Não são?
Saiu faz pouco a última análise do Brazil Focus sobre a última pesquisa Datafolha para presidente do Brasil. Algumas coisas chamam a atenção. A primeira é a forma como alguém acostumado a ler eleições no contexto norte-americano pode perder um pouco as dinâmicas de uma eleição no Brasil. Não que a análise feita pelo professor Fleischer esteja errada, longe disso, mas é interessante ver quais fatores parecem fundamentais para o analista norte-americano.
Vamos lá, o primeiro fator é a popularidade do presidente Lula. Em qualquer contexto um presidente no último ano de um mandato de oito anos receber 73% de saldo positivo é notável. Para o Fleischer, aqui existe uma tendência de transferência de votos do Lulão para o Dilmão. De fato, já percebemos esta tendência no salto da Dilma nas últimas pesquisas . No entanto, um fator interessante é a distribuição da popularidade do Lulão, e o fator de transferência de votos vinculada a este. O alto nível de rejeição do Lula nos Estados do Sul do Brasil pode ser mais fundamental que a sua relativa popularidade: 60% de avaliação positiva no Rio Grande do Sul, por exemplo, é um bom número. Mas os 40% de rejeição são mais importantes ainda, principalmente pelo deslocamento da imagem do Lula com o PT. Creio não ser um engano pensar que dos 60% um bom número não vincula mais o Lula com o PT gaúcho, enquanto os 40% que rejeitam o presidente necessariamente rejeitam o Partido dos Trabalhadores também. No mesmo sentido, a expectativa de transferência de votos do Lula para os candidatos a governador no nordeste pode ser frustrada.
Acontece que as notícias são boas para a Dilma também no contexto da super-personalização: na última Datafolha 42% dos respondentes alegam que votam no candidato apoiado pelo Lulão. Em um contexto de aprovação bruta em torno dos 68-72%, Dilma pode começar a pensar na decoração do Palácio do Alvorada. Para o Serra, portanto, a questão fica em uma sinuca de bico:
a) Tentar detonar a imagem do Lula, diminuindo a aprovação do presidente, e parando o sangramento de votos.
b) Se vincular ao “bom” do Lula, tentando ganhar votos de indivíduos “moderados” e confiar que a Dilma estacione.
Nenhum dos dois cenários é muito bom. O primeiro coloca o Serra na situação de ter que falar mal de um presidente extremamente popular, o que pode custar mais votos de eleitores simpáticos ao presidente. Afinal, o Lula tem a máquina do lado dele e o Serra teria que lutar contra os programas sociais. Quem lembra do Alckmin na última eleição tendo de ouvir o Lulão dizendo “este camarada quer tirar comida da tua boca”? Ao brigar com o Lula, o Serra arrisca ter que ouvir a mesma coisa. E ninguém ganha eleição no Brasil sendo vinculado com uma política austera do ponto de vista de programas sociais. O segundo cenário pode ser uma boa idéia, se o Serra estiver confiante para o segundo turno. O problema de alegar “manter o que está bom, mudar o que está ruim” funciona mais em contextos de alta ou relativa impopularidade do governo executivo. Por exemplo, funcionou maravilhosamente para o Fogaça na eleição de 2004 para a prefeitura de Porto Alegre, quando ele basicamente sustentou que faria um governo nos moldes do PT, mas sem aquele bando de petista. No entanto, para o Serra o discurso teria que ser algo do tipo “eu manterei os programas sociais, mas vou fazer eles funcionarem mais e melhor!” e isso presume que a) as pessoas vão acreditar nele e b) as pessoas vão votar nele. Digo isso porque é bastante possível que todos candidatos que não são a Dilma vão fazer este discurso, justamente por medo de se oporem a um presidente popular. Neste sentido, este discurso pode garantir um segundo turno com o Serra e a Dilma – que pelo visto, já está garantido de qualquer forma. Mas com uma popularidade alta do Lulão e uma transferência de votos relativamente segura para a Dilma, o que resta para o Serra neste sentido? Os tucanos dependeriam aqui de uma aliança com setores do centro que parecem ter sido deslocados para o lado Lulista nos últimos anos – o “adesismo” do qual FHC se beneficiou tanto.
Neste sentido, o homem mais esperto desta eleição foi decidamente o Aécio Neves. A Dilma, se assumir o executivo – e parece que vai – terá uma missão ingrata pela frente. Suceder um presidente com 70% de aprovação é tenebroso, mesmo se ele for do teu partido. Serra parece estar em uma posição complicada aqui, já que se ele desistir agora da eleição e deixar o partido na mão para ser eleito governador de São Paulo, podemos parar de perder tempo falando do horário eleitoral e dos debates, e simplesmente entregar o cargo executivo para o Dilmão. O Aécio vê tudo de camarote, com um cargo no senado garantido, e sem querer a queimação de jogar como vice de uma campanha potencialmente desastrada.
Mas o outro fator é que a eleição brasileira é atípica. Ela é atípica porque o eleitor brasileiro não é movido por ideologia – até porque, quem é capaz de realmente distinguir as plataformas de direita e esquerda na próxima eleição? Sejam sinceros, por favor. Aí, o “gostar” do candidato é realmente um “acho o Serra simpático pácas”, ou “esta Marina Silva é muito articulada, e gosta muito de árvores!”. Nisto, o horário eleitoral e o tempo de televisão podem decidir quem vai para o segundo turno ou a possibilidade de uma transferência total de votos do Lula para a Dilma, que resolveria esta eleição logo no primeiro turno.
Por enquanto, um segundo turno entre Dilma e Serra parece inevitável. E a estratégia do Serra para este segundo turno parece, diante da popularidade do Lula e do crescimento estável da candidatura Dilma, um tanto problemática.
Vai ser divertido ver os analistas americanos tentando matematizar isso durante este ano.















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Fleisher esteja errada
ESTEJE, sim! É Fleischer (açougueiro).
E formadores de opinião jamais deveriam dizer Bâshi, principalmente morando onde moram.
Pronto, pronto.
bom, pelo menos, vc confia que havera segundo turno. isso ja é um começo. abraço
Saudades de você, Carmencita.
Sempre é bom ter alguém para reparar nos brinco$.
Pois eu me lembro muito bem de alguém me ter dito em fúria descomunal que já havia perdido tempo demais comigo…
Apesar de não ser paquiderme
– uso decalitros de creme hidratante! –,
tenho memória de elefante.
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Agora joga a mala com minhas coisas pelas janela, Carmencita.
Eu, não. Não tenho nada a ver com os mijados de ninguém. E não sou invasora de domicílios.
Putz… publicaram o endereço para “aquele cujo nome não deve ser pronunciado” mandar livros de presente…
O Voldemort vai nos mandar um livro?!
excelente leitura. notei que não se usa mais as bananinhas para dividir as seções.
"Agora joga a mala com minhas coisas pelas janela, Carmencita."
gnsjfdghsjdfhgsjdhf
imaginei a cena.