Quem são os Luis XIV da banânia?

Gabriel Brust | França 17:18 | 08/06/2010

Ao contrário da requintada classe política brasileira, os homens públicos franceses não têm a mínima sensibilidade para apreciar a beleza, a magnitude, a opulência e o encanto únicos de um castelo. Mesmo que no Brasil este tipo de construção não tenha nenhuma tradição, não faltam tentativas de dar início a uma, ainda que tardiamente. O belo trabalho de incentivo ao patrimônio histórico realizado pelo deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), por exemplo, é louvável. Contou, inclusive, com apoio irrestrito do Congresso Nacional na defesa do projeto urbanístico “Reino de São João do Nepomuceno”, orgulhando a todos nós.

Mas aqui na França, meus caros, a coisa anda difícil para quem defende os castelos. E a culpa, claro, é da – sempre ela – cruel crise econômica, que já se tornou desculpa até para o árabe que vende quebab aqui na esquina de casa começar a cobrar pelo uso do banheiro e pelo palito de dente.

– C’est la crise, chef – diz o canalha, antes de sacar o palito, limpinho, direto do bolso esquerdo da calça jeans.

Pois a crise é o motivo da vez para que as subvenções estatais aos proprietários de castelo sofram uma redução ainda maior. O fim da mamata vem de longe: entre 2003 e 2007, a ajuda estatal para os reis e rainhas wannabe caiu 33%. 2010 começou com uma medida ainda mais drástica: 34 departamentos anunciaram o fim da ajuda ao proprietário privado de castelo. Um drama que você, que não tem alma aristocrata como a do deputado Edmar, jamais vai compreender. Mas que está se tornando, segundo especialistas ouvidos pelo Le Figaro, uma ameaça ao patrimônio histórico francês.

O país conta com nada menos do que 6.450 castelos, sendo que apenas 900 pertencem ao Estado. Como os proprietários franceses não têm mais condições de manter em dia os salários dos carrascos do calabouço e do bobo da corte – há a informação de que o sindicato das duas categorias estaria convocando greve para este mês –, nada menos do que 400 castelos estão sendo vendidos por ano. O preço médio despencou pela metade por causa da crise – dá pra se tornar um orgulhoso e gordo soberano por módicos 750 mil euros.

O pior, para os franceses, é que os novos proprietários são, em parte, estrangeiros. Não há números precisos, mas a diretora do grupo imobiliário internacional Mercure, espécie de “corretora de imóveis de castelo”, contou ao Figaro que 20% de seus clientes são gringos e, o mais intrigante, é crescente o interesse de duas clientelas “exotiques”, segundo ela: os chineses e os… brasileiros!

Como nomes, endereços e telefones não são coisas fáceis de se obter neste meio dos proprietários de castelo – compreensível questão de segurança nacional dos reinos –, fica no ar o mistério sobre quem são os novos Luis XIV da banânia que estão investindo por aqui. Se forem tipos com a sensibilidade e a sofisticação do deputado Edmar Moreira, é possível que parte do seu dinheiro, caro leitor, esteja, neste momento, circulando imponente pelos corredores de algum chateau Du Vale do Loire.

Golpismo tucano-israelense

Walter Valdevino | Brasil 20:20 | 03/06/2010

O PIG direitista monstruoso golpista imperialista neoliberal anda espalhando por essa tal de internet o vídeo abaixo. Total afronta. Produzir bomba atômica URG.

O Brasil – por culpa do “cara” – é motivo de piada no programa de humor “Latma”, de Israel.

Paris-Brasília. (ou por que você jamais encontrará explicações sobre o acordo Irã-Brasil-Turquia sem olhar para o deserto)

Leandro Demori | Itália 14:00 | 28/05/2010

Antes de ler o post é obrigatório assistir ao vídeo. Não precisa ver tudo — a narração é em italiano — mas ao menos entenda o que está acontecendo.

Os corpos do filme acima foram encontrados no Saara. São uma amostra sobre a areia dos mortos que o deserto consome em nome de uma guerra bilionária promovida na África — tantos outros foram engolidos sem honras fúnebres ou sepultura. Essa gente deveria ser enterrada em Roma, em Tripoli, em Paris ou em Brasília. Ou em Washington, em Teerã, em Pequim, em Moscou. Ou no quintal da sua casa se você confia na democracia participativa somente quando ela serve para aplaudir qualquer acordo diplomático que poderia ter sido assinado em um rolo de papel higiênico.

O vídeo foi obtido pelo repórter da revista L’Espresso, Fabrizio Gatti. Gatti infiltrou-se em um grupo de imigrantes ilegais, andou de caminhão, ônibus e a pé por parte do norte da África até pegar uma embarcação clandestina na Líbia, destino Lampedusa, o ponto mais ao sul da Itália, pedaço de paraíso desejado por milhares de africanos que fogem da miséria e de conflitos armados todos os anos.

O que Gatti descobriu? Que a imigração feita em barcos como esse aí de cima não é desordenada e ocasional como muitos pensam. E que por trás da indústria de exportação de seres humanos montada por africanos e europeus — que chegam a cobrar 1,5 mil euros por pessoa pela travessia até a terra prometida — está uma guerra promovida pela França em nome de uma das matérias-primas mais importantes da atualidade: o urânio, tão discutido no Brasil dos últimos dias, aquele mesmo que o Irã quer enriquecer sob “fins pacíficos” e que o nosso país apoia e acha que está tudo bem.

Escreve Gatti:

“A estrada dos traficantes de homens foi aberta graças à guerra dos tuaregues. Uma guerra pelo urânio sustentada pela França na região de Agadez, no Níger. Os tuaregues, ajudados e armados pela França, desencadearam uma ofensiva no Saara pelo controle da região de Imouraren, onde está a segunda maior mina de urânio do mundo, menor somente do que a de Mc Arthur River, no Canadá.”

O Níger foi colônia francesa até 1958. Em 1960, depois de uma período de transição, proclamou independência. Desde aquela época, o frágil governo se equilibra entre períodos republicanos e juntas militares, golpe atrás de golpe. No meio disso estão os tuaregues, etnia que vive espalhada por diversos países da África Ocidental. Os tuaregues querem um país e, para isso, parte deles, como os que vivem no Níger, estão armados.

A guerra tuareg foi inflamada pela França porque, em 2007, o país perdeu o monopólio da extração do minério no Níger. Paris gozava do benefício desde o fim da colônia, apoiado em um direito de prioridade de compra imposto ao Níger quando este se tornou independente. O governo local enfraqueceu a França ao conceder direitos de exploração na região de Agadez, a zona tuareg, ao Canadá (15 permissões), Austrália (7), África do Sul (6), França (4), Índia (3), China (2), Rússia (2), Estados Unidos (1), Emirados Árabes (1), Reino Unido (1) e Ilhas Virgens (1). A França, em contrapartida, desestabilizou o país e a região ao promover novamente o levante étnico tuareg justamente na zona mineira.

Essa é a Areva Tower, sede da empresa estatal Areva, gigante atômico francês responsável pela exploração de urânio no Níger. Sabe o que aconteceu depois de 2007, quando a guerra civil botou a região de Agadez nas mãos dos tuaregues? Fabrizio Gatti conta:

“O Níger concedeu à sociedade Areva mais áreas de extração no país. A partir de 2012, a Areva terá tanto urânio que, para amortizar o prejuízo de 1,2 bilhões de euros com a empreitada, deve encontrar clientes.”

A Areva já encontrou seus clientes. O Brasil é um deles.

“A empresa francesa Areva, líder no setor de energia nuclear, anunciou nesta segunda-feira, em Paris, a assinatura de um contrato com as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para o fornecimento de serviços de conversão de urânio no valor de US$ 32 milhões.”

Mas o grosso está aqui:
O que diz o acordo com a Areva? A Areva fornecerá os equipamentos e financiará o projeto?

A Areva, resultante da fusão da empresa alemã Siemens KWU com a francesa Framatome, tem um contrato comercial válido para sua participação na construção de Angra 3, através do fornecimento de bens de serviços importados. Como esses contratos são muito antigos, encontram-se em andamento negociações para atualização dos mesmos. O financiamento para esse escopo importado de bens e serviços – cerca de 770 milhões de euros – deverá vir de empréstimos de bancos europeus, alguns dos quais, reiteradas vezes, vêm confirmando o interesse em participar do financiamento do empreendimento” [Eletrobras]

O mapa abaixo mostra a rota do urânio e a rota dos imigrantes. Ambos se movem, como se vê, em uma zona de conflitos internos, desestabilizada. A quantidade de gente que arrisca a própria vida em botes pelo Mediterrâneo está diretamente ligada ao jogo sujo promovido pelos interesses nucleares na região. [clique nas abas para ver o infográfico em flash]

O tamanho da confusão na intrincada diplomacia internacional é tão grande que confunde. Parece ser feito para isso. Considere que o Irã é, hoje, um bode na sala. Enquanto todo mundo olha pra ele, muita sujeira corre pelas laterais.

Por que China e Rússia, que até dias atrás preferiam o diálogo com o Irã, agora apoiam sanções após o acordo firmado entre Teerã e Brasil/Turquia? Não por acaso, China e Rússia desfrutam de concessões nas minas do Níger.

Por que Obama pediu para que o Brasil firmasse o acordo exatamente nos mesmos termos assinados por Lula e depois deixou Hillary Clinton partir para o ataque?

Música para refletir:

Jogo dos 7 erros

Leandro Demori | Itália 08:08 | 26/05/2010

Juro que tem diferença.

Enquanto isso, no New York Times:

Fabricio Pontin | Estados Unidos 08:24 | 19/05/2010

O acordo [do Irã] de última hora anunciado nesta semana com os líderes do Brasil e da Turquia foi muito similar àquele alcançado com as grandes potências no último outono.

Mas, depois de quase um semestre,

O atual acordo deixa o Irã com muito combustível, não coloca qualquer limite no enriquecimento de urânio em alta densidade e permite que Teerã retome o combustível estocado na Turquia quando bem entender e sem qualquer compromisso de negociação.

O Brasil e a Turquia, no entanto,

estão ansiosos para ter um papel mais importante na arena internacional. E também estão ansiosos em evitar um conflito com o Irã. Respeitamos esses desejos. Mas assim como todo o resto do mundo, eles [Brasil e Turquia] foram feitos de bobos por Teerã.

Portanto, o Brasil e a Turquia

devem se juntar com as demais maiores potências e votarem a favor da resolução do Conselho de Segurança. Mas, antes disso, eles deveriam voltar para Teerã e pressionar os mulás na direção de um acordo confiável e iniciar negociações sérias.

Conclusão: bonitinho esse pedaço de papel que vocês conseguiram, agora voltem lá e arrumem um que preste.

Alinhamentos

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:10 | 18/05/2010

Não tem nada de errado em um país buscar independência diplomática.

Muita gente, e gente boa, tem interpretado este movimento do Itamaraty de querer dialogar com o Irã e com os Estados Unidos na posição de um ator com interesses independentes como uma tentativa de adquirir um “passe livre” na arena internacional. Para ficar nos termos das relações internacionais: o Brasil quer poder atuar em palcos diferentes, que normalmente estariam em conflito. Quer poder jogar pelo Flamengo e pelo São Paulo – ao mesmo tempo.

Já consigo ouvir alguém gritando “mas isso não é um jogo de futebol”. Talvez, pode ser uma comparação desastrada. De qualquer forma, podemos indicar que existem diversas atitudes com relação ao Irã na arena internacional (esta grande ficção). Vou dividir a coisa aqui, vamos pensar que tem atitudes negativas, atitudes neutras, e atitudes simpáticas. Pois bem, isso seria o que chamei ali no título de alinhamento, okey?

Nos últimos dias, a China e a Russia, que estavam em uma posição de neutralidade com relação ao Irã, se moveram para o terreno “negativo” ao apoiar as sanções capitaneadas pelo Pentágono. Tanto a Russia quanto a China são (ou eram) parceiros do Irã em algumas empreitadas econômicas. Com este novo posicionamento, o Irã precisa de aliados, e rápido.

Sobraram no terreno neutro uma meia dúzia de países que não importam. Não tem voz. Não apitam. Estes não servem. Mas o que me interessa é que a entrada do Brasil enquanto parcero comercial do Irã no comércio de urânio, junto com a Turquia, nos coloca na posição de ter uma atitude simpática com o país dos aiatolás.

Energia é uma questão militar. Então me poupem do papo-aranha de “fins pacíficos”. Alinhamento político-comercial em questões de energia é um alinhamento militar. É mais ou menos como ajudar um país a produzir mísseis, por exemplo. Portanto, não é exagero algum dizer que o Brasil escolheu um alinhamento militar-comercial com o país que mais rapidamente perde apoio na arena internacional.

Eu não sei quais são as razões do Itamaraty para isso. Cada vez mais o enriquecimento de urânio entra no discurso executivo brazuca. Mas, para o Brasil, qual é a vantagem de negociar com o Irã, especialmente no longo prazo?

A Turquia poderia alegar razões estratégicas-geográficas “O Irã fica aqui do lado!”, mas o Brasil não tem razões históricas ou contingenciais para fazer esse acordo agora. Quer dizer, só se a razão for querer aparecer e adquirir algum tipo de relevância.

A história não tá pegando muito bem. Duas colunas no Washington Post nos últimos sete dias resolveram sentar o cacete no governo brasileiro (aqui e aqui). Achei os argumentos bestas. Especialmente do segundo cronista, que acha um escândalo o Brasil “ignorar o brutal governo Iraniano”. Por favor, o maior parceiro comercial dos Estados Unidos é a China. Ninguém se importa com a brutalidade alheia.

O problema desta nova atitude da diplomacia brasileira é o alinhamento. Estamos ignorando aliados históricos e procurando novos aliados. Fico curioso dos benefícios para a diplomacia brasileira em mostrar simpatia por um barco que está afundando. O governo iraniano mal dá conta das pressões internas e agora vai virar um grande parceiro comercial-militar do governo brasileiro?

Claro, o Irã – mesmo se conseguir a bomba – não vai correr o risco de virar uma grande piscina de vidro ao atacar Israel. Mas este não é o ponto para o Brasil: enquanto o Marco Aurélio Garcia fala do “escândalo” das sanções externas, o Irã perde a neutralidade da China e da Rússia. Os ratos vão abandonando o navio iraniano, e o Brasil vai alegremente a bordo com toda sua bagagem diplomática – esperando poder pular de volta para o porto seguro dos aliados históricos caso a coisa fuja de controle. Mas cabe a pergunta: e se o porto seguro negar entrada, para onde vai a diplomacia brasileira?

Meiguice miguxa > ideologia

Leandro Demori | Itália 11:06 | 11/05/2010

O universo político mundial bananóide passou uma semana chorando a capa goLLpista da revista mais goLLpista do universo mundial, a Veja.

“Gato”

No último final de semana, a IstoÉ foi às bancas com esta capa meiguxa:

“Vem sempre aqui?”

Talvez eu esteja há muito tempo longe da internet [férias, me deixem], mas não vi bateção de pernas por causa disso. Concluo que:

1. Ninguém se importa;
2. Todo mundo acha bem OK a capa da IstoÉ mas ninguém pode suportar a capa da Veja;
3. Os petistas são mais chorões e reclamões do que todo o resto

Essa historinha toda serve somente para dizer que nossa imprensa passa por uma mudança bastante peculiar. Em tempos passados, a stampa mundial se dividia entre aqueles que se declaravam imparciais e aqueles que compravam abertamente a ideia de um candidato/partido.

A imprensa brasileira, até ontem, era declaradamente imparcial. Imparcialidade é aquela coisa que — você já deveria saber — não existe. Mas como é da alma humana essa coisa de celebrar a inexistência [deus, duendes, papai noel, cinema brasileiro, gente honesta] damos um desconto.

Hoje, assistimos ao momento de assumir posições. Mesmo que eles não declarem isso abertamente, como fazia aquela velha imprensa, ao menos temos garantia de alguma diversão.

Como guia prático para as próximas eleições:
a) a Veja é a revista “do Serra”
b) a IstoÉ é a revista “da Dilma”

O próximo passo é alguém fundar um partido de direita no Braziu. Prevejo o marco fundador em 10 anos com mote contra os imigrantes ilegais (bolivianos, peruanos, colombianos, paraguaios) que “estão invadindo o Brasil e acabando com nossa economia”.

Até lá,

Click

Leandro Demori | Itália 13:58 | 30/04/2010

Notícia divulgada hoje pelo Ministério da Cultura mostra que “79% dos municípios brasileiros têm bibliotecas“, segundo dados do Primeiro Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais.

Os números oscilam dentro de uma margem de erro imaginária se comparados com os 75% dos brasileiros que não sabem ler plenamente. Por “não saber ler plenamente” entenda “analfabetismo funcional”, ou seja, 3 em cada 4 pessoas que potencialmente lerão este meu texto não compreenderão absolutamente nada — a outra mudará de assunto e dirá que este post é pró-Serra.

A interessante política de disponibilizar livros para analfabetos nos torna verdadeiros ratos de biblioteca, assumindo que ratos, até onde se saiba, também não sabem ler.

O levantamento do MinC nos mostra outras coisas.

Que 91% dos locais não oferecem serviços a pessoas com deficiência visual; que 94% não dispõem de serviços para portador de necessidades especiais; que 88% dos estabelecimentos não têm nenhum tipo de atividades de extensão, como oficinas e rodas de leitura em escolas; que 25% das bibliotecas não têm nada além de livros (computador, TV, videocassete, DVD ou sequer máquina de datilografia); que 55% não têm acesso à internet.

Como sempre há uma ponta de esperança, recorrerei à matemática mais uma vez para mostrar que as coisas não são bem assim. Veja esta foto:

Das 9 pessoas que foram fotografadas pela Agência Brasil em uma biblioteca de Brasília, apenas uma está dormindo — índice pouco superior a 10%.

Os números reais estão mal, mas ninguém pode negar que o Brasil está bem na foto.

Lula, o salvador do universo

Fabricio Pontin | Estados Unidos 00:41 | 13/04/2010

Lula, tomando as providências para ser levado a sério na arena internacional:
(via ZH/EFE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirá em seu discurso de amanhã durante a cúpula de segurança nuclear em Washington que o terrorismo não deve servir como pretexto para impedir o acesso à energia nuclear com fins pacíficos.

ã.

Em seu discurso, divulgado por antecipação à imprensa pela delegação brasileira, Lula pedirá “a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares” como o único meio para garantir que armas nucleares não caiam em mãos erradas.

Como é que ninguém nunca pensou nisso antes, por deus? É uma solução tão… fácil!… Ah é, deve ser por isso que ela é uma solução completamente demente. Primeiro: Não garante porra nenhuma. A eliminação dos arsenais existentes hoje vai acabar com a tecnologia que permite o desenvolvimento de armas nucleares? Vai acabar com indivíduos dispostos a vender a sua “expertise” em construir bombas? Vai parar o desenvolvimento de programas nucleares voltados para a bomba – inclusive, esta distinção entre programa nuclear “pacífico” e “bélico” é meio que uma piada, né? Ou de uma hora para outra energia virou uma questão separada da segurança nacional e eu perdi o memo? Outra coisa: quem desliga o botão primeiro? Ou Lula vai se candidatar para apertar o botão que desliga todas as bombas ao mesmo tempo? Uma coisa meio Dr. Fantástico às avessas?

Ao mesmo tempo, Lula defenderá o desenvolvimento da energia nuclear como fonte de energia, assim como para pesquisa e aplicações médicas.

“As considerações relacionadas àsegurança nuclear não podem em absoluto servir como pretexto para dificultar o acesso à tecnologia nuclear com fins pacíficos”, dirá o presidente.

Cara, isso não faz o menor sentido. Tecnologia nuclear com fins pacíficos, tecnologia elétrica com fins pacíficos, tecnologia espacial com fins pacíficos, ou qualquer coisa parecida, é re-tó-ri-ca. Ou vocês acham que a corrida espacial foi sobre o sonho do homem em explorar o inexplorável? Ou que os Estados Unidos lançaram um míssel mirando um “x” na Lua , durante a mesma semana na qual o Irã endureceu o papo do programa nuclear, simplesmente para “achar água”? Ou que Itaipu foi contruída para garantir energia barata para o Brasil? Acordem para a realidade, faz favor.

O Brasil defende o direito do Irã de desenvolver a tecnologia nuclear, mas se opõe à fabricação de uma bomba.

Lula aproveitará o discurso para reivindicar a reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde pretende conquistar um posto permanente para o Brasil, como forma de atualizar a gestão mundial da segurança nuclear.

Boa sorte tentando garantir um lugar no Conselho de Segurança com papo de destruição mútua dos arsenais nucleares. Diminuir os arsenais é parte de um interesse estratégico dos Estados Unidos e da Rússia, interesse este que inclusive pressiona o Irã, já que o acordo é claro: não utilizar armas nucleares só é sustentável para países que assinaram o tratado de não ploriferação e, de quebra, abre exceções para responder a ataques com armas químicas (detalhe: é “ataque”, não precisa sequer ser um ataque em território americano ou russo, apenas um “ataque com arma química”).

O Obama acabou de realizar os termos de uma proposta de ninguém menos que Ronald Reagan, que nos anos oitenta tinha sugerido diminuir os arsenais em 1/3, justamente por ter obtido inteligência do completo colapso do sistema Soviético de manutenção de bombas nucleares (por sinal, para a turminha do oba-oba que tá comemorando o pacifismo da posição do Lula: permitam que eu lembre que a gente não sabe onde foram parar algumas das bombas da ex União Soviética. Comofas para garantir o desligamento destas ogivas?).

Por sinal, vocês sabem que nem os Estados Unidos, nem a Russia, nem a China realmente precisam de armas nucleares para transformar o Nepal em uma grande planície, né? Então, calma na celebração de qualquer acordo de desarmamento.

Mas, de volta ao Lula, parece que [se]

“Persistem as estruturas e regras de 1945. A ONU está perdendo credibilidade”, afirmará o presidente.

Ok.

todas as cenas são do maior filme de todos os tempos, Dr. Strangelove, de Stanley Kubrick.

Arruda: FREE!

Fabricio Pontin | Estados Unidos 17:05 | 12/04/2010

Vai Braziu!

(via mídia má, PIG , Veja)

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu na tarde desta segunda-feira, 12, por oito votos a cinco, soltar José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, preso desde o dia 11 de fevereiro numa cela da Polícia Federal. A maioria dos integrantes da Corte seguiu voto do ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito sobre o esquema de corrupção no Distrito Federal.

Aêêêêê!

Gonçalves alegou não haver mais “razões” para a prisão preventiva de Arruda. A decisão do STJ contrariou posição do Ministério Público Federal. Em requerimento enviado ao tribunal, a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge pediu a manutenção da prisão de Arruda.

Arruda foi preso em fevereiro – por decisão do STJ – sob a acusação de coagir testemunhas e obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Tentou, sem sucesso, um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, Arruda perdeu o cargo de governador. Foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Arruda deixou o DEM em dezembro depois da revelação do esquema de corrupção desmantelado pela Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro. Ele não recorreu da cassação e aceitou a perda da cadeira de governador.

Mas, a gente já sabia, Arruda superou este viés punitivo-vingativo-sedento-por-sangue deste povo horrível!

Em sua decisão, Fernando Gonçalves alegou que, segundo a Polícia Federal, as próximas diligências da investigação sobre o “mensalão do DEM” serão “técnicas”, diminuindo as chances de Arruda interferir no inquérito. O ministro argumentou também que, cassado, Arruda também perdeu o poder de governador de atrapalhar a ação da polícia para apurar o esquema de corrupção.

Vai lá, Arruda! Vai lá Braziu! Free! Todo mundo junto agora: maior. democracia. representativa. do. planeta! Tem que voltar para a cadeira de Governador, agora. Aposto que vão conseguir provar alguma irregularidade no proce$$o de impedimento do probo ex-governador do Distrito Federal.

Braziuzão de Jeisuis!

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