O combate de Villa Soldati

Maurício Boff | Argentina 10:06 | 12/12/2010


Cenas de uma guerra portenha.

Poderia ser um thriller adolescente de questionável bom gosto: o heróico combatente revolucionário que enfrentou o status quo para fazer o bem, mudar o mundo e ganhar a mocinha no final das contas. Mas a realidade é sangrenta. Carros apedrejados; árvores e pneus em chamas; palavrões; agressões; assassinatos; preconceito contra os imigrantes de países limítrofes; vista-grossa policial; e o uso político do caos e da tragédia. Cenas de uma guerra anunciada há alguns anos por essas bandas sul-americanas.

A situação na região do Parque Indoamericano, há 12 quilômetros da zona rica de Buenos Aires, piora desde a terça-feira, quando um grupo de pessoas decidiu ocupar um prédio do complexo popular em Villa Soldati, bairro de gente humilde na capital argentina. Os conflitos somente aumentaram. De um lado, moradores de classe média baixa que passarão os próximos anos pagando a moradia popular que conseguiram receber do governo portenho; do outro, pessoas ainda mais pobres: imigrantes bolivianos e paraguaios – em sua maioria – acampados em uma área pública equivalente a 130 campos de futebol do Barradão e que decidiram ganhar a vida em terras argentinas, buscar mais oportunidade de trabalho e desenvolvimento pessoal e o velho movimento social que escutamos por aí em todo o mundo.

Como mediadores, a vontade política que, sabemos, flutua como o vento. Resultado: o quarto morto havia sido contabilizado na sexta-feira e o quinto pode ser assassinado a qualquer momento, apesar da momentânea trégua.

Buscar explicação apenas para o que acontece em Villa Soldati é restringir um problema que se verifica em outros aspectos do cotidiano portenho. Façamos uma espécie de zoom out e, assim, mexamos a varinha mágica que ajuda a analisar o complexo mundo argentino de fora. Vejamos juntos, portanto, e tentemos concluir alguns pontos.

O chefe do governo portenho, Mauricio Macri, é postulante ao cargo da presidente Cristina Fernández de Kirchner à frente da Casa Rosada. Quer comandar o país e deverá enfrentá-la nas eleições de 2011. Se ganhará é outra história. A julgar apenas pelos seus comentários, pode-se dizer que faz política para as elites.

Obviamente, toda possibilidade de atacar politicamente um ao outro é um ato para movimentar as milícias dos dois lados. Macri disse na quinta-feira que a culpa da disputa em Villa Soldati era de “todo o avanço da imigração ilegal, onde se escondia o narcotráfico e a delinquência”, Cristina disse na sexta-feira “não quero que a Argentina integre o clube dos países xenófobos deste planeta” durante a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos. Quem ganha? Eles. Quem perde? A turma da Villa Soldati e de tantas outras bandas.

A presidenta Cristina Fernández de Kirchner levanta a bandeira do Peronismo. Ok, Kirchnerismo. Pro que queremos, não muda muito nossa argumentação. Jogo de cena pra lá, jogo de cena pra cá, digamos que dialoga com as massas. É “mulher do povo”, pensa, apesar dos boatos de que o casal Kirchner aumentou (e como!) seu patrimônio depois que assumiu o governo em 2003 com o falecido ex-presidente Néstor Kirchner (1950-2010). Mas tem feitos importantes no sua trajetória como mandatária nacional, como a luta pelos direitos humanos, mas, no momento, esse também não é nosso foco.

O preconceito na Argentina não é pequeno. O país é, sem dúvida, o que mais recebe imigrantes entre os sul-americanos. Em especial, quem chega a essas terras vêm dos países limítrofes em sua maioria. Hoje, 70% dos imigrantes residentes aqui são da Bolívia, do Perú e do Paraguai, principalmente. Gritos de “voltem para seus países” são escutados em Villa Soldati e em muitos outros lugares.

Entre bolivianos, estima-se o considerável número de 1,8 milhão de pessoas para um país com uma população total de 40 milhões de habitantes. Na sexta-feira, a embaixadora da Bolívia na Argentina, Leonor Arauco, exigiu publicamente que Macri pedisse desculpas. Se vai responder é mais uma vez dessasa histórias de conto de fadas.

Você pode dizer que o CQC não é parâmetro para assuntos sérios (entendo sua preferência pelo Diarinho), mas o vídeo abaixo ilustra uma realidade assustadora.

Em tempo: a Lei de Migração argentina (Ley 25.871, de 2010) está indiscutivelmente entre as mais avançadas do mundo. Foi sancionada pela atual presidenta e faz parte da militância política iniciada pelo seu marido, o falecido ex-presidente. Para simplificar, mudou o status de invasor para o imigrante ilegal – em teoria – para, hoje, serem recebidos pelos braços da República – em teoria, sem dúvida.

Mas, não, por toda a sociedade argentina. Na sexta-feira, em Villa Soldati, uma senhora que preferiu o anonimato disparou, sem medo: “Esse espaço é nosso. Não podemos viver sem a área verde [do Parque Indoamericano, onde centenas estão acampados]. Aqui, são favelas por todos os lados. Eles que saiam daqui. Este país não é dos bolivianos, mas dos imigrantes italianos e espanhóis que chegaram antes”, dizia. Ok.

Agora, pergunto-me se não seria de fazer justamente o caminho inverso do que prega parte da população? Nações como os EUA não utilizaram o mecanismo da imigração para gerar uma população economicamente ativa capaz de realizar feitos tecnológicos notáveis e ser uma massa interna capaz de fazer girar a roda do consumo? A imigração mexicana, por questionável que possa ser, não foi – ou vem sendo – fundamental?

E quanto à Europa, cada vez mais envelhecida? Terá sistema de previdência que sustente uma população apenas de idosos? É claro que há critério para tudo, mas não seria a chance da Argentina aproveitar essa onda de imigrantes para crescer ao invés de atacá-la?

"Heil" | Foto: Sandra Hernández/GCBA (18/06/2010)

Logo, olhemos um pouco a história recente do país. Especialmente, o fim do regime “1 peso, 1 dólar”, o chamado Plano da Convertibilidade, que nasceu para controlar a hiperinflação e que se foi extinguindo, aos poucos, a partir da recessão de 1998 até a crise econômica de dezembro de 2001. O default das dívidas externas pública e privada significou que o país, simplesmente, não tinha dinheiro para pagar o que devia.

Hoje, o cenário é diferente. Como a economia segue se recuperando, o caixa público arrecada mais impostos. Néstor Kirchner, inclusive, negociou o pagamento do que o país devia ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e, internamente, a população argentina se deu conta da importância de não gastar tudo o que recebe, uma atitude oposta a dos anos da convertibilidade.

Sem dúvida, há medo de que anos sombrios regressem. É comum ouvir relatos como “aos 40 anos, sentir-se um inválido sem ter emprego”, ou a afirmação “é duro ter um filho e pensar que ele não terá um futuro”. Desde a década de 70, muitas cabeças pensantes deixaram a Argentina por motivos de repressão e por também querer buscar uma vida melhor. Parte dessa população foi substituída por imigrantes da região, sendo muitos gente humilde do campo. Relacionar a tragédia social e econômica com a leva migrante é uma dessas infelizes soluções que a varinha mágica nos apresenta.

Ah, mas há a violência, a criminalidade, o narcotráfico… Culpam a base humilde quando, pergunto-me, mais uma vez, se essa ação marginal não é consequência dos próprios erros sociais?

Para encerrar – porque esse texto está longo demais – tento entender qual seria o limite da intolerância, mas não encontro resposta. A estupidez, não tenho dúvida em afirmar, seria sanada com o entendimento de que a solução passa por uma ação conjunta além das divergências políticas e econômicas. Ganhariam todos. Quer dizer, se ganhariam todos, não haveria especialidade e o homogêneo infringiria os conceitos liberais de maximizar o que cada um faz melhor…

Oh, céus. Deixe pra lá. Curta seu domingo.

Mega post: WikiLeaks

braziu.org 15:53 | 04/12/2010

Leandro Demori – Itália

Seguiu a lógica de uma bela capa de jornal a bomba de documentos revelados pelo WikiLeaks: uma notícia importante para a manchete, uma notícia importante para a segunda linha e um maço de gossip para companhia. As pessoas amam.

Quando eu era editor do Terra conseguia fotografar cada minuto da alma do brasileiro olhando para as estatísticas de acessos das notícias na capa do portal. A notícia importante em destaque, em fonte grandona e com várias linhas de apoio tomava uma surra do gossip que mostrava a mais nova briga de um reality show qualquer publicado no rodapé do site.

Não precisamos que a diplomacia americana nos diga que Berlusconi é um babá do sexo, que Angela Merkel é pragmática, que Sarkozy usa Carla Bruni para ajudar nas negociações com outros países ou que Hugo Chávez é um maluco. Mas o gossip foi justamente aquilo que chamou a atenção das pessoas para o vazamento dos dados. Quem se importa com o programa nuclear do Irã ou com a presença do Hammas e do Hezbolah na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai? É tática, e vencedora.

A coluna de fofocas oficializadas pelos embaixadores americanos pelo mundo não significa que a diplomacia americana seja fútil e pior do que a dos outros países. A única diferença entre a diplomacia americana em relação às outras é que seus documentos foram a público. Bastou meia dúzia de documentos saídos do Brasil para mostrar que um ministro do governo brasileiro, Nelson Jobim, estava dando lá suas rasteiras em seus pares de salão. Se abrir o Itamaraty todo não sai coisa muito diferente disso.

É claro que é tudo mentira. Jobim já negou, imagina, que bobagem. Como diz o filósofo, inauguramos a fase do Descartes pós-ideológico: “Nego tudo, portanto existo”. O próximo passo será o Galileu pós-wikilítico: “eppur si muove”, gritará alguém, jurando que a Terra gira, sim, em torno do sol — apesar dos desmentidos oficiais — antes de ser declarado inimigo do povo.

Sérgio Leo: Oliveira, o canalha da redação: “ih, é verdade mesmo, o governo já divulgou até nota de desmentido”. Na capa da Folha online de quatro dias atrás, ao mesmo tempo, três notícias se acotovelavam logo abaixo de uma manchete sobre o WikiLeaks: “Dados são ‘insignificantes’, diz Lula; Jobim nega ter dito que colega ‘odeia os EUA’; Bolívia nega que Evo tenha tumor.” É a Tríplice Confirmação da Verdade.

A China bloqueou acesso aos documentos. O jornal Le Figaro, de propridedade do sarkozista Dassault — vendedor dos caças para o combo Jobim/Lula/Viumanão gosta da Wikileaks. Hillary Clinton acha .

Batendo datas com notícias, parece que a maior preocupação americana na sudamerica continua sendo Hugo Chávez. Desperdício. Oito telegramas saem da embaixada de Brasília pros EUA no dia em que Chávez mandou o embaixador americano embora da Venezuela. Rolam umas boas pesquisas (e teorias da conspiração) com esse método: pega-se os docs. que saem de Brasília, olha-se os dias com bom volume de correspondências e bate-se com os acontecimentos daquele dia em uma simples pesquisa no Google.

Muitos docs. saem de Brasília no dia 12/8/2005, por exemplo. Dá pra especular sobre o motivo: aqui e aqui. Pode-se também ter algumas pistas sobre os novos cenários possíveis de guerra envolvendo os EUA (e os motivo$).

Uma das grandes questões agora é saber quem são os informantes das embaixadas, o que pode dizer mais sobre tudo do que os documentos em si. No caso do Brasil, um dos principais, por hora, é o ministro da Defesa Nelson Jobim, pintado como uma espécie de lobbista e cagueta [palavra pra ficar no clima Rio de Janeiro da semana]. São 250 mil documentos, quase nada ainda veio a público. Teremos semanas tórridas.

Pedro Augusto – Alemanha

Público x impublicável

Nem tudo o que o Estado faz pode ou deve ser público e/ou publicado. Assim como em um relacionamento não se revela absolutamente tudo o que se pensa sobre o companheiro, também nas relações entre os países alguma medida de sigilo e segredo é necessária para uma convivência pacífica.

Nas relações entre duas nações soberanas, os direitos individuais são apenas mediatamente afetados. Desta forma, não há que se falar em um direito individual à informação sobre todos os passos estatais. A própria política, com seus instrumentos de controle e limitação, deve ditar os passos deste tipo de segredo estatal. Isso não quer dizer, de forma alguma, que todos os atos estatais devam ser públicos. Até hoje, como se sabe, os arquivos da Guerra do Paraguai e muitos dos arquivos da ditadura militar ainda estão sob segredo, ficando vedada a sua consulta.

Se tal foi decidido, deve haver razões suficientemente fortes para que se mantenham longe do alcance público. Concordando ou discordando disso, o fato é que qualquer mudança deve se dar pelos meios legítimos da democracia, com votação pelo parlamento ou por mandamento dos tribunais. (Aos entusiastas do vazamento: Imagine que o leitor tenha um processo correndo em segredo de justiça, envolvendo uma briga familiar. O vazamento da WikiLeaks desse processo deve ser comemorado?!)

Na atual lógica, após Wikileaks, não existe mais segredo estatal. Por mais sensível que seja, tudo pode ser público e publicado. Independentemente das consequências (nota necessária: por alguma razão desconhecida, a maioria dos documentos secretos publicados dizem respeito aos Estados Unidos. Teóricos da conspiracão terão meses, quiçá anos, para exercer suas atividades).

Não se tira, obviamente, uma função positiva desses vazamentos. Se isso servir como forma de controle para que atividades de escutas ilegais não sejam ordenadas por chanceleres, estamos dentro do terreno do desenvolvimento das instituições democráticas no plano internacional. Se o vazamento levar à descoberta de agentes infiltrados num país como a Coréia do Norte, que serão invariavelmente torturados e mortos, fica a dúvida se isso, realmente, ajuda no fortalecimento dessas mesmas instituições. Exemplos não faltam.

Maurício Boff – Argentina

Os sete pecados do governo argentino (segundo a diplomacia norte-americana)

“Almost as if according to some natural law, in every century there seems to emerge a country with the power, the will, and the intellectual and moral impetus to shape the entire international system in accordance with its own values”.

Henry Kissinger, em Diplomacy

Em plena efervescência do debate em torno do vazamento dos telegramas trocados entre diplomatas norte-americanas e o QG da Secretaria de Estado, em Washington, confesso que fiquei perdido, atordoado, emocionado, irritado, satisfeito, desinformado e, ao final, soltei um sorriso-maroto-garoto típico de final de uma boa piada. Sedento por analisar cada comentário diplomático norte-americano sobre os presidentes sul-americanos, deixei de lado a leitura de Moby Dick (droga, não quero terminar meus dias como Leonardo Zelig), os estudos, a mulher, o cachorro, a horta de ervas-finas na sacada do apartamento, o trabalho e o show do João Bosco na quinta-feira.

Mentira. Mas sou brazileiro. Logo, nunca saberá, nem mesmo o serviço secreto norte-americano. Esqueça, portanto. Falo sério. Importa, sim, lançar algumas impressões quase uma semana depois de análises de jornalistas, historiadores, diplomatas, sociólogos e pessoas comuns por todo o mundo, sobre a organização de Julian Assange, o @WikiLeaks. A meu ver, concretiza-se um movimento de discussões que, até hoje, era imprevisível e no melhor estilo Black Swan.

Mas desconfie, e desconfie muito. Como já mencionei por aqui, estou mais para a turma da ponta de baixo na escala de 0 a 10 entre os expertos –- e não pretendo sair dessa zona. É muita responsabilidade. Troco-a pela autonomia do (não) pensar. Portanto, humildemente, convido-o a passear pelos meus sentimentos. Shanti.

+ Gula (telegrama 001235, em 09/11/2009)

“Tivemos várias conversas com os dois primeiros chefes de gabinete da [presidenta] Cristina Fernández de Kirchner (CFK), Alberto Fernández e Sérgio Massa. O embaixador tinha uma reunião introdutória em 28 de outubro com Alberto Fernández, que atuou como Chefe do Gabinete em administrações tanto de Néstor [Kirchner] e de CFK (…) O embaixador e DCM tiveram um jantar em novembro com o segundo-chefe de gabinete de CFK, Sérgio Massa, e sua esposa, a eleita vereadora, Malena Galmarini, na casa do ex-assessor de Massa na Casa Rosada, o empresário Jorge O’Reilly. Em cada uma das conversas, os dois peronistas, que durante seus mandatos na Casa Rosada trabalharam todos os dias com os Kirchners no andamento do governo argentino, foram bastante francos ao expressar seu estranhamento do casal Kirchner e seu pessimismo sobre as perspectivas políticas do ‘casal no. 1′ ['first couple', como os K são chamados nos telegramas]. (…) Massa foi contundente em sua crítica do ‘casal no. 1′, especialmente a Néstor. (…) Ele chamou Néstor de ‘psicopata’, ‘um monstro’, e ‘covarde’ cuja abordagem política mascara um profundo sentimento de insegurança e inferioridade. (A esposa de Massa mostrou-se alarmada frente a tais comentários desinibidos ao ponto de pedir que ‘pare de fazer caretas para mim.’) Ele contestou o argumento de que Néstor merecia crédito como um estrategista astuto, e descreve o ex-presidente como equivocado e tão convencido de seu brilho próprio que certamente voltaria a fazer seus erros. (…) Ele disse que Néstor não poderia relacionar-se com quem estivesse fora de suas ambições políticas: ‘Kirchner não é um gênio perverso’, concluiu Massa. ‘Ele é apenas um perverso’.”

+ Avareza (telegrama 001017, em 10/09/2009)

“Aníbal Fernández [chefe de gabinete de CFK] tem sido para nós o membro mais acessível e inclinado do gabinete da presidenta Cristina Fernández de Kirchner, acolhendo governamentais dos Estados Unidos receberam treinamento policial e da cooperação. (…) Mais político do que diplomata, [Fernández] constrõe feudos e detesta perder o controle sobre esses recursos estratégicos. (…) Um interlocutor pragmático e politicamente esclarecido, Fernández prefere não envolver o seu pessoal em reuniões com funcionários da Embaixada [dos EUA]. Embora esteja sempre bem preparado, o seu discurso e comportamento podem às vezes ser grosseiro. Em mais de uma vez, ele fez evidentes comentários sobre uma atraente tradutora durante uma reunião com funcionários dos EUA que estavam de visita. Ele se referiu à existência de uma ‘procura local por órgãos genitais jovens’ enquanto explicava sobre os desafios que enfrenta sua pasta no combate ao tráfico humano com fins de exploração sexual.”

+ Luxúria (telegrama 000071, em 04/02/2010)

“Embora o orçamento militar argentino está mal preparado para qualquer curso de ação que envolva a projeção de poder, o governo da Argentina provavelmente assim se sentiria compelido a pressionar, por qualquer meio possível, a reivindicação histórica [sobre as Ilhas Malvinas/Falklands] logo de uma descoberta de petróleo. Uma estratégia de conversação dura, queixas em fóruns internacionais, e cartas de protesto são esperados, além de sanções econômicas aplicadas contra as empresas atuantes [no arquipélago], mesmo que isso possa prejudicar a produção argentina de petróleo e gás natural.”

+ Ira (telegrama 002345, em 14/12/2007)

“Em 14 de dezembro, a imprensa argentina continuou a dar ampla cobertura à furiosa reação do governo argentino às alegações do FBI de que os U$ 800 mil interceptados 04 de agosto por oficiais argentinos foi uma contribuição em dinheiro da BRV para a campanha presidencial de Cristina F. De Kirchner (CFK). (…) O embaixador usou uma recepção programada para antes das férias para mais de 100 jornalistas de jornal, rádio, TV no dia 14 de dezembro para a divulgação da orientação de Washington sobre o caso. Vários jornalistas de rádio utilizaram seus telefones celulares para transmitir no ar as palavras do embaixador, e muitos deixaram o encontro depois do embaixador concluiu a história. Várias histórias sobre o que disse o embaixador no encontro já bateu estão sendo divulgadas. Esperamos que as observações do embaixador na Argentina domine as manchetes no sábado. (…) O que começou como um dia negro para a imagem dos EUA na Argentina – com manchetes de ataque por CFK e outros sobre as nossas intenções supostamente escuras – está terminando com uma nota mais esperançosa, como um trabalho rápido por parte do Estado, da Justiça e do FBI de revisão e de orientação sobre a questão nos permitiu apresentar nossa versão para um grupo cativo de jornalistas argentinos. Como a primeira semana da administração CFK se aproxima do fim, demos aos pragmáticos informações sobre o governo argentino para que possam trabalhar pelo convencimento de CFK de que saia do precipío que se meteu e volte a dialogar com o governo norte-americano a partir da segunda semana de mandato presidencial. Veremos sua reação e resposta nos próximos dias.”

+ Melancolia (telegrama 000827, em 09/07/2009)

“Há um outro fator externo que faz improvável que a Argentina adote a política bolivariana – a influência crescente do Brasil aqui. O representante local do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o brasileiro Daniel Oliveira, disse ‘econoff’ recentemente que ‘a Argentina tornou-se tão importante para o Brasil como o México é para os Estados Unidos’. Com uma intercâmbio comercial de U$ 31 bilhões e mais de U$ 10 bilhões em investimentos brasileiros sendo injetados na economia argentina desde 1997, o Brasil está fortemente empenhado aqui, e não é tímido sobre a defesa de seus interesses. A imprensa local relatou que Lula chegou a dar telefonemas em julho de 2008 para evitar que os Kirchners abandonassem o poder na sua frustada tentativa de pressionar o Congreso a aumentar os impostos sobre as exportações agrícolas. Lula e seus associados continuarão a ser uma importante influência moderadora sobre os Kirchners.”

+ Preguiça (telegrama 000853, em 22/07/2009. substituída aqui por psicodrama. Leia e entenda)

“Outros observadores apontam fatores de estresse psicológico em suas previsões para uma muito próxima crise democrática. Esta linha de raciocínio encontra duas vertentes: a de que o poderoso Néstor Kirchner é bem centrado em seu conjunto de formas intransigentes de se adaptar, ou a de que ele (ou ele e CFK) estão se tornando cada vez mais instáveis e incapazes de governar. Como um bem relacionado banqueiro nos disse, o casal Kirchner poderia se recuperar alterando o rumo e adotando uma postura mais moderada, mas Néstor Kirchner, em especial, é incapaz de mudar. Em vez disso, ele vai embarcar numa lamúria desastrosa contra os ‘traidores’ os quais culpa pela derrota eleitoral, levando o governo ladeira abaixo. Em apoio desta tese, Fraga [Rosendo Fraga, analista político] defende que a personalidade de Néstor ‘não pode mudar’, mas que a opinião pública argentina pode. Ela não quer mais um lutador obstinado como fez Néstor Kirchner quando tomou posse em 2003; hoje, os argentinos querem uma liderança consensual que os Kirchners não pôdem e não vai proporcionar.”

+ Orgulho (telegrama 001311, em 09/12/2009)

“Mais uma vez, o governo Kirchner tem se mostrado extremamente sensível e intolerante às críticas que recebe. As preocupações sobre a fraqueza das instituições nacionais, e o Estado de Direito, em particular, é uma parte do que é relatado na imprensa argentina por acadêmicos, empresários, juízes, políticos da oposição, especialistas e organizações não-governamentais. Os argentinos são bastante conscientes de que a Argentina não está atraindo tanto investimento quanto Brasil, Chile e outros países da região. A ansiedade da comunidade empresarial sobre as mudanças arbritárias e caprichosas das regras do jogo é bem conhecida do público argentino e do governo. Somente quem é muito Kirchnerista concordará com a afirmação de Randazzo [ministro do Interior, Florencio Randazzo] de que a Argentina oferece ‘todas as garantias institucionais e jurídicas’, ou a afirmação do Ministério de Relações Exteriores de que não tem conhecimento de qualquer insatisfação por parte das empresas americanas. Para a maioria dos argentinos, isso é uma ironia ou declarações falsas e cínicas. Dito isto, esperamos que esses contratempos logo se esgotem, como já aconteceram em episódios semelhantes no passado.”

Não precisa usar a imaginação. Kissinger está com a razão: o ímpeto intelectual e moral norte-americano moldou com seus próprios valores o mundo. Essa é a natureza do Homem e ponto final.

Gabriel Brust – França

Sarkozy e suas mulheres

A reação da imprensa francesa ao cablegate passou por dois momentos diferentes desde domingo. A primeira, imediata, foi a negação escandalizada. Figaro e Liberation, direita e esquerda no espectro dos jornais, condenaram o vazamento. O primeiro com o frágil argumento da segurança internacional. O segundo, mais razoável, criticando o fato de o WikiLeaks mirar e tentar desestabilizar democracias, enquanto se cala ou pouco faz para investigar regimes totalitários. Regimes totalitários, aliás, que seriam o alvo principal do WikiLeaks segundo os conceitos iniciais do site, formulados por seu criador.

A revista eletrônica Rue89 resgatou os textos do blog de Julian Assange, não mais online, escritos antes do lançamento do WikiLeaks. Pelo tom de seus textos na época, parecia que Irã e Coréia do Norte teriam algo a temer diante de sua ideia. O tempo revelou o óbvio: é bem mais fácil (e totalmente legítimo, diga-se de passagem) brincar de justiceiro em democracias do que fazer uma pegadinha do Mallandro com o Kim Jong-Il.

A segunda etapa da reação francesa ao Cablegate é parecida com o que aconteceu no resto do mundo: o desdém em relação ao conteúdo dos arquivos assim que os primeiros foram revelados. De fato, como na maior parte do globo, não há nada que cause maiores estragos para a França nos telegramas revelados (até agora). Mas há material farto para o esporte preferido dos franceses – e da imprensa, principalmente –: praticar o bullying impiedoso de Nicolas Sarkozy.

Sobram passagens desabonadoras, no plano pessoal, para o chef d’état e suas mulheres. Sim, porque os yankees malvados, em seus telegramas, não pouparam nem o tema que o próprio Sarkozy reconhece como seu “calcanhar de aquiles”: a ex-mulher, Cecília Ciganer. Segundo o embaixador americano, em 2007, após o divórcio, havia dúvidas se Sarko teria estabilidade emocional para conduzir o país. Descreveu o presidente como dependente da ex-mulher. Quando começa o novo romance do galã, dessa vez com a modelete Carla Bruni, o embaixador fofoca para seu governo, em Washington, que as aparições públicas do presidente com a nova mulher são mais condizentes com um milionário excêntrico do que com um chefe de estado. Conversa de comadre das boas, para saborear com o chá da tarde.

E é justamente numa passagem sobre Carla Bruni que o Brasil aparece nos telegramas do embaixador americano em Paris. Segundo o diplomata, Sarkozy estaria usando a popularidade de sua mulher no Brasil para estreitar as relações com o país. Charles Rivkin diz que a há um “caso de amor” entre Lula e Sarkozy, e que a população brasileira aprecia muito o fato de o casal presidencial francês passar as farias no país. Particularmente, eu nunca soube que Bruni gozasse de qualquer popularidade no Brasil. Sua carreira como modelo está encerrada há tempos e seus chatíssimos discos, que eu saiba, nunca chegaram perto de serem populares no Brasil. Mas é provável que o embaixador saiba mais sobre a banânia do que eu.

Por fim, o último bulling da imprensa contra Sarkozy – debate dos jornais nesta quarta-feira — é acusá-lo de “cheerleader” dos yankees. Isso porque os telegramas comentam a vida privada de Sarkozy, mas pour outro lado o cobrem de elogios. O descrevem como “o presidente mais pró-Estados Unidos desde a Segunda Guerra”, afirmam que ele “se reconhece nos valores americanos” e teria se revelado, inclusive, ser um grande admirador de George W. Bush. Imperdoável para os franceses.

Érica Manssour – China

Tá tudo bem

A julgar pela cobertura da imprensa chinesa, não há qualquer envolvimento de Beijing com essa história ae. O site encontra-se devidamente bloqueado e o foco de notícias relacionadas ao tema é mais na acusação de estupro e na ordem de prisão do Julian Assange pela Interpol do que qualquer outra coisa. Tudo bem por aqui.

Comemore, brazileiro

braziu.org 22:19 | 27/11/2010

O leitor Andreas nos deu uma bofetada – e com razão. Provocou – e com razão. Nós pensamos em relatar impressões. Nós discutimos, mas e daí? Fizemos? “Matéria boa é matéria publicada”, já diz um velho ditado jornalístico. E mesmo que tivéssemos feito, convenhamos: isso mudaria alguma coisa? Quais as perguntas que realmente devemos fazer, mais além da perplexidade?

Não. Não mudaria muita coisa. A mudança depende de decisões fundamentais. Mas também o silêncio é a covardia. A intenção e a boa vontade são um espelho de um mundo que não existe. A verdade é dura, podre, suja e triste. O mundo é feio, mesmo que tentemos mascarar o horror.

Aqui, uma resposta à provocação como uma espécie de pedido de desculpas. Ao que escreveu o Andreas, mas – mais do que isso – ao conceito que nos atirou contra o rosto. Ser brasileiro, disse sem saber, é ter coragem de mostrar o que não somos, como no vídeo comercial acima.

Sejamos dignos e assumamos nossa desgraça.

- Equipe braziu.org -

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Eles estragaram a Pompeia do Pepe

Maurício Boff | Argentina 03:47 | 24/11/2010

O portenho Pepe, 81, monta nos finais de semana na esquina entre as ruas Defensa e Humberto Primo, na Plaza Dorrego, uma pequena banca com a qual vende chaveiros e pequenas estátuas do Obelisco ou de bonecos tangueiros. Descobri no último sábado que o simpático senhor é bancário aposentado e que decidiu voltar ao laburo faz 20 anos para complementar os mangos que recebe mensalmente da Administração Nacional de Previdência Social (Anses).

Tente visualizar o cenário. A praça é centro da permanente efervescência turística que transforma o bairro de San Telmo durante o dia. Os visitantes vêm do mundo todo, mas são os brasileiros os que imperam. O público jovem chama a atenção. São dezenas de albergues oferecendo uma cama e um espaço na geladeira por poucos pesos argentinos.

Antiquários, estilistas independentes, artistas de rua, prédios e cafés centenários dão uma ideia do que se vê por aquelas ruas. Foi em uma dessas vias onde semanas atrás uma mãe e o filho de olhos azuis e cabelos dourados me olhavam profundamente e espantados enquanto tomava um mate, solito e sentado no cordão de uma calçada. Cheguei a ver a mulher apontando-me o dedo enquanto levava a bomba em direção à boca. Devia ser um ato exótico – ou erótico, para eles. Gringos e latinos têm culturas muito diferentes…

Perdoem-me pela simplicidade do relato os que conhecem Buenos Aires. Como sabem, trata-se de uma belíssima cidade.

Meu olhar impregnado de bananidade gaúcha porto-alegrense me leva a dizer que umas das qualidades dessa metrópole é que sendo uma cidade latino-americana, ainda assim se pode caminhar com certa tranquilidade pelas suas ruas. O portenho discorda e lamenta a criminalidade. Diz que a urbe está cada vez mais violenta, o que não deixa de ser verdade se o quadro de hoje é comparado com o de 20 anos atrás, quando Pepe voltou ao trabalho.

Talvez por precaução, trato de interagir com as pessoas em locais politicamente associativos, como no supermercado, na Igreja anglicana, no subte, no ônibus, nos botecos em geral ou nos bolichos onde se dança zamba. Dia desses, por exemplo, um senhor pediu que apanhasse a sacola de compras que havia deixado cair no chão. Outra vez, foi uma velhinha que reclamava de uma bursite no ombro direito quem me pediu que tocasse a campainha do ônibus minutos antes do motorista me permitir saltar no meio da quadra porque, de outra forma, desceria longe da parada de casa. No bolicho, a “china véia” pediu-me dinheiro. Como não tinha, conversamos. Tenho uma cara simpática. Deve ter sido por isso que Pepe se motivou a contar sua história na tarde ensolarada que brindou o último sábado.

Pibe, nasci, fui criado e passei toda minha vida em Pompeia. Mais portenho do que eu, impossível. Vou completar 82 anos [nesse momento, ele segura meu antebraço esquerdo] e hoje sou eu o estrangeiro nessa cidade.”

Pepe balança a cabeça, mas prossegue.

“Digo isso pra você porque os outros [estrangeiros] não me entendem [havia contado que havia decidido morar na cidade]. Se quero ir no cinema, penso duas ou três vezes antes de sair com minha senhora. A sala de cinema está perto de casa, mas até comprei um desses aparelhos para ver [os filmes] pela televisão.”

“É um desgosto pensar que nos sentimos presos em nossa própria casa… Meu neto, que é mais jovem do que você, está naquela idade, viu? Faz uns dias, perguntei pra ele: ‘e as namoradas?’ Conversamos e fiquei espantado com o que me contou.”

Eu te escuto, respondi.

“Falou que ele, os amigos e as amigas passaram a fazer festas privadas em casa. Dizem que ir num boliche é arriscado porque o risco de ser assaltado e ter uma arma apontada pra cabeça é comum. Diga-me se isso é mundo para se viver? Ele acaba ficando lá por Pompeia mesmo.”

Não arrisquei apontar as vantagens das festas privadas. O relato de Pepe era sério.

“Sabe de quem é a culpa? A culpa é de quem vem pra cá roubar!”

O discurso passou a me preocupar.

“Sabe quantos chineses têm esse país? Mais de 120 mil chineses! E isso que não estou falando dos paraguaios ou dos bolivianos!”

Não havia muito mais a dizer. O relato de Pepe virou tema de segurança internacional. Desconhecia até que ponto sabia que era brasileiro e que reação poderia ter. Era melhor que a conversa acabasse por ali mesmo com um beijo no rosto, cumprimento tradicional entre os argentinos.

No caminho de volta pra casa, pensei sobre essa curiosa relação entre a criminalidade urbana e os moradores de Buenos Aires. É comum ouvir argentinos reclamando sobre a onda de imigração – em grande parte, ilegal – que, segundo eles, trouxe a desgraça do crime. Pepe estimou por conta própria que vivem 120 mil chineses na Argentina. O levantamento de 2001 que o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) produziu fala em 5 mil, o que certamente é uma grande pavada.

Hoje, muitos – quando não a maioria – dos pequenos mercados portenhos estão nas mãos de um chinês. Quase toda quadra portenha possui um chino, como aqui os chamam. Se pode muito bem estimar que em cada mercado chino trabalha pelo menos três chinos. Logo, a avaliação empírica populacional de Pepe pode não só estar certa, como ser duas vezes maior.

Bolivianos e paraguaios têm a Argentina como o principal destino. São 233 mil bolivianos e 325 mil paraguaios, segundo o mesmo censo oficial do Indec. Eles partem, em sua maioria de zonas rurais, e vêm tentar uma vida menos miserável. Em Agosto, durante um evento festivo, conversei com alguns trabalhadores em uma das vilas mais emblemáticas de Buenos Aires, a Villa 31, que está assentada sobre um dos terrenos mais caros da cidade. Eram paraguaios, bolivianos e peruanos de origem humilde. Quase em coro, lamentavam que algumas poucas maçãs podres contaminavam o restante do pomar.

É evidente que existe um grande espaço para que o imigrante que não consegue melhorar de vida passe à criminalidade. Na falta do que comer ou fazer, a informalidade abraça-o e, se isso não resolve o problema, o submundo chama-o.

O problema é complexo e heterogêneo. A Argentina já foi a oitava economia mundial há menos de 100 anos. Isso não é pouco. O país estava muito mais próximo dos índices de desenvolvimento de uma nação europeia do que de uma latino-americana. Nada menos do que cinco personagens argentinos ganharam o prêmio Nobel em diferentes áreas. Novamente, não é pouco e, sim, um feito notável desse país que tem todos os elementos para voltar a ser grande.

O país vê sua economia crescer desde a crise de Novembro de 2001. Aliás, o governo da presidenta Cristina F. de Kirchner já prometeu que o país se prepara para recuperar a qualidade de vida que tinha antes daquele infeliz mês. A oposição veio com todas as pedras e paus contra o anúncio, qualificando-o como demagógico.

E o problema da Pompeia do Pepe não se resolve em um toque de mágica. Fazer sentir a transferência do bem-estar macroeconômico para o dia-a-dia das pessoas é um processo, às vezes, lento. Depende de uma série de variáveis, como a estabilidade dos preços dos bens, bons salários, um nível razoável de impostos e muitas outras.

O Brasil é um exemplo claro dessa lógica. Por melhor que esteja – aqui, assumo que o Lula é o grande líder e todos que questionam isso são pobres e infelizes mortais que nada entendem de nada – o país continua sendo extremamente desigual.

O imigrante chinês, paraguaio ou boliviano na Argentina é como o migrante do semi-árido nordestino em São Paulo, uma força de trabalho fundamental para o desenvolvimento que, ao mesmo tempo, é discriminada e ironicamente culpada de aumentar os bolsões de pobreza.

Em Buenos Aires, eles pagam o preço da ineficiência. São eles os culpados. Eles estragaram a Pompeia do Pepe.

“Levaram-me a um ‘voo da morte’, mas não me atiraram”

Maurício Boff | Argentina 10:06 | 12/08/2010

ditadura militar na Argentina (1976-1983) pegou pesado, como era típico dos agentes militares latino-americanos nas escuras décadas de 60, 70 e 80. Foram anos que deixaram cicatrizes históricas e a tristeza de quem perde sem nunca saber como. Matou-se e matou-se muita gente, como sabemos. Os números corretos de desaparecidos e mortos nunca serão precisos. Assim como nunca haverá adeus; nunca haverá um aceno, mas apenas lágrimas.

Há pouco, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Argentina, Ricardo Lorenzetti, apresentou o ”Relatório sobre a manipulação das provas sobre os crimes contra a Humanidade”, no Palácio dos Tribunais, bem no centro da cidade de Buenos Aires. Em seu discurso, evidenciou o sentimento da Suprema Corte frente aos recentes julgamentos de repressores da última ditadura: ”A decisão da sociedade é de que não haverá mais volta”, sentenciou.

Entre altos funcionários dos poderes Judiciário e Executivo, estiveram no tribunal o juiz espanhol Baltasar Garzón - conhecido, entre muitos casos, por condenar a 640 anos de prisão em 2005 por crime de genocídio durante a repressão o militar Adolfo Scilingo — e o prêmio Nobel da Paz de 1980, Adolfo Pérez Esquivel, por defender os direitos humanos.

SOBREVIVENTES DOS ANOS DE CHUMBO

O suplemento Zona, do jornal El Clarín, trouxe recentemente relatos de sobreviventes da ditatura militar argentina. Com o título“Relatos de horror: a perversidade da repressão”, Esquivel conta sobre uma viagem que poderia ter sido sem volta, um voo da morte:

“Me detuvieron cuando iba a renovar el pasaporte, en el Departamento Central de Policía. De ahí me llevaron al ‘tubo’, un calabozo pequeño de la superintendencia de Seguridad Federal. Había una pared con una cruz esvástica pintada con los rodillos que se usan para tomar huellas digitales”, declaró en junio pasado en el juzgado penal 9 de La Plata.

El presidente del Servicio de Paz y Justicia contó que sus captores “me llevaron al aeródromo de San Justo, me esposaron y me ataron al asiento de un avión, que carreteó y voló hacia el Río de la Plata. Yo ya sabía que arrojaban prisioneros, por eso les pregunté: ¿qué va a pasar conmigo? Nadie me respondió. Hubo una contraorden y no me tiraron: fui llevado a la Base Aérea de El Palomar. Horas después me dicen que me iban a llevar a la unidad 9 de La Plata” y por eso estaba ahí, contando lo sucedido.

Consultado por Clarín sobre lo que sintió al declarar, Pérez Esquivel reconoció que “siempre es complicado revivir lo que pasó y más teniendo a esos tipos enfrente. Lo que me llamó la atención en el juicio fue verles las caras a esos señores de la vida y la muerte tan viejos e inexpresivos. Parecía un geriátrico de represores”.

Definitivamente, a sociedade argentina não tem mais espaço para voltar atrás no julgamento dos crimes cometidos naqueles anos.

Kelpers, Kosovo e Kristina, assim com K

Maurício Boff | Argentina 16:03 | 26/07/2010

Façamos um exercício de futurologia (sou péssimo com isso, mas cabeça-dura demais pra evitar): pense na criação da República Antártica dos Kelpers Unidos, na sua incorporação como membro do Mercosul e na instalação de uma Embaixada do que antes se conhecia por Ilhas MalvinasFalklands em Brasília.

Imagine que o governo brasileiro negocia com o governo kelper a assinatura de um tratado bilateral para o ensino do Português em Puerto Argentino Port Stanley por professores brasileiros, e do Inglês no Braziu para professores nacionais. Sim, minhas premissas são falíveis. Faltará professor de Inglês, mas isso não está em discussão.

Imagine que uma parcela razoável da classe média brasileira decida, então, viajar ao arquipélago para surfar big waves no Atlântico Sul ao invés de Bells Beach ou ao longo da Gold Coast, na Austrália. Seria muito mais “barato” competir com os leões-marinhos do que com os tubarões da Oceania.

Imagine praias lotadas, morenas de quina-pra-lua, guarda-sol multicolorido, mate-leão (no caso das Malvinas, quente) e biscoito Globo! Ah, pagode, samba e funk não faltariam pra movimentar o corpo e lutar contra o frio antártico. Corta essa de roquenrou.

A não inclusão no acordo de quiosques para venda de água de côco, milho verde e cerveja gelada à beira-mar mereceria panelaços em frente ao Palácio da Alvorada. Ah, sim.

A realidade é bastante diferente, mas a possibilidade de um arquipêlago independente no pé das Américas não deve ser descartada por completo desde o dia 22 de julho.

A recente decisão do mais importante órgão judicial das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) – em que seis dos 10 juízes entenderam que a declaração de inpendência da ex-província sérvia de Kosovo em 17 de fevereiro de 2008 não violava a lei internacional, muito menos a resolução do Conselho de Segurança da ONU – indica uma nova rodada frente aos interesses da Argentina e do Reino Unido sobre as Ilhas Falklands/Malvinas.

Os juízes da CIJ, com sede em Haia (Holanda), que não se pronunciaram a favor da criação de um Estado kosovar, emitiram uma opinião consultiva sobre a situação da região de população albanesa e de maioria muçulmana que autoproclamou sua independência. Mesmo que a decisão não tenha efeito vinculante, a questão deixa em alerta Buenos Aires.

A presidente Cristina Kirchner reacendeu o debate sobre a soberania do arquipélago, pediu a mediação da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e recebeu apoio dos seus pares latinoamericanos.

Kosovo tem a ver com as Malvinas, e o governo argentino estava atento a isso em 2008. Naquele ano, países como a Argentina e o Brasil não reconheceram a secessão de Kosovo, assim como fizeram outros 69 países dos 192 que integram a ONU. A decisão favorecia a Sérvia e o que restou da ex-Iugoslávia.

O argumento da Cancillería argentina é o de que o princípio da integridade territorial e do acordo entre as partes precisa ser respeitado, e que os kelpers não são habitantes originários das Malvinas. Eles são fruto da imigração de províncias da potência colonial britânica ao arquipélago.

O Reino Unido, defensor da causa albanesa-kosovar assim como a França e os EUA no Conselho de Segurança da ONU, defende que os habitantes das Falklands/Malvinas têm o direito a autodeterminação. A tese de que a independência do arquipêlago pode existir também se baseia no próprio entendimento dos juízes de que não é necessário um referendo para que a população legitime o direito de autoproclamar a independência.

Os kelpers nada têm de ingênuos: não se sabe a quantidade exata de petróleo que a região dispõe, e a potência latinoamericana o Braziu, inclusive, está atento.

O Estado argentino, que participou da opinião consultiva em Haya, deve se manifestar nos próximos dias sobre a posição dos juízes. Aliás, precisa. O governo norteamericano, por exemplo, partiu em defesa da tese de que a posição da CIJ não pode se aplicar a outros casos. Os negociadores internacionais argentinos devem reforçar o pedido de reintegração do território que perderam ao Reino Unido, em 1833. Só o tempo para resolver a questão.

A vez do próximo

Maurício Boff | Argentina 22:17 | 15/07/2010

Ok. Foi aprovado o casamento homossexual na Argentina, como contamos dias atrás neste espaço virtual de participação coletiva, e o dia amanheceu assim.

A votação no Senado na madrugada de hoje foi apertada.

A Igreja ficou triste, claro. Fizeram o lobby católico (hã?) junto aos senadores, mostraram que o casamento é coisa entre homem e mulher e lembraram de que gostam da “saudosa maloca, maloca querida”, aquela dos tempos em que a turma de farda brincou de mágico por fazer desaparecer cerca de 30.ooo pessoas.

A minoria homossexual comemorou o acesso a um pouco mais de igualdade na vida social. As palavras do polêmico rabino que apóia o casamento homossexual na Argentina chegaram faz pouco na minha caixa de correio e resumem a história.

“Lamento, amigo, de haber recibido tan tarde este mail. De todos modos, tengo para decir que la ampliación de derechos siempre es buena. La restricción de los mismos asfixia la libertad de las personas. Me alegro profundamente que esta ley se haya votado positivamente y que los gays, lesbianas y trans no sean más ciudadanos de segunda en nuestro país. Un abrazo, Daniel Goldman.”

E não esqueçamos da familia Kirchner, que bancou a defesa do projeto do Partido Socialista no Senado (havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em maio passado) e partiu pro “chega pra lá” nos interesses políticos do clero.

A Argentina deu o primeiro passo e transformou em lei o que todo mundo sabe que acontece. Os casais homossexuais vivem juntos, dormem na mesma casa, gastam o mesmo creme dental e tomam café-da-manhã de pijamas. Ponto final.

O tema que fica é o seguinte: qual será o próximo país que irá aceitar o pleito homossexual? “Brasil, México e Uruguai” são as apostas da presidente da Federação Argentina GLBT, María Rachid. Mãe Diná nela.

Todos Putos

Maurício Boff | Argentina 10:40 | 12/07/2010

Terminada a Copa do Mundo, o bate-bola na cancha política dos hermanos posiciona Igreja e governo em lados opostos. O jogo da semana acontece no Senado, que terá que definir o destino do projeto que autorizaria o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A cúpula da Igreja Católica é contrária; a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, favorável.

A decisão, que permitiria a modificação do Código Civil, seria inédita na porção de mundo em desenvolvimento e com história de repressão social e política chamada América do Sul. A Argentina passaria também a exportar conceitos como tolerância e respeito, além de commodities como gás natural, trigo e soja — e do que Maradona disse-ou-deixou-de-dizer.

Há dois dias da votação final no Senado, as pesquisas de opinião, as análises políticas e a posição indefinida de muitos senadores mantêm o debate aberto. O jogo é político, e a aprovação dá sinais de que pode ser comparada a uma vitória de Honduras no Mundial: uma zebra bastante improvável.

A Igreja na Argentina deverá confirmar as milhares de pessoas que são esperadas na terça-feira em frente ao Congresso, local da votação, no centro de Buenos Aires. O ato público é considerado o maior do Episcopado desde a sanção da Lei do Divórcio, em 1987. A marcha foi convocada pelo Departamento de Laicos da Conferência Episcopal Argentina. No domingo, o arcebispo de Buenos Aires e cardeal primado, monsenhor Jorge Bergoglio, orientou os padres a lerem durante a missa o documento “sobre o bem inalterável do matrimônio e da família”. É uma quase “guerra santa” na defesa do que a Igreja julga progresso.

Cristina, que está em viagem oficial à China, defendeu pessoalmente o casamento gay na semana passada. O ex-presidente e “primeiro damo”, Néstor Kirchner, aproveita para disparar nos críticos da atual administração de olho nas eleições de 2011. Até mesmo campanha publicitária o casal K banca nessa reta final.

Enquanto permanece o debate legal, a Justiça de Buenos Aires segue reconhecendo desde março a inconstitucionalidade da interpretação que restringe o matrimônio apenas a casais heterossexuais. Foram nove casamentos na Argentina até domingo, conforme a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans (FALGBT).

E já que é briga de cachorro grande, como diria meu avô em sua peculiaridade bagual, a Revista Barcelona buscou dar a sua versão para o fato na edição da semana passada.

Alguém duvida?

Pitagóricas XVI

Walter Valdevino | Brasil 13:20 | 27/05/2010

- “[Eleições presidenciais na Colômbia] – Mal de Parkinson de Antanas Mockus é fator positivo nas pesquisas”. “E, falando em filosofia, ontem Mockus voltou a ficar com os olhos cheios d´água ao contar que recebeu uma carta de apoio a sua candidatura assinada pelo filósofo alemão Jürgen Habermas, um de seus ídolos e constantemente citado por ele em discursos e entrevistas”. Para quem nunca ouviu falar, Mockus (PV), ex-prefeito de Bogotá, é o candidato a rei-filósofo da Colômbia. Como bem definiu a Folha em reportagem de enviada especial para acompanhar as eleições, é uma mistura de “sacerdote kantiano e instrutor de terapia de grupo.” Jürgen Habermas, para quem também nunca ouviu falar, é aquele filósofo alemão que quer o nosso bem e nossa proteção e, por isso, defendea idéia de uma reserva pública voltada para a mídia eletrônica” para se contrapor à monstruosidade da “conveniência publicitária” e ao “apoio de patrocinadores“. Tudo faz $entido, portanto. Perderá(ão).

- “Lula lança novo canal: ‘Minha televisão internacional’”. Vai transmitir BBB e novela da Globo? Não? Então, terá traços de audiência.

- “Temer encerra reunião ‘secreta’ após vazamento pelo Twitter”. Tran$parência Braziu.

- “Jobim garante que aeroportos não preocupam para Copa de 2014″. “Nossa preocupação não é com a Copa do Mundo ou com a Olimpíada. A preocupação maior é com o aumento significativo da aviação civil no Brasil”. Interessante saber que o transporte aéreo durante a Copa não será feito pela aviação civil.

- “Lula é inspiração para esquerda democrática, diz premiê português”. Esquerda = Sarney + Collor + Renan. Faz $entido.

- “Ex-secretário de Maluf terá que devolver R$ 1 milhão”. 11 anos depois de terem dado entrada na ação. Parabén$, como sempre, a todos os envolvidos.

- “Após visita a Lula, seleção brasileira embarca para a África do Sul”. E começa o ínicio do fim do ano. Até março de 2011.

- “Ferramenta permite apagar Justin Bieber da internet”. http://fffff.at/shaved-bieber, http://fffff.at/shaved-dilma, http://fffff.at/shaved-serra.

- “Serra diz que Bolívia é cúmplice no tráfico de cocaína”. Não sei de nada, só que o responsável por negar (Folha, assinantes) a acusação foi o ministro da Presidência da Bolívia (seja lá o que for isso), e o nome dele é Oscar Coca Antezana.

- “Dilma diz que governará com partidos e sociedade”. Bláblábláblá.

- “Conar e as flores da Vivo”. “Na propaganda, um cachorro destrói o buquê de uma noiva na Igreja. Desesperados, os convidados lançam torpedos para pessoas que ainda não chegaram no casamento e a solução encontrada é criar um novo arranjo com flores arrancadas de lojas ou vasos nas ruas. E não é que teve gente incomodada com a possibilidade do anúncio incentivar roubos e ataques ao meio ambiente?”. Conar protegendo a moraU e os bons costumes do Braziu.

- “Em MG, igreja pede votos para deputados em cultos”. Je$u$ sempre vence.

- “Paquistão deve encerrar bloqueio ao Facebook e YouTube”. Alah FAIL.

- “Dilma defende indicação de partidos desde que com perfil técnico”. Blábláblá.

- “Impunidade de crimes da ditadura é ‘mancha moral do Brasil’, diz ONG”. ONG errada. Nada de nada de coisa alguma é mancha moral no Braziu. Tá tudo (sempre) bem.

- “Juiz pede ação contra Tuma por ocultação de cadáver”. Tá tudo bem, já disse.

- “Quase um ano após crise dos atos secretos, gastos crescem no Senado”. A escalação de jogadores como Gilberto Silva, Felipe Melo e Júlio Baptista é a síntese da preferência pelo futebol disciplina, deixando de lado o futebol alegria.

- “Com fim de prazo, divulgação de gasto público passa a ser obrigatória”. Não funcionará, lamento.

- “África do Sul usa Copa para combater HIV”. Interessante. O Braziu usará a Copa para roubar.

- “Chinesa de 60 anos dá à luz gêmeas após perder filha única”. ““O choro delas (das gêmeas) lembra o da minha filha morta, o que é muito nítido”, afirmou.“. Comuni$ta$ chineses ainda não tomaram providências. Absurdo.

- “PDT veta Suplicy na ‘vice’ com apoio velado de Marta”. Pai do Supla sempre se dá mal.

- “Cientistas propõem a Lula Medida Provisória contra burocracia”. Condição para ser cientista/acadêmico = delirar.

- “Maradona libera sexo, vinho e churrasco na concentração da Argentina na Copa”. Vencerão. Braziu humilhado.

Pitagóricas XI

Walter Valdevino | Brasil 16:18 | 09/05/2010

- “Parlamentar russo quer investigação sobre político que diz ter sido abduzido”. Humilhou todos os projeto$ de lei do Braziu.

- “Ex-ministro canadense afirma que aliens já visitam a Terra há décadas”. “O ex-ministro canadense tem 86 anos…”. Perdoado.

- “Em depoimento à Justiça, Arruda reaparece bronzeado e mais magro”. Mas não tem a ver com panetone, e sim com a ação civil por improbidade administrativa pela violação do painel do $enado, em 2001. Algo que ocorreu, portanto, há NOVE anos. Parabén$ a todos os envolvidos, de todos os lados.

- “Serra diz que chamaria PT e PV para seu governo”. Em troca de algun$ cargo$, petistas aceitariam sem limites.

- “Estudo indica que humanos tiveram filhos com neandertais”. Mas que putaria.

- “Erro de digitação pode ter sido causa de pânico financeiro”. Ziriguidum > lei da gravidade.

- “Pressão por Roriz“. “A não ser que haja uma grande reviravolta, Joaquim Roriz será mesmo candidato ao governo do DF.” Como já postei aqui, em dezembro do ano passado, Roriz ganharia eleição no primeiro turno no DF. Logo, vencerá.

- “Mercadante afirma que Netinho será um ‘mano senador’”. Não tenho a menor dúvida de que os melhores $enadore$ para São Paulo são o comunista Mano Netinho de Paula (PC do B) e o maior filósofo do Braziu, Gabriel Chalita (PSB).

- “Lula reforça conselho de Temporão e recomenda sexo para boa saúde”. Ok.

- “‘Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair’, diz Tuma Jr.” Confiamos em ti.

- “Convocação de falta às aulas no Facebook gera preocupação na Argentina”. Imagina quando essa tal de tenéti chegar ao Braziu…

- “Ex-prefeito de Nova Iguaçu tem bens bloqueados pela Justiça”. Lindberg Farias: ex-presidenta da UNE, ex-líder da campanha dos caras-pintadas, ex-deputado federal pelo PCdoB, ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS), ex-trotskista, ex-PSTU, ex-prefeito de Nova Iguaçu (RJ), em 2004, na coligação “Hora da mudança” (PSB, PCdoB, PSDB e PFL), denunciado por fraudes e uso de propinas, acusado pelo Ministério Público de superfaturação em licitações, além das denúncias de “mensalinho” na Câmara Municipal, reeeleito prefeito em 2008 na coligação “A Mudança não pode parar” (PT, PDT, PSB, PV, PCdoB, PTdoB, PR, PTB, PTN, PRB e DEM), atual candidato ao $enado pelo PT-RJ. Vencerá.

- “Vereador é preso nos EUA após tentar fazer sexo com policial”. Escândalos políticos no Braziu = tédio.

- “Notícia fictícia de site de humor brasileiro ganha noticiário mundial como verdade”. Universo = retardo mental.

- “Tuma Jr. considera ‘absurdas’ novas denúncias sobre dólares”. Eu também. Nomeação para o $upremo URG.

- “Chávez monta equipe para o twitter: 200 servidores”. $ociali$mo do $éculo XXI: aprovado.

- “Compare a banda larga brasileira com a do resto do mundo”. Evite fazer isso.

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