Um artigo publicado ontem no Wall Street Journal sobre a política externa brasileira dos últimos anos chama a atenção não só pela boa análise, mas por ser uma boa análise feita por um estrangeiro, e não só por ser sobre a política externa, mas por tentar decifrar quem é o atual presidente do Brasil escapando aos clichês ingênuos. Este não é, aliás, o primeiro bom artigo de Mary Anastasia O’Grady sobre o Brasil. Foi também de sua autoria o já célebre “Contenha seu Entusiasmo pelo Brasil“, publicado em abril, em que analisa a política econômica de Lula – herdada do governo anterior –, para concluir que “a melhor coisa que Lula fez como chefe-executivo do País foi não fazer nada”.
Quem acompanha a cobertura da imprensa internacional sobre o Brasil sabe que isso não é pouca coisa. A quantidade de bobagens que se lê na Europa sobre o país e, principalmente, sobre Lula, é enorme. Aqui na França, é 100%. Jamais li qualquer artigo realmente lúcido – não estou pedindo nem que seja crítico, mas simplesmente lúcido – sobre Lula. Para os franceses, o Brasil segue sendo o vale encantado de povo bom e selvagem e, neste contexto, a única figura política possível de surgir é a de um pajé caridoso e redentor, talvez com poderes sobrenaturais advindos da floresta. Se tivesse que resumir, diria que, na França, o filme de Fábio Barreto “Lula, o Filho do Brasil” teria sido levado mais a sério do que em Garanhuns.
De forma direta, O’Grady diz mais uma vez o óbvio na edição de segunda-feira do Wall Street Journal:
“O Partido dos Trabalhadores de Lula é de esquerda, mas não se deve confundir Lula com um aplicado bolchevique. Ele é simplesmente um político esperto, que veio das ruas e ama as limousines. Como primeiro presidente brasileiro do Partido dos Trabalhadores, ele teve de equilibrar as coisas úteis que aprendeu sobre os mercados e as restrições monetárias com a ideologia de sua base de apoio.”
A tese de O’Grady no artigo “Lula’s Dance With the Despots” (A Dança de Lula com os Déspotas, original aqui para assinantes e resumo traduzido aqui) é a de que a política externa se tornou uma moeda de troca do “político esperto” com a sua base mais radical. Para satisfazer à esquerda do partido, Lula entrega um setor importante nas mãos de um notório anticapitalista, Celso Amorim. Dessa forma, tem sido chamado a defender e exaltar os seus heróis, que são alguns dos mais célebres violadores dos direitos humanos do planeta.
Embora qualquer pessoa sensata lamente ver o Brasil nessa posição constrangedora a que Amorim vem nos colocando, a verdade é que a dança lulista com os déspotas tem pelo menos um lado bom: está finalmente abrindo os olhos do mundo para a miséria intelectual que há por trás do tão aclamado governo brasileiro. Aos poucos, os gringos vão percebendo o que qualquer brasileiro bem informado e com dois neurônios já viu há muito tempo: os últimos oito anos foram bons para o Brasil apesar de seu governo, e não por causa dele.










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no resumo traduzido:
“A autora encerra o artigo com uma citação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que está longe de ficar claro se os brasileiros aprovam a “mudança de lado” da política brasileira.”
Tá o Lula é boçal, mas a moral da história é que os ditadores dos outros são melhores que os nossos. Ou vão me dizer que algum paizzz no mundo não mantém relacionamentos cordiais (pra não dizer outra coisa) com ditadurazzz que matam e torturam?
Não é à-toa que nosso embaixador, na América Latina, é conhecido como “el Ratito”. E para completar o selecionado, o Grande Líder ainda escala o TopTop BocaDeTártaro e o Sequestrador Martins…