A pesquisa Datafolha mostrando o crescimento das intenções de voto em Dilma Rousseff e o recuo de Serra, publicada neste domingo, tem um dado interessante:
“Quando o Datafolha faz a pesquisa sem mostrar nomes, surge um dado revelador sobre a percepção do eleitor a respeito do processo sucessório: uma queda vertiginosa das menções ao presidente Lula. O petista era citado espontaneamente por 27% dos eleitores em agosto. Caiu para 20% em dezembro. Agora, bateu em 10%. Apesar da sua popularidade recorde, Lula é cada vez menos citado “porque o eleitor está percebendo que ele não será candidato“, diz Mauro Paulino [diretor-geral do Datafolha] (Folha de S. Paulo, 28/02/10)
“Queda vertiginosa”, no caso, me parece otimismo além da conta. Demorou sete meses, de agosto de 2009 a fevereiro de 2010, para que o número de pessoas que achavam que Lula seria candidato fosse reduzido de praticamente 1/3 dos eleitores para 10% de ainda desorientados.
Obviamente, como se está cansado de saber, essa quantidade assustadora de gente sem noção não tem condição alguma de entender conceitos obscuros como “licitação”, “lavagem de dinheiro”, “caixa dois”, “propina” etc. Saber que tem algo de errado com as imagens de um governador e seus secretários enfiando montanhas de dinheiro nos lugares mais inusitados ou com as fotos de pufes para decoração de casa particular comprados com dinheiro público é até relativamente fácil. Mas para por aí. Quando se introduz na conversa elementos como “foi para comprar panetone” ou “a compra é autorizada legalmente”, Tico e Teco se dão as mãos e começam a chorar.
Corta especificamente para Brasília.
Logo depois que estourou o mensalão brasiliense, a foto abaixo circulou por jornais e blogs:
Trata-se de uma reunião nacional do DEM, em Brasília, ocorrida em novembro de 2009, alguns míseros dias antes de a Polícia Federal deflagrar a operação Caixa de Pandora. Onyx Lorenzoni, Jorge Bornhausen, Gilberto Kassab, Rodrigo Maia, José Arruda, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, Paulo Octávio etc., todos muito felizes e sorridentes.
Quando o barco começou a afundar, todos queriam pular fora, o que gerou as mais diversas reações, hesitações, ameaças e negociatas internas. O último lance, segundo o Josias de Souza, em post de hoje, é este: “Arruda redigiu manuscrito com ‘acusações’ ao DEM“. O documento, com 12 páginas e contendo supostas acusações contra Rodrigo Maia, Agripino Maia e Demóstenes Torres, estaria com os advogados de Arruda, prontinho para ser divulgado.
O DEM e diversos de seus integrantes estariam diretamente envolvidos nas falcatruas do Distrito Federal? Ainda não se faz ideia exata (talvez nunca se faça). A questão poderia ser esclarecida inclusive pelos próprios integrantes do partido.
Só que esse não é, nem de longe, o problema essencial.
O que o caso de Brasília mostra, talvez de forma nunca antes tão clara, é que o problema essencial da corrupção é a conivência. Você acha que a solução para a lama de Brasília está nas mãos dos brasilienses e, portanto, nas eleições? Não está. Lá, não são somente 1/3 dos eleitores que podem piorar tudo. Segundo pesquisa do Datafolha de dezembro, Joaquim Roriz venceria no primeiro turno as eleições na capital do Braziu: “em todos os seis cenários testados pelo levantamento, realizado entre os dias 14 e 18 deste mês, Roriz é o preferido de 44% a 48% dos eleitores“. Bem, não vou relembrar aqui quem é Roriz porque você já deve(ria) estar cansado de saber.
No caso de Brasília, a conivência e aceitação são suprapartidárias. De Lula aos demais membros do Executivo, passando por deputados federais e senadores, até chegar na cúpula do Judiciário e em alguns dos principais jornalistas do país, todos são moradores do Distrito Federal, seja de forma permanente, seja porque passam a maior parte da semana lá.
Ninguém tinha conhecimento da total contaminação do Executivo, Legislativo e Judiciário do Distrito Federal? Estão todos chocadinhos e surpresos com o que está acontecendo? Ou sempre é tudo normal até que alguém próximo seja preso?
Se o 1/3 dos eleitores brasileiros – ou, no caso de Brasília, os quase 50% que dariam a vitória, hoje, a Roriz – são incapazes de qualquer atitude para diminuir a roubalheira sem limites, parece que também não é possível esperar muita coisa de quem poderia fazer algo a respeito.
O Braziu é, sem dúvida alguma e em essência, a maior democracia representativa do mundo.











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[...] tudo se complica porque quem ou ignorou a situação ou foi conivente, como já escrevi aqui no braziu.org, foi justamente quem terá que decidir e (caso aprovada) realizar a intervenção: “De Lula [...]
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