Entre um carro-bomba e uma cidade embaixo da água

Fabricio Pontin | Estados Unidos17:59 | 03/05/2010
Categoria(s): EUA, Mondo politica, Ziriguidum
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Em New York

Um vendedor de camisas na Time Square vê uma Nissan Pathfinder exalando uma fumaça estranha e resolve chamar a polícia. Isso foi sábado. Logo, o esquadrão anti-bombas está no centro do universo (AKA: Times Square) e encontra uma série de explosivos dentro do automóvel. A série de explosivos ultra complexos utilizados pelos potenciais terroristas foram: três galões, daqueles que a gente usa para fogão de duas bocas, 5 galões de gasolina, uns fogos de artifício daqueles que se compra em praia, vendidos por contrabandista paraguaio com bigodinho, uma meia dúzia de timers para – supostamente – dar a ignição na mistura e uma caixa de metal cheia de fertilizante.

De acordo com o New York Times, se a coisa tivesse sucesso o banheiro do colégio ia espalhar merda para tudo que é lado uma grande bola de fogo teria explodido na Times Square, e um bocado de gente podia morrer.

Claro, ameaça terrorista é uma coisa muito séria, e o fato da Pathfinder (coreana, terrorista) ter sido estacionada na frente do prédio da Comedy Central já levou um congressista a dizer que pode ter alguma coisa a ver com aquele episódio de South Park (falaremos mais sobre isso no nosso programinha, ok?).

Mas, vamos parar por um segundo e avaliar o brilhantismo de nossos inimigos no Taliban Paquistanês (se é que foram eles mesmo, afinal o fato de meia duzia de retardado mental no Paquistão se apressar por admitir a autoria de um peido velho não deve nos encher de esperanças). Estamos tratando com gênios da estratégia que depois de muito tempo e análise de custos conseguem finalmente elaborar um plano similar ao que teu colega de escola meio maluco pensou para matar aquela aula sábado de manhã.

A polícia de NYC, que vigia a cidade dentro de uma estratégia panóptica de dominação subsistêmica da malha de vivência quotidiana (típica da sociedade capitalista pós-industrial e na era do capitalismo sem emprego), já viu no vídeo ali de cima um potencial suspeito. E também já acharam o dono do carro – que não é considerado um suspeito.

Por sinal, o serviço secreto ainda não exclui a possibilidade do atentado ser doméstico, com aquele grupinho paquistanês entrando apenas no “vácuo”.

A nossa amiga paranoia está solta e feliz pela cidade de New York e agora há pouco um bueiro explodiu perto da sede do New York Times, causando milhares de tweets desesperados. Tendo em vista que o New York Times sequer colocou uma chamada sobre o ocorrido no site (pelo menos até agora), imagino que não seja nada de muito grave. Se algum camarada em NYC ler isso aqui e estiver com vontade de contar como tá o clima de apocalipse eminente (ou não) na cidade, favor remeter-se aos comentários.

No entanto, este não é o principal problema do Obama agora.

Em Nashville

Semana passada, sexta feira, o mundo caiu aqui no Midwest e no Midsouth. Em Nashville, onde fica o Redneck Country Music Hall of Fame, a coisa ficou assim:

Como se não bastasse o dano estrutural, o governo local já disse que a contagem de corpos vai superar os 12 até agora encontrados. Para prevenir maiores estragos (tem mais chuva na previsão para a semana), o governo estadual e a prefeitura de Nashville deram ordens para evacuar a cidade por medo que o rio continue a encher (Nashville – assim como New Orleans – tem um sistema patético de drenagem). Água potável? Não tem. Todas as estações de tratamento foram detonadas pela enchente.

De quebra, deus odeia o Midsouth e castigou a região com meia dúzia de tornados que fizeram uma limpa ao redor de Memphis. Ano passado, aqui no sul de Illinois (que é parte do Midsouth), tivemos agradáveis brisas de 170 km/h que destruíram a região. Até agora estão tentando limpar o estrago.

A região parece que passa o tempo todo se recuperando de desastres naturais: em 2007 a cidadezinha de Jackson, perto de Memphis, foi atingida por cinco tornados no mesmo dia. Ano passado, quando eles começaram a se recuperar, a coisa aconteceu de novo. Adivinhem se Jackson não foi atingida de novo este final de semana? Junto com toda a região, é claro.

Mais um problema para o Obama, portanto, que não apenas tem que lidar com a crise ambiental no deep-south (região do Golfo do México) mas também tem que dar conta dessa gente teimosa que teima em morar em regiões evidentemente inóspitas para a existência humana (velho, se teu RV é destruído TODOS OS ANOS por um tornado, talvez seja uma boa idéia se mudar…).

Em tempo, enquanto tem que lidar com essas questões internas (e não esqueçam que a tentativa de atentado em NYC pode ter sido autoria de um grupo interno), Obama tem também que se preocupar com o Ahmadinejad fazendo birra no palanque da ONU.

Durma-se com um barulho desses.


11 comentários to “Entre um carro-bomba e uma cidade embaixo da água”

  • marlon [ 03May10]

    bá, tô muito cansado pra argumentar com um pouco de coerência – não que eu faça isso com alguma frequência – mas teus comentários naquele post terrorismo thrash metal, mais esse atentado FAIL, me fizeram pensar umas cousinhas. a ver se logro ter um tempito amanhã… mas, em suma, se um cretino qualquer (e tá cheio de cretino qualquer, de tudo que é nacionalidade, metido na jihad), com um carro de mil doletas e dois BUJÃO, consegue parar o centro do mundo capitali$ta, feio e bobo – leste o report que te mandei sobre a shariah finance? por que o abismo entre uma coisa e outra (sendo que uma coisa obviamente está ligada à outra)?
    deve estar pura maconha, este comentário. sorry. vai assim mesmo.

     
  • Lukas Darien [ 03May10]

    É tudo culpa de Hugo Chavez que possui uma máquina de produzir tornados e tempestades diversas!

     
  • luiz [ 03May10]

    Tudo muito bom, tudo muito certinho.
    Mas o Nissan Pathfinder é japonês, não coreano.
    E o apocalipse é iminente, não eminente.

     
  • fabriciopontin [ 03May10]

    Po, o cara nao pode mais falar do Apocalipse com um senso de respeito que eh corrigido. Sacanagem isso.

     
  • nythamar [ 03May10]

    hilarious –both the story and this whole mess (i’m suspicious, though, because i tend to agree with you on almost everything you have to say about life in the us)… keep the faith!

     
  • Leandro Demori [ 04May10]

    marlon: aí na Espanha rola Spice?

     
  • Leandro Demori [ 04May10]

    luiz: obrigado por sua participação. Mudei minha visão de mundo depois de refletir sobre suas observações.

     
  • Leandro Demori [ 04May10]
     
  • marlon [ 04May10]

    tá cheio de furos, o argumento desse cara. vamos a eles.
    1. utilizar essa última tentativa de atentado como único termômetro, ou parâmetro para avaliação da atividade, do terrorismo árabe é incorrer em sério erro. primeiro que essa tentativa cheira mal – há um monte de coisas estranhas e não-explicadas aí. segundo que a Al-Qaeda e o Taliban são apenas dois grupos de um panmovimento islâmico global que conta com inúmeros grupos e células. terceiro que não se pode prever o que vai acontecer; essa tentativa – se é que foi da Al-Qaeda ou Taleban, o cara ter ido ao Paquistão antes pode significar contato com qualquer um, inclusive com alguém da família real Saudi, ou com o próprio governo do Paquistão – pode ser diversionista, ou teste, ou qualquer outra coisa.
    2. um ato terrorista desses é somente uma das ferramentas da jihad. a jihad populacional nos EUA e Europa (in fact ao redor do globo…) continua a todo vapor, e apesar de algumas ações pontuais (banir a niqab na França, e minaretes na Suíça), o problema está longe de ser minimamente compreendido, que dirá resolvido. a jihad financeira (shariah finance) conta com no mínimo 1 trilhão de dólares, em investimentos por natureza radicalmente mais estáveis do que os ocidentais. a panmovement that has at its disposal 1 trillion is not to be taken lightly, mesmo que UM atentado (ou dois, se contarmos com o guri que ia se explodir no avião) tenha falhado.
    3. por que a Al-Qaeda estaria mais fraca? porque uma tentativa de atentado supostamente da AlQaeda falhou? faça-me o favor. a política do Obama em relação ao terrorismo islâmico, ou melhor, em relação ao panmovimento islâmico, é ainda pior do que a do Bush. os resultados são visíveis. não há quaisquer motivos para pensar que qualquer grupo terrorista islâmico esteja enfraquecido, muito pelo contrário. o terrorista-mor (Ahmadinejab) está inclusive nos EUA, and they’re buying his bullshit.
    4. se há alguma coisa que cada vez mais cresce é o número de suicidas à disposição do terror. isso é indubitável. se esse cara desse atentado não era um suicida, ou os suicidas nos EUA não conseguem sucesso em seus planos – são outras questões. mas o próprio autor concorda com uma coisa: “Um atentado no Times Square ou em qualquer outra parte de Nova York, onde moro, continua muito fácil de ser realizado por radicais islâmicos”. ele esquece de dizer uma coisa: o terror sempre ganha, mesmo quando falha. quando o guri nigeriano tentou se explodir e falhou, elevaram as medidas de seguranças nos aeroportos da Europa e EUA, o que causa transtornos e perda de grana (vitória #1). tentaram direcionar as medidas a islâmicos, mas os lobbies classificaram isso de “profiling” e “islamofóbico” e foi abandonado (vitória #2). qualquer ato supremacista islâmico (por exemplo, o do Major Hassan) é utilizado pela propaganda islâmica para vitimização (“they fear a backlash”, “Islam, the religion of peace, has nothing to do with that” etc.). (vitória #3). e quanto mais a sensação de terror aumenta, mais cresce a mentalidade e a possibilidade de que se aja com terror contra o terror – o que obviamente é uma vitória do terror, e eles sabem bem disso.

     
  • Leandro Demori [ 04May10]

    “ele esquece de dizer uma coisa: o terror sempre ganha, mesmo quando falha. quando o guri nigeriano tentou se explodir e falhou, elevaram as medidas de seguranças nos aeroportos da Europa e EUA, o que causa transtornos e perda de grana”

    É exatamente o que diz o general que entrevistei lá pra Galileu. Mas isso, segundo ele, não é exatamente uma vitória, mas um ato de desespero.

     
  • marlon [ 04May10]

    ah, e o cara ia fugir pra DUBAI. que que Dubai tem a ver com AlQaeda e Taleban? ou com o terrorismo? por que esse cara nem cita isso?

     

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