O trem da alegria da nova União Europeia

Gabriel Brust | França 16:13 | 25/08/2010

O tema imigração povoa o noticiário francês de uma maneira quase camuflada. Uma nova polêmica envolvendo imigrantes surge praticamente a cada semana nas páginas dos jornais. Mas os textos são invariavelmente formulados como se o redator estivesse caminhando sobre ovos: o temor de soar preconceituoso é permanente. O politicamente correto impera na maneira como o francês se relaciona com este tema, e isso é perceptível não apenas na imprensa, mas também na convivência do dia a dia.

Puxar o assunto em rodas, seja na universidade ou no boteco, é certeza de receber olhares enviesados, que preferem mudar de conversa, ou discursos prontos vitimizando o imigrante em todos os casos – mesmo nos casos em que ele não tem razão. E, às vezes, de fato, não tem. Não há, portanto, um debate franco. Da mesma forma, não há manifestações explícitas de preconceito como verifiquei, por exemplo, na Itália, no breve tempo em que vivi por lá, e que verifico entre alguns dos italianos que conheci aqui na França. A relação do italiano com o tema é mais aberta e menos hipócrita: com frequência, o italiano assume seu pavor por africanos, árabes em geral e povos do leste europeu sem nenhum constrangimento.

Não há melhor ilustração para esse comportamento do francês do que as palavras do notório conservador Jean-Marie Le Pen no vídeo abaixo, que está sendo divulgado pelo L’Express. Ele flagra uma “tirada” engraçadinha de Le Pen disparando contra os árabes que vivem em Paris, mas a parte mais curiosa é a sequência, quando ele antevê a forma como sua piada será recebida.

“Comprei uma casa de campo para que meus filhos, que antes viviam no 15éme [região de Paris], pudessem ver vacas no lugar de árabes”.

E emenda:

“Não tenho medo de perseguição. Se eu fosse do UMP [União pelo Movimento Popular, partido de centro-direita de Sarkozy] diriam que [essa frase] foi uma derrapada. Mas já faz tempo que eu não derrapo mais, eu já estou fora da pista há muito tempo!”

Quase às gargalhadas, Le Pen ironiza: nem a direita francesa tem coragem de explicitar sua aversão à invasão árabe em Paris.

Sarkozy e os ciganos

A verdade é que, mesmo sem frases polêmicas como as de Le Pen, Sarkozy e seu UMP vem sim enfrentando a imigração em diferentes frentes de batalha – ainda que a política francesa para imigrantes seja uma mãe generosa se comparada a da maioria dos outros países europeus. Basta caminhar nas ruas de Paris para constatar. Os “sans-papier” (ilegais), por aqui, são classe organizada que faz até greve.

O episódio mais recente da política de imigração de Sarkozy, no entanto, tem contornos insólitos. Neste mês, o governo teria supostamente deportado cerca de 200 ciganos da etnia Rom para a Romênia. O “supostamente” fica por conta de dois aspectos: 1) os ciganos receberam em troca uma ajuda em dinheiro, sendo, portanto, uma “deportação voluntária” e 2) a Romênia agora faz parte da União Européia, o que permite que estas pessoas voltem a qualquer momento para a França, sem enfrentar nenhum tipo de impedimento. O governo anunciou simplesmente que fará um cadastro para que, no caso de estas pessoas voltarem, elas não ganhem o auxílio financeiro pela segunda (ou terceira ou quarta) vez. O que o governo fez, basicamente, foi caracterizar cerca de 50 assentamentos de membros da etnia Rom como ilegais. Mas ilegal não é a situação do cidadão. Confuso?

O trem da alegria da cidadania européia

Essas são algumas das contradições que começam cada vez mais a surgir conforme a União Europeia vai se ampliando. Outro dado que circulou pelos jornais franceses este mês e que dá a dimensão de como as reclamações do oeste vão aumentar é a quantidade de pessoas que poderão se naturalizar européias a partir da entrada de Hungria, Romênia e Bulgária no bloco: nada menos do que 5 milhões, além da própria população destes países. São moldavos, macedônios, sérvios, ucranianos e turcos: seus países não fazem parte da UE, mas 5 milhões deles poderão ser beneficiados por leis compensatórias de Hungria, Romênia e Bulgária destinadas a seus descendentes de imigrantes, como bem ilustra este gráfico do Le Figaro (clique para ampliar):

Em recente reportagem sobre o tema, o jornal destacou também outra frente de “invasão” de neo-europeus: a Espanha e seus latino-americanos. 225 mil pessoas, principalmente de Cuba, Argentina e Venezuela, entraram com pedido, em 2010, de cidadania europeia, baseando-se na lei sancionada pelo socialista José Luiz Zapatero que beneficia os filhos e netos de exilados da ditadura do general Francisco Franco. 117 mil já obtiveram o reconhecimento da cidadania. Os guichês da naturalização estarão abertos até o fim de 2011 e espera-se que até lá 500 mil latino-americanos venham a se tornar europeus.

A mais permissiva das leis de naturalização de descendentes de imigrantes europeus, no entanto, é praticamente ignorada neste debate, pelo menos aqui na França. É a da Itália, que desde a década de 90 dá direito a descendentes com qualquer grau de parentesco de buscar a cidadania italiana. A lei é amplamente aproveitada por brasileiros e argentinos desde então. Nada menos do que 35 milhões de brasileiros, em tese, estão aptos a solicitar a naturalização por descendência italiana. Resta saber se, com o novo trenzinho da alegria inaugurado pelos países do leste, todos terão que fechar a torneira ou, pelo contrário, abrirão cada vez mais.

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Que lo cumplas feliz, camarada

Maurício Boff | Argentina 11:38 | 29/07/2010

Regra da treta, mano:

  • Exclua as diferenças e o universo conceitual que distinguem os homens de bem que assumem o Congresso de quatro em quatro anos (sim, alguns ficam mais tempo. sim, alguns não são homens de… isso, claro, há cada vez mais mulheres…);
  • Evite pensar em legendas, aquelas que te dizem pra marcar quando não tem um candidato e não quer votar no Branco (isso, o lateral esquerda na Copa de 94. Ele mesmo, amigo do Dunga);
  • Pense em Curaçao, mas olhe pra baixo (no mapa, não na sua sacada…);

Bem-vindo ao Caribe, à América do Sul e à República Bolivariana da Venezuela. Imagine um mar de água celeste, sol e praia que fica mais fácil. Em algumas horas, você pisa em Caracas, mas não sabe do aniversário de 56 anos do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Você tem um Blackberry, assim como o comandante, acessa o blog oficial de Chávez e descobre que a festa foi ontem.

Você lê 1335 comentários no post de aniversário até às 1h37 (UTC -03:00). É óbvio que você não lê todos, mas gostaria. Então, você cria um método de pesquisa: buscar por palavras-chave, algo como te quiero, imperialismo, brigadeiroFidel, balão mágico Braziu.

28.JUL.201008:49 AM

Isaias 41:10 – No temas porque yo estoy contigo ; no desmayes porque yo soy tu Dios que te fortalece. Siempre te ayudare y te sostendre con mi mano derecha.Presidente comandante muchas felicidades en su cumpleaños y todo el resto de su existencia.. Le damos las gracias los Colombianos que vivimos aquí en esta patria y a usted por darnos una identidad he igualdad de condiciones y valorar nuestras vida.. Dios me le dé fortaleza para seguir y conseguir una latínoamérica unida y libre del opresor TE AMAMOS COMANDANTE HUGO CHAVEZ-

(Te cuida que esse pode ser membro da Opus Dei…)

28.JUL.201001:17 AM

Saludos Presidente Chávez que tenga un excelente día mucho más que cualquier otro, el día de su cumpleaños compártalo con su pueblo que lo aprecia mucho, Feliz cumpleaños al líder de la Revolución de Nuestra América! Josue

(Nossa, companheiro, obrigado por me avisar que ela tem dono)

28.JUL.201001:20 AM

FELIZ CUMPLEAÑOS,AL HOMBRE MAS MARAVILLOSO DENUESTRA ERA CONTEMPORANEA;HABLAR DE TAN ILUSTRE HOMBRE ME LLENA DE PASION DE PATRIA DE AMOR DE PUEBLO,DE ESPERANZA PARA LATINOAMERICA:ERES EL HOMRE CLARO,DIAFANO Y SENCILLO QUE TODOS LOS PUEBLOS DESEARIAN TENER Y QUE ESA FUERZA CREADORA DE TU SER ,TE ILUMINE SIEMPRE PARA GUIAR A LOS PUEBLOS DE LA AMERICA. TU GRAN OBRA GUIARA NUESTROS NIETOS HACIA EL PAIS QUE SOÑAMOS. FELICIDADES¡¡¡¡¡¡¡¡¡ IVONNE

(Que fófis, Ivonne)

28.JUL.201001:30 AM

feliz cumpleaños, camarada presidente, hoy en el consejo comunal del Caribe en honor a su cumpleaños, se estará realizando el primer matrimonio civil que se efectúa en toda Venezuela en una casa de consejo comunal esto se hará con el fin de fortalecer nuestras casas comunales con su comunidad para rescatar para estas próxima selecciones algún que otro indeciso este matrimonio que se llevara a cabo en su honor fue conformados por las patrullas socialistas de esta comunidad las personas con trayentes son pertenecientes al psuv y con el cien por ciento de apoyo para usted señor presidente,la casa comunal esta ubicada en la avenida sucre de catia segunda calle del Caribe subiendo por las camionetas de alta vista a 50 metros de la avenida sucre esperamos sea de su agrado feliz cumpleaños le desea quien le quiere adamari hoy,mañana,siempre carmen

(Veja quem é o Conselho da Comunidade e quem era seu primo mais velho)

28.JUL.201008:55 PM

papi bello estoy gritando de alegria es tu mami la que te ama desde guanarito eres lo maximo te estoy esperando y pues deseo de corazon que te la pases super cuanto daria por estar junto a ti en esta fecha tan especial en programa hable mucho de ti amor cuando vengas quiero decirtelo personalmente te quiero muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuchoooote soy YOENNI MI NUMERO ES Y MI CORREO ELECTRONICO xxxxxxxxxxxx@HOTMAIL.COM

(“Sai que é sua, Taffarel!!!”)

Enquanto isso, no Chile:

América Latina y el Caribe crecerá 5,2% en 2010

Para 2011 se espera un repunte de 3,8%, debido a incertidumbres que persisten en la economía internacional, sobre todo en Europa.

(…) Las mayores tasas de crecimiento en 2010 se observan en América del Sur, encabezadas por la economía de mayor tamaño, Brasil, que crecerá  7,6%, seguido de Uruguay (7,0%), Paraguay (7,0%), Argentina (6,8%), y Perú (6,7%).

Otros países tendrán magnitudes de crecimiento menores, como República Dominicana (6,0%), Panamá (5,0%), Bolivia (4,5%), Chile (4,3%) y México (4,1%). En tanto, Colombia crecerá 3,7%, Ecuador y Honduras 2,5%, Nicaragua y Guatemala 2,0%, mientras que Venezuela mostrará un retroceso de -3,0%. (…)

O estudo econômico 2009-2010 que apresenta as previsões da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL), braço das Nações Unidas, é do dia 21 de julho.

Morram de inveja os que não são pop.

fraymifoto via Flickr / Foto: Franklin Reyes/J.Rebelde
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Kelpers, Kosovo e Kristina, assim com K

Maurício Boff | Argentina 16:03 | 26/07/2010

Façamos um exercício de futurologia (sou péssimo com isso, mas cabeça-dura demais pra evitar): pense na criação da República Antártica dos Kelpers Unidos, na sua incorporação como membro do Mercosul e na instalação de uma Embaixada do que antes se conhecia por Ilhas MalvinasFalklands em Brasília.

Imagine que o governo brasileiro negocia com o governo kelper a assinatura de um tratado bilateral para o ensino do Português em Puerto Argentino Port Stanley por professores brasileiros, e do Inglês no Braziu para professores nacionais. Sim, minhas premissas são falíveis. Faltará professor de Inglês, mas isso não está em discussão.

Imagine que uma parcela razoável da classe média brasileira decida, então, viajar ao arquipélago para surfar big waves no Atlântico Sul ao invés de Bells Beach ou ao longo da Gold Coast, na Austrália. Seria muito mais “barato” competir com os leões-marinhos do que com os tubarões da Oceania.

Imagine praias lotadas, morenas de quina-pra-lua, guarda-sol multicolorido, mate-leão (no caso das Malvinas, quente) e biscoito Globo! Ah, pagode, samba e funk não faltariam pra movimentar o corpo e lutar contra o frio antártico. Corta essa de roquenrou.

A não inclusão no acordo de quiosques para venda de água de côco, milho verde e cerveja gelada à beira-mar mereceria panelaços em frente ao Palácio da Alvorada. Ah, sim.

A realidade é bastante diferente, mas a possibilidade de um arquipêlago independente no pé das Américas não deve ser descartada por completo desde o dia 22 de julho.

A recente decisão do mais importante órgão judicial das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) – em que seis dos 10 juízes entenderam que a declaração de inpendência da ex-província sérvia de Kosovo em 17 de fevereiro de 2008 não violava a lei internacional, muito menos a resolução do Conselho de Segurança da ONU – indica uma nova rodada frente aos interesses da Argentina e do Reino Unido sobre as Ilhas Falklands/Malvinas.

Os juízes da CIJ, com sede em Haia (Holanda), que não se pronunciaram a favor da criação de um Estado kosovar, emitiram uma opinião consultiva sobre a situação da região de população albanesa e de maioria muçulmana que autoproclamou sua independência. Mesmo que a decisão não tenha efeito vinculante, a questão deixa em alerta Buenos Aires.

A presidente Cristina Kirchner reacendeu o debate sobre a soberania do arquipélago, pediu a mediação da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e recebeu apoio dos seus pares latinoamericanos.

Kosovo tem a ver com as Malvinas, e o governo argentino estava atento a isso em 2008. Naquele ano, países como a Argentina e o Brasil não reconheceram a secessão de Kosovo, assim como fizeram outros 69 países dos 192 que integram a ONU. A decisão favorecia a Sérvia e o que restou da ex-Iugoslávia.

O argumento da Cancillería argentina é o de que o princípio da integridade territorial e do acordo entre as partes precisa ser respeitado, e que os kelpers não são habitantes originários das Malvinas. Eles são fruto da imigração de províncias da potência colonial britânica ao arquipélago.

O Reino Unido, defensor da causa albanesa-kosovar assim como a França e os EUA no Conselho de Segurança da ONU, defende que os habitantes das Falklands/Malvinas têm o direito a autodeterminação. A tese de que a independência do arquipêlago pode existir também se baseia no próprio entendimento dos juízes de que não é necessário um referendo para que a população legitime o direito de autoproclamar a independência.

Os kelpers nada têm de ingênuos: não se sabe a quantidade exata de petróleo que a região dispõe, e a potência latinoamericana o Braziu, inclusive, está atento.

O Estado argentino, que participou da opinião consultiva em Haya, deve se manifestar nos próximos dias sobre a posição dos juízes. Aliás, precisa. O governo norteamericano, por exemplo, partiu em defesa da tese de que a posição da CIJ não pode se aplicar a outros casos. Os negociadores internacionais argentinos devem reforçar o pedido de reintegração do território que perderam ao Reino Unido, em 1833. Só o tempo para resolver a questão.

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A vez do próximo

Maurício Boff | Argentina 22:17 | 15/07/2010

Ok. Foi aprovado o casamento homossexual na Argentina, como contamos dias atrás neste espaço virtual de participação coletiva, e o dia amanheceu assim.

A votação no Senado na madrugada de hoje foi apertada.

A Igreja ficou triste, claro. Fizeram o lobby católico (hã?) junto aos senadores, mostraram que o casamento é coisa entre homem e mulher e lembraram de que gostam da “saudosa maloca, maloca querida”, aquela dos tempos em que a turma de farda brincou de mágico por fazer desaparecer cerca de 30.ooo pessoas.

A minoria homossexual comemorou o acesso a um pouco mais de igualdade na vida social. As palavras do polêmico rabino que apóia o casamento homossexual na Argentina chegaram faz pouco na minha caixa de correio e resumem a história.

“Lamento, amigo, de haber recibido tan tarde este mail. De todos modos, tengo para decir que la ampliación de derechos siempre es buena. La restricción de los mismos asfixia la libertad de las personas. Me alegro profundamente que esta ley se haya votado positivamente y que los gays, lesbianas y trans no sean más ciudadanos de segunda en nuestro país. Un abrazo, Daniel Goldman.”

E não esqueçamos da familia Kirchner, que bancou a defesa do projeto do Partido Socialista no Senado (havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em maio passado) e partiu pro “chega pra lá” nos interesses políticos do clero.

A Argentina deu o primeiro passo e transformou em lei o que todo mundo sabe que acontece. Os casais homossexuais vivem juntos, dormem na mesma casa, gastam o mesmo creme dental e tomam café-da-manhã de pijamas. Ponto final.

O tema que fica é o seguinte: qual será o próximo país que irá aceitar o pleito homossexual? “Brasil, México e Uruguai” são as apostas da presidente da Federação Argentina GLBT, María Rachid. Mãe Diná nela.

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Todos Putos

Maurício Boff | Argentina 10:40 | 12/07/2010

Terminada a Copa do Mundo, o bate-bola na cancha política dos hermanos posiciona Igreja e governo em lados opostos. O jogo da semana acontece no Senado, que terá que definir o destino do projeto que autorizaria o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A cúpula da Igreja Católica é contrária; a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, favorável.

A decisão, que permitiria a modificação do Código Civil, seria inédita na porção de mundo em desenvolvimento e com história de repressão social e política chamada América do Sul. A Argentina passaria também a exportar conceitos como tolerância e respeito, além de commodities como gás natural, trigo e soja — e do que Maradona disse-ou-deixou-de-dizer.

Há dois dias da votação final no Senado, as pesquisas de opinião, as análises políticas e a posição indefinida de muitos senadores mantêm o debate aberto. O jogo é político, e a aprovação dá sinais de que pode ser comparada a uma vitória de Honduras no Mundial: uma zebra bastante improvável.

A Igreja na Argentina deverá confirmar as milhares de pessoas que são esperadas na terça-feira em frente ao Congresso, local da votação, no centro de Buenos Aires. O ato público é considerado o maior do Episcopado desde a sanção da Lei do Divórcio, em 1987. A marcha foi convocada pelo Departamento de Laicos da Conferência Episcopal Argentina. No domingo, o arcebispo de Buenos Aires e cardeal primado, monsenhor Jorge Bergoglio, orientou os padres a lerem durante a missa o documento “sobre o bem inalterável do matrimônio e da família”. É uma quase “guerra santa” na defesa do que a Igreja julga progresso.

Cristina, que está em viagem oficial à China, defendeu pessoalmente o casamento gay na semana passada. O ex-presidente e “primeiro damo”, Néstor Kirchner, aproveita para disparar nos críticos da atual administração de olho nas eleições de 2011. Até mesmo campanha publicitária o casal K banca nessa reta final.

Enquanto permanece o debate legal, a Justiça de Buenos Aires segue reconhecendo desde março a inconstitucionalidade da interpretação que restringe o matrimônio apenas a casais heterossexuais. Foram nove casamentos na Argentina até domingo, conforme a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans (FALGBT).

E já que é briga de cachorro grande, como diria meu avô em sua peculiaridade bagual, a Revista Barcelona buscou dar a sua versão para o fato na edição da semana passada.

Alguém duvida?

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Atividade extracurricular = derrotar imperialismo monstro com pincel

Walter Valdevino | Brasil 11:44 | 13/04/2010

É a repetição de sempre: pessoal que se diz de esquerda é aquele que está eternamente pronto para dizer o que é melhor para a vida dos outros, de quem você deve se proteger e contra quem deve lutar.

Da Folha:

Chávez lança “guerrilha da comunicação” para combater as mentiras da imprensa

FLÁVIA MARREIRO
da Folha de S. Paulo, em Caracas

De colete e bonés verde-oliva, 75 jovens venezuelanos juraram nesta segunda-feira, diante dos ministros de Comunicação e Educação, integrar os Comandos da Guerrilha Comunicacional para contrapor “a mentira e a desinformação” difundidas pelos meios de comunicação privados do país.

Os adolescentes formados ontem fazem parte de um programa piloto de um colégio público de Caracas e serão distribuídos em grupos de 25 combatentes. De acordo com o governo Hugo Chávez, eles foram treinados desde janeiro para produzir vídeos, spots de rádio e material impresso.

A partir de setembro, a formação será atividade extracurricular voluntária para alunos da rede pública entre 13 e 17 anos –equivalente a quatro horas acadêmicas.”

E não é que o pessoal está bastante aplicado? Até criaram um blog no Blogspot, do Google (mon$tro capitalista – não entendi). Tem também página no Facebook (mónstro demoníaco do Império). Devem estar querendo promover a derrocada interna detudoqueestáaí.

O logo do movimento é um belo Kalashnikov russo, a arma que mais matou çeris umanus na história, mas na versão pincel, guache, microfone e gritedo:

Desenvolvendo esse tal de telekitu i a conssiensa çosiau dus muléki:

“Con la Juventud del Partido Socialista Unido de Venezuela de la parroquia San Juan y la participación de aproximadamente 30 jóvenes de la Sequia y el Guarataro, sectores de la barriada caraqueña, Iniciamos los taller de Guerrilla Comunicacional, donde los niños armados de latas y esténciles pequeños y tipo mural salieron como una estampida a tomar todas las calles, veredas y caminos de la localidad; impregnándolas de esa mística característica de nosotros, la juventud.

Nessas horas é bom mesmo agradecer que Lula tenha virado um mon$tro neoliberal.

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Evo Morales = fail

Walter Valdevino | Brasil 17:14 | 08/04/2010

Como você (não) sabe, domingo passado rolaram eleições regionais democráticas, deliberativas, participativas e deliciosas no país do Evo Morales.

Rolou matança de leve aqui e ali e, com praticamente todas as urnas apuradas, o resultado é a vitória do MAS (Movimento ao $ociali$mo), partido de Evo, em seis dos nove governos autônomos da Bolívia.

Mesmo assim, Morales abriu o gritedo e está ameaçando proce$$ar o universo porque foi derrotado na região conhecia como “meia-lua” – composta por Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando -, onde venceram os mon$tro$ sanguinários de direita.

Da Folha de hoje:

“”O comportamento das cortes [eleitorais] departamentais de Pando, Santa Cruz, Beni e Tarija é um delito. Agora nossa tarefa é defender o voto saudável, honesto, e tomaremos ações penais contra essas autoridades que jogam contra a democracia”, afirmou Morales em Huatajata, antes de se encontrar em La Paz com o assessor da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia.”

Mas o eterno namorico com Garcia não é o que interessa aqui.

O que interessa é que a candidata de Evo Morales ao governo de Beni, a ex-mi$$ Bolívia Jessica Jordán, foi derrotada e também “denuncia irregularidades en el conteo de votos en el Beni“.

Benianas y benianos: Ha llegado la hora del cambio. Este es el momento preciso para avanzar por el sendero del progreso y la prosperidad para todos nuestros ciudadanos. El país está viviendo un tiempo fecundo de cambio y nuestro departamento tiene que recibir los beneficios que nos brinda esta circunstancia histórica única.

É a prova máxima de que esse tal de $ociali$mo faliu MESMO.

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