O caro Big Mac brasileiro
Há algumas semanas tenho ouvido um mesmo relato de amigos que voltam de viagem do Brasil, mais precisamente do Rio de Janeiro e de São Paulo: os preços em geral, por lá, estariam quase mais altos do que aqui em Paris – cidade notória por esfaquear o vivente até no preço do pão.
O caderno de economia do Le Figaro da última quarta trouxe uma pequena reportagem confirmando este sentimento geral. “Le Brésil confronté à la surévaluation du Real” abre abordando essa comparação de preços: “Para um turista americano cheio de nostalgia, almoçar em um McDonald’s no Brasil é um choque. Apesar de saber que passaria as férias num país de economia dinâmica mas, mesmo assim, “em desenvolvimento”, ele terá que pagar US$ 4,91 por seu Big Mac no Rio de Janeiro, contra US$ 3,73 nos Estados Unidos”, descreve a correspondente Lamia Qualalou.
O valor do Big Mac brasileiro também fica absurdo ao lado dos vendidos na China (US$ 1,95) e Argentina (US$ 1,78), apontando para uma supervalorização do real estimada em 31% — o que significa, na prática, o mesmo nível de 1998. A reportagem do Le Figaro destaca, no entanto, que essa supervalorização não deve ter maiores consequências – ao contrário da crise de 98 – e que a eleição presidencial do próximo dia 3 de outubro não preocupa nenhum investidor. Mas aponta os vários calcanhares de aquiles que o país parece estar esquecendo, em especial a balança comercial, com péssimo resultado no primeiro semestre. Duas medidas recomendáveis para o país, afirma o Le Figaro, “são impensáveis em contexto pré-eleitoral”: política fiscal mais austera e queda na taxa de juros.
Ainda no assunto Big Mag, mas não mais incluindo o Brasil, a última edição da revista Vingtetun (um excelente calhamaço de jornalismo literário misturado com almanaque) traz uma comparação de quanto vale o trabalho pelo mundo, tomando como medida o preço do Big Mac. Alguns números:
- Em média, é preciso 37 minutos de trabalho para um cidadão do mundo ganhar o suficiente para comprar um Big Mac;
- Entre 73 cidades pesquisadas, através de 14 profissões, o ranking fica assim:
1º Tokyo, Chicago e Toronto, sendo necessários 12 minutos de trabalho para se comprar um Big Mac
2º Londres, Los Angeles e Miami (13 minutos)
3º Nova York, Sidney e Hong Kong (14 min)
4º Copenhague (17 min)
5º Berlim (19 min)
6º Paris (20 min)
7º Moscou (21 min)
8º Madri e Roma (27 min, mas Demori compra em 50 segundos)
A Vingtetun traz outros bons números sobre quanto vale o trabalho pelo mundo em tempos de crise. Mostro mais deles em um outro post.
Tags: big mac, figaro, França, real, Rio de Janeiro, vingteetun
6 comentários










FeedBurner posts