“Levaram-me a um ‘voo da morte’, mas não me atiraram”

ditadura militar na Argentina (1976-1983) pegou pesado, como era típico dos agentes militares latino-americanos nas escuras décadas de 60, 70 e 80. Foram anos que deixaram cicatrizes históricas e a tristeza de quem perde sem nunca saber como. Matou-se e matou-se muita gente, como sabemos. Os números corretos de desaparecidos e mortos nunca serão precisos. Assim como nunca haverá adeus; nunca haverá um aceno, mas apenas lágrimas.

Há pouco, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Argentina, Ricardo Lorenzetti, apresentou o ”Relatório sobre a manipulação das provas sobre os crimes contra a Humanidade”, no Palácio dos Tribunais, bem no centro da cidade de Buenos Aires. Em seu discurso, evidenciou o sentimento da Suprema Corte frente aos recentes julgamentos de repressores da última ditadura: ”A decisão da sociedade é de que não haverá mais volta”, sentenciou.

Entre altos funcionários dos poderes Judiciário e Executivo, estiveram no tribunal o juiz espanhol Baltasar Garzón - conhecido, entre muitos casos, por condenar a 640 anos de prisão em 2005 por crime de genocídio durante a repressão o militar Adolfo Scilingo — e o prêmio Nobel da Paz de 1980, Adolfo Pérez Esquivel, por defender os direitos humanos.

SOBREVIVENTES DOS ANOS DE CHUMBO

O suplemento Zona, do jornal El Clarín, trouxe recentemente relatos de sobreviventes da ditatura militar argentina. Com o título“Relatos de horror: a perversidade da repressão”, Esquivel conta sobre uma viagem que poderia ter sido sem volta, um voo da morte:

“Me detuvieron cuando iba a renovar el pasaporte, en el Departamento Central de Policía. De ahí me llevaron al ‘tubo’, un calabozo pequeño de la superintendencia de Seguridad Federal. Había una pared con una cruz esvástica pintada con los rodillos que se usan para tomar huellas digitales”, declaró en junio pasado en el juzgado penal 9 de La Plata.

El presidente del Servicio de Paz y Justicia contó que sus captores “me llevaron al aeródromo de San Justo, me esposaron y me ataron al asiento de un avión, que carreteó y voló hacia el Río de la Plata. Yo ya sabía que arrojaban prisioneros, por eso les pregunté: ¿qué va a pasar conmigo? Nadie me respondió. Hubo una contraorden y no me tiraron: fui llevado a la Base Aérea de El Palomar. Horas después me dicen que me iban a llevar a la unidad 9 de La Plata” y por eso estaba ahí, contando lo sucedido.

Consultado por Clarín sobre lo que sintió al declarar, Pérez Esquivel reconoció que “siempre es complicado revivir lo que pasó y más teniendo a esos tipos enfrente. Lo que me llamó la atención en el juicio fue verles las caras a esos señores de la vida y la muerte tan viejos e inexpresivos. Parecía un geriátrico de represores”.

Definitivamente, a sociedade argentina não tem mais espaço para voltar atrás no julgamento dos crimes cometidos naqueles anos.


3 comentários to ““Levaram-me a um ‘voo da morte’, mas não me atiraram””

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  • SOS DIREITOS HUMANOS [ 28Aug10]

    DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    http://www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH
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