanha.

The Big Money

A restituição dos valores de família, tradição e propriedade falou muito alto para todo mundo que não era da panelinha Hollywood-San Francisco e mesmo com o Arnold dizendo que achava melhor votar contra a proposta, os proponentes da restituição do casamento “tradicional” foram direto ao ponto:

Traduzindo tudo: “quem vai proteger nossas crianças desse bando de pervertido?”. Isso é o canto da sereia para a dona de casa entediada do Vale do Silício, que não aguenta mais ver o professor do jardim de infância do filho dela desfilando de sunga na parada gay pride de São Francisco. A dona de casa, então, fala para o marido magnata dar a grana para a campanha e vai votar. Ela também vai falar com todas as amigas dela, igualmente de saco cheio, irem votar.

Somem a isso o fato de que os conservadores fiscais que injetam grana na economia californiana são, em boa parte, de Utah. E Utah, sabe-se, acredita que homossexualidade é uma doença e oferece tratamento para pessoas acometidas da enfermidade (até 1980, sodomia era crime no Estado inteiro, hoje, é considerada uma contravenção leve e os praticantes são remetidos a clínicas de re-habilitação). Com isso, a campanha tinha muito dinheiro para queimar.

Participação, interesse e resultados

Ainda assim, não dá para acreditar que o lobby pró-casamento tradicional tinha mais dinheiro que o lobby contra a passagem da lei. Se os conservadores fiscais têm muito dinheiro, Hollywood tem muito mais. Ainda que as donas de casa chateadas com o professor gay tenham mandado cheques de 10$ para a campanha pela familia tradicional, o sindicato dos professores da Califórnia doou 1.5 milhão de dólares para a campanha contra. No mínimo, houve um empate na quantidade de grana investida.

Só que não houve mobilização significativa do lado contra a legislação. Enquanto os conservadores cooptavam diversos setores da sociedade (inclusive Democratas religiosos, como os Batistas), o outro lado ficava em uma lenga-lenga aborrecida sobre igualdade formal, fugindo desesperadamente do debate sobre a questão da homossexualidade, focando nos direitos iguais. Claramente, a disputa era pelo voto dos negros e dos latinos na Califórnia, que são em grande parte religiosos e teriam mais simpatia pelo discurso da igualdade, mas talvez nem tanta sobre a parte envolvendo os homossexuais.

Isso foi um erro estratégico por parte dos opositores da proposta oito. Alguns homossexuais se sentiram alienados da campanha e o assunto perdeu uma identidade, perdeu o rosto. Ninguém sabia quem é que eram essas pessoas que perderiam o direito a casar, porque a campanha escondia isso. Enquanto isso, em São Francisco e em LA ninguém realmente acreditava que os conservadores tinham chance. Resultado: não foram votar.

Do outro lado, todo mundo votou. Os negros e latinos de forma decisiva com os conservadores. Mesmo com a indicação contrária do Obama, do Arnold e do Sean Penn, a proposta 8 passou como lei.

Assim não brinco mais

No dia seguinte, os liberais de Hollywood e São Francisco acordaram da festa do dia anterior e descobriram que, bem, eles tinham esquecido de ir votar. Seguiu-se grande comoção pública. De uma hora para a outra, a questão adquiriu o rosto que não tinha na época da campanha. Uma das melhores iniciativa foi “não divorcie meus pais”:

Organizaçõs de direitos civis novamente entraram na justiça, dessa vez para pedir a inconstitucionalidade da proposta e sustar os efeitos da lei imediatamente. Semana passada o pedido foi reconhecido por uma corte distrital na Califórnia e agora a lei será julgada pela Suprema Corte californiana. Se a Suprema Corte californiana negar o pedido e revalidar a decisão do referendo, o único caminho para as organizações civis na Califórnia seria apelar para a Suprema Corte de Washington, com base em princípios constitucionais.

Acontece que a decisão da corte distrital foi claramente política e a Suprema Corte da Califórnia pode, sim, reverter a decisão do tribunal. Na realidade, ela deve reverter a decisão, já que ela foi mobilizada antes do referendo e disse que a matéria sendo discutida não era inconstitucional. O que mudou?

De certa forma o que mudou foi a pressão social. A decisão sobre a legalidade do referendo foi recebida com relativa calma na Califórnia, já que as organizações de direitos civis acreditavam poder ganhar o jogo. Uma vez que elas perderam, resolveram apelar novamente.

E se fosse o contrário?

O problema todo é o seguinte: se o referendo foi ilegal, ele foi ilegal para os dois lados. E se a decisão tivesse privilegiado o interesse dos que favorecem o casamento homossexual? Onde estariam essas organizações de direitos civis agora? Continuariam alegando a ilegalidade do referendo?

Parece que, e eu lamento dizer isso, o pessoal não está sabendo perder. A atitude correta, do ponto de vista procedimental, seria esperar pela próxima eleição e inserir uma proposta cancelando a legislação anterior.

Ainda assim, existe uma chance da Suprema Corte tomar uma decisão política hoje e voltar atrás na decisão tomada há poucos meses. Qualquer que seja o resultado, existe um risco da parte que perder ir apelar para a Suprema Corte em Washington. Mas é um risco grande, uma vez que a Suprema Corte em DC pode decidir por nem receber o protesto – para evitar uma posição nacional sobre o casamento homossexual; ou pode receber e julgar o protesto válido, tornando qualquer legislação banindo casamento homossexual inconstitucional, em qualquer lugar dos Estados Unidos.

Pitagóricas XXI

Walter Valdevino | Brasil 08:00 | 21/06/2010

- “Coreia do Norte ameaça declarar guerra se for punida por navio afundado”. Zzzzzzz.

- “PF acha cofre enterrado em casa de citada no mensalão do DEM”. “Os policiais federais cumpriram dez mandados, um deles em uma empresa de engenharia, especializada também em tratamento de lixo.” Roubo e lixo, uma tradição mondial. O mundo faz muito $entido.

- “Brasil vai revisar compra de ativos da BP em águas profundas, diz jornal britânico”. Recomendável.

- “Emergentes deverão responder por 57% do PIB mundial até 2030″. É a desgraceira comandando o universo.

- “Seis em cada dez crianças já tiveram experiências negativas na internet”. Mais seguro, portanto, do que o mundoláfora.

- “Neymar parte II – Jogador termina a noite carioca sendo disputado por duas”. Recomendo fortemente clicar e ler do texto com muita atenção.

- “Acesso corporativo à web tem queda de 75% no jogo do Brasil”. 23% assistiram ao jogo pela internet e 2% estavam acessando site de política.

- “TCU absolve funcionários do Senado suspeitos de serem ‘fantasmas’.” Tá tudo bem.

- “Cadê a procuração?”. “Ainda em 28 de maio, o advogado Márcio Silva apresentou a defesa de Dilma Rousseff na ação a que a candidata do PT, Lula e mais quatro autoridades respondem por antecipação de campanha em evento da Transpetro realizado no dia 7 do mês passado em Pernambuco. Mas esqueceu de um detalhe: ter procuração de Dilma para representá-la.” Parabén$.

- “Piada no Twitter chama Geisy de baleia: ‘O importante é ser lembrada’, disse ela”. Pronta para entrar na política.

- “Correios: cai o primeiro”. “Em princípio, a cabeça do o presidente da estatal, Carlos Henrique Custódio, será poupada em nome da aliança PMDB-PT em outubro.” PMDB = garantia de vitória eterna.

- “Google afirma que ainda não foi notificado pelo TSE sobre autores de blog pró-Dilma”. Não devem ter achado o endereço do Google no Google.

- “Chávez diz que Brasil segue sua “liderança””. Afronta ao Imperador Lula. Sugiro guerra URG.

- “Senado lança novo site”. Não tem banner permanente com o Mão Santa. Portanto, derrota.

- “‘Se me convocarem, entrego tudo’, diz Ribeiro Jr. sobre Onézimo”. Uia! Zzzzz.

- “‘Não vou permitir nenhuma sandice’, diz Lula sobre reajustes”. Exceto a própria.

- “É ‘estranho’ que São Paulo não tenha estádio apto para a Copa, diz Lula”. Naaummm, naummm é.

- “Arruda com passaporte”. “José Roberto Arruda e sua mulher, Flávia, tiraram no fim da tarde de ontem passaportes em um posto da Polícia Federal em Taguatinga, uma cidade-satélite de Brasília.” Relaxa, Braziu. É para ir para Nova Iorque assumir a direção-geral da ONU.

- “Militância na internet é incontrolável, dizem estrategistas de Serra e Dilma”. “Se uma empresa jornalística pode ter um blogueiro que passa o dia inteiro dando pau na Dilma e ridicularizando o Lula e isso é democrático, e acho que tem que continuar sendo democrático dessa forma, por que um militante individual que tem seu blog não pode fazer isso de forma democrática? Aí está a sombra de como a legislação vai tratar isso”, disse Branco“. Uia! De quem será que ele está falando? Zzzzzz. Ronc.

- “Rodrigo Maia: Temer quebrou acordo feito em chantagem”. Sr. Rodrigo Maia: mais respeito com o futuro presidente do Braziu.

- “Escritor português José Samarago morre aos 87 anos.” Alguém a menos para falar besteira sobre o mundo. Já é alguma coisa.

- “Serra e Dilma: seis pontos percentuais de diferença”. “… a pesquisa tucana, feita pela APPM, dá José Serra na frente; a do PT, feita pelo Vox Populi, põe Dilma Rousseff em vantagem.” In$tituto$ i$entos e imparciai$.

- “Deputado e fundador do PT encerram greve de fome”. sdkjfhskj. Não dá para levar a sério.

- “Presidenciável Marina Silva polemiza sobre fé de Saramago no Twitter”. Caos e confusão de Je$u$. Mas, ainda assim, é a única candidata que realmente fala o que pensa. Perderá, portanto.

- “Banda larga móvel supera fixa no Brasil no 1º trimestre”. Considerando a kualidadi dos serviços oferecidos, é para comemorar ou lamentar?

- “Indonésia não pode ser esmagada pelo frenesi da internet, diz presidente”. O que seria a vida sem algo para culpar e fazer o papel de monstro feio, bobão e malvado?

- “Ministro do TSE suspende propaganda do PSDB na televisão”. E o teatrinho não para… zzzzz.

- “Sistema financeiro de países ricos está ‘um pouco apodrecido’, diz Lula”. Braziu, cada vez mais, apontando as contradições do neoliberalismo opressor.

- “‘Tenho certeza que não vou ter problema’, diz Maluf sobre ficha limpa”. Jamais terá problema.

- “‘Será a eleição mais limpa do país’, diz Demóstenes sobre veto a ‘ficha suja’”. Braziu salvo para sempre. Agora vai.

- “Ficha-limpa cria três pepinos para Serra”. “No ano passado, o TSE cassou o mandato de governador de Cássio Cunha Lima, da Paraíba, e de Jackson Lago, do Maranhão, por abuso de poder econômico e político. Já Expedito Júnior, de Rondônia, teve o mandato de senador cassado por compra de votos.” Bons companheiros.

- “Aquecido, mercado de petróleo brasileiro pode se beneficiar de acidente no Golfo”. Braziu aniquilando o imperialismo monstro.

- “Heloísa Helena defende Marina, e pré-candidato do PSOL reage”. Heloísa Helena traindo o candidato de seu próprio partido, Plínio de Arruda Sampaio. Como sempre, é a esquerda revolucionária unida rumo ao sociali$mo.

- “Juristas esperam ‘avalanche’ de ações contra lei da ficha limpa”. Estão certos. Portanto, nada mudará.

- “Em Lisboa, Dilma nega que Lula esteja escolhendo nomes para eventual governo”. Mesmo porque já estão escolhidos. Zé Dirceu Ministro da Justiça.

- “Em entrevista, José Serra diz que economia não cresceu 9%”. “O presidenciável afirmou que o crescimento foi menor que o valor divulgado pela equipe economica do governo, mas não falou em números.” Ã?

- “Executivo da BP é criticado por passear de iate”. Eis um rapaz preocupado.

- “Presidente Lula vibra com a vitória do Brasil contra a Costa do Marfim”. Belas fotos.

- “O que você achou da vitória do Brasil contra a Costa do Marfim?”. Foi aquele jogo do gol com ajeitada de bola com o braço? Começaram a roubar e, portanto, estão no caminho certo. Se continuar assim, vencerão (perderão certamente).

Pitagóricas XIX

Walter Valdevino | Brasil 09:46 | 11/06/2010

- “Viciados em internet na China fazem rebelião em centro de reabilitação”. Pessoal consegue se viciar em internet sem YouTube. Parabén$ (Érica, lamento. sdkjfhsd).

- “Vuvuzela faz mais barulho que helicóptero, aponta medidor”. “Uma fundação mantida pela Phonak, fabricante suíça de próteses auditivas, divulgou nesta segunda (7) que a vuvuzela incomoda mais que uma motoserra [$ic]“. Moto$serra. Eis uma boa alternativa para levar aos estádios.

- “Ban promove Metas do Milênio durante a Copa”. Bãããããããn. Copa = momento de discussão profunda sobre os problemas do mondu.

- “Pobre durante as eleições é mais chique que banqueiro, diz Lula”. “Eu vou deixar a presidência dia 31 de dezembro. Vocês podem ficar certos de que quem imaginar que vou deixar a política e viajar para o estrangeiro vai quebrar a cara. Quem imaginar que eu vou ficar em casa enchendo o saco da Dona Marisa vai quebrar a cara”. Imperador Moral do Braziu. Lula 2014.

- “Dilma visita Embraer e comemora resultado do PIB”.

Tem opção EJETAR nesse avião? (foto: Roberto Stuckert Filho)

- “Bolívia faz ‘corpo mole’ no combate à produção de drogas, diz Serra”. Chega. Virar o disco URG.

- “Rússia planeja dobrar preço mínimo da vodca até 2012″. Neoliberais comunistas arruinando o país.

- “Sites de pôquer atraem 2,3% dos internautas brasileiros, diz Ibope”. REMEMBER eterno: “Levantamento da comScore mostra que no Brasil só 2% dos internautas acessam páginas com o conteúdo político”.

- “Boi de estimação“. “Aldo Rebelo (…) durante no início da leitura do seu relatório de 35 páginas sobre o novo Código Florestal: – O boi é o verdadeiro animal de estimação do brasileiro. Só não está em todos os lares do país por causa do seu tamanho”. Recomendo também ler o artigo do Claudio Angelo, editor de ciência da Folha: “Político experiente e de base urbana, Aldo dá um verniz erudito à grita primal por mais produção e menos legislação. Cita Graciliano Ramos, José Bonifácio, Malthus. Mas seu relatório resvala para o humor involuntário. Pede, por exemplo, a naturalização da jaca, uma vez que essa espécie chegou ao Brasil no século 17 -não deveria mais ser “exótica” Acusa o Greenpeace e a Holanda de conspiração para ressuscitar a era Nassau. Não acredita? Ao relatório: “O sonho batavo de uma Holanda Tropical foi desfeito tragicamente nos montes Guararapes (…) Despojada do poder militar e comercial de antigamente, a Holanda se compraz em sediar e financiar seus braços paramilitares, as inevitáveis ONGs”.

- “1.237 recontratações? ‘Fui surpreendido’, diz Sarney”. REMEMBER sempre: “Para Sarney, reforma do Senado é ‘transparente’.”

- “PMDB-SC está a um passo de ‘trocar’ Serra por Dilma”. Tanto faz.

- “DF: Roriz (PSC) 34,2% x 22,6% Agnelo (PT)”. Brazilêru = não desiste nunca.

- “Marqueteiro americano de Dilma é convocado pela Câmara”. Isso mesmo. Acabar com essa influência ianque URG.

- “‘Somos pobres mas orgulhosos’, diz Lula sobre empréstimo ao FMI”. “Eu mesmo estava cacunda de carregar faixa de fora FMI”. Guenta, Braziu, que só faltam 7 meses para isso ter fim (depois virá Dilma).

- “Em ação da OIT, Robinho ‘expulsa’ trabalho infantil”. Agora vai.

- “Para Sócrates, Brasil não ganha a Copa e pode ser eliminado ainda na primeira fase”. Fílósófós = sempre pessimistas. Pior piada (Sr. Demori, me demita).

- “Sanções contra o Irã não devem afetar exportações brasileiras”. “O principal produto exportado pelo Brasil ao país são as carnes bovinas (US$ 335 milhões vendidos no ano passado)”. Churrasco = garantia da paz mundial.

- “Palestinas desafiam convenções e pilotam carros de corrida”. “O grupo é patrocinado pelo governo britânico”. É o neoimperialismo impondo sua visão eurocêntrica, capitalista e burguesa de mundo e solapando os fundamentos espirituais que conferem unidade social aos povos oprimidos.

- “Campanha fantástica de Hélio Costa”. “Está marcado para segunda-feira, na livraria Saraiva de Higienópolis, em São Paulo, o lançamento do livro de Hélio Costa sobre a sua longa passagem pela Globo“. Costa = representante do PIG infiltrado no governo petista.

- “Deputada na Copa, com nosso dinheiro”. “A Câmara vai mandar a deputada Raquel Teixeira [preside a Comissão de Turismo e Desporto] para a Copa“. É pra futebol, então pode.

- “Durante muito tempo política esteve ‘apodrecida’, diz Lula”. …

Reflita (jamais faça isso).

- “BC eleva juros novamente e taxa volta aos 2 dígitos”. Braziu maior e melhor do universo eternamente.

- “PT federal hesita em obrigar PT-MA a apoiar Roseana”. Lula fraquejando. Absurdo.

- “Tremei, banqueiros!“. “Levy Fidelix lança hoje [ontem] de manhã sua candidatura ao Palácio do Planalto pelo PRTB com uma polêmica bandeira: sobretaxar em 40% o lucro líquido dos bancos para custear o chamado Salário-Família”. Já visitou o site do PRTB, o partido do aerotrem? Recomendo prestar grande atenção principalmente ao banner do site (evite).

- “Marina não lota auditório”. FAIL.

- “Na convenção do PV, palhaço fala mal de Duda, MST, Lula”. Palhaço em uma convenção partidária: faz $entido.

- “Lula acusa imprensa de esconder ‘feitos’ do governo”. Zzzzzzzzzz.

- “Na convenção do PV, Gabeira diz que ‘sonhos foram frustrados’ com Lula”. “Deputado vai disputar governo do Rio com apoio do PSDB, DEM e PPS.” Ecologista neoliberal.

- “Multado por velocidade, homem compra site da polícia para reclamar”. WIN.

- “‘País do desleixo e irresponsabilidade acabou’, diz Lula”. Tarefa cumprida e realizada, agora é partir para a ONU.

- “Política de ‘sim, senhor’ com os EUA é passado, diz assessor de Lula”. Marco Aurélio Garcia, fílósófó gaÓchU, dando na caaaaara dos imperialistas.

- “Chávez para Hillary: ‘Não gosta de mim, nem eu dela’”. Foi justamente esse o argumento que usei quando demoraram para devolver um carrinho meu em 1986, mas ninguém me levou a sério. Bosta de mundo. Socialismo do Século XXI URG.

- “Alunos decidem apoiar greve de funcionários da USP”. Ki çaudadi dus meus tempus di movimentu istudantiu (nego tudo).

- “Na TV, PPS exibe Serra e sugere que PAC é ‘mentira’”. Parei de assistir ao vídeo no trecho que diz “quanto à ética, fique tranquilo” e saí correndo para me filiar ao PT (mentira eterna).

- “Convocatória da convenção do PMDB exclui Requião”. Afronta à ética.

- “‘Cala a boca Galvao’ liderou ontem lista global dos trending topics do Twitter”. São os brazilêrus lutando por um país melhor.

- “Comitê do PT usa notas frias para pagar sua equipe”. Mais uma calúniainjúriadifamação do PIG golpista.

Pitagóricas XVIII

Walter Valdevino | Brasil 09:42 | 08/06/2010

- “Supremo altera o expediente por causa da Copa do Mundo”. Supremo de acordo com o Braziu. Aprovado.

- “Líder caiapó diz que haverá guerra se governo insistir em fazer Belo Monte”. “Se índio não quer, então não quer. Se índio quer, aí sim tem que encaminhar para o Congresso Nacional.” A resposta de Lula, no mesmo padrão argumentativo, poderia ser: “Se mim e Diuma qué, então qué. Se ocês não qué, vaum queré igual.

- “Em missa de Corpus Christi, padre Marcelo pede oração por Serra”. Agora vai (não).

- “Estudo revela que ilhas do Pacífico estão crescendo, não afundando”. Ops.

- “Lula ironiza sexo argentino na Copa e troca de governo no Japão”. Importante.

- “TSE aplica quinta multa a Lula”. Zzzzz.

- “País assiste à flexibilização das fronteiras ideológicas”. Interessante, mas não entendi como é possível flexibilizar algo que nunca existiu.

- “Índia condena oito por vazamento de gás que matou milhares há 25 anos”. Praticamente a mesma média de tempo das decisões judiciais no Braziu. Novas potência$.

- “Mais 18 policiais são presos acusados de participação em grupo de extermínio no Litoral Paulista”. É o $uce$$o a política de $egurança tucanoide.

- “Datafolha: 45% são contra punição a torturadores da ditadura”. É que tá tudo bem.

- “Governo proíbe nepotismo na administração pública federal”. Sugiro lei específica para proibir políticos de roubarem. Agora vai.

- “Brasileiros são os que mais acompanham sua seleção, diz pesquisa em 12 países”. “Enquete revela que 97% dos brasileiros acompanharão jogos durante a Copa.” Fiz associações livres e lembrei de duas pesquisas (não tem nada a ver, relaxe): “Levantamento da comScore mostra que no Brasil só 2% dos internautas acessam páginas com o conteúdo político” e “Só 58% dos eleitores sabem que Dilma é a candidata de Lula” (março de 2010).

- “Oliver Stone sem público”. “Pouco mais de 1 200 pessoas se animaram para sair de casa e assistir Ao Sul da Fronteira – documentário sobre a relação entre os meios de comunicação e governos na América Latina.” Marx Produções FAIL. Aperta o botão remember novamente: “é difícil também engolir Stone tratando o Brasil como uma república de ideais bolivarianos, nos mesmos moldes que a Venezuela e a Bolívia, além de confundir a Amazônia com os Andes em um dos mapas mostrados no filme.

- “Collor põe o bloco na rua”. Última pesquisa eleitoral de Alagoas que encontrei depois de uns segundos de busca foi do final de 2009: Fernando Collor (PTB) 45% x Teo Vilela (PSDB) 26%. Reflita (evite).

- “Não se pode governar o Brasil com ‘duas caras’, diz Lula”. Autorrecomendação?

- “Serra volta a dizer que interpelação é ‘factoide’ e pede fim de ‘baixaria’”. Errado. Baixaria URG.

- “TSE vai analisar pedido de cassação do mandato de Sarney Filho”. “Em jornal de grande circulação no Maranhão, que pertence a sua família, Sarney Filho teria distribuído gratuitamente mais de 9 mil boletins informativos com conteúdo eleitoral em seu favor.” Era só o que faltava. Depois de ser escanteado do comando do PV para não pegar mal para a Marina, agora tem que enfrentar esse tipo de per$eguição política. FREE.

- “Obama pressiona BP por plano para temporada de furacões”. Não adiantará.

- “Voto em ‘Dilmasia’ ou ‘Sercosta’ é decisão do eleitor, diz Dutra”. Ainda bem que é.

- “Lanzetta diz que ‘guerra’ interna do PT fez vazar oferta de dossiê”. “Ele afirma que grupo paulista teria tentado derrubar grupo mineiro“. Faz $entido.

- “Luigi Baricelli apresenta ‘Projeto Desaparecidos’ a CPI em Brasília”. Preciso parar de assinar o feed do EGO (impossível).

- “Pimentel joga a toalha, ‘apoia’ Hélio e vai ao Senado”. Onde esse mundo vai parar? Lula tendo muito $uce$$o em fazer os petistas inocentes apoiarem ex-participante do PIG (Globo).

- “Nanico do PSTU promove sua candidatura via internet”. “Nanico do PSTU” = preconceito do PIG golpista, imperialista, neoliberal, bobão. Esqueça isso e acesse: http://www.zemariapresidente.org.br. E depois pressione o botão Remember: “ISTOÉO sr. já leu O Capital, de Karl Marx? Zé MariaO capital, por exemplo, eu não li. É grande, demanda uma capacidade mínima de concentração. Tenho defeitos e um deles é não estar acostumado a ler.” Ideologia no Braziu = FAIL.

- “Mañana se estrena el episodio 3 “La Balsa”. “Mañana” é hoje. Trata-se do terceiro episódio do Isla Presidencial, do El Chigüire Bipolar (“noticias parciales y sin veracidad a manos de un roedor con problemas psicológicos“).

- “Senado recontrata 1.600 ao custo anual de R$ 72 mi”. “O Senado decidiu recontratar 1.600 funcionários terceirizados. Custarão à Viúva, veneranda e desprotegida senhora, R$ 72 milhões ao ano.” Lembra do Pitagóricas anterior? “Para Sarney, reforma do Senado é ‘transparente’.” Reflita (não).

- “Serra fala a Sabrina Sato e dança o ‘Ah, moleeeeque!’. Je$u$ Cri$tinho. Recomendo demais. “Eu quero que ele se lasca ($ic)” – Paulinho da Forssa Çindicau.

- “PSDB cogita ‘desconstruir’ Dilma em programa de TV”. Se entendi bem, tentarão mostrar, com dados e fatos, que o PAC é uma farsa. Logo, não adiantará nada. Rever tática e apelar ao corassaum URG.

- “Tutty Vasques – O pivô do dossiê”. “Não convidem Nelson Rodrigues e Dias Gomes para a mesma nuvem. Eles brigam no céu pelos direitos autorais de ‘Onésimo, o ex-delegado’, personagem que o noticiário político não está sabendo escrever.” Haha. Braziu = eterna piada pronta.

Para você, qual é a maior ameaça à paz mundial?

braziu.org 14:18 | 07/06/2010

Vote na nova enquete deste Braziu e participe publicaedemocraticamente do famigerado Clube dos 2%.

Para você, qual é a maior ameaça à paz mundial?

  • Lula presidindo a ONU (28%, 25 Votes)
  • O PIG (Partido da Imprensa Golpista) (20%, 18 Votes)
  • Dilma Rousseff (14%, 12 Votes)
  • Ban Ki-moon começar a ser levado a sério (9%, 8 Votes)
  • José Serra (13%, 11 Votes)
  • Entrada de um elefante atômico por algum dos 700 túneis que levam a Gaza (16%, 14 Votes)

Total de votos: 88

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Mais enquetes-delícia podem ser encontradas aqui.

Elefante atômico

Walter Valdevino | Brasil 09:12 | 07/06/2010

Eu sei, eu sei. É bem mais fácil acreditar OU que Israel detém controle total sobre a Faixa de Gaza e que está todo mundo morrendo de fome no território e que, portanto, era essencial e politicamente importante levar ajuda humanitária com a “Flotilha da Paz”, já que não há outra forma de enviar nada para lá OU, então, por outro lado, acreditar que Israel está totalmente certo em manter total controle sobre Gaza, impedindo a entrada de qualquer coisa – principalmente armamentos – e que, portanto, a “Flotilha da Paz” não passou de uma jogada política de “ativistas” vinculados aos terroristas do Hamas.

É bem mais difícil para Tico e Teco aceitar que TODOS os lados estão errados, que passa praticamente tudo pelo bloqueio israelense, que nenhum dos dois lados está interessado em paz (ou qualquer coisa que passe perto disso), que o sistema político israelense é podre, que as decisões políticas de Israel são um desastre, que o Hamas é composto por um bando de celerados que faz com que salva-vidas fiquem com alto-falantes nas praias mandando as mulheres cobrirem a cabeça e que proíba o consumo de álcool (atentado suicida pode) etc.

Portanto, faça com que Tico e Teco deem as mãos e leia os trechos selecionados abaixo, todos tirados da reportagem de Marcelo Ninio, enviado especial da Folha de S. Paulo a Gaza (para a$$inante$, com exceção do link sobre o elefante atômico).

Depois, esqueça tudo, pegue a vuvuzela, escolha um lado da briga para tornar as coisas mais fáceis e vá cornetear nos comentários.

As prateleiras dos mercados da faixa de Gaza estão cheias. Com algumas exceções, como medicamentos contra doenças crônicas, também não falta quase nada nas farmácias locais.

Mas três anos de bloqueio arrasaram a economia local, deixaram quase metade da população desempregada e tornaram inacessíveis para a maioria dos 1,6 milhão de palestinos os produtos que enchem as prateleiras.

A vida continua. Famílias fazem fila em sorveterias. De dia, o mar bravio recebe centenas de banhistas. À noite, os cafés ficam cheios de jovens fumando narguilé, e casais passeiam pela orla, criando flashes de normalidade num cotidiano que pouco tem de comum.

Quem chega a Gaza esperando cenas de fome típicas da África e lojas vazias se surpreende com a variedade das mercadorias disponíveis. Fora bebidas alcoólicas, vetadas pelo governo islâmico do Hamas, há de tudo, de perfumes de grife a computadores.

Comerciantes de Gaza contam que é possível encomendar qualquer coisa pelos túneis, de onde afirmam vir 90% dos produtos que vendem.

Sem locais de lazer, Gaza depende quase que exclusivamente da praia como fonte de diversão. O dia mais popular é sexta-feira, quando a orla é tomada por famílias após as orações. O salva-vidas serve também de polícia religiosa: do alto-falante, instrui mulheres a cobrir a cabeça, mesmo na água.

O bloqueio israelense intriga os palestinos de Gaza, que não entendem o veto a certos produtos. As ordens oscilam, e o que era proibido ontem pode ser liberado amanhã. “Não posso importar pratos de plástico nem papel-alumínio”, reclama Anuar Jerjawi, dono de um restaurante. “Será que pensam que vou fazer bombas de plástico e papel?

Na faixa de Gaza, zoo inteiro chegou por túneis cavados sob fronteira egípcia

Mas o sonho do empreendedor [de contrabandear um elefante para Gaza] terá que esperar. Não pelas limitações das vias subterrâneas. Afinal, diz ele, se carros inteiros chegam pelos túneis, “qualquer coisa pode passar“.

O problema é o preço de um elefante, R$ 1 milhão. Por enquanto, os visitantes terão que se contentar com o par de zebras e o canguru que devem chegar nesta semana.

Com as aquisições, Weda quer reparar a humilhação causada pela revelação, feita por um jornal israelense no ano passado, de que as zebras de outro zoo de Gaza são, na verdade, jumentos pintados.

Hamas admite que túneis são utilizados para tráfico de armas

Nos três anos em que Israel apertou o bloqueio ao território palestino, os túneis se transformaram num canal econômico vital, que abastece Gaza com todo tipo de mercadoria. Inclusive armas, admitiu à Folha o porta-voz do governo Taher Alnonno, sem hesitar em confirmar a justificativa israelense para bombardear os túneis.

É difícil determinar com precisão o número de túneis em operação, mas a estimativa mais conservadora fala em ao menos 700.

Nos últimos anos, a industria de túneis se sofisticou cada vez mais. Antes eles serviam para contrabandear veículos desmembrados, que eram montados em Gaza. Hoje em dia, algumas passagens subterrâneas são tão amplas que os carros chegam inteiros. É comum ver modelos japoneses e coreanos circulando ainda com os assentos cobertos de plástico.”

Pitagóricas XIV

Walter Valdevino | Brasil 08:00 | 21/05/2010

- “‘Agora deu empate, mas logo vai desempatar’, diz Serra sobre pesquisa”. Não irá, mas o que interessa na matéria é a foto. (Não) clique.

- “President of Ukraine Attacked By a Wreath”. Bom vídeo (mentira, nenhuma graça) do eterno English Russia. Recomendo (mas nego).

- “Marina defende plebiscito sobre legalização da maconha e aborto”. Minando o apoio de Je$u$. Péssima estratégia.

- “Chamada de ‘gata’ no Twitter, Marina diz que será ‘jaguatirica’ na campanha”. Não sei o que é pior, seja lá o que for.

- “Advogado de aloprado vira assessor do ministro da Justiça”. “Não são só os clientes de Aldo que têm problemas com a Justiça. Desde o ano passado, a Fazenda Nacional move dois processos de execução fiscal contra o escritório dele por suposta existência de dívidas tributárias.” Oká. Tá tudo bem.

- “Travestis desfilam pela primeira vez pelas ruas de Cuba”. Neoliberalismo e depravação burguesa dos costumes invadindo a ilha. Raúl Castro = frouxo, vendido aos intere$$e$ ianques.

- “Fim da CPMF colocou brasileiros em uma ‘arapuca’, diz Dilma”. Vote Dilma (ou Serra, o candidato da esquerda) e preparare-se para TUNGADA de imposto.

- “Brasileiros têm até domingo para opinar sobre a regulamentação da internet”. Opino que qualquer tentativa de regulamentação falirá. Lamento.

- “TSE condena Lula a pagar a 3ª multa: mais R$ 5 mil”. Continha já está em R$ 20 mil. Mas REMEMBER o Imperador do Braziu: “Se for multado, vou trazer a conta para vocês.” WIN.

- “Governantes do PSDB, DEM, PPS e PV declaram apoio a Dilma em evento”. Como sempre, eterno e sem limites, faz $entido.

- “Homens mentem mais e com menos culpa que mulheres, diz pesquisa”. “Mentiras mais contadas pela britânicas – 2. Não sei onde está, eu não mexi.” ksdjfhksdjfs. Ri.

- “Estudo associa uso de Viagra a perda de audição”. Ã? (mentira).

- “5 Men With Knives Slash College Students In Latest China School Attack”. Pirataria e falta de criatividade é foda.

- “PT vai intervir no Maranhão para forçar apoio a Roseana”. “Luiz Inácio Lula da Silva quer palanque único para Dilma no Maranhão e alega que precisa do apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pai de Roseana.” Faz $entido.

- “DF: Roriz (PSC) 42% x 32% Agnelo Queiroz (PT)”. Parabén$ a todos os envolvidos, como sempre. Como já tuitei, os petistas surtaram comemorando os 29% da Dilma contra 25% do Serra em outra pesquisa no DF. Nesta, o Roriz tinha 35% contra 23% do Agnelo Queiroz (PT). Faz $entido. Tudo.

- “Facebook é proibido no Paquistão”. Hshshs. Tudo isso por causa do “Everybody Draw Mohammed Day”. Pessoal esquentado. Bomba atômica neles URG.

- “Dilma diz que dança o ‘Rebolation’ se for eleita”. Votarei no Serra (mentira. Ou não.)

- “ONU Brasil – ‘Uso de telefone celular ao volante é inaceitável’”. “A afirmação foi feita pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon“. Fico feliz que a ONU esteja assumindo as funções das empresas de trânsito municipais. Quem sabe assim funcione. Agora vai.

- “Senado aprova projeto ficha limpa por unanimidade”. 1) Transformaram processos sem trânsito em julgado (decisão definitiva e sem possibilidade de recurso) em FATO. Também quero que os futuros candidatos a síndico do meu prédio sejam ficha limpa em certos crimes. 2) Transferiram parte da responsabilidade pela escolha política para um punhado de juiz dôtô; 3) Trataram o povu du Braziu como retardado e sem capacidade de decisão (o que é verdade, mas paternalismo é sempre uma derrota). Parabén$ a todos os envolvidos. Roubarão mais ainda, de uma forma ou de outra.

- “Ministro do TSE absolve Lula de acusação de propaganda antecipada”. FREE.

- “Polícia investiga uso de madeira de caixões para assar pizzas em Nápoles”. Esse – seja lá qual for – é o motivo oficial para o desaparecimento do Sr. Leandro Demori.

- “Governo agora atribui apagão de 2009 a ‘raios fracos’”. Já perdi a conta de qual versão é essa. Quinta? Sexta? Ajudem eu + mim + me.

- “SP: Alckmin (PSDB) 51% x 19% Mercadante (PT)”. Providenciar do$$iê que funcione URG.

- “Gritaria e guerra de travesseiros aliviam estresse pré-prova na China”. Érica mandou telegrama avisando que funciona.

- “STF condena deputado [deputado federal Cássio Taniguchi (PR)] do DEM por mau uso de dinheiro público [quando ocupava a prefeitura de Curitiba, entre 1997 e 2000]“. “Pela decisão do pleno, Taniguchi teria que cumprir seis meses de prisão, mas considerando a pena aplicada, o crime já prescreveu. Com isso, o tribunal não terá como punir o deputado. Taniguchi também não pode recorrer da decisão.” Parabén$ a todos os envolvidos.

- “Serra intervém e PSDB gaúcho decide se aliar ao PP”. O Rio Grande do Sul é irrelevante. Próxima.

- “Agora vai: Delúbio apóia ‘missão’ de Lula no caso Irã”. “Um dia depois de ter sido condenado à perda dos direitos políticos por oito anos e à devolução de R$ 164,6 mil às arcas de Goiás, Delúbio Soares saiu em defesa de Lula.” Impren$a goLLpi$ta subestimando o poder pacificador de Delúbio.

- “Polícia do Senado ouve supostas fantasmas do gabinete de Efraim [senador Efraim Morais (DEM-PB)]“. Segundo a matéria, Kelriany e Kelly recebiam, cada uma, em casa, R$ 100 a título de “bolsa de estudos”, enquanto, na verdade, estavam registradas como funcionárias do gabinete do senador com o salário de R$ 3.800,00. Se houver algo efetivo contra o senador – que nega tudo – o caso será encaminhado para a Corregedoria do Senado, cujo corregedor é Romeu Tuma (PTB-SP). Reflita.

- “Programa do PR destaca Alfredo Nascimento e casal Garotinho”. “Uma das filhas do casal Garotinho, Clarissa, que é vereadora na cidade do Rio de Janeiro, também ganhou destaque no programa.” Aliás, última pesquisa Vox Populi para o RJ: Sérgio Cabral (PMDB) 41%, Fernando Gabeira (PV) 19% e Anthony Garotinho (PR) 18%. Essa família vai longe.

- “Propaganda do DEM reproduz cena de ato pró-Serra”. É o clássico “roto falando do esfarrapado”.

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