Paris-Brasília. (ou por que você jamais encontrará explicações sobre o acordo Irã-Brasil-Turquia sem olhar para o deserto)

Leandro Demori | Itália 14:00 | 28/05/2010

Antes de ler o post é obrigatório assistir ao vídeo. Não precisa ver tudo — a narração é em italiano — mas ao menos entenda o que está acontecendo.

Os corpos do filme acima foram encontrados no Saara. São uma amostra sobre a areia dos mortos que o deserto consome em nome de uma guerra bilionária promovida na África — tantos outros foram engolidos sem honras fúnebres ou sepultura. Essa gente deveria ser enterrada em Roma, em Tripoli, em Paris ou em Brasília. Ou em Washington, em Teerã, em Pequim, em Moscou. Ou no quintal da sua casa se você confia na democracia participativa somente quando ela serve para aplaudir qualquer acordo diplomático que poderia ter sido assinado em um rolo de papel higiênico.

O vídeo foi obtido pelo repórter da revista L’Espresso, Fabrizio Gatti. Gatti infiltrou-se em um grupo de imigrantes ilegais, andou de caminhão, ônibus e a pé por parte do norte da África até pegar uma embarcação clandestina na Líbia, destino Lampedusa, o ponto mais ao sul da Itália, pedaço de paraíso desejado por milhares de africanos que fogem da miséria e de conflitos armados todos os anos.

O que Gatti descobriu? Que a imigração feita em barcos como esse aí de cima não é desordenada e ocasional como muitos pensam. E que por trás da indústria de exportação de seres humanos montada por africanos e europeus — que chegam a cobrar 1,5 mil euros por pessoa pela travessia até a terra prometida — está uma guerra promovida pela França em nome de uma das matérias-primas mais importantes da atualidade: o urânio, tão discutido no Brasil dos últimos dias, aquele mesmo que o Irã quer enriquecer sob “fins pacíficos” e que o nosso país apoia e acha que está tudo bem.

Escreve Gatti:

“A estrada dos traficantes de homens foi aberta graças à guerra dos tuaregues. Uma guerra pelo urânio sustentada pela França na região de Agadez, no Níger. Os tuaregues, ajudados e armados pela França, desencadearam uma ofensiva no Saara pelo controle da região de Imouraren, onde está a segunda maior mina de urânio do mundo, menor somente do que a de Mc Arthur River, no Canadá.”

O Níger foi colônia francesa até 1958. Em 1960, depois de uma período de transição, proclamou independência. Desde aquela época, o frágil governo se equilibra entre períodos republicanos e juntas militares, golpe atrás de golpe. No meio disso estão os tuaregues, etnia que vive espalhada por diversos países da África Ocidental. Os tuaregues querem um país e, para isso, parte deles, como os que vivem no Níger, estão armados.

A guerra tuareg foi inflamada pela França porque, em 2007, o país perdeu o monopólio da extração do minério no Níger. Paris gozava do benefício desde o fim da colônia, apoiado em um direito de prioridade de compra imposto ao Níger quando este se tornou independente. O governo local enfraqueceu a França ao conceder direitos de exploração na região de Agadez, a zona tuareg, ao Canadá (15 permissões), Austrália (7), África do Sul (6), França (4), Índia (3), China (2), Rússia (2), Estados Unidos (1), Emirados Árabes (1), Reino Unido (1) e Ilhas Virgens (1). A França, em contrapartida, desestabilizou o país e a região ao promover novamente o levante étnico tuareg justamente na zona mineira.

Essa é a Areva Tower, sede da empresa estatal Areva, gigante atômico francês responsável pela exploração de urânio no Níger. Sabe o que aconteceu depois de 2007, quando a guerra civil botou a região de Agadez nas mãos dos tuaregues? Fabrizio Gatti conta:

“O Níger concedeu à sociedade Areva mais áreas de extração no país. A partir de 2012, a Areva terá tanto urânio que, para amortizar o prejuízo de 1,2 bilhões de euros com a empreitada, deve encontrar clientes.”

A Areva já encontrou seus clientes. O Brasil é um deles.

“A empresa francesa Areva, líder no setor de energia nuclear, anunciou nesta segunda-feira, em Paris, a assinatura de um contrato com as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para o fornecimento de serviços de conversão de urânio no valor de US$ 32 milhões.”

Mas o grosso está aqui:
O que diz o acordo com a Areva? A Areva fornecerá os equipamentos e financiará o projeto?

A Areva, resultante da fusão da empresa alemã Siemens KWU com a francesa Framatome, tem um contrato comercial válido para sua participação na construção de Angra 3, através do fornecimento de bens de serviços importados. Como esses contratos são muito antigos, encontram-se em andamento negociações para atualização dos mesmos. O financiamento para esse escopo importado de bens e serviços – cerca de 770 milhões de euros – deverá vir de empréstimos de bancos europeus, alguns dos quais, reiteradas vezes, vêm confirmando o interesse em participar do financiamento do empreendimento” [Eletrobras]

O mapa abaixo mostra a rota do urânio e a rota dos imigrantes. Ambos se movem, como se vê, em uma zona de conflitos internos, desestabilizada. A quantidade de gente que arrisca a própria vida em botes pelo Mediterrâneo está diretamente ligada ao jogo sujo promovido pelos interesses nucleares na região. [clique nas abas para ver o infográfico em flash]

O tamanho da confusão na intrincada diplomacia internacional é tão grande que confunde. Parece ser feito para isso. Considere que o Irã é, hoje, um bode na sala. Enquanto todo mundo olha pra ele, muita sujeira corre pelas laterais.

Por que China e Rússia, que até dias atrás preferiam o diálogo com o Irã, agora apoiam sanções após o acordo firmado entre Teerã e Brasil/Turquia? Não por acaso, China e Rússia desfrutam de concessões nas minas do Níger.

Por que Obama pediu para que o Brasil firmasse o acordo exatamente nos mesmos termos assinados por Lula e depois deixou Hillary Clinton partir para o ataque?

Música para refletir:

Boa de papo

Érica Manssour | China 10:12 | 28/05/2010

Apesar de ter sido levemente ofuscada pela onda de suicídios na Foxconn, a visita de Hillary Clinton à China nesta semana rendou bons frutos.

Nada de avanços em questões como as sanções ao Irã ou um posicionamento claro de Beijing em relação à crescente tensão entre as Coréias.

As divergências quanto à valorização do Yuan também ficaram longe de ser resolvidas. Segundo noticiado pelo China Daily, o vice-ministro de Finanças Zhu Guangyao teria dito o seguinte:

“A China e os EUA chegaram a um consenso em que os EUA entende que a China vai decidir as medidas específicas de suas reformas na taxa de câmbio de forma independente, com base em seus próprios interesses, tendo em conta as condições da economia mundial e as tendências de desenvolvimento da própria China”.

O que quer dizer, basicamente, que continua tudo do jeito que estava e que as reuniões a esse respeito foram pura perda de tempo.

Os quatro dias que a Secretária de Estado americana passou na China foram produtivos em outros aspectos. Clinton e o secretário do tesouro Timothy Geithner foram entrevistados pela Oprah chinesa, a apresentadora Chen Yulu. Em um clima de muita descontração e azaração, foi possível conhecer o lado humano dessas duas importantes figuras:

“Acho que estava elogiando o seu cabelo”, disse Hillary sobre o Geithner quando a apresentadora do programa mostrou-lhes uma foto dos dois conversando em uma reunião do Gabinete. “Ele está sempre tão bonito, sabe? É enlouquecedor.”
“Eu gasto muito mais tempo [me arrumando] e nem sequer fico tão bem”, disse ela.
Geithner protestou quando a apresentadora (…) disse-lhe que ela tinha ouvido muitos americanos falarem que ele é “um dos rapazes mais bonitos na administração (Obama)”.
“Isso não pode ser verdade, não pode ser verdade”, Geithner disse, antes de uma risonha Clinton intervir.
“Eu tenho autoridade para afirmar que isso é verdade”, disse ela.

Clinton admitiu que o casamento da filha Chelsea é “a atividade mais importante acontecendo na minha vida agora” , explicando para a audiência chinesa o conceito americano do “chá de panela”.

Hillary ainda revelou a diferença entre o seu gosto cinematográfico e o do marido: Bill prefere filmes de ação, “quanto mais violentos melhor”, enquanto ela escolhe comédias e romances.


Não acho relaxante sentar e assistir às pessoas atirarem umas nas outras

A Secretária de Estado americana encontrou um tempinho na agenda para passear no pavilhão americano da Expo de Xangai.

No ano passado Clinton precisou fazer campanha para atrair patrocinadores e levantar o montante necessário para garantir a participação do seu país no evento. Quando questionada sobre o pavilhão, Hillary deu uma declaração morna: “Está bom. Imagine se não estivéssemos aqui?”.

Foi durante a visita à Exposição Mundial que aconteceu o ponto alto da passagem de Clinton pela China. A Secretária de Estado viveu um reencontro emocionado, documentado abaixo.


Separados no nascimento

Oi. Vai votar no PSOL? Conhece o vice do Plínio Arruda Sampaio?

Leandro Demori | Itália 17:42 | 27/05/2010

Olha, deveria.

Pitagóricas XVI

Walter Valdevino | Brasil 13:20 | 27/05/2010

- “[Eleições presidenciais na Colômbia] – Mal de Parkinson de Antanas Mockus é fator positivo nas pesquisas”. “E, falando em filosofia, ontem Mockus voltou a ficar com os olhos cheios d´água ao contar que recebeu uma carta de apoio a sua candidatura assinada pelo filósofo alemão Jürgen Habermas, um de seus ídolos e constantemente citado por ele em discursos e entrevistas”. Para quem nunca ouviu falar, Mockus (PV), ex-prefeito de Bogotá, é o candidato a rei-filósofo da Colômbia. Como bem definiu a Folha em reportagem de enviada especial para acompanhar as eleições, é uma mistura de “sacerdote kantiano e instrutor de terapia de grupo.” Jürgen Habermas, para quem também nunca ouviu falar, é aquele filósofo alemão que quer o nosso bem e nossa proteção e, por isso, defendea idéia de uma reserva pública voltada para a mídia eletrônica” para se contrapor à monstruosidade da “conveniência publicitária” e ao “apoio de patrocinadores“. Tudo faz $entido, portanto. Perderá(ão).

- “Lula lança novo canal: ‘Minha televisão internacional’”. Vai transmitir BBB e novela da Globo? Não? Então, terá traços de audiência.

- “Temer encerra reunião ‘secreta’ após vazamento pelo Twitter”. Tran$parência Braziu.

- “Jobim garante que aeroportos não preocupam para Copa de 2014″. “Nossa preocupação não é com a Copa do Mundo ou com a Olimpíada. A preocupação maior é com o aumento significativo da aviação civil no Brasil”. Interessante saber que o transporte aéreo durante a Copa não será feito pela aviação civil.

- “Lula é inspiração para esquerda democrática, diz premiê português”. Esquerda = Sarney + Collor + Renan. Faz $entido.

- “Ex-secretário de Maluf terá que devolver R$ 1 milhão”. 11 anos depois de terem dado entrada na ação. Parabén$, como sempre, a todos os envolvidos.

- “Após visita a Lula, seleção brasileira embarca para a África do Sul”. E começa o ínicio do fim do ano. Até março de 2011.

- “Ferramenta permite apagar Justin Bieber da internet”. http://fffff.at/shaved-bieber, http://fffff.at/shaved-dilma, http://fffff.at/shaved-serra.

- “Serra diz que Bolívia é cúmplice no tráfico de cocaína”. Não sei de nada, só que o responsável por negar (Folha, assinantes) a acusação foi o ministro da Presidência da Bolívia (seja lá o que for isso), e o nome dele é Oscar Coca Antezana.

- “Dilma diz que governará com partidos e sociedade”. Bláblábláblá.

- “Conar e as flores da Vivo”. “Na propaganda, um cachorro destrói o buquê de uma noiva na Igreja. Desesperados, os convidados lançam torpedos para pessoas que ainda não chegaram no casamento e a solução encontrada é criar um novo arranjo com flores arrancadas de lojas ou vasos nas ruas. E não é que teve gente incomodada com a possibilidade do anúncio incentivar roubos e ataques ao meio ambiente?”. Conar protegendo a moraU e os bons costumes do Braziu.

- “Em MG, igreja pede votos para deputados em cultos”. Je$u$ sempre vence.

- “Paquistão deve encerrar bloqueio ao Facebook e YouTube”. Alah FAIL.

- “Dilma defende indicação de partidos desde que com perfil técnico”. Blábláblá.

- “Impunidade de crimes da ditadura é ‘mancha moral do Brasil’, diz ONG”. ONG errada. Nada de nada de coisa alguma é mancha moral no Braziu. Tá tudo (sempre) bem.

- “Juiz pede ação contra Tuma por ocultação de cadáver”. Tá tudo bem, já disse.

- “Quase um ano após crise dos atos secretos, gastos crescem no Senado”. A escalação de jogadores como Gilberto Silva, Felipe Melo e Júlio Baptista é a síntese da preferência pelo futebol disciplina, deixando de lado o futebol alegria.

- “Com fim de prazo, divulgação de gasto público passa a ser obrigatória”. Não funcionará, lamento.

- “África do Sul usa Copa para combater HIV”. Interessante. O Braziu usará a Copa para roubar.

- “Chinesa de 60 anos dá à luz gêmeas após perder filha única”. ““O choro delas (das gêmeas) lembra o da minha filha morta, o que é muito nítido”, afirmou.“. Comuni$ta$ chineses ainda não tomaram providências. Absurdo.

- “PDT veta Suplicy na ‘vice’ com apoio velado de Marta”. Pai do Supla sempre se dá mal.

- “Cientistas propõem a Lula Medida Provisória contra burocracia”. Condição para ser cientista/acadêmico = delirar.

- “Maradona libera sexo, vinho e churrasco na concentração da Argentina na Copa”. Vencerão. Braziu humilhado.

Jogo dos 7 erros

Leandro Demori | Itália 08:08 | 26/05/2010

Juro que tem diferença.

Ban-Ki Moon explicado

Leandro Demori | Itália 13:50 | 25/05/2010

Destaque honroso para algumas das 10 piores resoluções do Conselho de Segurança da ONU, lá do Estadão [traduzido do Foreign Policy]:

3. Resolução 1706: Missão de paz para Darfur (2006)
O texto falava em usar “todos os meios necessários” para proteger os civis de Darfur, mas exigia o consentimento do governo sudanês. O Sudão não deu o sinal verde e a resolução não saiu do papel.

4. Resolução 1530: Condenação do ETA pelo atentado em Madri (2004)
O então premiê da Espanha José Maria Aznar propôs uma resolução condenando o ETA, grupo separatista basco. Mais tarde, descobriu-se que os autores eram da Al-Qaeda.

7. Resolução 819: Forjando a tragédia de Srebrenica (1993)
Medida transformou a cidade de Srebrenica em área de segurança protegida pela ONU. Mas a organização não enviou tropas suficientes para proteger o local. A cidade foi cercada e os capacetes azuis foram obrigados a entregar os bósnios muçulmanos de badeja para os sérvios.

9. Resolução 242: Retirada de Israel dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967)
Logo após o conflito, resolução exigia a retirada de Israel, determinação que nunca foi cumprida.

10. Resolução 82: Uso da força contra a Coreia do Norte (1950)
Autorizou a intervenção dos EUA, sob a bandeira da ONU, na Guerra da Coréia. Só foi aprovada porque a União Soviética resolveu boicotar as votações no Conselho de Segurança, para mais tarde descobrir que abstenção não significava veto. Quando Moscou resolveu voltar ao Conselho para impedir a guerra, os EUA aprovaram, na Assembléia Geral, a resolução “Unidos Pela Paz”. Segundo o texto, sempre que houver um impasse que paralise o Conselho de Segurança, cabe à Assembléia Geral agir, inclusive para o uso da força. Para muitos a medida ainda é a maior aberração do sistema jurídico criado pela ONU.”

Conforta saber que depois de tantas resoluções importantes a ONU está, finalmente, sob o comando de um cidadão dinâmico e sagaz como Bããããã-Ki Moon. ããããããããããããã… zzzzz … plóf.

Pitagóricas XV

Walter Valdevino | Brasil 08:00 | 25/05/2010

- “Economista passa 18 meses vivendo sem dinheiro e diz que nunca foi tão feliz”. “Dezoito meses depois ele afirma que não pensa em voltar a usar dinheiro e que, com o que ganhar com a venda do livro, pretende comprar um pedaço de terra para montar uma comunidade em que outras pessoas que queiram viver sem dinheiro, como ele, possam morar.” De$culpe, mas não entendi a parte do “vivendo sem dinheiro”.

- “Naomi Campbell se envolve em escândalo com ex-presidente da Libéria”. Diamantes, armas, munições, rebeldes, Serra Leoa, Libéria, Charles Taylor. Dá um filme (não).

- “Paquistão reconhece “sofrimento” causado com proibição de sites, mas não volta atrás”. “Centenas de pessoas protestaram nesta sexta-feira em Karachi, capital econômica do Paquistão, gritando “morte ao Facebook” e “morte aos Estados Unidos”, para pedir a proibição total da rede social.” Pessoal pacífico, amigável, equilibrado e inteligente. Vamos respeitá-los e entendê-los.

- “Estudantes da rede pública do Rio terão aulas de história da MPB”. Acho positivo. É preciso cultivar a malemolência do povo brazilêru.

- “Em lançamento de pré-candidatura de Gabeira, nome de Marina é ‘apagado’”. Gabeira = mon$tro tucano.

- “Guerrilha paraguaia imita as Farc e flerta com a droga”. É uma evolução. Superaram o papo furado Che Guevara e foram direto pro sequestro e pro pó.

- “Se eleita, Dilma deve acomodar Palocci na Casa Civil”. Preocupado com seu $igilo bancário? Tema.

- “Elo entre Al Qaeda, tráfico e brasileiros mobiliza PF”. Palavra “brasileiros“, ali, fez muito $entido.

- “Parlamentares europeus ganharão um iPad cada um como instrumento de trabalho”. “O projeto, de 5 milhões de euros, chama-se “It Mobility“.” Europa é aquele lugar que está falindo já faliu há uns 20 anos e as pessoas ainda se surpreendem?

- “Mortalidade infantil no Brasil cai 61% em 20 anos, diz estudo”. “A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% entre 1990 e 2010…” 1990 = ano de posse deLLe, ou seja, início da tentativa de instauração do capitali$mo na Banana. Continuar assim e avaliar possibilidade de tentar neoliberalismo.

- “Lula deve vetar aumento de 7,7% a aposentado, diz Paulo Bernardo”. Lula monstro, neoliberal, imperialista, assassino de velhinhos e destruidor do sonhos do maior senador gaóchu de todos os tempos, Paulo Paim (PT).

- “Ban Ki-Moon chega ao Brasil nesta quinta”. Será que vai rolar algo do tipo… greve de fome para resolver os problemas do mondu? Bããããããn Ki-Moon. Ãããã?

- “‘Não acho que o apoio do Sarney seja fardo para Dilma’, diz Vaccarezza”. Concordo. Por que seria uma fardo receber apoio do Líder Moral do PT?

- “”Quanto mais mal de mim falam, melhor“, diz Lula para a oposição”. Lula = sempre certo.

Bom dia, 2%

Leandro Demori | Itália 09:07 | 24/05/2010

Viram isso? (obviamente não):

“Levantamento da comScore, empresa que mede audiência da internet em mais de 40 países, mostra que no Brasil só 2% dos internautas acessam páginas com o conteúdo político.” [Estadão]

Continue assim, povo bananóide. O som da sua ignorância embala gabinetes.

RATO TERRORISTA ROUBA A CENA DO BARACK

Fabricio Pontin | Estados Unidos 18:00 | 21/05/2010

Mais uma evidência do terror islâmico que infiltra a malha sistêmica do estado de direito.

Semana Xinjiang feliz

Érica Manssour | China 16:14 | 21/05/2010

Xinjiang, a “nova fronteira”, não é só uma região “‘autônoma” chinesa, ela compreende mais de um sexto do território chinês, faz fronteira com 8 países, possui valiosas reservas minerais e energéticas e, para azar do partidão, é a terra de uma minoria étnica muçulmana com sonhos separatistas.

A região ganhou os noticiários internacionais em julho do ano passado após protestos de representantes da etnia Uigur tornarem-se violentos e acabarem em pancadaria com chineses Han (maioria étnica) e com a polícia. O resultado: mais 190 mortos, pelo menos 1700 feridos e umas 25 penas de morte já emitidas pela Justiça. Quase imediatamente após os confrontos, Internet, mensagens de texto e ligações internacionais foram suspensas na região. Quando visitei o local em outubro o clima ainda era tenso, com batalhões especiais da polícia e do exército patrulhando as ruas da capital Urumqi e realizando inspeção de documentos e carros em diversos pontos da cidade de Kashgar — chegavam ao cúmulo de bisbilhotar até mesmo as carteiras das pessoas mais humildes que passavam.

Não é de hoje que Xinjiang é uma dor de cabeça crônica, quase, assim, uma enxaqueca, para o PCC. Com os ataques às torres gêmeas de 2001, a China viu uma oportunidade de ganhar o apoio gringo para lidar com a etinia-problema e deixou de refererir-se a eles como “separatistas de Xinjiang”, passando a descrevê-los como “terroristas do Turquestão Oriental”. A estratégia deu tão certo que o Movimento pela Independência do Turquestão Oriental ganhou status de organização terrorista pelos EUA e pela ONU e mais de 20 uigures foram parar em Guantánamo.

Buenas, chega de falar do passado e vamos aos acontecimentos que fizeram com que o projeto “xinjiang semana feliz” do partidão fosse alcançado com sucesso.

Sexta-feira passada, 14 de maio, Xinjiang voltou a fazer parte do mundo que consideramos normal quando teve o acesso à Internet totalmente restaurado (totalmente = Internet – sites bloqueados pela #GFW). Euforia, lágrimas e preocupação tomaram conta da população, como nos conta o China Daily:

“Nosso lucro quase dobrou depois que a Internet foi cortada “, disse um gerente chamado Zhang no Karaoke Bayinhe Club em Urumqi, capital regional.” Mas as reservas caíram drasticamente no fim de semana porque a Internet está de volta. Parece que nossos bons tempos acabaram.”

(…)

“Temos realmente nos beneficiado com o bloqueio da Internet, por isso, embora eu pessoalmente esteja contente de ver que a Internet está de volta, para lojas de DVD não é uma boa notícia”, disse Li Ping, dono de uma loja de DVD, no domingo.

(…)

“Eu derramei lágrimas quando visitei o Baidu (ferramenta de busca mais popular na China)”, escreveu um internauta na iyaxin.com.cn, um site baseado em Xinjiang, apenas uma hora depois [da volta da Internet]. “A retomada do serviço mostra que o tprotestos foram organizados através da Internet) e não tem medo deles.”

Li Bin, um trabalhador do banco de 32 anos de idade, Urumqi, foi acordado no meio da noite às 2 da manhã por um de seus animados amigos.

“Meu amigo estava, literalmente, gritando do outro lado do telefone”, disse ele. “Ele me disse que a Internet estava de volta. Eu não acreditei no início, porque tem havido muitos rumores circulando sobre quando a proibição será levantada e nenhum deles era verdadeiro. Você pode ver como o povo de Xinjiang está desesperado para ser reconectado.”

Tantas declarações emocionadas parecem contradizer os resultados da pesquisa realizada pelo mesmo jornal e que perguntou aos moradores de Urumqi como suas vidas foram afetadas pelas restrições. 69% afirmaram que sua vidas tinham sido apenas “levemente afetadas”, 21% disseram que não foram afetadas de modo algum e 10% responderam que tiveram suas vidas severamente afetadas.

Após 312 dias de praticamente nenhuma possibilidade de contato com o mundo exterior (ao longo desses 10 meses o governo foi gradualmente liberando algumas funcionalidades), a “novidade” não veio sozinha e, junto com o anúncio, uma carta aberta do governo regional direcionada ao internautas foi publicada. O texto destaca a importância da internet como ferramenta de aproximação entre o governo e o povo e, sutilmente, recomenda cautela dos usuários:

Devemos valorizar a estabilidade duramente conquistada hoje, valorizar do ambiente completamente aberto da Internet e usar a Internet para a expressão do bem e a serviço do que é bom.

Ainda se recuperando do choque positivo causado pela volta da Internet, ontem Xinjiang foi novamente surpreendida por boas novas vindas do governo central. Foi revelado um pacote de apoio com “a ambiciosa meta de impulsionar o desenvolvimento e manter a estabilidade na região, que possui ‘uma particular e estratégica significância’”. Segundo Hu Jintao, a manutenção da estabilidade social e a obtenção de um rápido desenvolvimento são prioridades gêmeas. No texto que estampa a capa do China Daily de hoje a palavra “estabilidade” é citada 5 vezes, mas, além disso, também são descritas as medidas que visam o desenvolvimento econômico da região.

Agora resta saber até quando tanto otimismo vai durar. Se depender do novo governador de Xinjiang, Zhang Chunxian, a coisa não vai muito longe:

“Devemos combater duramente todas as atividades separatistas e destrutivas provocadas pelas três forças do terrorismo, separatismo e extremismo religioso.”

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