Morrendo na América

Fabricio Pontin | Estados Unidos 18:30 | 03/09/2010

Em Junho recebi da secretaria para alunos internacionais aqui do departamento um pedido de ajuda para uma aluna estrangeira. A aluna, no caso, estava com câncer e precisava de apoio financeiro para enfrentar a doença. Já tinha algum tempo que ela tinha recebido o diagnóstico e ela tava brigando para conseguir algum tipo de cobertura no sistema de saúde local.

Acontece que o plano de saúde obrigatório que a faculdade oferece para os alunos tem uma cobertura ambulatorial bastante restrita. Na realidade, ela cobre cerca de 70% das despesas médicas ambulatoriais, e deixa o aluno na mão com os custos de exames extras, tratamentos excepcionais e a temida ‘condição prévia’. A condição prévia é uma cláusula no contrato com o plano de saúde dizendo que eles não são responsáveis pela cobertura de doenças crônicas ou hereditárias já presentes no momento da assinatura do plano. No caso dessas doenças, portanto, você tem o atendimento emergencial, mas tá sozinho no atendimento ambulatorial.

Por exemplo: digamos que você quebra o dente jogando futebol. O plano garante que você vai chegar no hospital e ter um remendo feito no dente, mas não garante nada além disso. Fica sob a responsabilidade do aluno o pagamento dos remédios para dor, da anestesia geral e mesmo de uma eventual prótese. Mesma coisa se você quebra uma perna.

No caso de câncer, o furo é ainda mais embaixo. Muitos planos tem uma clausula de exclusão de cobertura, ou seja, tem que comprar separadamente a cobertura para câncer. Enquanto aluno internacional, é bem possível que o plano de saúde desconsidere o perfil do aluno (falido, estrangeiro) e negue cobertura.

Foi o caso dessa moça. Aluna internacional, sem visto permanente e com apenas o plano de saúde da universidade. Quando a gente chega aqui, o pessoal orienta que se procure outros planos. Mas esquecem de mencionar que para contratar um plano de saúde privado é necessária uma história de crédito constituída e uma conta bancária ativa. A maioria dos alunos internacionais não tem condições, com bolsas que variam entre $700 e $1800, de 1) constituir uma história de crédito e 2) ter uma conta que não viva no vermelho. Já que conseguir um empréstimo é impossível, resta ao aluno internacional com uma doença crônica a dependência da caridade alheia.

Americanos adoram doar dinheiro. Se for para alguém de um país pobre, oprimido e com uma religião exótica, mais ainda. Acontece que doações são troco para o tipo de gasto relacionado com um câncer. Mesmo mobilizando a faculdade inteira para conseguir doações, a menina conseguiu impressionantes $1800, que ela usou para voltar para a Malásia e morrer junto da família.

Não sei se isso é melhor ou pior do que morrer na fila do SUS. Mas o interessante é pensar que as pessoas ficam doentes e morrem sem sequer passar pela consideração de algum cuidado médico. No entanto, preciso dizer que toda vez que eu precisei de cuidados médicos aqui (e paguei – caro – por isso), o serviço prestado foi absolutamente primoroso.

E o Obamacare? Antes de mais nada, vale lembrar que o plano ainda está na fase de implementação e que mesmo quando for totalmente ativo (em dois anos), não vai cobrir imigrantes sem green card. Ou seja, para os alunos internacionais a situação permanece a mesma.

O papo que rola entre os alunos é o seguinte: não fique doente. Tenha um plano de saúde no seu país de origem e a grana para a passagem de volta pronta, caso tenha uma emergência.

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Enquanto isso, no meio-oeste…

Fabricio Pontin | Estados Unidos 14:57 | 26/08/2010

Ontem, na porta de um dos pubs aqui de Carbondale, IL:


(clica para aumentar)

Traduzindo:

A partir de 18 de novembro de 2010
PESSOAS VESTINDO QUALQUER UM DOS SEGUINTES ITENS DE VESTIMENTA NÃO SERÃO ADMITIDOS NO RECINTO:

- Roupas largas de qualquer tipo
- Boné com aba reta
- Qualquer boné não utilizado com a aba para frente ou para trás
- Bonés com etiquetas ou adesivos visíveis
- Calças baggy, rasgadas ou de cintura muito baixa
- Camisas ou tops largos;
- Bandanas e do rags

OBRIGADO POR SUA COOPERAÇÃO
A DIREÇÃO


ay, y’ll


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Discutindo as cores do trenó

Fabricio Pontin | Estados Unidos 20:25 | 22/08/2010

Dentro de uns vinte dias fará nove anos que um bando de retardados mentais ativistas radicais islâmicos resolveu sequestrar quatro aviões. Dois desses aviões, como vocês bem sabem, acabaram atingindo o World Trade Center. Não tem muito o que dizer sobre o evento que já não tenha caído no lugar comum, então os pouparei de ter que ouvir coisas como “a unilateralidade norte-americana foi atingida no seu coração e a organização geopolítica do globo nunca mais foi a mesma”.

Corta para dois meses atrás, quando um grupo de muçulmanos decidiu construir, a quatro quadras de onde era o World Trade Center, um centro cultural islâmico que teria, inclusive, uma pequena mesquita. De uma hora para outra, a construção desse centro cultural adquire uma relevância nacional. Gente começa a falar contra a tal da mesquita “no ground zero“, os colunistas conservadores surtam citando o suposto [ta, nem tão suposto assim, o cidadão fez um monte de bobagens e falou coisas bem idiotas, de fato] passado horroroso do cara que idealizou o projeto. Pessoas falam sobre “agressão à memória das vítimas do terrorismo islâmico que vitimou Nova Iorque” e por aí vai. O mais interessante é que quase todos (especialmente os contrários) falam do tal centro islâmico como se ele fosse ser construido dentro do projeto da Freedom Tower — que será levantada no local onde estavam as Torres Gêmeas.

Não vai. Como eu disse, o centro fica a quatro quadras de onde era o World Trade Center, na mesma distância onde se pode encontrar igrejas, uma simpática loja de acessórios para drag queens, dois ou três clubes de Yoga, lojas de departamento… enfim, qualquer coisa.

Ao mesmo tempo que o presidente dos Estados Unidos e o prefeito de Nova Iorque perdem dias tendo que justificar o direito de um grupo em construir um local de culto e um memorial, parte da população local gasta energia protestando contra a construção deste mesmo local.

Com esse debate adquirindo relevância nacional, nem parece que os Estados Unidos estão perdendo a guerra no Afeganistão, recuando no Iraque depois de constatar a completa estagnação da região e tendo dificuldades em se recuperar de uma recessão violenta. Mais ainda: discute-se a relevância de um projeto satélite à construção do World Trade Center enquanto, depois de nove anos, esse é o atual estado do ponto dos atentados:

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Se eu perder, não brinco mais

Fabricio Pontin | Estados Unidos 15:47 | 12/08/2010

Para começar, um pouco de contexto:

Na Califórnia, e em vários estados aqui na terra do Tio Sam, o camarada que arrumar um certo número de assinaturas pode colocar uma proposta de lei entre os ítens para serem votados em uma determinada eleição. Em 2008, as seguintes propostas entraram em campo:

1A) Aprovar o financiamento público de um trem-bala de Los Angeles para San Francisco
2) Implementar padrões mínimos para o tratamento ético de animais em confinamento
3) Autorizar o financiamento público e benefícios fiscais para hospitais de crianças
4) Emenda constitucional (na constituição do Estado da Califórnia, bem entendido) regulando autorização paternal para abortar gravidez de menores de idade
5) Novo estatuto regulando fiança, sentença e liberdade condicional para crimes não violentos
6) Implementação de um financiamento para um novo programa de penas criminais e segurança pública
7) Implementação de um programa de energia renovável na Califórnia
8 ) Emenda constitucional (no Estado da Califórnia, de novo) definindo casamento como a união entre um homem e uma mulher e banindo o casamento homossexual.
9) Emenda constitucional sobre sistema criminal, especialmente direitos das vítimas e punição de crimes violentos.
10) Autorização para implementar títulos públicos de financiamento de energia renovável e combustível renovável.
11) Emenda constitucional regulando mudança de endereço
12) Autorização para implementar títulos públicos para financiar a compra de imóveis para ex-veteranos.

Pois bem, o primeiro choque foi que quase todas as legislações progressistas levaram um sonoro não. Os californianos decidiram que não iam financiar legislação ambiental alguma, não iam diminuir o volume do poder punitivo do Estado sobre a vida nua dos cidadãos desfavorecidos que são hordienamente massacrados pela malha Estatal-Soberana, impositora de um certo domínio higiênico-populacional de regras (que na realidade expressam o caráter de exceção do regime de poder Estatal) de forma agônica e atemporal.

Um choque, mas nem tanto, afinal, a Califórnia tem uma população carcerária enorme e elegeu Conan para governador (isso depois de ter eleito o Cowboy do Brooklyn).


pega na minha espada

Mas a coisa realmente deu polêmica com a tal da Proposta 8. A que define casamento como a união entre papai e mamãe, que nem Jesus disse e a Bíblia falou. Todo o beautiful people californiano (pensem no Sean Pean, na Susan Sarandon, enfim, no povo de Hollywood) começou um gritedo sem limite na hora que a legislação foi introduzida para ser votada. Algumas organizações de direitos civis entraram na Justiça, requisitando que a proposta fosse retirada da ordem do dia. A Suprema Corte da Califórnia se manifestou dizendo que não via nada de errado no formato da proposta e que ela tinha todos os requerimentos para entrar na ordem do dia. Ou seja: vai ter voto.

Acontece que o Estado da Califórnia já estava casando homossexuais. A proposta 8 buscava justamente cessar a prática e os efeitos dos casamentos realizados desde a implementação da legislação anterior. O slogan da campanha era “restaure o casamento” e focava nos efeitos nocivos (!!!) do casamento homossexual para a sociedade e os bons costumes.

Mas pera aí, a Califórnia não era o paraíso liberal?

A imagem que a maior parte das pessoas tem da Califórnia se confunde com a imagem de Hollywood e de São Francisco. Algo mais ou menos assim:


Demori, me liga!

Acontece que a Califórnia, sozinha, tem o quinto maior PIB do mundo. Boa parte dos conservadores fiscais dos Estados Unidos ou moram na Califórnia, ou tem negocios lá. Fora do centro de influência de Hollywood e São Francisco (as cidades universitárias, as comunidades hippies e os paraísos para os podres de rico), o Estado é extremamente conservador. Uma boa olhada na lista de governadores desde 1953 dá um quadro da coisa: apenas três governadores democratas. Poderia-se argumentar que os Republicanos que governam a Califórnia são conservadores fiscais, mas não de valores. Isso era verdade até a transformação profunda que o Partido Republicano sofreu nos últimos quinze anos. Hoje, um republicano que é apenas um conservador fiscal é um republicano sem grana para financiar a campanha.

The Big Money

A restituição dos valores de família, tradição e propriedade falou muito alto para todo mundo que não era da panelinha Hollywood-San Francisco e mesmo com o Arnold dizendo que achava melhor votar contra a proposta, os proponentes da restituição do casamento “tradicional” foram direto ao ponto:

Traduzindo tudo: “quem vai proteger nossas crianças desse bando de pervertido?”. Isso é o canto da sereia para a dona de casa entediada do Vale do Silício, que não aguenta mais ver o professor do jardim de infância do filho dela desfilando de sunga na parada gay pride de São Francisco. A dona de casa, então, fala para o marido magnata dar a grana para a campanha e vai votar. Ela também vai falar com todas as amigas dela, igualmente de saco cheio, irem votar.

Somem a isso o fato de que os conservadores fiscais que injetam grana na economia californiana são, em boa parte, de Utah. E Utah, sabe-se, acredita que homossexualidade é uma doença e oferece tratamento para pessoas acometidas da enfermidade (até 1980, sodomia era crime no Estado inteiro, hoje, é considerada uma contravenção leve e os praticantes são remetidos a clínicas de re-habilitação). Com isso, a campanha tinha muito dinheiro para queimar.

Participação, interesse e resultados

Ainda assim, não dá para acreditar que o lobby pró-casamento tradicional tinha mais dinheiro que o lobby contra a passagem da lei. Se os conservadores fiscais têm muito dinheiro, Hollywood tem muito mais. Ainda que as donas de casa chateadas com o professor gay tenham mandado cheques de 10$ para a campanha pela familia tradicional, o sindicato dos professores da Califórnia doou 1.5 milhão de dólares para a campanha contra. No mínimo, houve um empate na quantidade de grana investida.

Só que não houve mobilização significativa do lado contra a legislação. Enquanto os conservadores cooptavam diversos setores da sociedade (inclusive Democratas religiosos, como os Batistas), o outro lado ficava em uma lenga-lenga aborrecida sobre igualdade formal, fugindo desesperadamente do debate sobre a questão da homossexualidade, focando nos direitos iguais. Claramente, a disputa era pelo voto dos negros e dos latinos na Califórnia, que são em grande parte religiosos e teriam mais simpatia pelo discurso da igualdade, mas talvez nem tanta sobre a parte envolvendo os homossexuais.

Isso foi um erro estratégico por parte dos opositores da proposta oito. Alguns homossexuais se sentiram alienados da campanha e o assunto perdeu uma identidade, perdeu o rosto. Ninguém sabia quem é que eram essas pessoas que perderiam o direito a casar, porque a campanha escondia isso. Enquanto isso, em São Francisco e em LA ninguém realmente acreditava que os conservadores tinham chance. Resultado: não foram votar.

Do outro lado, todo mundo votou. Os negros e latinos de forma decisiva com os conservadores. Mesmo com a indicação contrária do Obama, do Arnold e do Sean Penn, a proposta 8 passou como lei.

Assim não brinco mais

No dia seguinte, os liberais de Hollywood e São Francisco acordaram da festa do dia anterior e descobriram que, bem, eles tinham esquecido de ir votar. Seguiu-se grande comoção pública. De uma hora para a outra, a questão adquiriu o rosto que não tinha na época da campanha. Uma das melhores iniciativa foi “não divorcie meus pais”:

Organizaçõs de direitos civis novamente entraram na justiça, dessa vez para pedir a inconstitucionalidade da proposta e sustar os efeitos da lei imediatamente. Semana passada o pedido foi reconhecido por uma corte distrital na Califórnia e agora a lei será julgada pela Suprema Corte californiana. Se a Suprema Corte californiana negar o pedido e revalidar a decisão do referendo, o único caminho para as organizações civis na Califórnia seria apelar para a Suprema Corte de Washington, com base em princípios constitucionais.

Acontece que a decisão da corte distrital foi claramente política e a Suprema Corte da Califórnia pode, sim, reverter a decisão do tribunal. Na realidade, ela deve reverter a decisão, já que ela foi mobilizada antes do referendo e disse que a matéria sendo discutida não era inconstitucional. O que mudou?

De certa forma o que mudou foi a pressão social. A decisão sobre a legalidade do referendo foi recebida com relativa calma na Califórnia, já que as organizações de direitos civis acreditavam poder ganhar o jogo. Uma vez que elas perderam, resolveram apelar novamente.

E se fosse o contrário?

O problema todo é o seguinte: se o referendo foi ilegal, ele foi ilegal para os dois lados. E se a decisão tivesse privilegiado o interesse dos que favorecem o casamento homossexual? Onde estariam essas organizações de direitos civis agora? Continuariam alegando a ilegalidade do referendo?

Parece que, e eu lamento dizer isso, o pessoal não está sabendo perder. A atitude correta, do ponto de vista procedimental, seria esperar pela próxima eleição e inserir uma proposta cancelando a legislação anterior.

Ainda assim, existe uma chance da Suprema Corte tomar uma decisão política hoje e voltar atrás na decisão tomada há poucos meses. Qualquer que seja o resultado, existe um risco da parte que perder ir apelar para a Suprema Corte em Washington. Mas é um risco grande, uma vez que a Suprema Corte em DC pode decidir por nem receber o protesto – para evitar uma posição nacional sobre o casamento homossexual; ou pode receber e julgar o protesto válido, tornando qualquer legislação banindo casamento homossexual inconstitucional, em qualquer lugar dos Estados Unidos.

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Obama, as mulheres de Palin e 2012

Fabricio Pontin | Estados Unidos 09:15 | 02/08/2010

O Real Clear Politics, da CNN, mandou a primeira bomba: 49% da população acha que o Obama não está fazendo um bom trabalho. Depois, os números gerais sobre a reeleição: Obama: 37 – Um Republicano Qualquer: 42. Finalmente, a Gallup lança um mapa com a aprovação do Obama por Estado:


Clique para ampliar

Pois bem, comparem este mapa com o mapa que deu a vitória ao Obama. O que acontece é o seguinte: se os lugares onde o Obama tem a aprovação abaixo de 50% votassem AGORA, ele perderia a eleição.

O elemento mais crítico das eleições nos Estados Unidos são os swing states — os Estados que mudam de voto mais facilmente. Qualquer candidato Republicano sabe que não tem chance em Illinois ou em Nova Iorque na próxima eleição e nem o depoimento de Jesus em pessoa consegue fazer um Democrata ganhar no Tennessee ou em Kentucky. Mas a coisa muda de figura em estados como Ohio, Indiana, North Dakota, Pennsylvania, West Virginia e Florida: nesses Estados, um detalhe na propaganda eleitoral ou uma mudança na situação econômica podem alterar o voto de parte da população. No mapa, já dá para perceber que Obama tem uma aprovação baixa em alguns desses Estados, o suficiente para colocá-los no campo de influência dos Republicanos.

Obrigado, Carter
Os Republicanos começam a se movimentar agressivamente para tornar o Obama o novo Carter. A missão é mais fácil do que parece: Obama está tendo um ano terrível. Apesar de ter passado duas reformas importantes (a financeira e a do sistema de saúde), ninguém parece lá muito otimista com o estado da economia, e os crescimentos foram muito pequenos para criar qualquer mudança de perspectiva na população. Mesmo com um Congresso de maioria Democrata, Obama parece estar de mãos atadas e, de quebra, tem uma dificuldade enorme em comunicar as suas vitórias.

Para alguém com uma capacidade enorme de fazer discursos memoráveis, Obama tem mostrado uma incapacidade notável na hora de falar ao público. A reforma do sistema de saúde foi uma vitória importante, mas ninguém entendeu o novo sistema. Obama passou semanas, talvez meses, tentando explicar como tudo funciona. De nada adiantou. Uma olhada rápida no website do New York Times sobre o assunto dá uma medida do tamanho da complicação: a reforma foi aprovada meses atrás e detalhes da implementação continuam sendo discutidos, pessoas continuam fazendo perguntas simples e recebendo respostas mirabolantes. A reforma do sistema financeiro surtiu efeito parecido: passou alguma coisa no Senado, mas os efeitos da passagem da reforma não foram sentidos no dia-a-dia.

Os Republicanos têm aproveitado isso para polarizar ainda mais a eleição de 2012. A pergunta deles parece ser: “se esse cara não consegue nem mobilizar um Congresso favorável e se comunicar com os eleitores, como a gente espera que ele consiga ganhar duas guerras e resolver a maior crise econômica institucional desde 1929?”. É uma boa pergunta.

A militancia e “the big fat Clinton money machine”
Algumas das grandes críticas da Hillary a Obama, ainda da época da definição do candidato dos Democratas, têm se confirmado: Obama tem muita capacidade de fala, mas falta poder de definição; Obama tem pouca experiencia, e “hope” não é uma estratégia assim como “change” não é uma política; e por aí vai.

No entanto, foi para os Clintons que o Obama correu quando foi eleito. Isso depois de tudo que a Hillary havia feito durante as primárias para a eleição de 2012.

Mas qual o motivo para isso?

Em primeiro lugar, não foi uma opção do Obama. Foi uma necessidade. Ainda que a campanha de 2007 tenha sido marcada pela participação de voluntários e uma chuva de dinheiro de doadores de pequeno porte, assim que Obama foi eleito ficou claro que a quantidade de dinheiro que eles eram capazes de arrecadar online era patética diante da grana que os congressistas precisavam para poder prometer apoio. E mais patética ainda diante das campanhas necessárias para passar a reforma do sistema de saúde, por exemplo.

Com isso, Obama teve que ir para onde está o dinheiro. E o dinheiro está com os Clintons. Acontece que isso comprometeu o apoio de parte da militância do “hope”, que queria uma mudança na politica externa e uma reforma radical do sistema financeiro. Com os Clintons, a politica externa mudaria pouco e o sistema financeiro menos ainda.

No entanto, Obama continuou sendo tachado de socialista radical, possivelmente muçulmano e totalmente preto pela oposição Republicana. Enquanto ele perdia tempo se defendendo — dizendo que era um liberal clássico, totalmente batista e só preto na parte camarada e cantora de soul music –, os Republicanos foram aumentando o volume da critica, usando o pessoal do Tea Party como idiotas úteis [vídeo: O que é o Tea Party movement].

A volta do pop-conservadorismo

“Die, monster, die”

Essa senhora aí em cima é a Karen Handel, futura governadora da Georgia, um dos Estados mais desiguais dos Estados Unidos. A dona Handel é apenas uma das diversas mulheres que fazem parte de uma espécie de tropa de choque de apoio a Sarinha Palin em 2012. Em uma entrevista recente, a Palin caracterizou a dona Handel como “pro-life, pro-Constituição e cumpridora”, essas três qualidades que, podemos dizer, são o pacote mais importante para eleger um Republicano no sul dos Estados Unidos. Não que seja difícil eleger um Republicano no sul dos Estados Unidos, é claro.

Por muito tempo, desde a eleição de Bush I, os Republicanos têm uma estratégia clara para ganhar eleições. A chamada “deep south strategy” consiste em garantir os Estados ao sul de Illinois e ganhar em outros quatro ou cinco Estados (incluindo a Califórnia). A estratégia falhou toda vez que a situação econômica não beneficiava os Republicanos: em 1992, Bush I perdeu a eleição por uma crise econômica atribuída ao presidente. Em 96, Clinton foi reeleito com uma boa margem de vantagem, em um clima econômico fantástico. Em 2000, Bush II foi derrotado por Al Gore em uma eleição insossa que acabou sendo decidida pela Suprema Corte, em favor de Bush II. Bush acabou sendo reeleito por um reconhecimento da liderança durante o período dos atentados e também pela completa falta de carisma de John Kerry, seu opositor. Com as crises econômicas de 2007, nenhum candidato Republicano teria qualquer chance. McCain foi para o sacrifício, sabendo que perderia a eleição, e os Republicanos usaram a campanha para lançar novas lideranças, esperando poder ganhar em 2012 – redesenhando o mapa eleitoral nos termos de 1988.

Para isso, os republicanos estão reciclando a ideia do “amavel conservador” (“compasionate conservative), que ganhou as eleições para Bush I e II. A ideia é focar em valores do candidato como “gente como a gente”, e consolidar o opositor como um elitista incapaz de plantar uma alface. Nesse sentido, e em muitos outros, a estratégia dos Republicanos lembra muito a do Partido dos Trabalhadores para eleger Lula. Focar nos pontos pessoais, elaborar uma política econômica de relativa austeridade e prometer desenvolvimento social. No entanto, a diferença é que, enquanto no Brasil um candidato não pode, sob pena de suicídio político, falar contra políticas sociais governamentais, os republicanos podem montar plataformas inteiras demonizando a própria ideia de política social governamental.


“Olhe para os meus olhos”

As mulheres que surgem agora, na surdina da Palin, são o exemplo mais bem elaborado dessa estratégia. São, todas elas, mulheres casadas, religiosas, com filhos, que sabem atirar, sabem pilotar caminhão e “nunca precisaram do governo para nada na vida”. As eleições regionais estão cheias dessas mulheres que surgem na cola da Sarah Palin, imitando o estilo. Nos Estados ao sul, a vitória dessas candidatas é lógica. Mas a surpresa (para o horror dos Democratas) é que algumas pessoas com esse perfil têm tido sucesso fora do bible belt.


“Manterei minhas armas, liberdade & dinheiro. Você pode ficar com o ‘troco’”. [Clique para ampliar]

Cronica de uma derrota anunciada?
Devemos esperar a Presidente Palin em 2012?

Em geral, o clima é de decepção com o governo Obama. O papelão na administração do desastre do Golfo do México certamente não pode ser atribuída ao governo passado e a estagnação no Iraque, a derrota no Afeganistão e as duas batidas na trave de atentados em território americano (somados ao ataque bem-sucedido no Kansas) certamente não ajudam. De quebra, a situação econômica não melhorou.

No entanto, seria um equívoco pensar que os republicanos vão ganhar essa eleição facilmente. Sarah Palin é uma piada ambulante e pode perder o pleito em alguma declaração desastrada. As outras lideranças Republicanas parecem ter alguma cautela ao entrar na próxima eleição e arriscar uma derrota que acabaria com suas reputações. A tendência é que Palin seja a candidata em 2012 para incomodar Obama e criar um antagonismo ainda maior – perdendo a eleição, mas mobilizando os Republicanos para eleger um Congresso claramente oposto aos Democratas e inviabilizando o segundo mandato do Obama na prática. Com isso, o caminho estaria livre para Huckabee ou Mitt Romney em 2016.

A politica externa não será tão importante quanto a interna. Qualquer que seja a impressão sobre Obama nas questões internas, ela vai ser repassada para a externa. Se ele for visto como incapaz de liderar e decidir internamente, essa vai ser a impressão para a política externa. Esse não é um fenômeno da próxima eleição americana, mas de qualquer eleição. Um papelão na política externa de Clinton não o impediu de ser reeleito, e Reagan, que deve ser responsável por 90% da confusão que os americanos armaram no Afeganistão, foi reeleito com uma margem de votos impressionante. Ambos têm em comum um período de bonança na política interna.

Com isso, é fácil presumir que as próximas eleições vão mudar o mapa eleitoral americano sensivelmente, indicando a perda de popularidade de Obama e dos Democratas. Mas o quadro ainda está longe de ser definitivo. Se Obama seguir perdendo popularidade, talvez Mitt ou Huckabee decidam concorrer na próxima eleição. Os Republicanos teriam um novo Reagan depois do novo Carter.

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“WikiLeaks falha big bang mediático”

braziu.org 11:46 | 31/07/2010

Por Jorge Almeida Fernandes – do publico.pt

A guerra não precisa das “revelações” do WikiLeaks para ser o pesadelo da NATO e de Obama. Se o site pôs em risco a vida de informadores afegãos, diz o seu fundador, a culpa é da Casa Branca, que não respondeu ao seu pedido de ajuda. A “maior fuga de informação da história militar” está a redundar em fiasco. Ao fim de dois dias saiu das primeiras páginas. Por Jorge Almeida Fernandes

“A operação do site WikiLeaks foi inédita pela sua escala – uma fuga de informação de mais de 90 mil documentos militares – e demonstra que a Internet pode mudar as regras do jogo da guerra, agravando a vulnerabilidade do “segredo militar”. Foi um sucesso de propaganda para Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Era o esboço de uma revolução nos media, em que um site participativo ditava a sua lei de “transparência” a três jornais históricos. Mas, ao terceiro dia, o tema desapareceu das primeiras páginas. Terá sido um flop?

O WikiLeaks é uma organização peculiar. Especializada na divulgação de documentos confidenciais, é uma máquina “blindada” em termos de segurança informática e, refugiada em “paraísos informativos”, não está sujeita a nenhum sistema legal. “É a primeira organização informativa do mundo sem Estado”, anotou Jay Rosen, professor de Jornalismo em Nova Iorque. “Isto é novo. Tal como a Internet, o WikiLeaks não tem endereço territorial nem sede central.”

A operação foi cuidadosamente montada. A informação foi antecipadamente passada a três “jornais de papel” – The New York Times, The Guardian e o semanário Der Spiegel. Por que não colocaram a documentação em linha para que os media de todo o mundo a ela pudessem ter acesso?

Assange explicou há meses que a “transparência” passa pelas leis do mercado: “Acredita-se que quanto mais importante é um documento mais divulgado ele será. É absolutamente falso. Tem a ver com a oferta e a procura. Uma oferta fraca arrasta uma procura forte e é isto que tem valor. Quando difundimos uma coisa em todo o mundo, a oferta é infinita e, portanto, o valor aproxima-se do zero.”

Os três jornais de referência serviram para caucionar a fuga e maximizar o seu impacto. E prestaram um serviço: reuniram especialistas para descodificar a linguagem, as siglas e o calão das comunicações militares. Em bruto, este tipo de documentação é ilegível.

Jornalismos
Cada jornal explorou a informação segundo a sua óptica. O NY Times sublinhou a duplicidade do Paquistão; o Guardian focou os relatórios sobre vítimas civis; o Spiegel realçou o encobrimento da difícil situação das tropas alemãs pelo Governo de Berlim. São três ópticas em consonância com as sensibilidades nacionais.

O título de primeira página do NY Times – Paquistão ajuda a insurreição no Afeganistão – mereceu uma ironia de Anne Applebaum, no (concorrente) Washington Post: será isto “notícia”, quando o NY Times reportou e analisou, dezenas e dezenas de vezes, a cumplicidade entre os serviços secretos militares paquistaneses e os taliban?

Esta ironia liga-se ao paradoxo da fuga: os documentos não têm praticamente novidade. Mostram, disse um jornalista, que a guerra é um inferno e é suja, que as operações provocam mais vítimas civis do que a estatística oficial reconhece, que o Paquistão é dúplice, que o Governo de Cabul é corrupto, que há incompetência e desorientação entre os militares da força internacional. A fuga pretendia explorar o “efeito de massa” e os imensos detalhes inseridos em milhares de documentos.

Assange assume-se como um justiceiro, que “adora esmagar patifes”, e qualifica a actividade do seu site como “bom jornalismo” e “um serviço de informação do povo”. Quanto ao objectivo da operação, diz: “Há uma tendência para acabar com a guerra no Afeganistão. Esta informação não é isolada e provocará uma viragem política significativa.”

O repórter italiano Gian Micalessin, que tem coberto a guerra afegã, denuncia o “bom jornalismo” do WikiLeaks. Na conferência de imprensa em Londres, na segunda-feira, Assange colocou a diferença entre boa e má informação “na autenticidade das fontes, capazes de transmitir uma indiscutível verdade”. Ora, os 92 mil documentos são “informações” recolhidas no campo, ao mais baixo nível de intelligence. O equivalente a um relatório de polícia “no local do crime”.

Resume Micalessin: “A procura da verdade – tanto no campo da intelligence como no do jornalismo – não se baseia apenas no acesso às fontes e aos documentos, mas também na capacidade de os analisar e construir uma trama capaz de fazer compreender o encadeamento dos acontecimentos e da estratégia.” Fontes em bruto são matéria-prima, não informação.

O jornalismo, dizia-se outrora, é o primeiro rascunho da História.

A arte da fuga
As fugas de informação são o nervo do jornalismo político desde que a liberdade de imprensa se afirmou. Há pequenas e grandes fugas, as de revolta moral, as de ressentimento e as de intoxicação. E há fugas que marcam a História. Dois exemplos americanos clássicos são os “Pentagon Papers” e as revelações do “Garganta Funda” no caso Watergate.

Ao contrário dos documentos do Afeganistão, os “Pentagon Papers” eram um conjunto de análises e relatórios das mais elevadas fontes – Casa Branca, Pentágono, CIA… – que cobriam, em 7000 páginas, a intervenção americana na Indochina ao longo de 22 anos (1945-67). Os papéis foram laboriosamente fotocopiados por Daniel Ellsberg, um analista da Rand Corporation que participou na sua elaboração. Crítico da guerra no Vietname, Ellsberg passou-os ao NY Times, em 1971.

Eles permitiam dizer categoricamente que a “Administração Johnson mentiu sistematicamente não só ao público como ao Congresso sobre um assunto de transcendente interesse nacional”. Teve grande impacto, porque o sentimento antiguerra já estava maduro. E o efeito foi reforçado quando Nixon tentou impedir a sua publicação, que feria a nova estratégia de alargar o conflito ao Laos e ao Camboja para negociar em posição de força.

Radical foi a eficácia do “Garganta Funda”, que hoje se sabe ter sido Mark Felt, subdirector do FBI: gota a gota, foi desfiando informações que culminaram na demissão de Nixon, em 1974.

Ellsberg, que admira Assange, fez um paralelo entre os seus casos. Declarou numa entrevista que esta fuga de informação é a mais importante desde os “Pentagon Papers”. Com uma diferença: “Tem uma escala muito mais larga e, graças à Internet, deu a volta ao mundo muito mais rapidamente.”

Ellsberg pôde fazer a fuga, porque tinha sido inventada a fotocópia. Assange não só beneficia da Internet, como da vulnerabilidade da informação electrónica. É uma das razões de alarme do Pentágono, que fez da identificação do informador ou informadores do WikiLeaks “um objectivo estratégico”. O problema é que todos os militares mobilizados no Afeganistão, os analistas do Pentágono e seus parceiros privados podem aceder, via Intranet, a este tipo de informação.

“A Web tornou-se uma ameaça para as nações em guerra, porque a informação secreta é decisiva para o sucesso ou o fracasso no conflito. Quem revele um segredo e o difunda numa escala gigantesca pode influenciar a guerra”, anota o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

A guerra
A operação teve efeitos políticos. Na Europa, os sectores críticos da guerra subiram a pressão sobre os governos, exigindo a retirada do Afeganistão. Poderá ser este o efeito mais imediato. Em Washington, Obama enfrenta a pressão dos “pacifistas” democratas. Um ponto crítico é a nova quebra de confiança entre os EUA e o Paquistão. As revelações confirmam a ideia de atolamento e inutilidade da guerra, mas, ao contrário da previsão inicial de alguns analistas, não produziram um sobressalto dramático na opinião pública americana.

O fundamental está noutro plano: a guerra do Afeganistão não precisa do WikiLeaks para ser um pesadelo da NATO e dos americanos. Em Agosto de 2009, uma fuga de informação filtrada pelo Washington Post atribuía ao general Stanley McChrystal a afirmação de que os EUA só tinham 12 meses para inverter o curso da guerra. Que se passa um ano depois?

Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations e que foi conselheiro de Colin Powell na era Bush, assina na Newsweek um artigo intitulado: Não estamos a vencer. E não vale a pena. A estratégia da contra-insurreição não está a resultar, diz. E nenhuma das opções que Obama tem à disposição é agradável. Restará ao general Petraeus reduzir as operações e poupar a vida de soldados, aguardando uma aproximação aos taliban. “Quanto mais depressa aceitarmos que o Afeganistão não é um problema a resolver mas uma situação a gerir, tanto melhor.”

Flop?
Na quinta-feira, Assange defendia-se de ter divulgado, na versão bruta colocada em linha, documentos com nomes de informadores afegãos, denúncia feita pelo jornal britânico The Times após investigação. Argumentou que tinha pedido à Casa Branca, na semana passada, que colaborasse com o site de modo “a minimizar a possibilidade de nomes de informadores serem divulgados”. Não teve resposta!

O magazine Slate chama a atenção para o facto de, após dois dias de estrondo, o assunto ter desaparecido da primeira página do NY Times. “A rapidez com que a imprensa e os políticos normalizaram o material como “não notícia” indicia que Julian Assange, líder do WikiLeaks, se poderá ter equivocado no desejo de produzir o grande bang mediático.” O segredo da gestão das fugas é administrá-las gota a gota. “Mas a estratégia gota a gota requer determinar o que é mais importante na história.” A falta de novidade torna essa escolha problemática.

No seu blogue na Foreign Policy, Tom Ricks ironizou: “Os milhares de documentos lembram-me o que é ser repórter: imensas pessoas diferentes a contar coisas diferentes. Leva algum tempo a distinguir o lixo do ouro.”

O antigo hacker Julian Assange diz ter outras munições na manga. Aguardemos a próxima “bomba”.”

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Não acham o Bin Laden porque não querem

Leandro Demori | Itália 19:19 | 29/07/2010

Uma investigação nos Estados Unidos estima que até 6,6 mil túmulos do Cemitério Nacional de Arlington, o principal cemitério militar do país, possam conter erros de identificação.

São túmulos com problemas de registro, sem identificação ou com identificação errada nos mapas do cemitério.

O escândalo sobre os túmulos com erros de identificação já havia sido revelado no mês passado, quando uma investigação das Forças Armadas estimou que 211 túmulos apresentassem problemas.

Nesta quinta-feira, porém, em audiência no Congresso, a senadora democrata Claire McCaskill (Missouri) disse que o número é bem superior, e pode chegar a 6,6 mil túmulos. [BBC]

Potência imperialista totalitária com seus mecanismos precisos de imposição do domínio mundial.

Ou, como diria o filósofo, “não sabem nem contar defunto”.

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Sabe as praias do Sul dos Estados Unidos?

Leandro Demori | Itália 21:54 | 17/06/2010

Rolando altas ondas.

[via obe]

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Ele quer ser seu amigo

Leandro Demori | Itália 14:45 | 03/06/2010

George W. Bush abre conta no Facebook.

add!

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RATO TERRORISTA ROUBA A CENA DO BARACK

Fabricio Pontin | Estados Unidos 18:00 | 21/05/2010

Mais uma evidência do terror islâmico que infiltra a malha sistêmica do estado de direito.

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