
As duas grandes vertentes dramáticas da antiguidade eram a comédia e a tragédia. Resumindo de modo simplista e raso [meu default cerebral], a comédia era a história com final feliz — e não necessariamente a que fazia rir. A tragédia trazia o desfecho fatalista, a dor, a perda, a separação, a morte. A tragédia nas artes é o mais fiel registro histórico da humanidade desde que aprendemos a registrar a história. A vida de cada um de nós é uma tragédia inescapável culminada com a morte e sem espaços para finais felizes.
O único momento cômico concedido pela tragédia é o de fazer o espectador ter a chance de desconfiar dos personagens que querem salvar o mundo, defender a vida, lutar pela felicidade alheia — e pela a própria –, vencer o mal e prolongar a existência porque essas, tragicamente, são batalhas perdidas. Defensores e defendidos, vencedores e arrasados, todos estão destinados ao desaparecimento e ao escuro.
A complacência da tragédia com a humanidade tem um propósito que pode parecer paradoxal para quem não acredita em tragédias. Aceitar que a felicidade não existe, que o dia de hoje será pior do que o de ontem, que seu corpo está envelhecendo, sua memória se apagando e sua beleza se despedindo é a receita admitida para aproveitar ao máximo o café de agora, o vento na cara e o olhar sincero dos poucos australopithecus nos quais você pode confiar e os quais pode amar.
Teerã, Irã: “Sakineh pode ser executada nesta quarta-feira”, diz um australopithecus de uma ONG.
Bruxelas, Bélgica: “União Europeia pede que Sakineh seja salva”, dizem os australopithecus reunidos.
Em um anfiteatro qualquer da Grécia ou da Roma antiga, Sakineh seria morta a pedradas porque a história humana não poderia negar sua própria essência. Ninguém ousaria mudar o rumo das coisas e pedir aos deuses que poupassem aquela vida. Afinal, seria inútil: aquela vida — e todas as outras — foram acesas com o único propósito de serem apagadas. A finalidade de nascer é morrer, e você só tem nas mãos o poder de decidir o que fazer entre um compromisso e outro.
A tragédia rege o fim de todos os atores, mas reconhece de forma quase piedosa os esforços de quem faz sacrifícios cotidianos para tentar vencê-la. Os esforços trágicos não poupam a vida material de ninguém, mas a transformam em outra coisa. Em troca do corpo, que morre, você pode ganhar espaço na memória permanente dos australopithecus que continuaram a vagar por aí até que a hora da morte deles também chegue.
Sakineh pode morrer hoje, amanhã, ou no mês que vem — e pode até ser solta e viver até os 90 anos. Para a tragédia da vida real, nada disso importa. Neste momento, a força de vontade de tentar derrotar a antecipação do trágico já garantiu a ela uma espécie de vida eterna. Mas a ela, e só a ela, e exatamente por isso jamais se deve acreditar nos caras que dizem ‘defender a vida’; a vida só pode ser defendida com nossas próprias mandíbulas ou com a ajuda dos dentes daqueles poucos australopithecus que dariam a própria vida deles pela nossa. Os outros, os que sobem em tribunas, só querem lhe convencer que você veio ao mundo para encenar uma comédia e viver feliz para sempre.
A tendência natural dos australopithecus é acreditar que a melhor forma de morrer é sorrindo. E estamos certos. O único estado de arte que pode nos dar esse sorriso, no entanto, é a tragédia. Quem frequenta as plateias das comédias passa tanto tempo de olhos fechados acreditando nas piadas e no final feliz que nem percebe quando levam embora até mesmo sua dentadura.









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[...] This post was mentioned on Twitter by Leandro Demori, nannah, Lukas Darien, Marcio Salomao, braziu.org and others. braziu.org said: The Australopithecus Times | ed. 2 | Sakineh morrerá http://goo.gl/fb/vxson #braziu [...]
Gostei desse post, apesar da primeira edição ser insuperável.
Acho estranho pessoas que não tem conhecimento ou relação com a cultura e o povo do Irã ficar “palpitando” e querendo mudar o mundo sempre. Sempre tem movimentos pela “justiça” encabeçado por pessoas que querem algum sentido para a vida, nem que seja ajudar uma causa que sequer entende, como foi há cerca de dois anos atrás com o movimento “Free Tibet”.
Agora, falando de coisas que eu realmente conheço e tenho contato: Não sei se vocês acompanham a “elite cultural” gaúcha, mas adivinhem quem tem um blog à la Luis Nassif e PHA agora? Jorge Furtado. O que não é o desespero para conseguir verba para seus filmes fracassados, ele até cita clichês do tipo “PIG”, “A farsa tucana” “Imprensa golpista”. Enfim, recomendo para dar algumas boas risadas. Como o objetivo dele foi cumprido, acho que teremos mais um filme dele em parceria com o Lázaro Ramos, com uma história medíocre, diálogos vazios e feito para TV. O próximo a ter um blog do mesmo estilo vai ser o Thedy Correa, que, mesmo tendo um relativo sucesso por aqui, utiliza dinheiro público para suas músicas/livros/espetáculos. Ninguém quer “largar o osso” na república do chimarrão.
Só para deixar avisado, antes que petistas descubram o blog e comecem a me atacar: Não, não sou tucano.
Belo post.
Bela puxa-saco. Se sustente mulher!
entendi muito o “levar embora até a dentadura”. discordei do resto. [se é que entendi direito. Rocco Demori totalmente POETA]
“PIG”, “Imprensa golpista”? Jorge FURTADO [melhor nome. governador bovino JÁ] claramente cooptado pelo PICA.
“Acho estranho pessoas que não tem conhecimento ou relação com a cultura e o povo do Irã ficar ‘palpitando’”. Pois é, PAUL. É o que mais vejo e assisto: pessoas que não sabem xongas de xonga alguma (especialmente Irã) palpitando, pitando e gritando os mais homogêneos impropérios.
Discordei de tudo no post, mas também não entendi nada. Eu, assim como a van, acho que tudo tem a ver com ganhar ou perder uma eleição. (mentira)
e CADÊ A GRAFIQ NOVEU porra ??? !!! €€€
preciso de RECUR$$O$.
VENGA a Barcelona e traga €€€. hkjvhsjfshjfk
por exemplo, para parte das aventuras penetrísticas investigativas em Roma, tenho de enfiar essa tua LATINHA no lugar da deste senhor, via photoshop:
http://www.imagebam.com/image/cefc47105099081
mas não sei como. (eu = burro).
Caimlo, me AJUDA. pago em a$$ões do centro espírita em Cidreira.
Manda o link do retrato do Leandro que tu quer utilizar e aguarda 6 horas após o recebimento do comprovante de depósito VIA FAX.
Sastisfassão garamtida, hein!1!
O final não é feliz. É um NOJO! (Sim. Eu também vou GRITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR.)
Eu não uso dentadura.
“aproveitar ao máximo o café de agora, o vento na cara e o olhar sincero dos poucos australopithecus nos quais você pode confiar e os quais pode amar”
Zen-hedonismo.
Alguém já sabe pra onde a presidANTA vai viajar?
“Acho estranho pessoas que não tem conhecimento ou relação com a cultura e o povo do Irã ficar ‘palpitando’”
Como assim, “estranho”? Na blogolândia, é condição essencial desconhecer o assunto sobre o qual se opina. Falsos ignorantes, especialistas dissimulados e estudiosos disfarçados devem ser denunciados e sumariamente condenados, à luz do Código de Hamurabi (ampliado).
Caimlo (bixeru),
vou arrumar melhor o SCREENPLAY e te mando umas partes assim que receber teu mail.
marlon “DOWNLOAD FILMES” é crime ein! arrume recursos (detaleh) par a avdogado ok!
Vocês ficam baixando filme pornô?
Carm-ops; NEGUINHA, explica o “pornô”. De onde veio?
Até porque não há mais necessidade de se estocar nada, streaming commanda.
Não entendi.
A questão era: por que inferiste tratar-se de pornografia?
Por quê vocês são tudo uns tarado. E eu não entendi o que tu escreveu no començo do teu poste.
não se trata de pornô. trata-se de ARTÊ: jornalismo investigativo penetrante e bem-calçado em uma groundbreaking graphic novel que dá a volta ao globo [Pesaro, Roma, Brasília, Carbondale, London, e a capital cultural do MUNDO, Porto Alegre] na busca do glamuroso grail, o glorioso FUNK DA BUCETINHA.
[mas posso adiantar que haverá vários NUS FRONTAIS - de bom gosto, claro - e ALITERAÇÕES]
QUe nojo!