É mesmo?

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e mímico amador saiu com a seguinte declaração sobre a relação do Brasil com “dissidentes”:

“Nós nos relacionamos com o governo de Cuba, com o governo da Colômbia… não nos relacionamos com dissidentes nem em Cuba nem em outros lugares”

(via Folha Online)

Tá bom.

Mas, e aquela vez com o Irã?

O Brasil pediu ao Irã que “dialogue de forma respeitosa com dissidentes e minorias”, em seu chamado mais incisivo a Teerã até então. A declaração, feita ontem durante a revisão do país no Conselho de Direitos Humanos da ONU, foi elogiada pelos EUA e por organizações não governamentais, atentos ao poder de persuasão de Brasília sobre o aliado persa.

Ah, tá. Faz tempo, foi lá em Fevereiro.

Mas, ãã

E a manifestação de preocupação quanto à recente decisão de Israel de patrolar território palestino com assentamentos?

O Ministro Celso Amorim declarou em 10 de março, em entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, lamentar a autorização para novas construções em assentamentos, especialmente neste momento em que as conversações entre israelenses e palestinos (ainda que indiretas) poderiam recomeçar.

Saiu ontem.
Não conta? Palestino não é dissidente, é isso? Entendo.

Mas, é engraçado, também saiu esta aqui ó:

O Governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação, da recente onda de violência de fundo étnico-religioso que resultou na morte de mais de 500 pessoas na região ao sul da cidade de Jos, na Nigéria.

Ao apresentar suas sentidas condolências às famílias das vítimas e ao Governo da Nigéria, o Governo brasileiro faz um apelo em favor da convivência pacífica, da tolerância e da moderação. Manifesta, ainda, a expectativa de que as autoridades e a sociedade nigerianas lograrão superar o ciclo de violência inter-religiosa no país.

Conflito étnico-religioso não é um tipo de dissidência? Deixa eu ver no Houaiss:

dissidência
Datação
1836 cf. SC

Acepções
■ substantivo feminino
1 desavença, conflito
2 ato de separar-se (uma parcela de um grupo, agremiação, partido etc.) em virtude de divergência de opiniões; cisma, cisão
3 Derivação: por metonímia.
a parte que se separa do grupo


Quer dizer que… Itamaraty se manifestou sobre uma dissidência ontem?
Que puxa!
Eu fico imaginando, será que o nosso ministério das relações exteriores não tem algo mais concreto neste sentido? Algo para além destas manifestações escritas?

E não é que tem? Se chama “Assistência Humanitária Internacional”, no site deles tem a explicação:

Assistência humanitária é toda e qualquer ação que contribua, de forma imediata e eficaz, para minimizar o efeito de catástrofes naturais, conflitos armados ou convulsões sociais no exterior.

“Convulsões sociais no exterior”? Olha, que legal, o governo brasileiro tem uma iniciativa que se ocupa de contribuir “de forma imediata e eficaz” em caso de ebulição social. Como é o caso, por exemplo, de dissidências com um regime político! Quer dizer que o governo brasileiro não apenas reconhece dissidências, mas tem um programa desenhado para mediar este tipo de situação.

Tá, e agora?

Danou-se, é cubano!

Agora já era, né?


7 comentários to “É mesmo?”

  • van [ 13Mar10]

    Dissidente político não é assunto para wikepedia e afins. Consulte Chomsky. Acho que Marlon – gaaaaatô, e eu nem sabia – curte. -Kadê vc?-
    Me responde depois EM CARÁTER DE URGÊNCIA urgentíssima – a diferença de dissidente político com causa e dissidente político sem causa.
    Leve em conta por favor e sem preconceitos as diferenças CULTURAIS de cada sociedade. Para isto, vc. poderá contar com a ajuda do FHC, el sociólogo sorbonico, atualmente dissidente político ilhado em Higienópolis. Tá fingindo que tá com vergonha por ter um filho de 18 anos com a Mirian, ex jornalista da Globo e te-los escondido na França, espontaneamente.
    E agora apareceu um segundo filho, com a cozinheira que eles tinham em Brasília quando era Senador. Dizem que era uma mulata dilícia, faceira e ele, com dois pés na cozinha (sic), resolveu viver Casa Grande e Senzala in loco. Adorou. A cria dos dois, TB. HOMEM MACHO, trabalha hoje no planalto como faxineiro, até que algum senador o contrate para uma atividade mais alta na escala social de Bóris Casoy.

     
  • van [ 13Mar10]

    Sou colunista de um blog decadente gaudério chamado A Nova Corja. Não me pagam há meses. Mas como disse Fróid, e por isso ele vai escutar o resto dos dias dele, eu Flood+ the book is not on the table.
    Meu blog de estimação é o do mestre guru, professor de sexo tântrico, quatrocentão – só paulista sabe o poder de um quatrocentão. Usa anel de barão no dedinho midinho.
    Filósofo e catedrático atende todo dia, principalmente às mulheres boas. Professor Hariovaldo Almeida Prado. Tb. adoooooro o Tio Rei, mas acho que ele apenas copia o estilo do mestre Hari, o que é per si , impossível. Alvíssaras!

     
  • Van da Lo [ 13Mar10]

    Como ja disse alguem por ai: o Braziu eh o unico site onde rola se informar sobre politica. Fica impossivel defender depois desse post, ai tem que partir pra viagem de LSD.

    Ne, van?

     
  • van [ 13Mar10]

    Meu comentário anterior era muito bom e inteligente, digno de aparecer no Estadão, masssss quando vc. "envia", aparece uma obs idiota que diz: ´tu é uma tagarela dissidente, tente dividir os comentários. Mas o que é isto? "Assim não pode, assim não dá."
    Tive que editar. Tá curioso? Apenas introduced me> My name is Van short for Vania, minha mãe era artista da rádio nacional e tarada por 'TioVania" pourtant, ficou assim sem acento.
    Sou cariocadagema, paulista by chance. Não, não gosto.

     
  • FitoPlancton [ 15Mar10]

    hmmm… não creio que os exemplos tenham funcionado bem para a idéia do post.
    tudo muito complicado
    Mas é o Braziu!

     
  • Zé Lelé [ 16Mar10]

    Eu não entendi o que li. Onde tem dizendo que o Brasil se RELACIONA com dissidentes nas diferentes reportagens? Quando um país "pede" a outro, é porque não quer se meter, não? Quando o Marco Aurélio diz que o país não se relaciona com dissidentes, quer dizer que não tem intenção de sustentar golpes ou guerras civis, acho eu. Isso não quer dizer que o país não reconheça dissidências. Dissidentes surgem quando membro(s) de um grupo resolvem sair dele por não mais compartilhar(em) pontos de vista "ideológicos" (não sei se é exatamente esse o termo, mas o conceito é o que me parece insinuar o Houaiss). O que pode acontecer em Jerusalém é uma quebra de acordo formal entre palestinos e israelenses, mas prefiro não opinar por não saber se Jerusalém é, sim, reconhecido internacionalmente como parte do território israelense unicamente. E suponho que assistência humanitária não signifique mediar conflito algum, mas, sim, ajudar vítimas de "catástrofes naturais, conflitos armados ou convulsões sociais no exterior". E só é possível prestar assistência humanitária com a permissão do Estado atingido pela "crise". Mas posso estar errado, não ando bem informado em R.I.

     
  • Fabricio [ 16Mar10]

    Não, zé. O Marco Aurélio estava justificando que o Brasil não tenha se manifestado no caso de Cuba. O problema é que havia se manifestado no caso, por exemplo, dos dissidentes no Irã, na Palestina e na Nigéria. Ninguém tá pedindo para o Brasil invadir Cuba e metralhar o Fidel na cama do Hospital (Ok, alguém deve tá, mas isso é outra discussão). Procura no site do Itamaraty uma nota de repúdio a situação dos presos políticos em Cuba. Não vai achar nada. Agora, tu vai achar várias notas de repúdio quanto a vários episódios similares.
    Acho que cabe perguntar porque diabos do tratamento diferente.

     

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