Breiquin nius (sotaque italiano, por favor): governo Berlusconi caminha para o fim (ou para a eternidade)
Silvio Berlusconi acaba de convidar Gianfranco Fini, fundador ao lado dele do Popolo della Libertà (PDL) e presidente da Câmara dos Deputados, a sair do partido. Fini é líder da Alleanza Nazionale (AN), na prática, ex-fascistas que sobreviveram à primeira república e se juntaram à Forza Itália pra formar a maioria em carga.
O caso de desamor entre Berlusconi e Fini vem de alguns meses.
Mas hoje a corda parece ter estourado.
Ventos dizem que o governo não vê o próximo outono (fins de agosto?), com eleições antecipadas pelo próprio Berlusconi. Eleições antecipadas significa dizer que cai todo mundo, de deputados a senadores, de ministros a puxa-sacos. Eleição geral.
Será novamente o caos.
Itália, enfim.
Tags: AN, Berlusconi, cai, eleições antecipadas, fim, Gianfranco Fini, governo, PDL, ruptura
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A tolerância é uma cabeça de cordeiro no banco de trás do carro
Publico abaixo entrevista com Nello Rega, jornalista italiano ameaçado de morte pelo Hezbollah por ter contado “mentiras sobre o Islã”. O autor das perguntas é Francesco Giurato, amigo e também jornalista italiano. Correções são bem-vindas na caixa de comentários, já que traduzi às pressas porque a vida precisa andar.
Todas as informações foram passadas por Nello Rega, todas as alegações de ameaças foram confirmadas por ele e somente por ele, e podem ser contestadas, também, na caixa de comentários.
Concluo no final.
Nello Rega, 43 anos, de Potenza (Basilicata), trabalha na redação da editoria de Exterior da RAI. Jornalista profissional desde 1993, trabalhou para o Jornal Radio RAI Tre, San Marino RTV e Radio Dimensione Suono. Assinou, como autor, um programa na RAI Tre. Colabora também para jornais e revistas italianos. Formado em Ciência Política, é também diplomado na Escola Superior de Jornalismo de Perugia. Deu aula de jornalismo radiofônico no Istituto per la Formazione al Giornalismo di Urbino e também no Master in Giornalismo dell’Universita degli Studi della Basilicata. Cobriu acontecimentos nos seguintes lugares: Romênia, Grécia, Albânia, Iugoslávia, Algéria, Chipre, Iraque, Kosovo, Líbano, Territórios Palestinos, Israel e Afganistão. É autor dos livros “A Sud di Bagdad” (2003), “Sud dopo Sud” (2006), “In volo, missione dopo missione” (2006). Vencedor de prêmios italianos e internacionais como “Campana d’argento per la Pace” edição 2006. Desde 2005 é presidente da Together Onlus e do progeto humanitário Libanltaly. Tem estreito relacionamento com o Oriente Médio. Há 8 meses publicou um livro chamado “Diversi e Divisi” que descreve a história de amor entre um católico e uma muçulmana. Através das descrições de cena da vida cotidiana, o autor ressalta as diferenças que separam as duas religiões, e também os pontos de interrogação comuns às duas culturas. A sua “culpa”, segundo os extremistas que o ameaçaram e o ameaçam há mais de 6 meses, é de ter contado “mentiras sobre o islã”.
Você mentiu sobre o Islã?
Jamais. Antes fosse. A verdade é que existem profundas diferenças entre essas duas religiões, no modo de entender o que é a religião e para que ela serve. Eu vivi essa diferença na pele, seja antes do lançamento do livro, no qual narro minha história de hoje que termina com o relacionamento com uma mulher muçulmana, mas sobretudo depois, com as ameaças de morte pelo que escrevi. Mas eu disse somente a verdade. A demonstração de que meu objetivo é o de iniciar um percurso de integração é representado por Togheter, a associação no profit da qual sou presidente há muitos anos e que tem como objetivo esse entendimento entre cristãos e muçulmanos. O livro é destinado exatamente a isso, inclusive os lucros, a um projeto chamado LibanItaly, e em particular à realização de um centro já escolhido em uma cidade do norte do Líbano onde crianças cristãs-maronitas e muçulmanas crescem juntas no oratório salesiano de Jounieh, com o ensinamento da convivência, da paz e da esperança de que podemos viver juntos.
Que verdades você contou?
Uma verdade incômoda. Ou seja: que nós, ocidentais, somos os “infiéis” na visão de muitos islâmicos. Isso porque vivemos em sociedade laicas, onde as pessoas, homens e mulheres, podem determinar as próprias escolhas com base em direitos civis e não na religião – esta vivida como um momento íntimo e reservado de cada um de nós. A mesma coisa não se pode dizer sobre muitas comunidades islâmicas onde a mulher, por exemplo, é um objeto. Nas últimas páginas do livro, justamente para “desmontar” a dialética desses grupos, que definem como mentirosas as minhas afirmações, eu proponho 9 perguntas para fazer ao islâmico ortodoxo (não ao moderado). Lendo-as, qualquer um pode ver que são perguntas com bom-senso, lógicas, da própria evolução que a mulher merece nesse mundo islâmico. Por exemplo: por que o testemunho de uma mulher em um tribunal vale a metade do testemunho de um homem? Por que ainda hoje a Shaaria [a lei islâmica] aceita a poligamia somente no sentido de homens poderem ter muitas mulheres e não o contrário? Por que uma mulher xiita não pode casar com um homem de outra religião? Por que em Meeca não é possível construir uma igreja católica sendo que em Roma, que é a capital do catolicismo, existe a maior mesquita da Europa? Por que ainda hoje em países árabes as mulheres não podem dirigir? Esses são somente alguns exemplos. Infelizmente, as leis incompreensíveis ao mundo ocidental que existem na Shaaria são muitas mais.
Você acredita que seja possível uma integração entre o islamismo definido como ortodoxo e o cristianismo?
Antes de acreditar eu espero que seja possível, mas devo ser sincero: até que não sejam mudadas as respostas para as questões que fiz acredito que a tentativa de unir esses povos é inútil. Pessoalmente, acredito que um terreno comum possa existir, mas deve ser fora da religião. Me refiro à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Não por acaso os países muçulmanos não assinaram. Até que parte do mundo islâmico, que hoje, infelizmente, representa o fechamento dominante daqueles países, não se adeque às regras comuns de viver e conviver civilmente, qualquer tentativa falirá.
Quando começaram as ameaças contra você?
O conteúdo do livro me custou ameaças de morte por parte do Hezbollah já poucos dias depois do lançamento, depois de publicar no meu blog que eu lançaria um livro que relataria o amor entre uma mulher muçulmana e um homem cristão. Projéteis vazios e um anúncio de morte, uma “fatwa”, como é chamada, foram encontrados nos estacionamentos dos estúdios da RAI, onde trabalho. Depois disso, eu denunciei à polícia, que prontamente me pôs uma escolta à disposição. Hoje, policiais são avisados sempre que me movo de um lugar para outro e avaliam a situação. A Ordem dos Jornalistas e o Sindicato também se mobilizaram, se posicionaram ao meu lado e me deram forças para continuar. Com o terrorismo não se “chega a um acordo”. Continuei o percurso de divulgação do livro em toda a Itália.
E depois?
Nos dois meses sucessivos ao lançamento do livro recebi mais projéteis e mais ameaças, sempre assinadas pelo Hezbollah. Evidentemente o meu “comportamento” e as minhas declarações após a primeira ameaça não agradaram essas pessoas, que continuaram a ameaçar. Uma espécie de escolta midiática começou naquele momento, graças ao apelo de numerosos colegas e de duas investigações parlamentares iniciadas por dois ex-colegas jornalistas que hoje estão no parlamento. Depois das minhas primeiras aparições na TV por conta do livro e das ameaças, minha mãe recebeu em casa outro pacote com projéteis. Junto, uma carta onde me intimavam a não ir mais para a TV. O silêncio, nesse caso, ajudaria os terroristas. Devo dizer, no entanto: minha situação de perigo em alguns momentos foi avaliada como menos perigosa do que na verdade era. Avaliada pelas forças de ordem. Agradeço aos policiais que me dão escolta, mas não posso deixar de dizer isso.
Em que sentido?
Depois de algumas semanas, lá pelo final de outubro, encontraram um outro envelope nos estacionamentos da RAI, novamente com projéteis e a mensagem “Morirai in nome di Allah con la mano di Hezbollah perche’ vai in televisione e dici bugie”. Em Roma e no Ministério do Interior, mesmo depois disso, não se move uma folha. Devo confessar que, mesmo que tentasse esconder publicamente, comecei a ter medo, muito medo. Na verdade, quando estava em Potenza, minha cidade, me sentia seguro, por que o governador da província tomou medidas de proteção. Foi o único naquele momento. Mas quando eu estava em Roma me sentia somente nas mãos de deus. Fiz muita força para não dar um passo atrás, até porque isso seria a vitória de quem me ameaça. Continuei a divulgação do livro, como faço até hoje. Fui em mais de 100 cidades em 7 meses. Por onde ando encontro apoio.
Qual foi o pior momento?
Dia 26 de novembro do ano passado: eu estava em Potenza e, ao me afastar do carro por cerca de 30 minutos para comprar jornais, quando volto encontro no banco de trás uma cabeça de cordeiro. Naquele momento foi tudo ao extremo: tensão, medo, e ver que a minha situação continuava a ser avaliada como “nem tão perigosa” [ele estava sem escolta] me fazia pensar em parar. Encontrei aquela cena macabra em plena luz do dia, e isso que me dá mais medo. Tomei uma medida extrema: pedi para ser interrogado pela Justiça por “provocado alarme”, ou seja, como se eu próprio tivesse botado aquela cabeça lá, pois estava cansado e indignado com as autoridades que deveriam me proteger. No dia 4 de janeiro, mais um envelope, mais balas. E um mês atrás, no dia 7 de abril, uma última ameaça, com mais projéteis. O meu medo é que, depois que passe a “novidade”, do primeiro jornalista na Itália ameaçado por fundamentalistas islâmicos, as pessoas esqueçam. A indiferença é o que mais me assusta.
A Síria baniu hoje a burca em universidades. Antes dela, outro país islâmico havia tomado medida semelhante: o Egito. O polêmico véu que cobre praticamente toda a mulher que o veste não é mais somente uma relação de forças entre “O Ocidente” — França, Bélgica e Dinamarca, por exemplo — e o “Mundo islâmico”.
Alguns valores precisam urgentemente sair do senso comum da luta do “bem contra o mal” caso se queira chegar a algum lugar. Caso se queira.
Tags: ameaça, ameaçado, Bélgica, Dinamarca, França, Hezbollah, Islã, Islam, italiano, jornalista, Nello Rega
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Liga Norte ou “cruzada de honra contra o Islã” ou “homossexualismo é uma doença”
Se você perdeu o mais recente programa da Braziu TV (o “Braziu 004″, vídeos: bloco 1 e bloco 2) ficou de fora da dicussão sobre a Liga Norte (Lega Nord), partido polêmico aqui da Itália e força que mais cresceu nas eleições de março.
Escrevi hoje um texto para o Portal Terra explicando de forma um pouco mais aprofundada o que é a Lega e qual seu papel no cenário atual aqui da península. Colo ele na íntegra logo abaixo. Antes, porém, vai o vídeo que fiz na semana passada pro braziu 004.
No pé, textos da Lúcia Müzell (correspondente do Terra em Paris) sobre partidos extremistas na França e no Reino Unido.
“Acusada de xenófoba, Liga Norte duplica de tamanho na Itália
LEANDRO DEMORI
Direto de Roma
São quilômetros quase infindáveis os que separam as margens dos rios Volga, na Rússia, das do Pó, na Itália. Nos anos 60, no entanto, um nome aproximou as duas correntes: Palmiro Togliatti, secretário-geral do Partido Comunista Italiano (PCI), que em 1964 viu a principal cidade do Volga mudar de Stavropol-na-Volga – nomenclatura que trazia desde o século XVIII – para Togliattigrado, aos moldes de Leningrado e Stalingrado. A homenagem concedida por Moscou a Togliatti desenhava os ares políticos da época: a Itália era o ponto mais importante além da cortina de ferro, ligação focal entre o regime comunista Russo e a Europa ocidental. O PCI tinha, em meados nos anos 70, 35% dos votos na península mediterrânea. O posto de maior partido comunista do ocidente, contudo, durou pouco: mais precisamente até o assassinato do premiê Aldo Moro, atribuído às Brigadas Vermelhas, milícias ligadas à esquerda nacional. O crime fez o sonho vermelho italiano ruir – os votos evaporaram no ar da história.
Mais de três décadas após a efervescência ideológica daqueles tempos, o cenário da política italiana de hoje soaria como apocalíptico para a maior parte dos italianos se contado como previsão do futuro à época. O antigo Partido Comunista é voz praticamente desaparecida, afundado juntamente com o voto ideológico. Entre jogos de cena e cartadas televisivas focadas em problemas cotidianos, a força em ascensão em 2010 chama-se Liga Norte (Lega Nord), partido fundado em meados dos anos 90 com tons separatistas, xenófobos, racistas e homofóbicos e que hoje exerce função de segunda força mais importante dentro do governo de Silvio Berlusconi.
A votação alcançada pela Liga Norte nas eleições regionais de março sedimentou o poder do partido: seu eleitorado dobrou em comparação às eleições regionais anteriores, realizadas em 2005, saltando de 6% para 12,7%. Posicionada, inclusive, à frente do Popolo della Libertà (PDL, partido de Berlusconi) no Vêneto, pela primeira vez na história a Lega assume a liderança de uma região – e faz melhor: vence em duas, além do próprio Vêneto, seu berço eleitoral, leva também o Piemonte.
As palavras do secretário-geral e fundador do partido, Umberto Bossi, no pôr-do-sol da mais recente abertura de urnas falam por si: “A Lega é um tsunami”.
A ascensão do partido de Bossi causou arrepios em boa parte dos italianos e europeus. Motivos existem. A Lega foi denunciada pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância por “uso intenso de propaganda racista e xenófoba”. Membros mais radicais do partido defendem posições duras como a expulsão de imigrantes e dizem que o homossexualismo é uma doença. A fama de racista, xenófoba e homofóbica vem sobretudo dos discursos e posições de um nome em particular: Mario Borghezio.
Membro fundador da Lega, Borghezio é deputado representante da Itália no Parlamento Europeu desde 2001 e protagonista de primeira ficha de episódios extremos: já fez comícios raivosos declarando uma “cruzada de honra contra o Islã” enquanto parte da multidão reduzia a chamas a própria bandeira italiana cantando “vamos queimar a tricolor”, opondo a Itália à Padânia, país imaginário defendido pela Liga Norte, supostamente composto por regiões do norte e do centro da península.
Em setembro de 2007, Borghezio foi preso em Bruxelas em uma manifestação contra a “islamização” da Europa. Por conta de suas posições, o euro-parlamentar já foi agredido duas vezes. Em um delas, dentro de um trem, um desconhecido quebrou seu nariz com um soco.
Mesmo que não seja consenso entre seus pares, Borghezio continua a representar o partido no Parlamento.
Esquerda, direita, fascista?
Para entender a Liga Norte é preciso deixar na estante os velhos livros de teoria política. Ao mesmo tempo em que abriga extremistas acusados de xenofobia como Mario Borghezio, o partido defende posições historicamente consideradas “de esquerda”.
Estão em seus discursos bandeiras como direitos dos trabalhadores (estes, por sua vez, ligados aos sindicatos) e investimentos nos pequenos empreendedores a despeito das grandes multinacionais. “É um partido fortemente ligado ao território local, exatamente como era o Partido Comunista Italiano”, explica Maria Sofia Corciulo, professora de História das Instituições Políticas na universidade La Sapienza de Roma.
Acusados de neofascistas, os leguistas se defendem. Alegam que o fascismo era um movimento de motivações nacionalistas, justamente o contrário do que a Lega prega: regionalização da Itália, menos poder ao Estado central e mais força às comunidades. “Não são neofascistas, nem da direita tradicional”, explica Giacomo Pacini, historiador dedicado à política italiana a partir dos anos 70. “A Lega, nos últimos anos, está crescendo e colhendo votos da esquerda e da direita justamente por ser um partido pragmático que não aposta em ideologias”.
O fermento do movimento leguista parece estar na observação atenta das mudanças do mundo na última década. Pacini explica: “o voto ideológico desapareceu juntamente com as classes sociais no velho estilo monolítico. Hoje, as pessoas se preocupam mais com a própria carteira do que com os grandes ideais”. Exemplo disso são os operários. Com o dissolução da “classe operária” – que votava maciçamente na esquerda – a Lega consegue colher votos dos próprios trabalhadores de fábricas, algo impensável em um passado não muito distante.
A estrutura da Lega deve ser seguida por outros grupos no país. O Partido Democrático (PD), maior força da esquerda, deve ser o primeiro. Cambaleante após as eleições regionais, o PD, que governava 11 regiões e ficou com sete depois da abertura de urnas, já discute a possibilidade de mudança. Na semana passada, o ex-premiê Romano Prodi declarou à imprensa que seu partido precisa se modernizar, descentralizando poder. Justamente uma das características mais fortes da Lega. “Seu poder está no investimento feito em líderes regionais”, anota Maria Sofia Corciulo. “É um modelo que se provou vencedor e que muitos outros partidos deverão seguir”.
O pragmatismo da Liga Norte pode ser facilmente compreendido em sua relação com o hoje premiê Silvio Berlusconi. Em 1995, Umberto Bossi, número 1 da Lega, comparou Berlusconi a Mussolini ao dizer que ambos faziam uso de monopólios televisivos para sustentar o próprio poder. Berlusconi, em resposta, declarou que “jamais se sentaria em uma mesa em que Umberto Bossi estivesse sentado”. Dois anos depois, Bossi voltou a apontar os canhões contra Il Cavaliere, dizendo que havia provas de que o dinheiro que ajudou a formar o império financeiro de Berlusconi era investimento direto da máfia siciliana Cosa Nostra.
No começo dos anos 2000, parte da Liga Norte aliou-se à coligação de centro-esquerda liderada por Romano Prodi para derrotar Silvio Berlusconi. Como sinal do mar agitado da política italiana, em 2006 a Lega participou da coligação que reelegeu Berlusconi e hoje ocupa importantes ministérios. A primeira semana de abril deste ano selou mais uma fase emblemática do partido mais polêmico da Itália: após o sucesso nas urnas, Bossi e Berlusconi se reuniram reservadamente para decidir o futuro do país. Na pauta, federalismo fiscal (sonhado pela Lega), reforma da Justiça e presidencialismo (encampados por Berlusconi).
Sobre separatismo e sobre a Padania, nenhuma palavra. “A Lega não quer mais a Padania, isso é claro. Um que outro político ainda defende isso, mas o partido entendeu que quando parou de falar nesse assunto a se concentrou em temas concretos como trabalho e segurança seus votos se multiplicaram”, aponta Pacini. A ideologia não é a luz a iluminar os salões do norte.”
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LÚCIA MÜZELL
Direto de Paris
Pró-supremacia branca, extrema-direita britânica vive ascensão
Eleitor da extrema-direita francesa quer Sarkozy mais radical
Tags: BNP, direita, extrema-direita, França, Frente Nacional, Itália, Lega Nord, Liga Norte, Lúcia Müzell, Partido Nacional Britânico, pragmatismo político
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Cesare Battisti? Ninguém se importa
Lula se reunirá amanhã com Silvio Berlusconi. Ambos estarão em Washington para a cúpula sobre segurança nuclear convocada por Barack Obama. Lula e Berlusconi, reservadamente, devem falar sobre Cesare Battisti.
No Brasil e na Itália, o assunto Battisti morreu. A repercussão da reunião de Lula e Berlusconi é zero. Nada. Acontecesse meses atrás, o encontro estaria na pauta da imprensa e guiaria as discussões de quem acredita que a) Battisti é um injustiçado e cometeu crimes políticos b) Battisti é bandido comum.
No Brasil, Cesare Battisti ganhou mais exposição do que sua figura comporta na Itália. Por aqui, qualquer pessoa que conheça o assunto sabe que Battisti é, como se diz, “peixe-pequeno” perto daqueles que o governo italiano realmente quer de volta.
Peixe pequeno, mas de boca grande. Battisti virou alvo por falar de mais. Livre em Paris, escreveu livros, fez amigos importantes, ficou famoso. Estava vivendo “alla grande”, como dizem aqui na Bota — “por cima da carne seca”, em bom português brasileiro. As famílias das quatro pessoas mortas por Battisti ou por seus companheiros consideraram que o ex-revolucionário estava pisando nos cadáveres que deixou. Nem mesmo a esquerda, que presumivelmente deveria defendê-lo, o fez.
O encontro de amanhã pode jogar mais alguma luz sobre essas questões. Poucas, ao que tudo indica. Lula precisa cuidar da sucessão no Brasil, Berlusconi quer começar uma fase de reformas institucionais na Itália. O caso, até ontem de vida ou morte, com declarações exageradas de ambas as nações [aqui e aqui], é hoje uma nota de rodapé.
Na política, assim como no futebol, a torcida logo apaga um campeonato quando outro começa.
Quem tiver curiosidade para saber como vivem os refugiados italianos em Paris pode ler esta reportagem aqui, escrita por mim e pelo Mário Camera para a revista IstoÉ.
Tags: Berlusconi, Brasil, Cesare Battisti, Estados Unidos, EUA, Itália, Lula, nuclear, reunião, Washington
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Como vencer a crise
A Itália venceu a crise. Como? Com financiamento público de campanha.
Monte uma lista eleitoral e receba de volta cerca de 4 euros por eleitor inscrito. Dinheiro público em forma de reembolso. Limpinho. Veja nosso vídeo e aprenda como tirar o pé da lama.
Tags: Crise, Itália, Italia dei Valori, Lega Nord, lista eleitoral, partidos, PD, PDL, regionais
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Pelos, direitos humanos
O portal G1 listou aleatoriamente 10 políticos que “saíram do armário”. O top ten encabeçado [inevitável duplo sentido] por americanos mostra clara perda de poder e influência da Itália nas questões de relevância mundial. De cabeça [!] me lembro de ao menos três políticos da Bota merecedores(as) de um lugar no time.
Vladimir Luxuria

“Cadê mim?”
Nichi Vendola

“Fiz teatro”
Piero Marrazzo

“Rezando forte, cardeal”
Não quero criar celeuma, mas o pessoal aí de cima é tudo de esquerda.
[pausa pra desenho]
Tags: Berlusconi, gay, Nichi Vendola, Piero Marrazzo, trans brasiliano, Vladimir Luxuria
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Exportação de bocha
Sempre me bate a dúvida sobre a posição que devem ocupar dois dos maiores produtos de exportação brasileiros para a Itália: quem vem antes, os travestis ou as acompanhantes? Isso me transtorna.
Observem Regina Profeta no início deste vídeo de carnaval dos anos 80 (que mais parece uma mistura de festa infantil com kerb da melhor idade):
Regina profeta – su la coppa di champagne
Regina Profeta fez sucesso na Itália por seus dotes artísticos. A principal contribuição da bailarina brasiliana, no entanto, foi justificar seu sobrenome: 20 anos depois, profeticamente [ããã], o mundo político italiano se reduz a um imenso baile de carnaval — Regina Profeta samba no meio do salão.
Guido Bertolaso, herói nacional, salvador no terremoto de L´Aquila, chegou ao Haiti cheio de moral e adotou como primeira medida anti-crise — como bom italiano — criticar alguma coisa. Nesse caso, os EUA e sua operação de socorro. Hillary Clinton magoou.
Nos últimos dias, Guido Bertolaso perdeu os super poderes quando parte de sua biografia foi revelada por interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. A brasileira Regina Profeta esta lá, ao telefone, intermediando uma sambadinha de Bertolaso com outra brasiliana, “Mônica”. Mônica é massagista. Você sabe o que uma massagista faz? “Tira o $tress”, dizem por aqui.
“Tudo certo?”, pergunta Regina para Mônica depois da massagem.
“Tudo certo”, responde Mônica, dizendo que o cliente ficou “contente”.
Boas mãos deve ter a Mônica.
Um cliente como Bertolaso precisa estar “contente” e relaxado na hora de liberar verbas e licenças a quem possa, por exemplo, lhe pagar uma massagem.
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Guido Bertolaso passou a semana no balança-mas-não-cai. Caso caia, será a segunda vez em poucos meses que um importante homem público italiano vai pro abra$$o por relações diretas com nossos co-nacionais: Piero Marrazzo, governador da região Lazio, pediu afastamento do cargo depois de ser filmado enquanto recebia uma massagem localizada de “Natalie”, o transexual brasileiro da foto abaixo.

“Tiro o $tress.”
Como se vê, a onda do Braziu Potência bateu em cheio aqui na Bota. Exemplos de nossa mão-de-obra especializada não faltam.
Que orgulho.
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ps. Nas gravações de Bertolaso há fortes suspeitas de enriquecimento ilícito (aka Roubo). É a parte chata da história, ninguém se importa.
Tags: Brasil, Brasile, Guido Bertolaso, Itália, Mônica, proteção civil, Regina Profeta
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