Estamos ao vivo na Braziu TV, Leandro na Itália, Gabriel na França, Fabrício nos EUA, jogando conversa fora e aguardando a colaboração de todos os amigos bixerus no chat. Para assistir, é só clicar AQUI.
O projeto do Senador Cristóvão Buarque sobre a inclusão, na Constituição Federal, de dispositivo prevendo o direito do cidadão de buscar a felicidade acaba de passar pela CCJ.
A busca da felicidade, essa figura tipicamente moderna de querer ser feliz, é algo que, ao fim e ao cabo, só causa mais infelicidade. E, pior, mais ansiedade e frustração. A felicidade não deve, felizmente, ser o fim ou objetivo de uma vida. Alguém que viva assim conhecerá um estrondoso fracasso. Porquê? Porque ninguém é inteiramente feliz. (Uma pessoa que se diz integralmente feliz não merece ser admirada ou festejada, mas antes tratada.)
Devemos ser felizes? Talvez. A história da humanidade mostra que não. Toda a evolução humana é construída sobre sangue e cadáveres. E assim, infelizmente, continuará sendo. Guerras, doenças, desastres e bombas continuarão a inundar o noticiário. E continuarão a matar crianças e idosos indefesos. Pessoas sairão das nossas vidas sem explicação plausível. A dor continuará afetando as pessoas que mais gostamos. E a nós mesmos. Bons amigos nos decepcionarão, pessoas que amamos nos abandonarão. Tudo em busca da sua própria felicidade. A solução, já imaginada por Aldous Huxley, é afundarmo-nos em um mundo de drogas (metafóricas e reais) da felicidade.
É possível, como aparentemente quer o digno Senador da República, buscar felicidade num mundo desses? Possível é; necessário nem tanto.
Ter plena consciência de que somos necessária e invariavelmente solitários, buscamos o outro em função das nossas inseguranças, dos nossos medos e, acima de tudo, da nossa infelicidade, pode ser libertador. Buscamos completar os nossos vazios (existenciais) por meio do outro que, na nossa imaginação, nos trará completude e felicidade. A realidade é que o outro é tão vazio, inseguro e infeliz quanto nós e, na maior parte das vezes, também tem as mesmas expectativas que nós. Somando-se dois vazios buscando se completar mutuamente temos apenas uma conclusão lógica: a felicidade, por meio do outro, além de não ser alcançada, se transforma em dor, multiplicada em muitas vezes pela decepção. Ou pelo abandono. Geralmente por ambos.
Imagine-se uma senhora de 70 anos. O marido –- como as as estatísticas comprovam –- se vai (voluntária ou involuntariamente). Ela viverá mais 10, 20 anos abandonada. Seus filhos estarão ocupados demais, sem tempo a perder preenchendo o vazio daquela senhora, buscando a própria felicidade dentro de suas famílias e vidas sociais. As amizades, já parcas em virtude da idade, não poderão trazer companhia. E ela, mesmo com o direito constitucional a buscar a felicidade, definhará, solitária. O mesmo ocorrendo com todos nós. Envelhecidos, solitários e –- necessariamente -– tristes.
Certo é que existem pequenos oásis de felicidade perdidos no deserto triste e estéril que é a vida. E é isso mesmo que os tornam tão importantes: diante de tristezas constantes, uma pequena felicidade (a família — acima e antes de tudo a família –, um olhar apaixonado, o trabalho, os filhos, um bom filme, o suspiro antes do primeiro beijo, uma boa música, reencontros depois de longos períodos, religião, sexo etc etc) tem sua eficácia potencializada. Que será, novamente, reduzida a pó diante da areia interminável (e triste) da rotina.
Buscar a felicidade? Sem (grandes) expectativas de a encontrar pode ser válido. Ter o direito, por mandamento constitucional, à tal busca? Melhor não.
Uma análise jurídica simplória nos leva ao seguinte resultado: mais um projeto de emenda constitucional inócuo. Se a dignidade da pessoa humana, já garantida pelo texto constitucional, contém um mínimo de liberdade, neste mínimo está necessariamente incluído o “direito à busca da felicidade”. A pessoa é livre para ser feliz; ou triste. Mas, conhecendo o Brasil, não duvido que, muito em breve, todos nós teremos a garantia constitucional de buscar a felicidade.
Cabô. Suce$$o. Milhões de espectadores acéfalos olhando para a tela e seguindo todas as nossas ordens e mandamentos sem questionar nada, exatamente como prevê a teoria crítica.
Obrigado, mundo. Vamos tentar fazer todas as semanas.
b€ijos e abra$$os.
UPDATE
Oi
Já estamos testando nossa gigantesca estrutura de produção. Vocês podem acompanhar o pré-live aqui http://it.tinychat.com/braziu
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
Estaremos (acho) ao vivo por aqui lá pelas 20h (horário da Banana). Ainda não temos pauta certa, sugestões serão bem-vindas (mentira, serão ignoradas).
O senador romano Marco Túlio Cícero teoriza em seu livro “A República” sobre as formas de governo, sua eficácia e imperfeições. Cícero parte das notas apontadas antes dele por Aristóteles, que sobre a monarquia dizia temer a tirania, nas aristocracias temia as oligarquias e nas democracias tinha medo da ‘tirania das massas’, a oclocracia. O remédio para os males do poder, para Cícero, estava na Justiça, um sistema frio e sem as emoções humanas que pudesse garantir uma sociedade equilibrada sob qualquer governo.
Não deve ser a Justiça a derrubar o atual governo de Roma, logo, Cícero certamente deixou de avaliar algumas variáveis importantes. Motivos não faltam para que Silvio Berlusconi passe um tempo longe do poder. Entre os mais graves deles está o Caso Mills, em que o advogado foi condenado por ter recebido dinheiro para mentir e beneficiar Berlusconi em um tribunal. Pela lógica, onde há corrompidos há corruptores. A vida real ignora a vã filosofia.
O ritmo dos tribunais costuma ser mais lento do que o das ruas. Apesar de seus inúmeros processos, Silvio Berlusconi pode ver antecipado o fim de seu governo não pela espada do judiciário, mas pela caneta das sondagens populares: suas festas particulares regadas a acompanhantes profissionais, figuras do mundo televisivo e poderosos em geral (entre eles, Putin e Kadafi) mais do que nunca parecem corroer sua imagem pública.
Entre a última semana de outubro e a primeira de novembro, a imprensa italiana publicou uma série de reportagens de mais um capítulo da vida particular de Berlusconi com detalhes que fariam Cícero rever parte de sua obra. A testemunha-chave é Nadia Macri, acompanhante de luxo italiana que afirmou ter tido relações sexuais com o premier em troca de 10 mil euros. O testemunho de Nadia, uma “escort” na gíria local, foi registrado também em depoimento à polícia, e vai além: diz que Berlusca disponibiliza seu avião oficial para transportar a droga consumida nas festas.
Em suas descrições, que renderam aos investigadores que a escutaram mais de trezentas páginas, Nadia conta sobre as festas na mansão de Arcore — cidadezinha perto de Monza onde Berlusconi tem uma de suas tantas propriedades de luxo –- como verdadeiros bacanais onde giravam personagens da TV como o caça-talentos Lele Mora e o jornalista e amigo particular de Silvio, Emilio Fede, âncora de telejornal e um dos rostos mais conhecidos da Itália. Mora e Fede seriam os responsáveis pelo “recrutamento” das meninas.
“… oiê” “… alguém viu meu anel?”
A descrição das festas faz jus à parte muito conhecida da Roma dos tempos de Cícero: além do consumo de drogas, existiria uma banheira onde Berlusconi faria sexo com várias mulheres, individualmente ou em grupos. Silvio nasceu em 1936; imaginá-lo em tal situação o alça automaticamente ao posto de herói da terceira idade.
Além de Nadia Macri, outra escort vem estrelando os piores pesadelos de Berlusconi: Ruby, também chamada de Ruby “Rubacuori” — Ruby rouba corações –, jovem marroquina presa por furto no dia 27 de maio. Sem documentos, Ruby, então menor de idade, é levada à delegacia. Momentos após sua detenção, os policiais presenciam uma cena que seria fictícia se não fosse italiana: o próprio Silvio Berlusconi teria telefonado aos agentes pedindo para que soltassem a jovem.
“faço Relações Públicas (RRPP)”
Na argumentação, uma pequena ‘imperfeição’: Ruby, segundo Berlusconi, seria sobrinha do presidente do Egito, Hosni Mubarak, o que foi posteriormente verificado e apontado como falso. As declarações de Ruby foram confirmadas em depoimentos oficiais pelos policiais que a prenderam.
“Adoro pastel”
As duas bombas explodiram na mão do premier, que parece estar em um momento de fragilidade política nunca visto em seus 15 anos de vida pública. A seu modo, Berlusconi tentou resfriar a caldeira; primeiro dizendo que era tudo mentira, depois, com a confirmação dos fatos e abertura de inquérito policial em Milão, deu uma de suas declarações típicas: em um palanque, disse que era “melhor gostar de mulheres bonitas do que ser gay”.
A reação da oposição foi dura. Todos os partidos de centro-esquerda pediram sua cabeça. O líder do Partido Democrático, Pier Luigi Bersani, pediu imediatamente a renúncia. “Berlusconi não pode seguir nem um minuto a mais em um papel público que traiu de forma indecente”, declarou o secretário do PD. ”A Itália tem uma dignidade que não pode ser colocada em perigo diante do mundo inteiro. A Itália tem problemas a enfrentar em um clima sério. É preciso abrir uma nova fase”. Concordo com a parte “a Itália tem problemas a enfrentar”.
Os bacanais alla Roma Antica podem representar o poente do poder de Berlusconi, mas não nesta estação. Caso vá às urnas, a máquina eleitoral não deve se mover antes da primavera. Historicamente, jamais se votou no outono/inverno por aqui. Além disso, nenhum partido está preparado para fazer campanha.
O Popolo della Libertà (PDL) está rachado após a ruptura de Berlusconi com Gianfranco Fini, presidente da Câmara e seu ex-aliado, político de origem neofascista que hoje é a esperança eleitoral da esquerda, que vê em Fini o único capaz de derrubar o governo. Sem Berlusconi à frente, talvez o PDL deva procurar outro candidato. Nos bastidores se ventila o nome de Giulio Tremonti, ministro da Economia. Outro personagem possível seria Mariastella Gelmini, ministra da Educação e que vem pouco a pouco sendo escalada pelo PDL para programas de TV e comícios –- sinal claro de uma vontade de construir seu nome junto ao eleitorado.
Gelmini é uma das “67 mulheres de Berlusconi”, segundo essa divertida roleta de belle donne feita pela revista semanal l’Espresso. A minha predileta, como registro histórico, é a ministra do Bem-Estar Social, Mara Carfagna.
Levanta qualquer mal-estar social
Fini, por sua vez, ainda não parece ter adquirido musculatura eleitoral –- é um risco submeter seu nome ao escrutínio sob pena de sair da briga menor do que entrou. O presidente da Câmara, hoje, é líder de um grupo dissidente do PDL. Precisaria sair do partido e fundar sua própria legenda, o que teria que ser feito às pressas caso as eleições fossem antecipadas em poucos meses.
O Partido Democrático, maior força da oposição, tem problemas internos a resolver. Antes de tudo, há uma luta subterrânea pelo direito a se candidatar. O nome natural seria o do secretário-geral, Pierluigi Bersani. No entanto, o governador da Puglia Nichi Vendola aparece na frente nas sondagens populares. Como rege seu estatuto, o candidato deverá conquistar esse direito no voto: o PD precisaria fazer prévias internas, o que demanda tempo. Após a escolha do nome, os democráticos ainda precisaria buscar apoio de outros partidos de centro, centro-esquerda e esquerda — menores, mas com força para ajudar a derrotar Berlusconi. A piada por aqui diz que a esquerda italiana jamais poderia ser acusada de complô, já que, pra isso, é preciso encontrar ao menos duas pessoas que estejam de acordo. O humor e seu poder de síntese.
Reforma eleitoral No centro das discussões se abre um importante capítulo de longo prazo no horizonte das urnas: a reformulação da Lei Eleitoral. Mais do que apenas a vontade de contar votos, há um movimento de lideranças –- sobretudo de esquerda — disposto a mexer no próprio coração da política italiana.
Para os partidos de oposição -– em primeira fila o Partido Democrático –- a Lei Eleitoral vigente é o grande problema do sistema italiano. Seu secretário-geral e importantes lideranças defenderam inúmeras vezes que não basta antecipar as eleições caso o Governo Berlusconi caia, é necessário, antes, mudar a lei que dá um “prêmio de maioria” ao partido vencedor em nome de uma pretensa governabilidade. Ou seja: mesmo que um partido obtenha somente 20% dos votos, caso seja o mais votado entre todos receberá 50% + 1 de cadeiras na Câmara e no Senado, o que provocaria uma distorção dos desejos populares.
Nas mais recentes eleições regionais (realizadas no primeiro semestre deste ano) 3,5 milhões a mais de italianos esnobaram as urnas, o que representa um aumento de 8% de abstenção em relação às regionais de 2005. O partido do ‘não voto’ é o grande partido italiano (lembrando que o voto não é obrigatório). Entre nulos, brancos e abstenções, 40% das pessoas não demonstram satisfação com os candidatos.
O partido majoritário, hoje, na Itália, tem a confiança de apenas um em cada sete italianos. A continuar o ritmo de queda de votantes e aumento da quantidade de “escorts” na mansão de Arcore, em pouco tempo o número de eleitores será tão pequeno que há chances concretas de a maior parte deles terem passado pela banheira de Berlusconi.
Fabricio Pontin | Estados Unidos 11:52 | 04/11/2010
Quando eu falei sobre o Tea Party pro Braziu, aqui, uma das coisas que me deixavam curioso era até onde a influência do grupo da Sarah Palin e do Glenn Beck poderia atrapalhar o domínio democrata no Congresso e no Senado. Ontem deu para ter uma dimensão do problema.
Um Congresso na mão dos conservadores, de novo
A política norte-americana é feita com mapas. A natureza da eleição aqui, com a divisão dos delegados por Estado, obriga uma divisão estratégica do voto. Em diversos sentidos o posicionamento ideológico da Pennsylvania é mais importante que o de Nova Iorque para os candidatos. Principalmente porque o posicionamento de Nova Iorque não está em jogo (votará Democratas na próxima eleição), enquanto o da Pennsylvania pode decidir o jogo para um lado ou para o outro.
Agora olhem bem para esse mapa:
Os vermelinhos são os Republicanos, os azuis são os Democratas [em caso de daltonismo, os verdinhos são Republicanos e os vermelinhos são os Democratas, ok?]. Agora respirem fundo e digam com o Obama: fodeu
Os Democratas perderam em uma noite o domínio completo do Congresso. Para vocês terem uma ideia, no momento da eleição do Obama o domínio dos Democratas era tão grande que permitia que qualquer legislação fosse aprovada apenas com os votos dos democratas. Além de dependerem somente de si, os Democratas podiam ainda catapultar qualquer projeto dos Republicanos para fora da pauta do Congresso. Bastava votar em bloco.
Então qual foi a dificuldade do Governo para passar os projetos pelo Congresso?
É difícil para quem está de fora entender algumas peculiaridades do sistema norte-americano, especialmente do vínculo ideológico e do comportamento dos políticos dentro do Partido Democrata. O que levaria um democrata a votar contra o projeto mais importante do governo Obama (no caso, a reforma do sistema de saúde)?
A resposta está na chamada “política de base”. Os Democratas eleitos por Estados mais conservadores e que pretendiam se reeleger olhavam para a base que iria votar nessa eleição e pensavam: “se eu votar com o Obama nesse plano de saúde, estou frito”. Votaram contra. Daí a dificuldade em passar projetos.
Assim, os projetos que Obama conseguiu passar no Congresso foram exaustivamente negociados com a base Republicana (ainda que minoritária) e com os Democratas “conservadores” que sabiam que tinham uma eleição em um ano. Para os que votaram na plataforma de “hope and change” (tradução livre: “pão e circo”) isso foi uma decepção horrível; para os que já não gostavam do Obama, foi a confirmação de que ele é um incapaz de lidar com política executiva. Os resultados estão no mapa ali de cima.
Ontem foi dia normal aqui nos Estados Unidos, nenhum professor liberou aluno para ir votar, nenhum chefe deu dia livre para quem comprovasse voto. Chegou atrasado? Te rala. Ficou na fila e não conseguiu ir ao trabalho? Perdeu o dia e talvez perdeu o cargo. Nesse contexto, o cara tem que estar muito motivado para ir votar. Vi uma pessoa falando que chegou atrasado por ter ido votar. Compreender a derrota dos Democratas no Congresso passa por entender a motivação para votar.
Mas e o Senado?
Pois é. Com todo o gritedo dos conservadores, toda a campanha para mostrar o completo fracasso do Governo Federal em passar legislação e a desmotivação dos militantes em levantar a bunda e ir votar, o Senado continua na mão dos Democratas. Mas muito menos decisivamente do que no ano passado e com muitos democratas com medo de perder o cargo para um conservador na próxima eleição.
Eis o mapa:
A grande má notícia para Obama nesse mapa: Ohio, Pennysilvania, Indiana, Florida, North Carolina e Winsconsin votaram em senadores republicanos. Se isso for uma tendência, preparem-se para presidente Palin em 2012. Todos esses Estados deram a vitória para Obama em 2008. E, sem exceção, são todos swing states, ou seja, Estados que mudam de lado de uma eleição para outra.
No entanto, várias dessas vitórias foram por margens pequenas de votos e a eleição para o Senado e Congresso, por definição, atrai menos gente que uma eleição presidencial. Ou seja: o Tea Party conseguiu mobilizar a base conservadora a votar em Estados com potencial de virar o jogo, mas não redesenhou o mapa eleitoral no Senado, apenas elegeu candidatos republicanos em estados que historicamente elegem senadores republicanos. Grande coisa.
E os Estados?
A derrota de Toni Tancredo [melhor nome] no Colorado e eleições extremamente disputadas no Sul dos Estados Unidos indicam que os latinos viraram uma força política importante nas eleições norte-americanas. Mais que isso: uma força decisiva. Se em uma eleição “menor” o voto latino empurra todos os candidatos democratas para a casa dos 40% no Sul (não é pouca coisa, se a gente pensar que esses Estados são, nos últimos trinta anos, o parque de diversão dos republicanos), imaginem o que eles podem fazer em uma eleição “grande”.
Toni Tancredo é o grande nome da política anti-imigração e anti-imigrante nos Estados Unidos. A derrota dele é um recado claro para os republicanos de que continuar o discurso da ampliação dos muros na fronteira e da política de exigência de documentos nos Estados com maior influxo de hispânicos pode custar aos republicanos a perda dos votos do latinos, da mesma forma que as políticas segregatórias dos anos sessenta custaram os votos dos afro-americanos.
A história se repete
A história, sabe-se, acontece como tragédia, se repete como farsa e depois de umas quinhentas vezes vira circo no interior da Ucrânia (eu ia dizer Bulgária, mas me deu preguiça de ser chamado de classe média revoltada com a vitória da Dilma). A eleição de um Congresso de oposição ao Executivo, nos Estados Unidos, é uma tendência antiga.
Ela também é óbvia em um país com dois partidos políticos. O camarada vence a eleição, as pessoas se decepcionam, a oposição vence as eleições distritais. A oposição não faz lá grandes coisas diferentes, o presidente é reeleito. O Congresso e o Senado ficam na mão da oposição. O presidente não consegue governar. Quatro anos depois um candidato da oposição vence. Repita a história até cansar.
Com exceção de Reagan, que elegeu o sucessor, e Bush I e Carter, que perderam a campanha para a reeleição, isso tem sido a regra nos Estados Unidos desde Nixon. Carter e Bush são exceções porque perderam, além da Câmara, o Senado — e também sofreram com eventos externos que comprometeram a imagem do chefe de governo. Reagan elegeu o sucessor por ter ganho a Guerra Fria.
Então muita calma ao dizer que o domínio do Congresso pelos Republicanos marca o fim do governo Obama. Os conservadores esperavam uma vitória maior, por mais que estejam comemorando como se já tivessem ganho a próxima eleição presidencial. É claro que as notícias são ruins — péssimas — para os Democratas, especialmente considerando a dificuldade que Obama tem em comunicar as vitórias do próprio governo. Mas os Republicanos também precisam refletir sobre o limite da política dos conservadores vinculados ao Tea Party, que já começam a se dividir em facções.
Os Republicanos sabem onde podem chegar com a atual estratégia: domínio do Congresso e vitória onde conservadores sempre podem vencer. Mas isso não é suficiente para a eleição presidencial. Paradoxalmente, é o limite do Tea Party.
Semana passada minha mulher me pegou nu, na cama, com uma loura formosa, seios fartos, panturrilha definida, corpo bem torneado e boca carnuda. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, saí-me com o clássico: - Não é nada disso que tu estás pensando, querida. Eu posso explicar.
Ela, não acreditando que eu ainda tinha sequer coragem de falar, aos berros, disse: - Fala, Pedro, o que aconteceu para tu estares pelado na cama com essa vagabunda?
Parei por um milésimo de segundo e arrisquei: - Foi em nome da governabilidade, meu amor. Sem transar com ela, não conseguiria aprovar nada lá no trabalho.
Ainda incrédula e babando de raiva ela me atirou um tamanco que me atingiu na testa. Pensei mais um tempo e experimentei uma segunda frase: -Amor, isso nada mais é do que pragmatismo sexual. Eu fui obrigado pelas circunstâncias a me deitar com essa rapariga.
Vendo que não funcionava, que ela era muito mais inteligente do que muitos dos analistas brasileiros, tentei o que pensei ser a última das desculpas da noite: - Amor, isso é a Realpolitik sexual; eu tenho o sexo como vocação, Geschlechtsverkehr als Beruf (caprichei no sotaque alemão, por achar que essa era a língua do amor).
Sem conseguir me defender, o segundo tamanco acertou em cheio meu olho direito. Quase chorando consegui balbuciar o que me pareceu a resposta que acabaria com aquela discussão: - Amor, essa mulher deitada aqui ao lado nada mais é do que um factoide (caprichei no ó, já que a maioria das pessoas escreve a palavra com acento) da imprensa golpista, que sempre tenta de tudo para nos separar.
Minha esposa continuava furiosa e logo vi o abajur se aproximando da minha testa. Ainda me recuperando da pancada , fui ao que pensava ser o fundo do poço das desculpas esfarrapadas: - Amor e mulher da minha vida, essa loura é mais uma jogada magistral neste tabuleiro de xadrez que transformou as relações interpessoais que são visadas pela velha Igreja.
Objetos continuavam voando em direção à minha cabeça e, infelizmente, a maioria deles me acertava em cheio. Os lençóis já começavam a ficar vermelhos de sangue. Pensando que minha mulher se lembraria da minha bola de boliche guardada no armário, fui ao desespero e lasquei: - Paixão, eu não conheço essa mulher. Me disseram que o nome dela era Maria Branca, mas eu só a conhecia como Maria da Silva. Aquele apelido era preconceituoso e elitista, por isso que ela está aqui.
Vendo que um vaso de flores se dirigia até a minha têmpora esquerda, gritei antes do baque: - Flor da minha vida, isso nada mais é do que uma tentativa de golpe no nosso casamento, por aqueles que não aceitam que um gordinho baixinho como eu coma louras peitudas por em virtude da minha imensa popularidade.
Não surtindo o efeito desejado, juntei as mãos, olhei aos céus, e disse, já sentindo o gosto do sangue que me inundava a boca: - Minha gatinha, o pastor da igreja mandou que eu lesse a Bíblia; eu li e lá consta o “crescei e multiplicai-vos.” Como sou contra o aborto, resolvi engravidar essa perua para provar que eu sou um cristão temente a Deus.
Ela começou a se dirigir ao armário e eu percebia que a bola de boliche seria o próximo objeto a me arrebentar o crânio. Pensei em tudo o que tinha vivido e visto, em tudo que tinha aprendido, em todas as desculpas que eu tinha ouvido em minha vida. Tentei mais uma: - Fui traído, minha linda. Essa loura jurou que era minha esposa, que me era fiel, e eu não tenho como controlar tudo que acontece na minha vida.
A bola de boliche já estava nas mãos da minha esposa e ela se preparava para arremessá-la quando eu tive uma luz e, com olhos de perdão, disse: - Eu não sabia de nada!
Nesse momento a bola de boliche já havia saído das mãos da minha esposa e se dirigia ao centro da minha testa. Percebendo o enorme erro que cometera, minha esposa gritou:
- Pedro, se tu dizes que não sabia de nada, eu acredito.
Pena que era tarde demais.
“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência”
Acontece que a lista não está mais ali. Istranhu, néam?
Vamos pedir ajuda ao Sr. Google. Buscamos pelo link e vem… mmmm…. opis… zzzzz…. plóf………. zzzzzzzzzz……… bãrf………. opa, isso:
É importante que você clique na imagem para ver grandãum
O que diz ali? Que o Diretor de Tropa de Elite está com Dilma. Não foi exatamente o que ele disse:
”Parafraseando o filósofo americano Henry David Thoreau, gostaria de esclarecer que eu não pertenço a nenhum partido, grupo político, agremiação, sindicato ou lista de apoio a candidatos, na qual eu não tenha me inscrito voluntariamente; e que ao contrário do que certos sites e tweets têm afirmado, e do que consta em lista de apoio enviada por um grupo que apóia a candidata do PT para os grandes jornais brasileiros, eu não aderi a candidato algum nesta eleição pelos motivos explícitos em ‘Tropa de Elite 2′. É uma pena que a falta de crítica e de compromisso com a verdade esteja sendo a principal marca dos dois lados desta campanha presidencial. Um desrespeito ao eleitor brasileiro” – José Padilha [via Lauro Jardim]
“Não apoio ninguém, mas se precisar tem aqui um pé de apoio, companhêru”
O mais interessante disso tudo não é publicar uma lista de apoiadores em que ao menos um deles veio a público dizer que não apoia nada de nada de coisa alguma. O mais interessante mesmo é o tratamento dado à informação. Imagino um diálogo totalmente fictício e sem personagens reais:
– Erramos?
– É, parece que publicamos uma mentira. O cara lá do “pede pra sair” disse que não assinou nada e pediu pra sair
– Ops, apaga o link
– Apagando….
– Ufa. Tem que ver issoaê
– Pronto
– Não existe mais?
– Não
– Ai meu coração, Jesus. Que bom que é essa tal de tenéti, né? Imagina se fosse no papel. Íamos ter que assumir
– Temos que publicar uma errata?
– ‘Cê tá louco, bicho?
– É… acho
– Quem tem que publicar errata é a Mídia Má, Feia e Bobona. É por isso que passamos o dia no pé dos jornalões e da Globo (da Record não, essa nós amamos). Nós não somos imprensa, não temos compromisso algum com a informação.
Matematicamente, o resumo dessa história fica assim:
1. Estamos falando de um manifesto de intelectuais que apoiam Dilma;
2. Padilha estaria na lista, mas na verdade não está porque jamais aderiu a candidato algum;
3. A conclusão óbvia disso tudo? É que Padilha não é um intelectual, né ô.
Fabricio Pontin | Estados Unidos 13:16 | 18/10/2010
Uma vez, na universidade, eu coordenei uma mesa redonda onde dois professores com doutorado na Inglaterra discutiam alegremente questões de início e fim da vida. Em um certo momento, um dos dois professores, ao ser confrontado por uma pergunta sobre a questão do aborto e do infanticídio falou que,
“Essa questão do aborto não tem uma dimensão moral de verdade, ela é só poluída por fanáticos religiosos. Em verdade, até o décimo primeiro mês, não há problema moral algum em terminar uma gestação ou em matar um infante, se isso traz benefícios para a mãe”
“Décimo primeiro mês, professor?”
“Sim, segundo a definição Lockeana de pessoa” (Nota: a definição do velho Locke diz que uma pessoa é alguém capaz de conceber um passado e ter expectativa de um futuro)
“Décimo-primeiro-mês?”
“Logo vejo que nessa universidade os alunos foram cooptados pela ideologia da Opus Dei e não aceitam evidência científica incontestável. Antes do décimo primeiro mês não há qualquer evidência de processos de expressão de consciência individual, nem de estabelecimento de passado ou futuro para o infante. Aquilo não tem direitos.”
Uns três anos depois, estou passeando aqui pelo campus quando encontro flechas apontando para uma exposição sobre “the greatest holocaust ever made my man”. A exposição era em frente ao prédio onde estudo, de forma que não tinha muito como escapar da coisa. Uns vinte alunos vestidos de branco seguravam cartazes “GOD HATES THE SPILLING OF INNOCENT BLOOD” , “EMBRYO=BABY JESUS”, fotos de bebês loirinhos sorridentes com um balão de história em quadrinhos “I FEEL PAIN WHEN YOU ABORT ME” e “MAMMA DON’T ABORT ME”.
Fiquei curioso com o lance do holocausto, e fiquei procurando onde estavam as fotos da Shoa. Daí me dei conta. “Every year more than two million children are ASSASSINATED with support of the federal government” .
Aqui nos Estados Unidos eles chamam indivíduos que votam baseados em apenas uma questão de “single-issue voters”. Vou chamar de “voto unilateral” essa conduta. Funciona assim: tudo indica que você votaria no Obama; você apoia intervenção do Estado na Economia; você acha que programas sociais são importantes; acredita no aquecimento global; e se bobear até acha que escolas públicas não deveriam ensinar o criacionismo. Mas daí você descobre que o Obama é pro-choice (portanto, contra a criminalização do aborto) e de uma hora para outra todas as tuas outras opiniões sobre o Obama caem por terra. Especialmente quando você descobre que o outro cara é pro-life e tem como vice uma mulher muito parecida contigo.
Um voto unilateral pode vir de diferentes “perfis” ou “problemas” e com diferente força. Por exemplo: ninguém se elege nem síndico de prédio nos Estados Unidos sem falar que acredita em Deus. A questão da pena de morte pode ser decisiva para um lado ou para o outro, dependendo de qual estado você tá querendo seduzir. A questão da eutanásia também.
Isso vai variar, é claro, dependendo da eleição e de quem vai decidir a eleição no fim das contas. Eleições onde os indecisos são pessoas que votam em cima desses issues acabam indo para essa direção naturalmente. Eleições onde esses mesmos indecisos são irrelevantes se movem para um terreno diferente, são eleições que focam mais em políticas públicas e menos em valores. Digamos que o primeiro tipo de eleição geralmente é ganha por um democrata e o segundo é geralmente ganho por um republicano. Uma olhada na história dos Estados Unidos desde 1962 ilustra como o processo eleitoral geralmente funciona.
Enquanto isso, no Braziu, candidatos tentam seduzir a massa evangélica (cerca de 20% da população, no mínimo) sem tomar uma posição. Dilma e Serra se posicionam de forma covarde e tal qual uma gangorra ficam subindo e descendo em questões de liberdades civis e religiosas. Para os dois candidatos, a resposta à pergunta do casamento homossexual e do aborto depende, de forma geral, de quem está perguntando.
De qualquer forma, Dilma só precisa ganhar cinco por cento dos votos que permaneceram para Marina ou se abstiveram no primeiro turno. Serra tem uma missão mais complicada e precisa transformar o atual domínio em São Paulo em um domínio na região Sul e Sudeste, tentando engessar a candidatura da Dilma no Nordeste.
Talvez por isso seja mais fácil para Dilma aumentar o volume do apelo aos que votam de forma unilateral. Ao se apresentar como amiga dos evangélicos e mudar de forma vergonhosa a própria opinião sobre o aborto, Dilma confia que ainda que parte da população identifique esse recurso como uma retórica sem-vergonha, um número suficiente de pessoas vai apoiar a iniciativa e votar nela. Ela não precisa do voto da maior parte dos evangélicos ou dos que votaram na Marina no primeiro turno. Ela precisa de uma parte pequena, suficiente para se eleger.
Ao contrário da pena de morte, que considero um atraso intolerável em democracias modernas, a questão do aborto tem uma complexidade maior. Não acho que ser contra o aborto é uma aberração. Por sinal, boa parte das pessoas que se posicionam a favor da descriminalização do aborto não são favoráveis a prática. Acontece que existem elementos de saúde pública, de imprevisibilidade e sobretudo de coerência legislativa que precisam ser levados em conta. Um país que identifica a potencialidade de um embrião como uma “pessoa” não poderia permitir metade das práticas de pesquisa em genética que o Brasil permite. Um país que permite aborto em caso de estupro não pode argumentar que um feto já tem direitos enquanto pessoa (não tem se é resultado de estupro? Por favor, isso não faz o menor sentido).
O debate no Brasil precisa ser confrontado com a pobreza argumentativa dos dois lados. Não é uma questão tranquila essa de que “não existem problemas morais no aborto”. O professor que apelou para uma certa definição de pessoa tinha um argumento tão ridículo quanto o dos crentes na frente do prédio das Humanas da SIUC. É claro que é uma questão moral. Justamente por ser uma questão moral a gente acaba discutindo isso por tanto tempo. Mas a hipocrisia da legislação brasileira é notável. Existe um consenso em não punir mulheres que praticam aborto. Então por que a prática é considerada ilegal? Existe a permissibilidade do uso de embriões em pesquisa. Então porque o aborto embrionário é considerado ilegal? Permite-se o aborto em caso de estupro, mas se essa circunstância mitiga o interesse potencial do feto, porque outras circunstâncias não são relevantes? A vida decorrente de estupro é menos digna de proteção?
Por outro lado, perde-se tempo com essa discussão por motivos puramente eleitorais (enquanto sabemos que tanto Serra quanto Dilma parecem ser favoráveis à descriminalização da prática Brust me corrigiu ali nos comentários, mais detalhes aqui), quando poderia-se discutir, por exemplo, como diminuir o número de gravidez em menores de idade nas classes mais pobres. Pergunte para qualquer professor do ensino médio em uma escola pública quantas alunas grávidas ele vê todo semestre. Pergunte para um professor de sexta série. A questão é extremamente relevante. Jovens pobres no Brasil não usam preservativo, não sabem como usar a pílula e muitas vezes engravidam porque isso vai fazer o namorado parar de bater nelas – pelo menos por nove meses. Ao menos, poderíamos discutir como diminuir o número de gravidez indesejáveis, para que menos mulheres sequer precisem pensar em abortar. No entanto, o governo federal só se preocupa em falar de camisinha durante o carnaval. Ninguém discute isso, até porque ninguém decide o voto com esses problemas em mente. Ou melhor, não existem pessoas suficiente decidindo com isso em mente. Então é mais fácil dizer que Jesus é Rei, que Toda Vida É Sagrada e que Aborto é um Crime Horrível.
Acho especialmente interessante perceber como essa minoria acaba transformando o debate eleitoral. A gente espera que, de uma forma ou de outra, o processo democrático acabe representando uma certa vontade geral. De verdade, representa a vontade de quem quer ganhar mais. Tudo bem, o voto racional pode ser uma grande de uma piada, pode ser que a gente não saiba de verdade o motivo pelo qual as pessoas votam (ziriguidum comanda o universo, apud Valdevino, Walter). Ainda que a conduta dos candidatos seja baseada em uma ficção (e.g.: pessoas votam com apenas um problema em mente), a conduta desses candidatos passa a ser consistente com essa ficção.
Após um primeiro turno sobre o nada, agora temos um segundo turno onde os candidatos tentam desesperadamente agradar uma parte da população que não fala pela maioria, que não tem uma dimensão muito clara do que está em jogo nos assuntos que são discutidos (e, justiça seja feita, não é informada sobre assuntos de forma adequada) e, no entanto, sequestra o debate.
A essa hora todo mundo já conhece Bilu, o ET entrevistado pela TV Record no domingo passado e que se tornou a celebridade do momento na internet (já havia sido entrevistado pelo SBT). Bilu, além de ET e celebridade, tem uma vantagem em relação a Michael Jackson: é alfabetizado em português brasileiro. O domínio do idioma por Bilu é uma prova de nossa força como nação emergente para além da camada de ozônio.
Em Nova York, Paris ou Roma, as lojas já começam a contratar atendentes que falem a nossa língua. Agora sabemos que nosso capitalismo pode verdadeiramente dominar o cosmos, com uma legião de Bilus espalhados pelas galáxias usando bermudão e sandálias Havaianas e arrancando pedaços dos planetas para levar de lembrança.
Bilu é um ET acanhado, não gosta de ficar dando uma de superpoderosão. No vídeo levado ao ar pela Record ele mal aparece; se limita a fazer algumas traquinagens com sua luz interior. Em certo momento, quando mal e mal dá para ver o que seria seu ‘rosto’, a impressão que se tem é de que ele usa uma máscara do Jiraya. E Bilu tem mesmo a panca de ninja do personagem do seriado japonês: lá pelas tantas, dá um pulo ágil em meio à vegetação antes de mergulhar novamente na mata. A luz, a máscara e o pulo ninja parecem ter aterrorizado o repórter, que pediu para que Bilu “não o tocasse”.
Bilu, o ET que fala português PT-br, tem uma voz quase infantil, um fiozinho de nada. É como se Tiririca respirasse um balão de gás hélio. Que gás Bilu respiraria? Aliás: Bilu precisa respirar? O terror da equipe de reportagem foi tamanho que eles fracassaram em desvendar os negros mistérios que envolvem o nosso Michael Jackson do coqueiral.
Os curadores de Bilu no nosso planeta dizem que corremos um grande risco (nós, raça humana) e que Bilu está aqui para nos proteger. Não dizem que ameaça seria essa, mas desconfio que eles estejam se referindo aos candidatos à Presidência da República.
Ao ser perguntado, ao fim da filmagem, que conselho daria para a humanidade, Bilu foi sucinto: “Apenas que… busquem conhecimento”. Olhando para os olhos de Serra e Dilma, sugiro buscar o coqueiral mais próximo.