Caso haja segundo turno, o que José Serra deve fazer?
Vote na nossa nova e sen$acionau enquete participativa-e-de-qualidade.
Que político brasileiro você é?
É segunda-feira e nós deste Braziu julgamos absolutamente compreensível que você não faça nada de nada para justificar seu salário miserável antes de responder a um chamado cívico.
“Que político brasileiro você é?”
Clique na frase acima, depois em “go to application (vá para o aplicativo)”, responda ao nosso $ensacionau quizzzzzzz (…rónc) no Facebook e sinta-se parte desta grande democracia representativa. Aproveite e vire nosso amigo [miguxo].
Não esqueça de postar o resultado na caixa de comentários deste post.
Postado originalmente em 8 de março de 2010
Tags: democracia representativa, fauna, identificação, políticos brasileiros
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Uma questão de empatia, ou “Parabéns, Presidente Dilma”
Enquanto a Dilma vai se consolidando com 50% nas pesquisas, resta ao PSDB olhar para os lados e tentar entender como é que a eleição foi perdida. Vou tentar dar um panorama da coisa, e tentar traçar a jornada que o PSDB protagonizou para conseguir fazer o papelão que deve ser confirmado na eleição de outubro.
Um candidato abandonado

Serra começou a perder essa eleição no momento em que Aécio Neves abandonou o barco. Aécio seria a escolha lógica de vice para o Serra, dando um contraponto um pouco mais carismático para a imagem sisuda do governador de São Paulo. No entanto, Aécio resolveu que abriria mão da candidatura à presidência, evitando se expor em uma chapa com alta chance de fracasso. Pelo contrário, ele resolveu se isolar em Minas Gerais e garantir uma eleição ao Senado – se colocando na linha de frente para a eleição de 2014.
Com isso, Serra se viu só em um partido famoso por ter muito cacique mas poucos índios. Logo, os potenciais candidatos a vice foram dando negativas à chapa tucana e o PSDB teve que inventar um candidato a vice completamente sem expressão política.
Claro, eu não sou imbecil o suficiente para indicar que o candidato a vice-presidente decide alguma coisa. Mas enquanto Dilma se aliava com o Michel Temer, oficializando o alinhamento entre PMDB e PT, Serra era obrigado a inventar uma coligação com o DEM no papel de principal coadjuvante.
Nesse momento, a eleição já estava desenhada. Ainda que Serra mantivesse uma liderança nas pesquisas, a popularidade do Lula, somada à baixa rejeição da Dilma, colocava um cenário difícil de ser revertido: as pessoas que não conheciam os candidatos estavam se decidindo, em uma proporção quase geométrica, pela Dilma. E em um cenário onde ninguém vota movido por ideologia, mudar esse tipo de tendência é extremamente complicado.
O idiota útil

Ciro Gomes tinha grandes planos para essa eleição. Até julho do ano passado, Dilma não parecia decolar nas pesquisas de voto, e Ciro parecia ser o “trunfo” para garantir o projeto político capitaneado pelo PMDB e por Lula (que é bem diferente do projeto político do PT, que a essas alturas pouco importa). Ciro poderia não apenas garantir um segundo turno contra Serra, ele poderia também ser o candidato de Lula no segundo turno (no eventual fracasso de Dilma).
Mas algo aconteceu no momento em que Lula resolveu que Dilma seria a próxima presidente do Brasil: a mulher do Lula começou a aparecer nas pesquisas e a inacreditável popularidade do presidente foi transmitida para a mãe dos pobres. Com isso, Ciro perdeu toda a utilidade. No espaço de um mês, de potencial candidato à Presidência, Ciro passou a candidato de fachada, para garantir Dilma no segundo turno. Em quarenta e cinco dias, o segundo turno era um fato com ou sem Ciro. Em dois meses, Ciro sequer aparecia como potencial candidato à vice em uma chapa capitaneada por Dilma. Depois de um ano, Dilma pode (e talvez deva) ganhar no primeiro turno. O que aconteceu no meio tempo?
Um peixe chamado Lula
Faz mais de dois anos que Lula não baixa da linha dos 60% de aprovação. Isso não tem precedentes no cenário democrático brasileiro. Não cabe aqui analisar os motivos da aprovação do presidente, nem questionar se a aprovação é merecida. Até porque fazer esse tipo de coisa é charlatanismo. Mas o fato é o seguinte: Lula é o presidente mais popular que o Brasil já teve (pelo menos desde que existem institutos para medir popularidade). Como é possível competir com a candidata de um presidente que chega a inacreditáveis 80% de avaliação positiva?
Serra é um homem inteligente e sabia que não poderia ganhar nesse cenário. Talvez a gente possa compreender o completo colapso da “plataforma eleitoral” (e haja aspas) do Serra a partir da constatação de que não havia muito o que fazer. O melhor era tentar levar a coisa até o segundo turno e esperar que alguma coisa (tipo uma foto da Dilma roubando comida de um bebê faminto no sertão sergipano) pudesse mudar o cenário.
Mais que isso, nem Serra nem Dilma tinham rejeição altas. Isso é um fator relativamente novo em uma campanha brasileira. Se a gente observar as eleições de 1989, 1994 e 1998 vamos perceber claramente que o candidato derrotado sempre teve uma rejeição muito alta. Quase sempre isso foi vinculado a imagem do Lula. Lula somente ganhou a eleição quando conseguiu deslocar a imagem de operário-combativo para o Lulinha-paz-e-amor. Nem Dilma, nem Serra precisaram se preocupar com esse fator. Apenas agora, no final da eleição, Serra está com 31% de rejeição. Em 1994, Lula nunca teve menos de 38% de rejeição. E em 1989 chegou a ter, no segundo turno, 42% (quase a mesma porcentagem que Collor tinha na espontânea, indicando que quase todos que votavam em Collor não votariam em Lula sob hipótese alguma). Da mesma forma, em 2000, o desgaste do governo Cardoso contaminou a campanha de Serra que, no início de Setembro, tinha 34% de rejeição — e nunca tinha ficado abaixo dos 30%. Nessa eleição, apenas agora algum candidato passou dos 30%, e me parece interessante que justamente o candidato de oposição tenha chegado primeiro nessa linha.
Como não fazer uma campanha
Vai ficar para a história o tamanho da burrada que o PSDB cometeu nessa campanha eleitoral. Serra tinha poucas chances, é verdade. Também é verdade que suceder um presidente com 80% de aprovação é uma tarefa inglória, e talvez Serra esteja mais interessado em garantir sua aposentadoria no Senado na próxima eleição (ao contrário de Ciro Gomes, me parece que a carreira política de Serra não acabou nessa eleição, ele ainda tem alta aceitação em São Paulo. Ciro cometeu suicídio político ao se incomodar com Lula e queimou todas as pontes com o PSDB no passado – e eu adoraria que alguém me explicasse o que diabos levou ele a mudar de domicílio eleitoral para São Paulo).
Mas nada explica a postura do PSDB nessa eleição. Não vou nem entrar na discussão barata sobre a postura da “grande mídia”. A questão aqui não é como a imprensa abordou ou deixou de abordar a candidatura do Serra, da Dilma ou da Marina (que, francamente, foi apenas uma distração para a classe média antenada, incapaz de perceber uma candidata extremamente fraca e bastante conservadora). A questão, isso sim, é como o Serra decidiu levar a campanha.
Sabendo que a derrota era praticamente inevitável, Serra tentou garantir um segundo turno, alegando “fazer um governo tipo o do Lula, mas sem aquele monte de petista”. Ao ver essa estratégia fazer água, o PSDB resolveu tirar da cartola uma meia dúzia de escândalos que ninguém entendeu, uma outra dúzia de argumentos com os quais ninguém se importou e uma série de críticas que só podem ser piada. Mais que isso, Serra decidiu engolir a tese segundo a qual a estabilidade econômica é merito do Lula, apenas para não ter que mencionar o nome de FHC (talvez por ter sido prejudicado por esse mesmo nome em 2002). Com isso, Serra protagonizou uma campanha sobre o nada.
O mais interessante disso tudo é perceber que a Dilma não existe. A Dilma é uma invenção do Lula, e é por isso mesmo que ela vai vencer a eleição. Restava ao Serra tentar salvar a própria pele em uma campanha com um resultado quase inevitável. Mas o medo de perder no primeiro turno tomou conta da campanha tucana, que passou as últimas semanas atacando a candidata de um presidente extremamente popular (e, claro, tentando atingir o próprio presidente no caminho).
Resultado: Serra tem menos votos hoje do que no ano passado em quase todas as simulações, e qualquer pessoa que entende o mínimo de eleição vai te dizer que quando um candidato começa a cair abaixo do “valor inicial”, ou a correr em uma velocidade mais baixa do que a do início da corrida, é porque o carro tá quebrado.
Tags: Aécio Neves, Cavalo, Ciro Gomes, DEM, Demência, Dilma, Eleições, Lula, pesquisas, política, PSDB, PT, Serra
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Para você, qual é a maior ameaça à paz mundial?
Vote na nova enquete deste Braziu e participe publicaedemocraticamente do famigerado Clube dos 2%.
Para você, qual é a maior ameaça à paz mundial?
- Lula presidindo a ONU (28%, 25 Votes)
- O PIG (Partido da Imprensa Golpista) (20%, 18 Votes)
- Dilma Rousseff (14%, 12 Votes)
- Ban Ki-moon começar a ser levado a sério (9%, 8 Votes)
- José Serra (13%, 11 Votes)
- Entrada de um elefante atômico por algum dos 700 túneis que levam a Gaza (16%, 14 Votes)
Total de votos: 88
Mais enquetes-delícia podem ser encontradas aqui.
Tags: Ban Ki-moon, Cavalo, Dilma, elefante, enquetes, ONU, PiG, Serra
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Datafolha e Vox Populi são caso de polícia?
Para o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), sim. Em seu blog, o neto do caudilho máximo da política brasileira diz:
Se o Brasil fosse um país sério, o Ministério Público Eleitoral estaria, neste momento, pedindo uma investigação sobre as pesquisas eleitorais. Não há variação amostral que justifique a diferença entre o que apontam, na região sul, o Datafolha e o Vox Populi.
E segue:
Como eu tenho dito diversas vezes, alguém está mentindo. Não há explicação estatística para tamanha diferença.
Para concluir que:
Em qualquer país do mundo isso ia dar processo para alguém. Mas aqui passa batido.
[leia o post de Brizolinha na íntegra]
Como nós aqui deste Braziu acreditamos profundamente que o Braziu é um país sério [mentira], pedimos para que nosso filósofo imperialista Fabrício Pontin explicasse para o deputado a matemática da vida.
Assista imediatamente:
Nova enquete | vote djÁ | O que é “ética”?
Pesquisas refinadas de audiência efetuadas nas últimas semanas comprovaram o que já sabíamos: que este Braziu tem alta taxa de leitores com algum tipo de dano cerebral moderado. Muitos, portanto, jamais de nunca olharam para o ladinho e perceberam que ali, ó (—–>) publicamos nossas extra-$ensacionais €nquetes-delícia.
Portanto, decidimos postar aqui a enquete desta semana.
Governistas aceitam desafio de Serra para debater ética nas eleições, diz ministroO PT está disposto a atender ao chamado da oposição para fazer um “debate ético” nas eleições de outubro, como anunciado pelo pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra. Segundo o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), os governistas querem discutir o tema “ética” porque acreditam que a gestão Luiz Inácio Lula da Silva conquistou avanços no setor. (Folha)
Baseados no comportamente éticó, próbó & ilibadó de nossos políticos, este Braziu quer saber: “Para você, o que é a ética?”.
Você pode votar diretamente aqui:
Serra e Dilma estão dispostos a discutir "ética" no debate eleitoral deste ano. Para você, ética é:
- Só falo na presença do meu advogado (41%, 33 Votes)
- PMDB (4%, 3 Votes)
- Roubo (6%, 5 Votes)
- Algo entre o roubo e o PMDB (26%, 21 Votes)
- Palavra pra usar quando me pegarem com a boca na botija: "sou ético, probo e ilibado" (23%, 18 Votes)
Total de votos: 80
De hoje em diante, acostume Tico & Teco a darem as mãos, mova os olhinhos lentamente para o ladinho direito, identifique GRANDE ZONA LARANJA com palavrinhas dentro e OKK: você encontrou a enquete.
Vote imediatamente.
Darcy Ribeiro superado
Não leu Darcy Ribeiro e anda se achando o último dos últimos por não entender nunca jamais a aLLma deste nosso povo bananense? CaLLma, este Braziu ajuda você: apresentamos a pesquisa A Crise no DF e a Possibilidade de Intervenção Federal, publicada pela Secretaria de Opinião e Pesquisa do Senado Federal depois de ouvir 1.269 bananóides em 81 cidades. Se quiser, pegue o estooodó completo em .pdf maroto [aqui].
25% não viu nada de nada + nada. Meia + Cuecão + Panetone saíram em absolutamente TOOOOODOS os lugares possíveis e inimagináveis da mídia má, feia, bobona, golpista, direitosa, capitalista e feia (eu já disse isso?) mas, com a margem de erro, um em cada 4 bananóides jamé ouviu nada.
Aqui piora melhora piora não sei acho que piora um pouco bastante bem pouco quase nada na verdade: além dos que jamais ouviram falar, 3 em cada 10 bananóides não sabe do que se trata.
Para 37% do povu, não é preciso que o Papai Estado Mais Maior interfira em nada. Outros 4% zzzzz….rónc…zzz..póf
Obviamente não adianta o Papai Estado Mais Maior de Grande interferir: 88% das pessoas acredita que haverá impunidade.
Caso o Papai Maior interfira, a coisa melhora: só 79% acha que não dará nada de nada pra gente que deveria pagar na Justiça, mas chama atenção também o número de pessoas que zzzzz…ronc….plóft… não têm opinião alguma: dobra, saltando de 2% pra 4%.
Agora pode queimar O Povo Brasileiro e sair por aí dando aula de bananidade nos botecos da vida.
Tags: Arruda, Brasília, Darcy Ribeiro, pesquisa, Senado, sepop, zzzz
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Nova CNI/Ibope
Serra: 35
Dilmão: 30
Agora, a parte que importa:
A rejeição da Dilma baixou (de novo), de 41% para 27%. Serra parece que estacionou na linha dos 35% enquanto a Dilma sobe de forma constante. Isso define alguma coisa?
O líder do PSDB na Câmara, João Almeida, em entrevista para o Terra Magazine, diz que não tem como competir. O Serra tem as obrigações dele como governador, e a Dilma fica usando a máquina o tempo todo para se promover. Ele acredita que a coisa vai mudar quando começar a campanha oficial, já que o Serra, “sem fazer nada”, continua na frente.
O Almeida teria razão em um cenário onde a Dilma estivesse com a rejeição estacionada ou aumentando. Mas a Dilma continua diminuindo a diferença e também a rejeição (não esqueçam que nem todo mundo que diz “não rejeitar” a Dilma vai votar nela). É verdade que a eleição não começa de verdade até o horário eleitoral, mas é complicado tu convenceres o eleitor que já mudou de opinião uma vez sobre um candidato a mudar de novo .
Sobre a hipótese de mudança de candidato do PSDB do Serra para o Aécio. Não vai rolar, esqueçam. Só se o Aécio resolver jogar mal, e até agora ele provou entender este jogo eleitoral relativamente bem. Não tem nenhum motivo para a gente pensar que o Aécio resolveria vestir a camisa e sacrificar uma campanha bem sucedida para o Senado (e uma provável chance grande de eleição em 2014) para que o Serra possa se eleger governador de São Paulo novamente.
Não é meu papel aqui questionar a metodologia do Ibope, da Datafolha ou do Gallup. Eu entendo que existe uma desconfiança generalizada quanto ao formato destas pesquisas de opinião (e parte disso é do jogo, já que os próprios partidos políticos tendem a descontar as pesquisas na medida que elas colocam eles em apuros). Mas tem um padrão desenhado nas últimas três pesquisas. Este padrão vai assim:
1) A eleição está entre Serra e Dilma
2) A Dilma diminui a diferença (inicialmente abismal) entre ela e o Serra
3) A Dilma diminui a rejeição (fundamental para o segundo turno)
Este padrão permite concluir que a transferência de popularidade do Lula para a Dilma é uma realidade (expressa na queda da rejeição).
E o Ciro? Pelo que percebo, tem duas tendências na leitura da participação do Ciro nesta eleição. A primeira ia ler a participação dele como fundamental para a ocorrência do segundo turno. Isso era quando o espaço entre a Dilma e o Serra era quase de 20% e um aliado petista em uma chapa diferente poderia “captar” votos de indivíduos que rejeitam a Dilma. Agora? Agora isto é história antiga. Daí entra a segunda tendência de leitura, que seria ver o Ciro como um terceiro candidato – de fato. Não sei se esta leitura faz sentido em um cenário onde a Dilma e Serra tem uma rejeição relativamente baixa (27 e 25%, respectivamente). Talvez isso vá ser o caso no momento que a campanha iniciar na TV.
Outra coisa, 42% dos entrevistados não sabem quem é o candidato do Lula. Levando em consideração a transferência de popularidade como um fato nas últimas pesquisas, é uma boa idéia manter este dado em mente para a próxima pesquisa: se mais pessoas souberem quem é o candidato, e este candidato ter a rejeição seguindo em queda, o Serra vai ter um grande pepino na mão dele.
Eu sei que, historicamente, é muito cedo para conclusões em cenários eleitorais como o brasileiro. Mas vamos combinar que a grande aposta da Dilma é a transferência de votos. Conforme isso vai se consolidando nas pesquisas, a gente vai ser capaz de desenhar um padrão irreversível. Vou insistir isso com vocês: uma vez que o cara muda de opinião, que ele deixa de rejeitar o candidato, fazer ele voltar para a negativa é muito complicado. A grande esperança do Serra, daí, é fazer com que o cara que não acha a Dilma tão ruim ache ele um pouco melhor. Nas próximas pesquisas a gente vai poder perceber se isso tá acontecendo no momento que a Dilma estacionar em um porcentual “x” e a rejeição dela continuar diminuindo. Daí, a gente vai saber que ela não tá conseguindo transformar a relativa popularidade dela em votos. Mas boa sorte para o Serra se esta for a melhor aposta dele para o segundo turno.
Tags: Ciro, CNI/Ibope, Dilma, Rejeição, Serra
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Fazendo sentido da reforma da saúde
Se tem um ponto de compreensão quase impossível no atual cenário político aqui nos Estados Unidos é o tal do Health Care Reform. O Washington Post, que ano passado virou o melhor jornal do país, tem toda uma sessão dedicada para elucidar pontos do debate. Uma grande parte da discussão aqui é o quanto as pessoas sabem sobre a proposta e o quanto todo o ruído (dos dois lados) não tá fazendo um trabalho de desinformação.
Antes de mais nada, vou tentar explicar brevemente como funciona o sistema de saúde aqui. Para início de conversa, não existe um plano federal de saúde universal. Isso significa que se tu cruza a fronteira entre Illinois e Missouri tu vais estar exposto a um plano diferente, a um tipo de proteção diferente – e legislação sobre os planos privados, também Portanto, muitas vezes ao mudar de um estado para outro tu podes perder proteção – porque teu plano privado não tem cobertura, ou porque tu estavas em um lugar com um plano público muito bom (tipo MA) e foi para um lugar com um plano público inexistente (tipo TN). Então tu precisas comprar bônus para cobertura ampla, ou te informar se teu plano privado oferece uma cobertura para além do Estado onde tu moras. Do contrário, tu te arrisca a ir parar em uma emergência sem um plano que te garanta cobertura.
O que acontece? Bom, depende. Não é tão horrível quanto o que o Michael Moore te contou no SICKO, mas é bem perto daquilo. No geral o que acontece é que o pessoal chega no hospital, recebe tratamento e depois recebe uma agradável conta pela a prestação de serviços. Muitas vezes tu chega no hospital acreditando ter cobertura, passa do atendimento de emergência para o ambulatorial e percebe com alegria que na realidade teu plano não tinha cobertura ambulatorial adequada e agora tu vais ter que pagar pelo atendimento. Ou pior: teu plano só tinha cobertura de consulta, não tinha cobertura de emergência! É normal tu teres um plano que cobre 80% das despesas ambulatoriais e 100% das de emergência no papel, só que na letra pequena tu percebe as condições de cobertura e tu vais ver que eles não cobrem no caso de “condição prévia” – ou seja, se tu tens uma condição crônica é possível que teu plano alegue que não vai cobrir aquele procedimento, já que ele é prévio a tua assinatura do contrato.
Pior ainda: é comum tu teres uma cobertura emergencial garantida, mas não conseguir suportar o impacto do tratamento completo – pode ser pela tua incapacidade de pagar sozinho pelo tratamento, ou pela negativa de cobertura do teu plano privado (que tu pensavas que ia te ajudar). Aí é o caso que tu vai ver gente extraindo o próprio dente por não conseguir pagar o procedimento de tratamento de canal, ou estrangeiros viajando de volta ao país de origem para fazer um determinado procedimento. Em caso de lesão muscular isso é especialmente comum: o cara consegue o tratamento de emergência para um braço quebrado, mas todo o resto do tratamento muitas vezes não é sequer suportado pelo seguro. Pior ainda: se tu não tens um plano de saúde e chegar em um hospital com o braço quebrado, eles podem até te dar um tratamento emergencial, mas vão te cobrar por isso.
O que acontece então é que se torna normal tu adquirir uma dívida pesada para conseguir um tratamento. No geral, a dica é “não fique doente!” e como todo mundo fica com medo de ir para o hospital (já que tu podes ter uma surpresa desagradável), a tendência é o pessoal se auto-medicar. Daí tu crias uma industria de medicamentos que tu compras no balcão para tentar resolver uma situação que precisaria de ajuda médica. Consequentemente, as pessoas ficam doentes por mais tempo e ainda arrumam um problema de dependência química. Ou pior: arrumam receitas fraudulentas – ou roubadas – para comprar uma determinada droga.
De novo, este cenário é mais comum na medida que o Estado te oferece menos benefícios, e o Medicare, junto com o Medicaid, tenta dar uma aliviada nesta situação ao oferecer um valor mínimo de cobertura. Mas o Medicare funciona como um plano privado administrado pelo Estado. Tu pagas pelo Medicare individualmente, ou contrata uma empresa privada para manejar o Medicare para ti. O Medicaid funciona como uma espécie de “auxílio farmácia”, tu pode apelar para descontos em medicamentos genéricos ou pedir para as farmacêuticas te cederem alguns medicamentos específicos (boa sorte!).
Ou seja, os Estados Unidos não têm um plano público de saúde. Não vem me dizer que o Medicare é um plano público, não é. Também não vem me dizer que a reforma não tem apoio público. A coisa não é assim tão simples, basta dar uma olhada nos números.
Em termos brutos, 45% da população diria para o seu congressista votar a favor do plano. 48% votaria contrário. A princípio, então, a balança pesa contra o plano público, pois os americanos são individualistas, não gostam de governo e não se importam com a saúde alheia, certo?
Não, completamente errado.
O Wordle, que é uma ferramenta que calcula a densidade de uso de determinadas palavras em uma pesquisa, mapeou a frequencia dos termos usados por pessoas que apoiam e pessoas contrárias ao atual plano.
Pessoas que apoiam o plano destacaram as seguintes palavras:
Destacam-se aí “povo”, “necessidade”, “bancar”, “seguro”.
E as pessoas que não querem o plano?
Destacam-se aí “governo”, “custo”, “povo”, seguro”
Talvez tu ainda queiras assumir este debate em termos de individuo contra governo. Tudo bem, até aqui o debate denota uma tensão entre o custo de deixar a saúde pública na mão do governo e o custo de não ter um gerênciamento público da saúde pública. No fim das contas, tu podes apontar para pessoas que de um lado perguntam “Como o governo vai gerenciar isso sem quebrar o país no processo?” (o valor principal fica em CUSTO DO GOVERNO) e do outro perguntam “Como é que eu vou fazer para pagar por um plano de saúde privado nesta economia?” (o valor principal fica em NECESSITO UM SEGURO).
Mas estas são as respostas imediatas ao plano de saúde e elas respondem nos termos utilizados tanto pela bancada que apoia quanto a que contraria a medida. Ou seja: estas são respostas mal informadas.
Como assim?
Vamos pegar a resposta de indivíduos quanto as propostas do Obamacare, uma por uma:

A primeira coluna marca o coeficiente de favorabilidade, pensem em “zero” como neutro, 50 como muito favorável, 100 como totalmente favorável, -50 como muito contrário e -100 como totalmente contrário. Uma forma simples de ver isso é pelas cores: quanto mais verde, mais favorável é a percepção da reforma. Quanto mais vermelho, mais negativa.
A segunda coluna é o porcentual bruto de “awareness” (traduzi como “ciência”, poderia ser “informação”) sobre aquela determinada medida no plano de saúde do Obama. Onde o espaço está em branco, o percentual é o mesmo do anterior.
(traduzi a tabela do Nate Silver, aqui)
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Tu aindas estas inclinado a ver isso como um problema com o papel do governo na saúde pública?
Vamos focar no aspecto técnico e cruzar os dados: o maior negativo bruto é o -32 para o débito público de 320 bilhões de dólares, -40 a obrigação individual de adquirir um plano de saúde e -17 para o adiamento da eficácia da medida até 2013. Só que o débito público é algo que as pessoas entendem .63% das pessoas que responderam a pesquisa sabem deste custo, porque é este custo que elas escutam o Glenn Beck propagandear na Fox. Por outro lado, entender que o plano pode diminuir o déficit público no longo prazo, através de uma regulação mais rigorosa dos planos privados e da garantia de saúde pública mínima para indivíduos é um pouco mais difícil – sobretudo pela confusão das medidas que vivem entrando e saindo do plano. Daí que apenas 48% sabem que a medida reduz o déficit, 44% sabem que a medida melhora a cobertura do Medicare e 58% sabem que ela permite a troca de plano.
Se tu colocares isso em perspectiva, tu vais perceber que os 48% que colocaram GOVERNO e CUSTO como prioridade estão associando a perda de segurança econômica individual com este rombo que o plano de saúde proposto pelo Obama vai causar enquanto é implementado. Eles também colocam este custo como algo que eles valorizam MUITO NEGATIVAMENTE (-37 na média , tu podes tentar brincar um pouco aqui e colocar a média específica dos republicanos em -67 e ver o que acontece com a possibilidade deles apoiarem este plano).
Só que a escolha deste republicano é completamente irracional – nos termos do próprio republicano, diga-se de passagem. Isso é porque a manutenção da atual configuração do sistema de saúde norte-americano (i.e.: inexistente) contribui para o aumento do déficit público, enquanto os custos da implementação do novo sistema vão diminuir o déficit público no longo prazo.
Ou seja, se o republicano ao ser informado (e temos motivos para acreditar que ele não está informado sobre isso) da relação custo-benefício do novo plano se manter irredutível na sua posição contrária ao plano, então podemos dizer que na verdade ele não valoriza “GOVERNO” e “CUSTO” na forma como ele havia denotado antes. Mas não temos motivos para pensar que ele ficaria nesta posição, até porque a tabelinha ali em cima coloca claramente um apoio (+22, algo como “acho bonzinho”) geral as medidas propostas (isso computando a rejeição notável ao custo).
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Como justificar então que a proposta não passe?
Parece claro que a questão é o nível de informação dos constituintes, que estão pressionando seus respectivos congressistas para votar contra a medida, não está no melhor interesse dos constituintes – ou seja, eles estão pedindo para os congressistas votarem contra medidas que na realidade eles apoiam!.
Daí a iniciativa do Obama em chamar uma reunião pública para esclarecer os termos do novo plano de saúde, e tentar mudar o cenário de desinformação generalizada. Uns dez dias atrás a Casa Branca chamou os Republicanos para um debate na C-Span (algo como a TV Senado daqui). Está no youtube, na integra:
Só que ninguém assiste a C-Span. Então o público em geral ficou sabendo do debate pela edição na Fox, na MSNBC e na CNN junto com uma meia dúzia de especialistas comentando cada frase solta de cada membro do comitê. Ou seja: em coisa de dois dias a coisa voltou para o ponto anterior, e agora medidas voltam a ser colocadas para dentro ou fora do plano na esperança de fazer algum plano de saúde passar antes das eleições para o congresso.
Tem duas coisas para manter em mente aqui: a avaliação geral do Obama ainda é positiva. Ou seja, quando o Obama empresta um pouco do carisma pessoal à medida, ele pode fazer a diferença nas pessoas que estão pressionando os seus congressistas a votarem contra a medida (inclusive democratas que acreditam que o plano, na realidade, traz excessivos benefícios para as empresas privadas). Por outro lado, a constante mudança no texto da legislação não vai ajudar na capacidade do eleitor em entender o que diabos está acontecendo – o que diminui o tempo de barganha disponível para definir o texto desta legislação de uma vez por todas.
O Robert Gibbs, atual líder dos Democratas no congresso, aposta que a reforma passa esta semana. Na Talking Points Memo, abriram agora uma “contagem regressiva” para a reforma. Se isso acontecer, será em grande parte devido a injeção de nitroglicerina que o Obama providenciou semana passada. No entanto, é possível fazer uma relação direta entre a perda de popularidade do Obama e a dificuldade em passar legislação em um congresso e um senado ainda dominado por Democratas. Se esta legislação não passar na próxima semana, é seguro apostar em um início de padrão negativo para a popularidade do presidente – o que certamente não vai ajudar na próxima eleição para o congresso, que já promete ser complicada de qualquer forma.
Tags: Congresso, Economia, Legislação, Saúde
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