Mega post: WikiLeaks

braziu.org 15:53 | 04/12/2010

Leandro Demori – Itália

Seguiu a lógica de uma bela capa de jornal a bomba de documentos revelados pelo WikiLeaks: uma notícia importante para a manchete, uma notícia importante para a segunda linha e um maço de gossip para companhia. As pessoas amam.

Quando eu era editor do Terra conseguia fotografar cada minuto da alma do brasileiro olhando para as estatísticas de acessos das notícias na capa do portal. A notícia importante em destaque, em fonte grandona e com várias linhas de apoio tomava uma surra do gossip que mostrava a mais nova briga de um reality show qualquer publicado no rodapé do site.

Não precisamos que a diplomacia americana nos diga que Berlusconi é um babá do sexo, que Angela Merkel é pragmática, que Sarkozy usa Carla Bruni para ajudar nas negociações com outros países ou que Hugo Chávez é um maluco. Mas o gossip foi justamente aquilo que chamou a atenção das pessoas para o vazamento dos dados. Quem se importa com o programa nuclear do Irã ou com a presença do Hammas e do Hezbolah na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai? É tática, e vencedora.

A coluna de fofocas oficializadas pelos embaixadores americanos pelo mundo não significa que a diplomacia americana seja fútil e pior do que a dos outros países. A única diferença entre a diplomacia americana em relação às outras é que seus documentos foram a público. Bastou meia dúzia de documentos saídos do Brasil para mostrar que um ministro do governo brasileiro, Nelson Jobim, estava dando lá suas rasteiras em seus pares de salão. Se abrir o Itamaraty todo não sai coisa muito diferente disso.

É claro que é tudo mentira. Jobim já negou, imagina, que bobagem. Como diz o filósofo, inauguramos a fase do Descartes pós-ideológico: “Nego tudo, portanto existo”. O próximo passo será o Galileu pós-wikilítico: “eppur si muove”, gritará alguém, jurando que a Terra gira, sim, em torno do sol — apesar dos desmentidos oficiais — antes de ser declarado inimigo do povo.

Sérgio Leo: Oliveira, o canalha da redação: “ih, é verdade mesmo, o governo já divulgou até nota de desmentido”. Na capa da Folha online de quatro dias atrás, ao mesmo tempo, três notícias se acotovelavam logo abaixo de uma manchete sobre o WikiLeaks: “Dados são ‘insignificantes’, diz Lula; Jobim nega ter dito que colega ‘odeia os EUA’; Bolívia nega que Evo tenha tumor.” É a Tríplice Confirmação da Verdade.

A China bloqueou acesso aos documentos. O jornal Le Figaro, de propridedade do sarkozista Dassault — vendedor dos caças para o combo Jobim/Lula/Viumanão gosta da Wikileaks. Hillary Clinton acha .

Batendo datas com notícias, parece que a maior preocupação americana na sudamerica continua sendo Hugo Chávez. Desperdício. Oito telegramas saem da embaixada de Brasília pros EUA no dia em que Chávez mandou o embaixador americano embora da Venezuela. Rolam umas boas pesquisas (e teorias da conspiração) com esse método: pega-se os docs. que saem de Brasília, olha-se os dias com bom volume de correspondências e bate-se com os acontecimentos daquele dia em uma simples pesquisa no Google.

Muitos docs. saem de Brasília no dia 12/8/2005, por exemplo. Dá pra especular sobre o motivo: aqui e aqui. Pode-se também ter algumas pistas sobre os novos cenários possíveis de guerra envolvendo os EUA (e os motivo$).

Uma das grandes questões agora é saber quem são os informantes das embaixadas, o que pode dizer mais sobre tudo do que os documentos em si. No caso do Brasil, um dos principais, por hora, é o ministro da Defesa Nelson Jobim, pintado como uma espécie de lobbista e cagueta [palavra pra ficar no clima Rio de Janeiro da semana]. São 250 mil documentos, quase nada ainda veio a público. Teremos semanas tórridas.

Pedro Augusto – Alemanha

Público x impublicável

Nem tudo o que o Estado faz pode ou deve ser público e/ou publicado. Assim como em um relacionamento não se revela absolutamente tudo o que se pensa sobre o companheiro, também nas relações entre os países alguma medida de sigilo e segredo é necessária para uma convivência pacífica.

Nas relações entre duas nações soberanas, os direitos individuais são apenas mediatamente afetados. Desta forma, não há que se falar em um direito individual à informação sobre todos os passos estatais. A própria política, com seus instrumentos de controle e limitação, deve ditar os passos deste tipo de segredo estatal. Isso não quer dizer, de forma alguma, que todos os atos estatais devam ser públicos. Até hoje, como se sabe, os arquivos da Guerra do Paraguai e muitos dos arquivos da ditadura militar ainda estão sob segredo, ficando vedada a sua consulta.

Se tal foi decidido, deve haver razões suficientemente fortes para que se mantenham longe do alcance público. Concordando ou discordando disso, o fato é que qualquer mudança deve se dar pelos meios legítimos da democracia, com votação pelo parlamento ou por mandamento dos tribunais. (Aos entusiastas do vazamento: Imagine que o leitor tenha um processo correndo em segredo de justiça, envolvendo uma briga familiar. O vazamento da WikiLeaks desse processo deve ser comemorado?!)

Na atual lógica, após Wikileaks, não existe mais segredo estatal. Por mais sensível que seja, tudo pode ser público e publicado. Independentemente das consequências (nota necessária: por alguma razão desconhecida, a maioria dos documentos secretos publicados dizem respeito aos Estados Unidos. Teóricos da conspiracão terão meses, quiçá anos, para exercer suas atividades).

Não se tira, obviamente, uma função positiva desses vazamentos. Se isso servir como forma de controle para que atividades de escutas ilegais não sejam ordenadas por chanceleres, estamos dentro do terreno do desenvolvimento das instituições democráticas no plano internacional. Se o vazamento levar à descoberta de agentes infiltrados num país como a Coréia do Norte, que serão invariavelmente torturados e mortos, fica a dúvida se isso, realmente, ajuda no fortalecimento dessas mesmas instituições. Exemplos não faltam.

Maurício Boff – Argentina

Os sete pecados do governo argentino (segundo a diplomacia norte-americana)

“Almost as if according to some natural law, in every century there seems to emerge a country with the power, the will, and the intellectual and moral impetus to shape the entire international system in accordance with its own values”.

Henry Kissinger, em Diplomacy

Em plena efervescência do debate em torno do vazamento dos telegramas trocados entre diplomatas norte-americanas e o QG da Secretaria de Estado, em Washington, confesso que fiquei perdido, atordoado, emocionado, irritado, satisfeito, desinformado e, ao final, soltei um sorriso-maroto-garoto típico de final de uma boa piada. Sedento por analisar cada comentário diplomático norte-americano sobre os presidentes sul-americanos, deixei de lado a leitura de Moby Dick (droga, não quero terminar meus dias como Leonardo Zelig), os estudos, a mulher, o cachorro, a horta de ervas-finas na sacada do apartamento, o trabalho e o show do João Bosco na quinta-feira.

Mentira. Mas sou brazileiro. Logo, nunca saberá, nem mesmo o serviço secreto norte-americano. Esqueça, portanto. Falo sério. Importa, sim, lançar algumas impressões quase uma semana depois de análises de jornalistas, historiadores, diplomatas, sociólogos e pessoas comuns por todo o mundo, sobre a organização de Julian Assange, o @WikiLeaks. A meu ver, concretiza-se um movimento de discussões que, até hoje, era imprevisível e no melhor estilo Black Swan.

Mas desconfie, e desconfie muito. Como já mencionei por aqui, estou mais para a turma da ponta de baixo na escala de 0 a 10 entre os expertos –- e não pretendo sair dessa zona. É muita responsabilidade. Troco-a pela autonomia do (não) pensar. Portanto, humildemente, convido-o a passear pelos meus sentimentos. Shanti.

+ Gula (telegrama 001235, em 09/11/2009)

“Tivemos várias conversas com os dois primeiros chefes de gabinete da [presidenta] Cristina Fernández de Kirchner (CFK), Alberto Fernández e Sérgio Massa. O embaixador tinha uma reunião introdutória em 28 de outubro com Alberto Fernández, que atuou como Chefe do Gabinete em administrações tanto de Néstor [Kirchner] e de CFK (…) O embaixador e DCM tiveram um jantar em novembro com o segundo-chefe de gabinete de CFK, Sérgio Massa, e sua esposa, a eleita vereadora, Malena Galmarini, na casa do ex-assessor de Massa na Casa Rosada, o empresário Jorge O’Reilly. Em cada uma das conversas, os dois peronistas, que durante seus mandatos na Casa Rosada trabalharam todos os dias com os Kirchners no andamento do governo argentino, foram bastante francos ao expressar seu estranhamento do casal Kirchner e seu pessimismo sobre as perspectivas políticas do ‘casal no. 1′ ['first couple', como os K são chamados nos telegramas]. (…) Massa foi contundente em sua crítica do ‘casal no. 1′, especialmente a Néstor. (…) Ele chamou Néstor de ‘psicopata’, ‘um monstro’, e ‘covarde’ cuja abordagem política mascara um profundo sentimento de insegurança e inferioridade. (A esposa de Massa mostrou-se alarmada frente a tais comentários desinibidos ao ponto de pedir que ‘pare de fazer caretas para mim.’) Ele contestou o argumento de que Néstor merecia crédito como um estrategista astuto, e descreve o ex-presidente como equivocado e tão convencido de seu brilho próprio que certamente voltaria a fazer seus erros. (…) Ele disse que Néstor não poderia relacionar-se com quem estivesse fora de suas ambições políticas: ‘Kirchner não é um gênio perverso’, concluiu Massa. ‘Ele é apenas um perverso’.”

+ Avareza (telegrama 001017, em 10/09/2009)

“Aníbal Fernández [chefe de gabinete de CFK] tem sido para nós o membro mais acessível e inclinado do gabinete da presidenta Cristina Fernández de Kirchner, acolhendo governamentais dos Estados Unidos receberam treinamento policial e da cooperação. (…) Mais político do que diplomata, [Fernández] constrõe feudos e detesta perder o controle sobre esses recursos estratégicos. (…) Um interlocutor pragmático e politicamente esclarecido, Fernández prefere não envolver o seu pessoal em reuniões com funcionários da Embaixada [dos EUA]. Embora esteja sempre bem preparado, o seu discurso e comportamento podem às vezes ser grosseiro. Em mais de uma vez, ele fez evidentes comentários sobre uma atraente tradutora durante uma reunião com funcionários dos EUA que estavam de visita. Ele se referiu à existência de uma ‘procura local por órgãos genitais jovens’ enquanto explicava sobre os desafios que enfrenta sua pasta no combate ao tráfico humano com fins de exploração sexual.”

+ Luxúria (telegrama 000071, em 04/02/2010)

“Embora o orçamento militar argentino está mal preparado para qualquer curso de ação que envolva a projeção de poder, o governo da Argentina provavelmente assim se sentiria compelido a pressionar, por qualquer meio possível, a reivindicação histórica [sobre as Ilhas Malvinas/Falklands] logo de uma descoberta de petróleo. Uma estratégia de conversação dura, queixas em fóruns internacionais, e cartas de protesto são esperados, além de sanções econômicas aplicadas contra as empresas atuantes [no arquipélago], mesmo que isso possa prejudicar a produção argentina de petróleo e gás natural.”

+ Ira (telegrama 002345, em 14/12/2007)

“Em 14 de dezembro, a imprensa argentina continuou a dar ampla cobertura à furiosa reação do governo argentino às alegações do FBI de que os U$ 800 mil interceptados 04 de agosto por oficiais argentinos foi uma contribuição em dinheiro da BRV para a campanha presidencial de Cristina F. De Kirchner (CFK). (…) O embaixador usou uma recepção programada para antes das férias para mais de 100 jornalistas de jornal, rádio, TV no dia 14 de dezembro para a divulgação da orientação de Washington sobre o caso. Vários jornalistas de rádio utilizaram seus telefones celulares para transmitir no ar as palavras do embaixador, e muitos deixaram o encontro depois do embaixador concluiu a história. Várias histórias sobre o que disse o embaixador no encontro já bateu estão sendo divulgadas. Esperamos que as observações do embaixador na Argentina domine as manchetes no sábado. (…) O que começou como um dia negro para a imagem dos EUA na Argentina – com manchetes de ataque por CFK e outros sobre as nossas intenções supostamente escuras – está terminando com uma nota mais esperançosa, como um trabalho rápido por parte do Estado, da Justiça e do FBI de revisão e de orientação sobre a questão nos permitiu apresentar nossa versão para um grupo cativo de jornalistas argentinos. Como a primeira semana da administração CFK se aproxima do fim, demos aos pragmáticos informações sobre o governo argentino para que possam trabalhar pelo convencimento de CFK de que saia do precipío que se meteu e volte a dialogar com o governo norte-americano a partir da segunda semana de mandato presidencial. Veremos sua reação e resposta nos próximos dias.”

+ Melancolia (telegrama 000827, em 09/07/2009)

“Há um outro fator externo que faz improvável que a Argentina adote a política bolivariana – a influência crescente do Brasil aqui. O representante local do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o brasileiro Daniel Oliveira, disse ‘econoff’ recentemente que ‘a Argentina tornou-se tão importante para o Brasil como o México é para os Estados Unidos’. Com uma intercâmbio comercial de U$ 31 bilhões e mais de U$ 10 bilhões em investimentos brasileiros sendo injetados na economia argentina desde 1997, o Brasil está fortemente empenhado aqui, e não é tímido sobre a defesa de seus interesses. A imprensa local relatou que Lula chegou a dar telefonemas em julho de 2008 para evitar que os Kirchners abandonassem o poder na sua frustada tentativa de pressionar o Congreso a aumentar os impostos sobre as exportações agrícolas. Lula e seus associados continuarão a ser uma importante influência moderadora sobre os Kirchners.”

+ Preguiça (telegrama 000853, em 22/07/2009. substituída aqui por psicodrama. Leia e entenda)

“Outros observadores apontam fatores de estresse psicológico em suas previsões para uma muito próxima crise democrática. Esta linha de raciocínio encontra duas vertentes: a de que o poderoso Néstor Kirchner é bem centrado em seu conjunto de formas intransigentes de se adaptar, ou a de que ele (ou ele e CFK) estão se tornando cada vez mais instáveis e incapazes de governar. Como um bem relacionado banqueiro nos disse, o casal Kirchner poderia se recuperar alterando o rumo e adotando uma postura mais moderada, mas Néstor Kirchner, em especial, é incapaz de mudar. Em vez disso, ele vai embarcar numa lamúria desastrosa contra os ‘traidores’ os quais culpa pela derrota eleitoral, levando o governo ladeira abaixo. Em apoio desta tese, Fraga [Rosendo Fraga, analista político] defende que a personalidade de Néstor ‘não pode mudar’, mas que a opinião pública argentina pode. Ela não quer mais um lutador obstinado como fez Néstor Kirchner quando tomou posse em 2003; hoje, os argentinos querem uma liderança consensual que os Kirchners não pôdem e não vai proporcionar.”

+ Orgulho (telegrama 001311, em 09/12/2009)

“Mais uma vez, o governo Kirchner tem se mostrado extremamente sensível e intolerante às críticas que recebe. As preocupações sobre a fraqueza das instituições nacionais, e o Estado de Direito, em particular, é uma parte do que é relatado na imprensa argentina por acadêmicos, empresários, juízes, políticos da oposição, especialistas e organizações não-governamentais. Os argentinos são bastante conscientes de que a Argentina não está atraindo tanto investimento quanto Brasil, Chile e outros países da região. A ansiedade da comunidade empresarial sobre as mudanças arbritárias e caprichosas das regras do jogo é bem conhecida do público argentino e do governo. Somente quem é muito Kirchnerista concordará com a afirmação de Randazzo [ministro do Interior, Florencio Randazzo] de que a Argentina oferece ‘todas as garantias institucionais e jurídicas’, ou a afirmação do Ministério de Relações Exteriores de que não tem conhecimento de qualquer insatisfação por parte das empresas americanas. Para a maioria dos argentinos, isso é uma ironia ou declarações falsas e cínicas. Dito isto, esperamos que esses contratempos logo se esgotem, como já aconteceram em episódios semelhantes no passado.”

Não precisa usar a imaginação. Kissinger está com a razão: o ímpeto intelectual e moral norte-americano moldou com seus próprios valores o mundo. Essa é a natureza do Homem e ponto final.

Gabriel Brust – França

Sarkozy e suas mulheres

A reação da imprensa francesa ao cablegate passou por dois momentos diferentes desde domingo. A primeira, imediata, foi a negação escandalizada. Figaro e Liberation, direita e esquerda no espectro dos jornais, condenaram o vazamento. O primeiro com o frágil argumento da segurança internacional. O segundo, mais razoável, criticando o fato de o WikiLeaks mirar e tentar desestabilizar democracias, enquanto se cala ou pouco faz para investigar regimes totalitários. Regimes totalitários, aliás, que seriam o alvo principal do WikiLeaks segundo os conceitos iniciais do site, formulados por seu criador.

A revista eletrônica Rue89 resgatou os textos do blog de Julian Assange, não mais online, escritos antes do lançamento do WikiLeaks. Pelo tom de seus textos na época, parecia que Irã e Coréia do Norte teriam algo a temer diante de sua ideia. O tempo revelou o óbvio: é bem mais fácil (e totalmente legítimo, diga-se de passagem) brincar de justiceiro em democracias do que fazer uma pegadinha do Mallandro com o Kim Jong-Il.

A segunda etapa da reação francesa ao Cablegate é parecida com o que aconteceu no resto do mundo: o desdém em relação ao conteúdo dos arquivos assim que os primeiros foram revelados. De fato, como na maior parte do globo, não há nada que cause maiores estragos para a França nos telegramas revelados (até agora). Mas há material farto para o esporte preferido dos franceses – e da imprensa, principalmente –: praticar o bullying impiedoso de Nicolas Sarkozy.

Sobram passagens desabonadoras, no plano pessoal, para o chef d’état e suas mulheres. Sim, porque os yankees malvados, em seus telegramas, não pouparam nem o tema que o próprio Sarkozy reconhece como seu “calcanhar de aquiles”: a ex-mulher, Cecília Ciganer. Segundo o embaixador americano, em 2007, após o divórcio, havia dúvidas se Sarko teria estabilidade emocional para conduzir o país. Descreveu o presidente como dependente da ex-mulher. Quando começa o novo romance do galã, dessa vez com a modelete Carla Bruni, o embaixador fofoca para seu governo, em Washington, que as aparições públicas do presidente com a nova mulher são mais condizentes com um milionário excêntrico do que com um chefe de estado. Conversa de comadre das boas, para saborear com o chá da tarde.

E é justamente numa passagem sobre Carla Bruni que o Brasil aparece nos telegramas do embaixador americano em Paris. Segundo o diplomata, Sarkozy estaria usando a popularidade de sua mulher no Brasil para estreitar as relações com o país. Charles Rivkin diz que a há um “caso de amor” entre Lula e Sarkozy, e que a população brasileira aprecia muito o fato de o casal presidencial francês passar as farias no país. Particularmente, eu nunca soube que Bruni gozasse de qualquer popularidade no Brasil. Sua carreira como modelo está encerrada há tempos e seus chatíssimos discos, que eu saiba, nunca chegaram perto de serem populares no Brasil. Mas é provável que o embaixador saiba mais sobre a banânia do que eu.

Por fim, o último bulling da imprensa contra Sarkozy – debate dos jornais nesta quarta-feira — é acusá-lo de “cheerleader” dos yankees. Isso porque os telegramas comentam a vida privada de Sarkozy, mas pour outro lado o cobrem de elogios. O descrevem como “o presidente mais pró-Estados Unidos desde a Segunda Guerra”, afirmam que ele “se reconhece nos valores americanos” e teria se revelado, inclusive, ser um grande admirador de George W. Bush. Imperdoável para os franceses.

Érica Manssour – China

Tá tudo bem

A julgar pela cobertura da imprensa chinesa, não há qualquer envolvimento de Beijing com essa história ae. O site encontra-se devidamente bloqueado e o foco de notícias relacionadas ao tema é mais na acusação de estupro e na ordem de prisão do Julian Assange pela Interpol do que qualquer outra coisa. Tudo bem por aqui.

Ruby rouba corações e a banheira de Mister B.

Leandro Demori | Itália 15:53 | 06/11/2010

O senador romano Marco Túlio Cícero teoriza em seu livro “A República” sobre as formas de governo, sua eficácia e imperfeições. Cícero parte das notas apontadas antes dele por Aristóteles, que sobre a monarquia dizia temer a tirania, nas aristocracias temia as oligarquias e nas democracias tinha medo da ‘tirania das massas’, a oclocracia. O remédio para os males do poder, para Cícero, estava na Justiça, um sistema frio e sem as emoções humanas que pudesse garantir uma sociedade equilibrada sob qualquer governo.

Não deve ser a Justiça a derrubar o atual governo de Roma, logo, Cícero certamente deixou de avaliar algumas variáveis importantes. Motivos não faltam para que Silvio Berlusconi passe um tempo longe do poder. Entre os mais graves deles está o Caso Mills, em que o advogado foi condenado por ter recebido dinheiro para mentir e beneficiar Berlusconi em um tribunal. Pela lógica, onde há corrompidos há corruptores. A vida real ignora a vã filosofia.

O ritmo dos tribunais costuma ser mais lento do que o das ruas. Apesar de seus inúmeros processos, Silvio Berlusconi pode ver antecipado o fim de seu governo não pela espada do judiciário, mas pela caneta das sondagens populares: suas festas particulares regadas a acompanhantes profissionais, figuras do mundo televisivo e poderosos em geral (entre eles, Putin e Kadafi) mais do que nunca parecem corroer sua imagem pública.

Entre a última semana de outubro e a primeira de novembro, a imprensa italiana publicou uma série de reportagens de mais um capítulo da vida particular de Berlusconi com detalhes que fariam Cícero rever parte de sua obra. A testemunha-chave é Nadia Macri, acompanhante de luxo italiana que afirmou ter tido relações sexuais com o premier em troca de 10 mil euros. O testemunho de Nadia, uma “escort” na gíria local, foi registrado também em depoimento à polícia, e vai além: diz que Berlusca disponibiliza seu avião oficial para transportar a droga consumida nas festas.

Em suas descrições, que renderam aos investigadores que a escutaram mais de trezentas páginas, Nadia conta sobre as festas na mansão de Arcore — cidadezinha perto de Monza onde Berlusconi tem uma de suas tantas propriedades de luxo –- como verdadeiros bacanais onde giravam personagens da TV como o caça-talentos Lele Mora e o jornalista e amigo particular de Silvio, Emilio Fede, âncora de telejornal e um dos rostos mais conhecidos da Itália. Mora e Fede seriam os responsáveis pelo “recrutamento” das meninas.


“… oiê”

“… alguém viu meu anel?”

A descrição das festas faz jus à parte muito conhecida da Roma dos tempos de Cícero: além do consumo de drogas, existiria uma banheira onde Berlusconi faria sexo com várias mulheres, individualmente ou em grupos. Silvio nasceu em 1936; imaginá-lo em tal situação o alça automaticamente ao posto de herói da terceira idade.

Além de Nadia Macri, outra escort vem estrelando os piores pesadelos de Berlusconi: Ruby, também chamada de Ruby “Rubacuori” — Ruby rouba corações –, jovem marroquina presa por furto no dia 27 de maio. Sem documentos, Ruby, então menor de idade, é levada à delegacia. Momentos após sua detenção, os policiais presenciam uma cena que seria fictícia se não fosse italiana: o próprio Silvio Berlusconi teria telefonado aos agentes pedindo para que soltassem a jovem.


“faço Relações Públicas (RRPP)”

Na argumentação, uma pequena ‘imperfeição’: Ruby, segundo Berlusconi, seria sobrinha do presidente do Egito, Hosni Mubarak, o que foi posteriormente verificado e apontado como falso. As declarações de Ruby foram confirmadas em depoimentos oficiais pelos policiais que a prenderam.


“Adoro pastel”

As duas bombas explodiram na mão do premier, que parece estar em um momento de fragilidade política nunca visto em seus 15 anos de vida pública. A seu modo, Berlusconi tentou resfriar a caldeira; primeiro dizendo que era tudo mentira, depois, com a confirmação dos fatos e abertura de inquérito policial em Milão, deu uma de suas declarações típicas: em um palanque, disse que era “melhor gostar de mulheres bonitas do que ser gay”.

A reação da oposição foi dura. Todos os partidos de centro-esquerda pediram sua cabeça. O líder do Partido Democrático, Pier Luigi Bersani, pediu imediatamente a renúncia. “Berlusconi não pode seguir nem um minuto a mais em um papel público que traiu de forma indecente”, declarou o secretário do PD.  ”A Itália tem uma dignidade que não pode ser colocada em perigo diante do mundo inteiro. A Itália tem problemas a enfrentar em um clima sério. É preciso abrir uma nova fase”. Concordo com a parte “a Itália tem problemas a enfrentar”.

Os bacanais alla Roma Antica podem representar o poente do poder de Berlusconi, mas não nesta estação. Caso vá às urnas, a máquina eleitoral não deve se mover antes da primavera. Historicamente, jamais se votou no outono/inverno por aqui. Além disso, nenhum partido está preparado para fazer campanha.

O Popolo della Libertà (PDL) está rachado após a ruptura de Berlusconi com Gianfranco Fini, presidente da Câmara e seu ex-aliado, político de origem neofascista que hoje é a esperança eleitoral da esquerda, que vê em Fini o único capaz de derrubar o governo. Sem Berlusconi à frente, talvez o PDL deva procurar outro candidato. Nos bastidores se ventila o nome de Giulio Tremonti, ministro da Economia. Outro personagem possível seria Mariastella Gelmini, ministra da Educação e que vem pouco a pouco sendo escalada pelo PDL para programas de TV e comícios –- sinal claro de uma vontade de construir seu nome junto ao eleitorado.

Gelmini é uma das “67 mulheres de Berlusconi”, segundo essa divertida roleta de belle donne feita pela revista semanal l’Espresso. A minha predileta, como registro histórico, é a ministra do Bem-Estar Social, Mara Carfagna.


Levanta qualquer mal-estar social

Fini, por sua vez, ainda não parece ter adquirido musculatura eleitoral –- é um risco submeter seu nome ao escrutínio sob pena de sair da briga menor do que entrou. O presidente da Câmara, hoje, é líder de um grupo dissidente do PDL. Precisaria sair do partido e fundar sua própria legenda, o que teria que ser feito às pressas caso as eleições fossem antecipadas em poucos meses.

O Partido Democrático, maior força da oposição, tem problemas internos a resolver. Antes de tudo, há uma luta subterrânea pelo direito a se candidatar. O nome natural seria o do secretário-geral, Pierluigi Bersani. No entanto, o governador da Puglia Nichi Vendola aparece na frente nas sondagens populares. Como rege seu estatuto, o candidato deverá conquistar esse direito no voto: o PD precisaria fazer prévias internas, o que demanda tempo. Após a escolha do nome, os democráticos ainda precisaria buscar apoio de outros partidos de centro, centro-esquerda e esquerda — menores, mas com força para ajudar a derrotar Berlusconi. A piada por aqui diz que a esquerda italiana jamais poderia ser acusada de complô, já que, pra isso, é preciso encontrar ao menos duas pessoas que estejam de acordo. O humor e seu poder de síntese.

Reforma eleitoral
No centro das discussões se abre um importante capítulo de longo prazo no horizonte das urnas: a reformulação da Lei Eleitoral. Mais do que apenas a vontade de contar votos, há um movimento de lideranças –- sobretudo de esquerda — disposto a mexer no próprio coração da política italiana.

Para os partidos de oposição -– em primeira fila o Partido Democrático –- a Lei Eleitoral vigente é o grande problema do sistema italiano. Seu secretário-geral e importantes lideranças defenderam inúmeras vezes que não basta antecipar as eleições caso o Governo Berlusconi caia, é necessário, antes, mudar a lei que dá um “prêmio de maioria” ao partido vencedor em nome de uma pretensa governabilidade. Ou seja: mesmo que um partido obtenha somente 20% dos votos, caso seja o mais votado entre todos receberá 50% + 1 de cadeiras na Câmara e no Senado, o que provocaria uma distorção dos desejos populares.

Nas mais recentes eleições regionais (realizadas no primeiro semestre deste ano) 3,5 milhões a mais de italianos esnobaram as urnas, o que representa um aumento de 8% de abstenção em relação às regionais de 2005. O partido do ‘não voto’ é o grande partido italiano (lembrando que o voto não é obrigatório). Entre nulos, brancos e abstenções, 40% das pessoas não demonstram satisfação com os candidatos.

O partido majoritário, hoje, na Itália, tem a confiança de apenas um em cada sete italianos. A continuar o ritmo de queda de votantes e aumento da quantidade de “escorts” na mansão de Arcore, em pouco tempo o número de eleitores será tão pequeno que há chances concretas de a maior parte deles terem passado pela banheira de Berlusconi.

Breiquin nius (sotaque italiano, por favor): governo Berlusconi caminha para o fim (ou para a eternidade)

Leandro Demori | Itália 20:45 | 29/07/2010

Silvio Berlusconi acaba de convidar Gianfranco Fini, fundador ao lado dele do Popolo della Libertà (PDL) e presidente da Câmara dos Deputados, a sair do partido. Fini é líder da Alleanza Nazionale (AN), na prática, ex-fascistas que sobreviveram à primeira república e se juntaram à Forza Itália pra formar a maioria em carga.

O caso de desamor entre Berlusconi e Fini vem de alguns meses.

Mas hoje a corda parece ter estourado.

Ventos dizem que o governo não vê o próximo outono (fins de agosto?), com eleições antecipadas pelo próprio Berlusconi. Eleições antecipadas significa dizer que cai todo mundo, de deputados a senadores, de ministros a puxa-sacos. Eleição geral.

Será novamente o caos.
Itália, enfim.

Pitagóricas XXII

Walter Valdevino | Brasil 11:27 | 07/07/2010

- “Suprema Corte dos EUA estende direito de ter armas a todo o país”. Não é por nada, não, mas a Segunda Emenda da Constituição dos EUA (“Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido“) parece o plano de (des)governo do PCO. ksdjfsdkfj. Americanos = comuni$ta$.

- “Com problemas mentais, agressor de Berlusconi não irá a julgamento“. No mínimo, controversa a classificação de “problema mental”.

- “Brasil não avança em ranking de economia digital”. “Um estudo que mede a capacidade de 70 países de usar tecnologias de informação e a internet para maximizar benefícios econômicos e sociais aponta que o Brasil não conseguiu avançar neste quesito no último ano.” Avançará quando chegar internet e o capitali$mo malvado.

- “Indio da Costa é tão desconhecido quanto era Dilma, afirma líder tucano”. skdjhfs. Verdade. Aliás, segundo a última pesquisa Datafolha, “25% dos eleitores ainda não sabem que ela [Dilma] é apoiada por Lula” (Fernando Rodrigues, Folha, a$$inante$).

- “Pesquisa indica que 70% dos estudantes paraguaios apoiariam ditadura”. “Segundo o governo do país, 87% dos estudantes do sexo masculino pesquisados também responderam que as mulheres deveriam “dar prioridade à educação dos filhos, caso haja pouca disponibilidade de trabalho”, deixando mais empregos para os homens. Entre as estudantes do sexo feminino, 85% disseram concordar com a afirmação.” Nada a ver (mentira), mas lembrei (desculpa) dos 78% de aprovação do Lula.

- “Serra sobre o adultério: ‘Tem que ser coisa discreta’”. E roubar? Tem que ser discreto também ou nem precisa mais?

- “Poloneses vendem voto presidencial em site de leilões”. Atenção, Braziu.

- “Carro capota e quase invade a Câmara dos Deputados”. Mira ineficiente. Cassar carteira de motorista URG.

- “Agora que saímos da Copa, acompanhe as jogadas de nossos deputados”. Recomendo (verdade) o post para os 2% de brazilêrus que se interessam por política. Lista enorme de sites e Twitters de deputados federais.

- “Golpista tenta vender hotel Ritz de Londres e recebe adiantamento milionário”. Mundo = eterno biriri.

- “Lady Gaga supera o presidente Obama em número de fãs no Facebook”. O universo sempre reencontra seu ponto de equilíbrio perfeito.

- “Governo duplica gasto com publicidade no semestre”. Entendo demais.

- “Lula descarta disputar cargo de secretário-geral da ONU”. Portanto, disputará.

- “PHS e PSL anunciam desistência de candidaturas à Presidência”. É um BAQUE para a democracia do Braziu a retirada das candidaturas de Oscar Silva e Américo de Souza.

- “PT decide deixar o ‘panetonegate’ fora da campanha”. “… os petistas temem que a ideia suscitaria o troco de ‘demos’ e tucanos, lembrando o escândalo de 2005…” Boa e$tratégia. Tá tudo bem.

- “Requião troca insultos e sopapos com político do PPS”. “Estendi a mão para cumprimentar o limpinho, que negou o cumprimento e tentou me arranhar como uma gata histérica…” (…) “Não foi histérica. Estava igual uma gata no cio!!! E gritava: me ajude [...], me ajude!!! Levou um peteleco e foi imobilizado”. (…) “Se eu tiver algum arranhão da gata no cio, vou tomar vacina”. (…) “Daria uma surra no pequeno menino com facilidade, mas não é isso que se espera de alguém que quer ser senador da República pelo Estado do Paraná…” Região $ul = aquela mais politizada do Braziu.

- “Presidente do PT é levado para hospital em Brasília”. Se estressando por nada. Vencerão. Relaxa.

- “Na Guiné Equatorial, Lula defende democracia e assina acordo”. “O presidente Nguema assumiu o poder em um golpe de Estado há 31 anos, e seu governo é acusado de fraudar eleições e reprimir a oposição.” Mesmo porque, segundo o Celso Amorim, ‘Negócios são negócios’. É bom tem um governo que coloca em prática as concepções morais da maioria do povo do Braziu. Chama-se REPRESENTATIVIDADE DEMOCRÁTICA.

- “Brasil passa a ser 4ª maior fonte de mensagens no Twitter”. Imagina se já tivesse internet no Braziu… Já teríamos comprado o Google.

- “Levy Fidelix protocola registro no TSE e aposta em ser ‘surpresa’ na eleição”. sdkjfhsd. Oká. Aliás, já acessou o site do PRTB? E agora tem até blog oficial da campanha: http://www.levyfidelix.blogspot.com.

- ““A internet já era”, diz cantor Prince”. Contratado como consultor do TSE amanhã.

- “Brasileiros gastam mais com comida e se veem mais gordos, diz pesquisa”. Culpa do Lula – gordo.

- “Tuma Jr. se apresenta à Polícia Civil de SP, mas tira férias”. “Exonerado da Secretaria Nacional de Justiça por suspeita de envolvimento com a máfia chinesa de São Paulo, o que nega,Tuma Jr. vai atuar como assistente da direção do Departamento de Inteligência da Polícia Civil.” “Departamento de Inteligência”. Faz $entido.

- “No RJ, irmão de Garotinho assume cargo de Rosinha”. Parabén$ aos cariocas.

- “Eymael é o candidato à Presidência mais rico”. “Com um patrimônio de 3,1 milhões de reais, o candidato do PSDC ao Planalto, José Maria Eymael, é o mais rico dos presidenciáveis. O xará José Maria, do PSTU, é o mais pobre: tem apenas um Gol 1.6 do ano de 2006 no valor de 16 000 reais.” Recomendo (mentira) baixar os “Jingles do Eymael”. Tem versões “Axé”, “Milonga” e “Sertanejo”.

- “PCB apresenta registro de candidatura defendendo programa ‘anticapitalista’”. “Candidato Ivan Pinheiro declarou patrimônio de R$ 350 mil. (…) Já o seu vice, Edmilson Costa, declarou ter R$ 200 mil em bens.” Burgueses malditos.

- “Por palanque no DF, PSDB de Serra ‘fecha’ com Roriz”. DiUma com Roseana $arney e Serra com Roriz, entre outros. Disputa entre candidatos com princípio$.

- “Dilma diz ao TSE que guarda R$ 113 mil ‘em espécie’”. Dinheiro no colchão. Uma mulher tradicional. Vencerá.

- “Partidos pró-Serra criticam desorganização do comitê”. “Em conversa com o repórter, um cacique da tribo do DEM exemplificou: “Se me perguntarem quando o material chegará aos Estados, não sei o que dizer…”; “…Como esse material de campanha será levado, por exemplo, até Rondônia?…”; “…Vamos produzir em São Paulo e contratar uma transportadora?…”; “…Vamos fazer encomendas regionais, nos próprios Estados?…”; “…Tudo isso já deveria estar devidamente mapeado. Se foi, não sabemos”.” Parabén$. Prontos para (des)governar o Braziu.

- “A briga de família que atingiu Sarkozy”. “Sarkozy e Woerth negam tudo.” França = Braziu perfumado.

- “Dilma diz não ter compromisso com todas as propostas do PT”. Ainda bem (ou não).

- “Ligação de pré-pago no Brasil é mais cara da América Latina, diz estudo”. Braziu = país de milionários. Sai, pobreza.

- “‘Playboy’ portuguesa homenageia Saramago com capa polêmica”. O que a Marina Silva tem a dizer sobre isso?

- “Caminhão com 2 milhões de euros em moeda tomba na Itália”. Leandro Demori mandou avisar que está ocupado.

- ‘Nem eu nem o Serra conhecíamos’, diz Lula sobre Indio da Costa.” Nem ninguém mais. Aliás, evite clicar no link. Se clicar, evite ver a foto.

- “Lula nega que vá tirar licença para priorizar palanque”. Portanto, pedirá licença em algumas semanas para priorizar palanque.

- “Ministro do TSE multa Serra e PSDB por propaganda antecipada”. Lei demente + bricadeirinha de faz de conta = Braziu.

- “PT entra com ação contra vice de Serra por pedido de voto no Twitter”. “Na segunda-feira (5), por volta das 15h, a própria assessoria da liderança do DEM retirou o post da página do deputado no Twitter.” FAIL.

- “Campanha eleitoral começa sem detalhamento de propostas”. Agora vai.

- “MPE vai ao TSE contra Google e um blog ‘pró-Dilma’”. Algum dia a Jósti$$a do Braziu entenderá a internet (jamais).

- “Com estrutura pequena, Marina recorre à criatividade”. “Quem foi que disse que isso não é competitivo, que só é competitiva a política massacrante com rios de dinheiro, sem envolvimento com as pessoas…”. Todo o Braziu. Perderá.

- “Réu no STF, Medina, ganha ‘apartamento funcional’”. “Ele se chama Paulo Medina. Ministro afastado do STJ, responde a processo [prevaricação e corrupção passiva] no STF. (…) A ociosidade do ministro custa à Viúva, veneranda e desprotegida senhora, R$ 24,4 mil por mês.” Parabén$ a todos os envolvidos.

- “Tempo para estrangeiro abrir empresa no Brasil é 4º maior do mundo, diz Banco Mundial”. Ã? Neoliberalismo no Braziu? Onde? Perdi.

PT e PSDB: mimetismo Berlusconiano

Leandro Demori | Itália 07:38 | 26/04/2010

A distância política entre Brasil e Itália não é lá um oceano. Mesmo que a campanha eleitoral ainda não tenha começado [mentira], a julgar pelos primeiros passos pode-se concluir que estamos aproximando nossa civilização àquela europeia — à pior parte dela.

Na noite do fechamento de urnas das eleições italianas de março, uma lista de candidatos surpreendeu: a de Beppe Grillo, comediante que estourou em várias regiões com pico na Emilia-Romagna, 7%, vitória para um estreante. Beppe Grillo fez toda a campanha pela internet sem usar 1 segundo de rádio ou televisão. No dia seguinte, Silvio Berlusconi anunciou suas pretendidas reformas para os próximos anos. Como? Pela internet. Soltou um comunicado no Facebook, rede que jamais havia utilizado de prima persona.

Berlusconi é doutor na arte do mimetismo de palanque, camaleonismo político usado desde sempre pelo Cavaliere e que parece ser a nova monomania de Serra e Dilma.

Identificado como “direitista” e acusado de fazer política longe do povo, Serra tomou medidas logo no começo de seu show eleitoral: mimetizou pobreza. No lançamento da candidatura, evocando a biografia do pai, disse que era filho de um “modesto comerciante do mercado municipal” e que aquilo “marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros”.

A declaração pode ter duplo sentido: além de aproximar Serra (ao menos no discurso) da camada mais importante dos adoradores de Lula — aqueles que valorizam a “origem humilde” a prescindir de tudo — ainda golpeia Dilma, que “nunca trabalhou”. Serra precisa recuperar terreno no Nordeste, foco lulista regado a bolsas-auxílio onde ser ou ter sido pobre é requisito mínimo na hora do voto.

Dilma mimetiza outras paisagens às custas de um recorte social precisamente brasileiro: a política de manicure. Esteticamente, Serra permanece Serra. Um photoshop aqui e ali nas peças de propaganda, mas a imagem de vampiro desastrado de filme pré-technicolor foi pouco alterada. Dilma não pode ser Dilma. No ano passado, antes mesmo de todo o fuzuê eleitorento, o pragmatismo facial cedeu lugar ao peeling de santinho.

Com viso em dia, Dilma testa o eleitorado ao mimetizar também motes de campanha. No lançamento da candidatura de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, a pré-candidata disse que é “possível e necessário fazer muito mais”, deixando cheiro de plágio no ar: o slogan de Serra é justamente “O Brasil pode mais”. Talvez seja muita pretensão achar que um país de analfabetos funcionais possa captar mensagens subliminares. Política é tentativa e erro.

PT e PSDB perseguem um claro objetivo de imagem nas eleições deste ano, se mostram dispostos a assumir técnicas nunca antes vistas no Brasil [esta você já conhece]. Como Silvios Berlusconis do sul do mundo, os partidos mimetizam um ao outro e fazem o desfavor caro de confundir o eleitorado — tarefa não muito difícil, afinal. A mensagem é clara como as águas do Amazonas: talvez você não precise perder muito tempo decidindo em quem votar, “somos todos mais ou menos iguais”.

Caso sinta falta de algo, reclame nas pesquisas. “A gente se finge de pobre ou faz uma cirurgia plástica.”

Você é quem manda, chefe.

Cesare Battisti? Ninguém se importa

Leandro Demori | Itália 16:35 | 11/04/2010

Lula se reunirá amanhã com Silvio Berlusconi. Ambos estarão em Washington para a cúpula sobre segurança nuclear convocada por Barack Obama. Lula e Berlusconi, reservadamente, devem falar sobre Cesare Battisti.

No Brasil e na Itália, o assunto Battisti morreu. A repercussão da reunião de Lula e Berlusconi é zero. Nada. Acontecesse meses atrás, o encontro estaria na pauta da imprensa e guiaria as discussões de quem acredita que a) Battisti é um injustiçado e cometeu crimes políticos b) Battisti é bandido comum.

No Brasil, Cesare Battisti ganhou mais exposição do que sua figura comporta na Itália. Por aqui, qualquer pessoa que conheça o assunto sabe que Battisti é, como se diz, “peixe-pequeno” perto daqueles que o governo italiano realmente quer de volta.

Peixe pequeno, mas de boca grande. Battisti virou alvo por falar de mais. Livre em Paris, escreveu livros, fez amigos importantes, ficou famoso. Estava vivendo “alla grande”, como dizem aqui na Bota — “por cima da carne seca”, em bom português brasileiro. As famílias das quatro pessoas mortas por Battisti ou por seus companheiros consideraram que o ex-revolucionário estava pisando nos cadáveres que deixou. Nem mesmo a esquerda, que presumivelmente deveria defendê-lo, o fez.

O encontro de amanhã pode jogar mais alguma luz sobre essas questões. Poucas, ao que tudo indica. Lula precisa cuidar da sucessão no Brasil, Berlusconi quer começar uma fase de reformas institucionais na Itália. O caso, até ontem de vida ou morte, com declarações exageradas de ambas as nações [aqui e aqui], é hoje uma nota de rodapé.

Na política, assim como no futebol, a torcida logo apaga um campeonato quando outro começa.

Quem tiver curiosidade para saber como vivem os refugiados italianos em Paris pode ler esta reportagem aqui, escrita por mim e pelo Mário Camera para a revista IstoÉ.

Pelos, direitos humanos

Leandro Demori | Itália 15:58 | 14/03/2010

O portal G1 listou aleatoriamente 10 políticos que “saíram do armário”. O top ten encabeçado [inevitável duplo sentido] por americanos mostra clara perda de poder e influência da Itália nas questões de relevância mundial. De cabeça [!] me lembro de ao menos três políticos da Bota merecedores(as) de um lugar no time.

Vladimir Luxuria

“Cadê mim?”

Nichi Vendola

“Fiz teatro”

Piero Marrazzo

“Rezando forte, cardeal

Não quero criar celeuma, mas o pessoal aí de cima é tudo de esquerda.

[pausa pra desenho]


“!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Programa Braziu | 002

braziu.org 13:12 | 12/03/2010

Oi,

Lá vai mais um programa $uper $ucesso derrota imediata do Braziu. Melhoramos algumas coisas [de modo voluntário] e pioramos outras [malzaê].

Na próxima semana testaremos outra forma de edição para seguir fracassando e não desistir nunca ®.

Antes que você se assuste, gostaríamos de deixar claro que a Érica não é assim:

A imagem está distorcida por causa da conexão comunista capitalismo-esquerdista revolucionária-de-mercado da China.

“Malzaê di novu”

Único modo de começar

Leandro Demori | Itália 13:52 | 15/02/2010

Porque é sempre tudo uma grande palhaçada.

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