Breiquin nius (sotaque italiano, por favor): governo Berlusconi caminha para o fim (ou para a eternidade)

Leandro Demori | Itália 20:45 | 29/07/2010

Silvio Berlusconi acaba de convidar Gianfranco Fini, fundador ao lado dele do Popolo della Libertà (PDL) e presidente da Câmara dos Deputados, a sair do partido. Fini é líder da Alleanza Nazionale (AN), na prática, ex-fascistas que sobreviveram à primeira república e se juntaram à Forza Itália pra formar a maioria em carga.

O caso de desamor entre Berlusconi e Fini vem de alguns meses.

Mas hoje a corda parece ter estourado.

Ventos dizem que o governo não vê o próximo outono (fins de agosto?), com eleições antecipadas pelo próprio Berlusconi. Eleições antecipadas significa dizer que cai todo mundo, de deputados a senadores, de ministros a puxa-sacos. Eleição geral.

Será novamente o caos.
Itália, enfim.

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Não acham o Bin Laden porque não querem

Leandro Demori | Itália 19:19 | 29/07/2010

Uma investigação nos Estados Unidos estima que até 6,6 mil túmulos do Cemitério Nacional de Arlington, o principal cemitério militar do país, possam conter erros de identificação.

São túmulos com problemas de registro, sem identificação ou com identificação errada nos mapas do cemitério.

O escândalo sobre os túmulos com erros de identificação já havia sido revelado no mês passado, quando uma investigação das Forças Armadas estimou que 211 túmulos apresentassem problemas.

Nesta quinta-feira, porém, em audiência no Congresso, a senadora democrata Claire McCaskill (Missouri) disse que o número é bem superior, e pode chegar a 6,6 mil túmulos. [BBC]

Potência imperialista totalitária com seus mecanismos precisos de imposição do domínio mundial.

Ou, como diria o filósofo, “não sabem nem contar defunto”.

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Que lo cumplas feliz, camarada

Maurício Boff | Argentina 11:38 | 29/07/2010

Regra da treta, mano:

  • Exclua as diferenças e o universo conceitual que distinguem os homens de bem que assumem o Congresso de quatro em quatro anos (sim, alguns ficam mais tempo. sim, alguns não são homens de… isso, claro, há cada vez mais mulheres…);
  • Evite pensar em legendas, aquelas que te dizem pra marcar quando não tem um candidato e não quer votar no Branco (isso, o lateral esquerda na Copa de 94. Ele mesmo, amigo do Dunga);
  • Pense em Curaçao, mas olhe pra baixo (no mapa, não na sua sacada…);

Bem-vindo ao Caribe, à América do Sul e à República Bolivariana da Venezuela. Imagine um mar de água celeste, sol e praia que fica mais fácil. Em algumas horas, você pisa em Caracas, mas não sabe do aniversário de 56 anos do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Você tem um Blackberry, assim como o comandante, acessa o blog oficial de Chávez e descobre que a festa foi ontem.

Você lê 1335 comentários no post de aniversário até às 1h37 (UTC -03:00). É óbvio que você não lê todos, mas gostaria. Então, você cria um método de pesquisa: buscar por palavras-chave, algo como te quiero, imperialismo, brigadeiroFidel, balão mágico Braziu.

28.JUL.201008:49 AM

Isaias 41:10 – No temas porque yo estoy contigo ; no desmayes porque yo soy tu Dios que te fortalece. Siempre te ayudare y te sostendre con mi mano derecha.Presidente comandante muchas felicidades en su cumpleaños y todo el resto de su existencia.. Le damos las gracias los Colombianos que vivimos aquí en esta patria y a usted por darnos una identidad he igualdad de condiciones y valorar nuestras vida.. Dios me le dé fortaleza para seguir y conseguir una latínoamérica unida y libre del opresor TE AMAMOS COMANDANTE HUGO CHAVEZ-

(Te cuida que esse pode ser membro da Opus Dei…)

28.JUL.201001:17 AM

Saludos Presidente Chávez que tenga un excelente día mucho más que cualquier otro, el día de su cumpleaños compártalo con su pueblo que lo aprecia mucho, Feliz cumpleaños al líder de la Revolución de Nuestra América! Josue

(Nossa, companheiro, obrigado por me avisar que ela tem dono)

28.JUL.201001:20 AM

FELIZ CUMPLEAÑOS,AL HOMBRE MAS MARAVILLOSO DENUESTRA ERA CONTEMPORANEA;HABLAR DE TAN ILUSTRE HOMBRE ME LLENA DE PASION DE PATRIA DE AMOR DE PUEBLO,DE ESPERANZA PARA LATINOAMERICA:ERES EL HOMRE CLARO,DIAFANO Y SENCILLO QUE TODOS LOS PUEBLOS DESEARIAN TENER Y QUE ESA FUERZA CREADORA DE TU SER ,TE ILUMINE SIEMPRE PARA GUIAR A LOS PUEBLOS DE LA AMERICA. TU GRAN OBRA GUIARA NUESTROS NIETOS HACIA EL PAIS QUE SOÑAMOS. FELICIDADES¡¡¡¡¡¡¡¡¡ IVONNE

(Que fófis, Ivonne)

28.JUL.201001:30 AM

feliz cumpleaños, camarada presidente, hoy en el consejo comunal del Caribe en honor a su cumpleaños, se estará realizando el primer matrimonio civil que se efectúa en toda Venezuela en una casa de consejo comunal esto se hará con el fin de fortalecer nuestras casas comunales con su comunidad para rescatar para estas próxima selecciones algún que otro indeciso este matrimonio que se llevara a cabo en su honor fue conformados por las patrullas socialistas de esta comunidad las personas con trayentes son pertenecientes al psuv y con el cien por ciento de apoyo para usted señor presidente,la casa comunal esta ubicada en la avenida sucre de catia segunda calle del Caribe subiendo por las camionetas de alta vista a 50 metros de la avenida sucre esperamos sea de su agrado feliz cumpleaños le desea quien le quiere adamari hoy,mañana,siempre carmen

(Veja quem é o Conselho da Comunidade e quem era seu primo mais velho)

28.JUL.201008:55 PM

papi bello estoy gritando de alegria es tu mami la que te ama desde guanarito eres lo maximo te estoy esperando y pues deseo de corazon que te la pases super cuanto daria por estar junto a ti en esta fecha tan especial en programa hable mucho de ti amor cuando vengas quiero decirtelo personalmente te quiero muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuchoooote soy YOENNI MI NUMERO ES Y MI CORREO ELECTRONICO xxxxxxxxxxxx@HOTMAIL.COM

(“Sai que é sua, Taffarel!!!”)

Enquanto isso, no Chile:

América Latina y el Caribe crecerá 5,2% en 2010

Para 2011 se espera un repunte de 3,8%, debido a incertidumbres que persisten en la economía internacional, sobre todo en Europa.

(…) Las mayores tasas de crecimiento en 2010 se observan en América del Sur, encabezadas por la economía de mayor tamaño, Brasil, que crecerá  7,6%, seguido de Uruguay (7,0%), Paraguay (7,0%), Argentina (6,8%), y Perú (6,7%).

Otros países tendrán magnitudes de crecimiento menores, como República Dominicana (6,0%), Panamá (5,0%), Bolivia (4,5%), Chile (4,3%) y México (4,1%). En tanto, Colombia crecerá 3,7%, Ecuador y Honduras 2,5%, Nicaragua y Guatemala 2,0%, mientras que Venezuela mostrará un retroceso de -3,0%. (…)

O estudo econômico 2009-2010 que apresenta as previsões da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL), braço das Nações Unidas, é do dia 21 de julho.

Morram de inveja os que não são pop.

fraymifoto via Flickr / Foto: Franklin Reyes/J.Rebelde
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Educação Moral e Cívica: seus filhos precisam estudar na Coreia do Norte

Leandro Demori | Itália 20:57 | 28/07/2010

Lembrei dessa matéria obrigatória que frequentei lá pela quinta série no colégio em que estudei. Tínhamos também PPT (Preparação Para o Trabalho), mas EMC (Educação Moral e Cívica) era algo bem mais militar, digamos.

Aprender a cantar o hino, a subir e descer bandeira, a marchar no sete de setembro, a ter orgulho do país, essas coisas. Tipo te ensinar a amar alguém na marra: “me ama, porra”.

Lembrei de EMC depois que li uma notícia no La Repubblica [original em italiano] que, resumidamente, diz isso:

“Incrível episódio na Coreia do Norte, com os jogadores mantidos em pé por cerca de seis horas em um palco montado no Palácio da Cultura. Diante deles, cerca de 400 pessoas os insultavam publicamente. O ‘castigo’ foi dado pelo fiasco do time na Copa da África, sobretudo após a derrota de 7×0 para Portugal. Pior ainda para o treinador Kim Jong-Hun, que foi mandado para um canteiro de obras em Pyongyang para trabalhar como pedreiro. Segundo a Rádio Free Asia, fonte da informação citada pelo La Repubblica, os jogadores foram penalizados por terem traído a confiança do ‘Caro leader’ Kim Jong-Il.”

Caso a informação seja realmente verdadeira (nenhuma esperança de que não seja), o compacto abaixo foi certamente passado sem qualquer edição extra pelas bandas do lado de lá da continência:

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“E se eu te disser que essa lei ancestral pode mudar?”

Leandro Demori | Itália 21:10 | 27/07/2010

Bem, “se tu me disser que essa lei ancestral pode mudar” eu tenho certeza de que estaremos diante da maior revolução de costumes da civilização nos últimos mil e quinhentos anos.

O Irã segue a Sharia, lei islâmica baseada no Corão e na vida de Maomé — a vivida e a contada. É a Sharia que prevê apedrejamento e, sendo o Corão ditado por deus a Maomé e estando o próprio Maomé morto (confere?), fica um pouco difícil “tu me dizer que essa lei ancestral pode mudar”.

Caso “essa lei mude” (#ligalula) eles terão que mudar também o nome do país (República Islâmica do Irã) e mandar embora do território todos os que seguem esses preceitos. Não por acaso, 89% dos iranianos são xiitas e defendem, por exemplo, casamentos temporários nos quais a mulher pode ser comprada. Quatro casamentos temporários garantem um lugar no Paraíso. No Afeganistão, xiitas também podem se negar a dar comida às esposas caso elas se neguem a fazer sexo.

Se é pra salvar o mundo, salva direito.

Ou não.

Vai que dá, né?

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Kelpers, Kosovo e Kristina, assim com K

Maurício Boff | Argentina 16:03 | 26/07/2010

Façamos um exercício de futurologia (sou péssimo com isso, mas cabeça-dura demais pra evitar): pense na criação da República Antártica dos Kelpers Unidos, na sua incorporação como membro do Mercosul e na instalação de uma Embaixada do que antes se conhecia por Ilhas MalvinasFalklands em Brasília.

Imagine que o governo brasileiro negocia com o governo kelper a assinatura de um tratado bilateral para o ensino do Português em Puerto Argentino Port Stanley por professores brasileiros, e do Inglês no Braziu para professores nacionais. Sim, minhas premissas são falíveis. Faltará professor de Inglês, mas isso não está em discussão.

Imagine que uma parcela razoável da classe média brasileira decida, então, viajar ao arquipélago para surfar big waves no Atlântico Sul ao invés de Bells Beach ou ao longo da Gold Coast, na Austrália. Seria muito mais “barato” competir com os leões-marinhos do que com os tubarões da Oceania.

Imagine praias lotadas, morenas de quina-pra-lua, guarda-sol multicolorido, mate-leão (no caso das Malvinas, quente) e biscoito Globo! Ah, pagode, samba e funk não faltariam pra movimentar o corpo e lutar contra o frio antártico. Corta essa de roquenrou.

A não inclusão no acordo de quiosques para venda de água de côco, milho verde e cerveja gelada à beira-mar mereceria panelaços em frente ao Palácio da Alvorada. Ah, sim.

A realidade é bastante diferente, mas a possibilidade de um arquipêlago independente no pé das Américas não deve ser descartada por completo desde o dia 22 de julho.

A recente decisão do mais importante órgão judicial das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) – em que seis dos 10 juízes entenderam que a declaração de inpendência da ex-província sérvia de Kosovo em 17 de fevereiro de 2008 não violava a lei internacional, muito menos a resolução do Conselho de Segurança da ONU – indica uma nova rodada frente aos interesses da Argentina e do Reino Unido sobre as Ilhas Falklands/Malvinas.

Os juízes da CIJ, com sede em Haia (Holanda), que não se pronunciaram a favor da criação de um Estado kosovar, emitiram uma opinião consultiva sobre a situação da região de população albanesa e de maioria muçulmana que autoproclamou sua independência. Mesmo que a decisão não tenha efeito vinculante, a questão deixa em alerta Buenos Aires.

A presidente Cristina Kirchner reacendeu o debate sobre a soberania do arquipélago, pediu a mediação da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e recebeu apoio dos seus pares latinoamericanos.

Kosovo tem a ver com as Malvinas, e o governo argentino estava atento a isso em 2008. Naquele ano, países como a Argentina e o Brasil não reconheceram a secessão de Kosovo, assim como fizeram outros 69 países dos 192 que integram a ONU. A decisão favorecia a Sérvia e o que restou da ex-Iugoslávia.

O argumento da Cancillería argentina é o de que o princípio da integridade territorial e do acordo entre as partes precisa ser respeitado, e que os kelpers não são habitantes originários das Malvinas. Eles são fruto da imigração de províncias da potência colonial britânica ao arquipélago.

O Reino Unido, defensor da causa albanesa-kosovar assim como a França e os EUA no Conselho de Segurança da ONU, defende que os habitantes das Falklands/Malvinas têm o direito a autodeterminação. A tese de que a independência do arquipêlago pode existir também se baseia no próprio entendimento dos juízes de que não é necessário um referendo para que a população legitime o direito de autoproclamar a independência.

Os kelpers nada têm de ingênuos: não se sabe a quantidade exata de petróleo que a região dispõe, e a potência latinoamericana o Braziu, inclusive, está atento.

O Estado argentino, que participou da opinião consultiva em Haya, deve se manifestar nos próximos dias sobre a posição dos juízes. Aliás, precisa. O governo norteamericano, por exemplo, partiu em defesa da tese de que a posição da CIJ não pode se aplicar a outros casos. Os negociadores internacionais argentinos devem reforçar o pedido de reintegração do território que perderam ao Reino Unido, em 1833. Só o tempo para resolver a questão.

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Vida bandida

Leandro Demori | Itália 09:57 | 26/07/2010

Leitura atenta à série de textos do Estadão sobre a retomada do garimpo de Serra Pelada explica boa parte do universo político que a República Brasileira vem alimentando desde sempre.

“A violência marcou o período em que a empresa Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) fecharam contrato para explorar ouro no local. Houve três assassinatos, um suposto suicídio, tiroteios e a intervenção de um ex-araponga indicado pelo então ministro, hoje senador, Edison Lobão (PMDB-MA).

O Estado revelou ontem que o grupo de Lobão montou um esquema com empresas de fachada e caixa 2 e tomou o controle da Coomigasp para garantir a exclusividade na exploração do ouro subterrâneo da jazida, localizada no município de Curionópolis, na região sul do Pará.

(…)

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) atuou em várias frentes pela reabertura de Serra Pelada. Primeiro, articulou para formalizar a Coomigasp como proprietária do garimpo. Em 2007, ele conseguiu que o governo convencesse a Vale, até então detentora da mina, a transferir à cooperativa os seus direitos de exploração no local. Em 2009, já com Lobão ministro de Minas e Energia, a Vale cedeu à Coomigasp mais 700 hectares de área. Na sequência, garimpeiros ligados a Lobão assumiram a entidade em um processo conturbado e violento. Nessa época, foi fechado o contrato entre a cooperativa e a empresa canadense Colossus, constituída por um emaranhado de pessoas judídicas, mas, na prática, controlada por brasileiros com ligações estreitas com o próprio Lobão. A Vale afirma não se interessar pela exploração da área.”

Lobão comandou o Ministério de Minas e Energia porque, além dos óbvios interesses, é ministro da “Cota PMDB”. Michel Temer foi presenteado com a mesma cota ao ser lançado vice de Dilma. O PT não é culpado por criar o monstro — a “cota PMDB” foi gorda em todos os governos anteriores –, mas por continuar a alimentá-lo. Porque, afinal, sem coalizões ninguém governa, não é mesmo?

“Correr, com lágrima com lágrima
Com lágrima nos olhos
Não é definitivamente pra qualquer um
Mas o riso corre fácil
Quando a grana corre solta”

Bora pra festa.

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Vota Braziu

Leandro Demori | Itália 09:00 | 23/07/2010

Nunca fui muito bom em pedir votos, mesmo que já tenha feito parte de algumas seleções por essa vida (1, 2, 3, 4).

Mas venho aqui, caro eleitor, para tentar mais uma vez.

Com apenas poucos meses de existência (começamos a postar em fevereiro desse ano) o braziu.org já participa de sua primeira seleção de blogs: estamos listados no Votorama, da MTV, que quer saber “Qual é o melhor blog ou site de política do Brasil“. A lista é organizada pelo Marcelo Soares.

Veja a seleção de blogs de política do Votorama aqui.

Vote — não precisa cadastro nem nada do tipo.

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Preto matando preto

Leandro Demori | Itália 08:11 | 21/07/2010


Ilustração do Menezes, que faz isso pela simples busca da fama

A edição que recebo todas as manhãs do International Herald Tribune graças ao presente involuntário da americana que morava aqui antes de mim — e esqueceu de mudar o endereço da entrega — chama de roofers os jovens que formam uma das tribos da “subcultura” de Moscou. Os roofers passam os dias em silêncio, contemplando a cidade dos topos dos edifícios. Lá em cima, buscam algum tipo de paz perdida em meio ao caos dos mais de 10 milhões de habitantes da capital vermelha. Os roofers são invasores. Para entrar nos edifícios, testam combinações prováveis tentando quebrar as senhas das fechaduras eletrônicas predominantes. Em último caso, tocam em apartamentos aleatórios dizendo-se entregadores de qualquer coisa ou vizinhos descuidados que esqueceram a senha ou a chave.

É improvável que doa aos jovens russos de hoje serem mundialmente conhecidos por uma termo em inglês (o jornal sequer traz a palavra roofer em russo e diz que eles próprios se chamam assim). Certamente causa mais desilusão o fato de alguns novos roofers terem transformado a arte de se isolar em negócio: cobram de 13 a 80 dólares por pessoa para fazer um tour de invasões pelos prédios da cidade. Uma afronta.

Os roofers de Moscou fazem parte de uma minoria em extinção: a das pessoas que só querem ficar quietas no seu canto. E se incomodam quando são confundidos com vândalos ou arrombadores. Os roofers de Moscou não querem confusão, fama ou defender grandes ideais. Os roofers de Moscou sabem que só podem salvar o mundo deles mesmos e que isso exige dedicação extrema.

O exército do Sudão anuncia semanalmente uma lista de mortos como se fosse uma empresa dando satisfações aos acionistas. Darfur é hoje o centro da mais brutal das guerras humanas em curso. Ninguém se importa com Darfur porque defender ideais pelas redes sociais não é diferente de buscar inserção social: os atores e autores precisam ser minimamente conhecidos. É inútil entupir o Twitter de convocações que ninguém atenderá. Israel x Palestina, por exemplo, é hype e garantia de tornar seu perfil público mais “humano”. Darfur é furada, é só “preto matando preto”.

Antes de querer salvar o mundo dos outros deveríamos aprender a salvar o mundo de nós mesmos.

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A tolerância é uma cabeça de cordeiro no banco de trás do carro

Leandro Demori | Itália 13:08 | 19/07/2010

Publico abaixo entrevista com Nello Rega, jornalista italiano ameaçado de morte pelo Hezbollah por ter contado “mentiras sobre o Islã”. O autor das perguntas é Francesco Giurato, amigo e também jornalista italiano. Correções são bem-vindas na caixa de comentários, já que traduzi às pressas porque a vida precisa andar.

Todas as informações foram passadas por Nello Rega, todas as alegações de ameaças foram confirmadas por ele e somente por ele, e podem ser contestadas, também, na caixa de comentários.

Concluo no final.

Nello Rega, 43 anos, de Potenza (Basilicata), trabalha na redação da editoria de Exterior da RAI. Jornalista profissional desde 1993, trabalhou para o Jornal Radio RAI Tre, San Marino RTV e Radio Dimensione Suono. Assinou, como autor, um programa na RAI Tre. Colabora também para jornais e revistas italianos. Formado em Ciência Política, é também diplomado na Escola Superior de Jornalismo de Perugia. Deu aula de jornalismo radiofônico no Istituto per la Formazione al Giornalismo di Urbino e também no Master in Giornalismo dell’Universita degli Studi della Basilicata. Cobriu acontecimentos nos seguintes lugares: Romênia, Grécia, Albânia, Iugoslávia, Algéria, Chipre, Iraque, Kosovo, Líbano, Territórios Palestinos, Israel e Afganistão. É autor dos livros “A Sud di Bagdad” (2003), “Sud dopo Sud” (2006), “In volo, missione dopo missione” (2006). Vencedor de prêmios italianos e internacionais como “Campana d’argento per la Pace” edição 2006. Desde 2005 é presidente da Together Onlus e do progeto humanitário Libanltaly. Tem estreito relacionamento com o Oriente Médio. Há 8 meses publicou um livro chamado “Diversi e Divisi” que descreve a história de amor entre um católico e uma muçulmana. Através das descrições de cena da vida cotidiana, o autor ressalta as diferenças que separam as duas religiões, e também os pontos de interrogação comuns às duas culturas. A sua “culpa”, segundo os extremistas que o ameaçaram e o ameaçam há mais de 6 meses, é de ter contado “mentiras sobre o islã”.

Você mentiu sobre o Islã?
Jamais. Antes fosse. A verdade é que existem profundas diferenças entre essas duas religiões, no modo de entender o que é a religião e para que ela serve. Eu vivi essa diferença na pele, seja antes do lançamento do livro, no qual narro minha história de hoje que termina com o relacionamento com uma mulher muçulmana, mas sobretudo depois, com as ameaças de morte pelo que escrevi. Mas eu disse somente a verdade. A demonstração de que meu objetivo é o de iniciar um percurso de integração é representado por Togheter, a associação no profit da qual sou presidente há muitos anos e que tem como objetivo esse entendimento entre cristãos e muçulmanos. O livro é destinado exatamente a isso, inclusive os lucros, a um projeto chamado LibanItaly, e em particular à realização de um centro já escolhido em uma cidade do norte do Líbano onde crianças cristãs-maronitas e muçulmanas crescem juntas no oratório salesiano de Jounieh, com o ensinamento da convivência, da paz e da esperança de que podemos viver juntos.

Que verdades você contou?
Uma verdade incômoda. Ou seja: que nós, ocidentais, somos os “infiéis” na visão de muitos islâmicos. Isso porque vivemos em sociedade laicas, onde as pessoas, homens e mulheres, podem determinar as próprias escolhas com base em direitos civis e não na religião – esta vivida como um momento íntimo e reservado de cada um de nós. A mesma coisa não se pode dizer sobre muitas comunidades islâmicas onde a mulher, por exemplo, é um objeto. Nas últimas páginas do livro, justamente para “desmontar” a dialética desses grupos, que definem como mentirosas as minhas afirmações, eu proponho 9 perguntas para fazer ao islâmico ortodoxo (não ao moderado). Lendo-as, qualquer um pode ver que são perguntas com bom-senso, lógicas, da própria evolução que a mulher merece nesse mundo islâmico. Por exemplo: por que o testemunho de uma mulher em um tribunal vale a metade do testemunho de um homem? Por que ainda hoje a Shaaria [a lei islâmica] aceita a poligamia somente no sentido de homens poderem ter muitas mulheres e não o contrário? Por que uma mulher xiita não pode casar com um homem de outra religião? Por que em Meeca não é possível construir uma igreja católica sendo que em Roma, que é a capital do catolicismo, existe a maior mesquita da Europa? Por que ainda hoje em países árabes as mulheres não podem dirigir? Esses são somente alguns exemplos. Infelizmente, as leis incompreensíveis ao mundo ocidental que existem na Shaaria são muitas mais.

Você acredita que seja possível uma integração entre o islamismo definido como ortodoxo e o cristianismo?
Antes de acreditar eu espero que seja possível, mas devo ser sincero: até que não sejam mudadas as respostas para as questões que fiz acredito que a tentativa de unir esses povos é inútil. Pessoalmente, acredito que um terreno comum possa existir, mas deve ser fora da religião. Me refiro à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Não por acaso os países muçulmanos não assinaram. Até que parte do mundo islâmico, que hoje, infelizmente, representa o fechamento dominante daqueles países, não se adeque às regras comuns de viver e conviver civilmente, qualquer tentativa falirá.

Quando começaram as ameaças contra você?
O conteúdo do livro me custou ameaças de morte por parte do Hezbollah já poucos dias depois do lançamento, depois de publicar no meu blog que eu lançaria um livro que relataria o amor entre uma mulher muçulmana e um homem cristão. Projéteis vazios e um anúncio de morte, uma “fatwa”, como é chamada, foram encontrados nos estacionamentos dos estúdios da RAI, onde trabalho. Depois disso, eu denunciei à polícia, que prontamente me pôs uma escolta à disposição. Hoje, policiais são avisados sempre que me movo de um lugar para outro e avaliam a situação. A Ordem dos Jornalistas e o Sindicato também se mobilizaram, se posicionaram ao meu lado e me deram forças para continuar. Com o terrorismo não se “chega a um acordo”. Continuei o percurso de divulgação do livro em toda a Itália.

E depois?
Nos dois meses sucessivos ao lançamento do livro recebi mais projéteis e mais ameaças, sempre assinadas pelo Hezbollah. Evidentemente o meu “comportamento” e as minhas declarações após a primeira ameaça não agradaram essas pessoas, que continuaram a ameaçar. Uma espécie de escolta midiática começou naquele momento, graças ao apelo de numerosos colegas e de duas investigações parlamentares iniciadas por dois ex-colegas jornalistas que hoje estão no parlamento. Depois das minhas primeiras aparições na TV por conta do livro e das ameaças, minha mãe recebeu em casa outro pacote com projéteis. Junto, uma carta onde me intimavam a não ir mais para a TV. O silêncio, nesse caso, ajudaria os terroristas. Devo dizer, no entanto: minha situação de perigo em alguns momentos foi avaliada como menos perigosa do que na verdade era. Avaliada pelas forças de ordem. Agradeço aos policiais que me dão escolta, mas não posso deixar de dizer isso.

Em que sentido?
Depois de algumas semanas, lá pelo final de outubro, encontraram um outro envelope nos estacionamentos da RAI, novamente com projéteis e a mensagem “Morirai in nome di Allah con la mano di Hezbollah perche’ vai in televisione e dici bugie”. Em Roma e no Ministério do Interior, mesmo depois disso, não se move uma folha. Devo confessar que, mesmo que tentasse esconder publicamente, comecei a ter medo, muito medo. Na verdade, quando estava em Potenza, minha cidade, me sentia seguro, por que o governador da província tomou medidas de proteção. Foi o único naquele momento. Mas quando eu estava em Roma me sentia somente nas mãos de deus. Fiz muita força para não dar um passo atrás, até porque isso seria a vitória de quem me ameaça. Continuei a divulgação do livro, como faço até hoje. Fui em mais de 100 cidades em 7 meses. Por onde ando encontro apoio.

Qual foi o pior momento?
Dia 26 de novembro do ano passado: eu estava em Potenza e, ao me afastar do carro por cerca de 30 minutos para comprar jornais, quando volto encontro no banco de trás uma cabeça de cordeiro. Naquele momento foi tudo ao extremo: tensão, medo, e ver que a minha situação continuava a ser avaliada como “nem tão perigosa” [ele estava sem escolta] me fazia pensar em parar. Encontrei aquela cena macabra em plena luz do dia, e isso que me dá mais medo. Tomei uma medida extrema: pedi para ser interrogado pela Justiça por “provocado alarme”, ou seja, como se eu próprio tivesse botado aquela cabeça lá, pois estava cansado e indignado com as autoridades que deveriam me proteger. No dia 4 de janeiro, mais um envelope, mais balas. E um mês atrás, no dia 7 de abril, uma última ameaça, com mais projéteis. O meu medo é que, depois que passe a “novidade”, do primeiro jornalista na Itália ameaçado por fundamentalistas islâmicos, as pessoas esqueçam. A indiferença é o que mais me assusta.

A Síria baniu hoje a burca em universidades. Antes dela, outro país islâmico havia tomado medida semelhante: o Egito. O polêmico véu que cobre praticamente toda a mulher que o veste não é mais somente uma relação de forças entre “O Ocidente” — França, Bélgica e Dinamarca, por exemplo — e o “Mundo islâmico”.

Alguns valores precisam urgentemente sair do senso comum da luta do “bem contra o mal” caso se queira chegar a algum lugar. Caso se queira.

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Mano Menezes é o novo técnico da Seleção. Isso:

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